(Versión en español en los comentarios)
[Suspiro] Daqueles profundos, depois de pensar: “Que andamos aqui a fazer?”. Que ando aqui a fazer? Não, não se limita à pergunta existencial, filosoficamente talhada para um ensaio ou registo de argumentos de beleza política. “Que andamos aqui a fazer?” é das perguntas que exigem reflexão: sentir e pensar antes de responder, por carregar nuances de imensos sentimentos e acontecimentos que cada pessoa vive. E que o mundo vive. Não posso abarcar o mundo, é-me impossível suportá-lo, não sou chamado a isso. Ninguém o é. É difícil, muito difícil pensar e viver o justo nos tempos que correm. Na era da informação, onde tudo se sabe, entra-se pelas casas ou almas dentro movido não pela grandeza, mas pela inveja acomodada. Talvez não seja nada novo. Marca-se com o degredo de audiências que se arrastam pela penúria do momento do sexo desvelado por câmaras espalhadas em cada canto da miséria humana, como se isso alimentasse a frustração sentida de não poder voar mais alto e mais longe. E conseguem-se mentes pequenas, pequeninas que aplaudem nem sabem bem o quê, ao sabor da emoção sem critério. Instala-se o “está mal, porque não me dá jeito”, entrando pela crítica fácil… onde a Memória vai sendo difuminada para o canto sombrio da existência. Dói estudar História, Sociologia, Antropologia, Filosofia, Literatura e, sim, Teologia, adquirindo a gramática ou o esqueleto da reflexão. O Comunismo fez mal, o Socialismo fez mal, a Monarquia fez mal, o Fascismo fez mal, a República fez mal… o poder da falta de Liberdade faz sempre mal. A Liberdade constrói-se entre perder e ganhar, saindo de si. E é difícil perder. Mais que ganhar. Consegue-se democracia onde os que perdem ganham outra força para denunciar as injustiças dos que ganharam. Se a força tem como base o rancor e o ódio, dá-se o virar de discos a tocar a mesma música, apesar da letra mudar. Se a força tem como base o querer dar Vida ao outro, a partir da colaboração, já não interessa a competição, mas a vontade de que todos, mais que vencedores, sejam. Talvez aí deixe de ser necessário emigrar, fugir, refugiar-se. “Que andamos aqui a fazer?” Da minha parte, a deixar-me “ser do tamanho do meu sonho”. E saindo de ilusões, a ajudar como posso aqueles que me são confiados a ser gente livre, para além da raça, da cor, do sexo, do credo, do dinheiro, da nação.