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sábado, 13 de abril de 2013

Diálogos Ocultos VIII [Especial - dia do beijo]




(Versión en español en los comentarios)

- Oh, deixa-te de coisas! Faria sentido, se não te considerasse como pessoa que pensa.
- [Risos] Que bom saber-me pensante. Mas achas que não é uma boa decisão? 
- É tão estranho, ridículo até para os dias que correm. Com facilidade tudo se desfaz, como poeira no ar. Por isso não me digas que queres dar um sim definitivo. 
- Esse é o problema. Por medo ou comodismo, por exemplo, não se quer dar o sim a outra pessoa e recebê-lo, achando que pode não dar certo. Por isso penso. Se der mal, se houver conflito, mais do que buscar a emoção imediata, pensaremos e tentaremos serenar ânimos. Ou estaremos nós na famosa “eterna juventude”, onde o gozo está em primeiro lugar?
- E não deverá estar? 
- Não renuncio ao prazer. Seria estupidez, pura e dura. Mas não permito que tenha a palavra absoluta, aliás, nenhum sentimento deveria ter. Por isso é que tudo se desfaz. Se tomas como absoluto o prazer ou a felicidade, à mínima dor... puff... acabou-se. A felicidade ou o prazer podem ser algo a alcançar, óbvio, mas com a serenidade da subida da montanha... o cansaço de caminho feito torna o abraço mais pleno. E, quem sabe, o beijo. É uma questão de equilíbrio entre dois.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Diálogos Ocultos VII






(Versión en español en los comentarios)

Podia ter sido numa tarde escura, mas não, foi a meio do dia soalheiro. Estava fresco. Vi-te a chegar. Fechei os livros e guardei a caneta de tinta verde. Preparei o espaço para te receber.
- Saudades. 
- Determinadas em ser dissipadas.
[Risos]
- Que contas?
- Libertemo-nos das palavras. Abraça-me e já está!
Começou a música. Olhámos um para o outro, soltámos uma gargalhada. Exactamente a mesma que ficou no ar, no dia do último abraço... há 15 anos atrás.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Diálogos ocultos VI



(Versión en español en los comentarios)


- Às vezes refugio-me nas palavras ou na beleza de um rosto, como se aí encontrasse o suporte da alma, ou de histórias antigas.
- Mas, que esperavas da visão renovada?
- O solidificar de caminho feito...
- ...e assim vivias o orgulho do “já está”.
- É o mais fácil!
- Não te iludas. Já o gozaste, teve o seu tempo. Novas vistas aguardam-te. Tira “roupagens” que já não interessam. Torna-te cada vez mais simples como o voo da cotovia...
- ...confiando, simplesmente confiando.
- Vês como sabes?

domingo, 9 de setembro de 2012

Diálogos Ocultos (V) - [Chegado dos Exercícios]




(Versión en español en los comentarios)


- Chego ao momento de querer ter os olhos bem abertos.
- Cansaste-te de sonhar?
- Não tem nada que ver com isso. Depois do sonho vês que se concreta a acção, o avançar em direcção ao que há a fazer.
- Ganhas outro alento, vitalidade...
- ... e o peso da história passa dos ombros para a visibilidade. Deixando de carregar a Vida, dá-se o rosto-a-rosto...
- ... mas não um “enfrentamento”...
- ... é o outro modo de querer as coisas. O corpo distende-se e as defesas em relação à vida perdem o sentido. Usas a força da palavra, também do silêncio e dos gestos como numa contradança.
- Sim, apenas possível com uma visão renovada.




terça-feira, 17 de abril de 2012

Diálogos Ocultos (IV)





(Versión en español en los comentarios)


- Não te parece que está na altura de abrir os olhos?
- Não me apetece, há todo um mundo de recordações a passar diante de mim... a partir da suavidade.
- Já alguma vez tiveste a sensação de regresso a casa?
- Hmm, como que viver cada canto e cada história? A linguagem que só as entranhas conhecem? Afinal, o que é a casa senão o mais intimo que não nos pode ser tirado?
- A isso chama-se liberdade. A possibilidade de regressar a casa, esteja-se onde se estiver. Não importa o lugar. 
[Abre os olhos]
- Ah, esse olhar tão teu. Tenho para mim que estiveste lá.
- Foi de passagem, mas senti-me livre, plenamente livre, por momentos. 

terça-feira, 10 de abril de 2012

Diálogos Ocultos (III)





(Versión en español en los comentarios)


- Se fecho os olhos volto a sentir a suavidade da tua mão.
- Seria tudo tão mais simples se as mãos fossem dadas sem medos. 
- Sim, mas há todo um mundo de cuidados a ter com imagens e interpretações. 
- Por isso é que gosto que também me vejam como um abrigo... daí a suavidade.
- É preciso partir...
- ... Sim, isso, ir mais longe, quebrando aquilo que não é...
- ... Ganhando uma nova respiração e um novo andar. Acho que já vou aprendendo algumas coisas.
- Não te preocupes, toda uma vida. Há tempo para tudo...
- ... até para fechar novamente os olhos e sentir a suavidade da tua mão.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Diálogos Ocultos (II)




(Versión en español en los comentarios)

- Hoje apetecia-me levar-te pela mão, deixando que os movimentos torneados ganhassem outra cor.
- O que te impede?
- Sim, tens razão, nada... a não ser o medo disto ou daquilo, de além ou aquém-mar, dessa falta de aragem que os pensamentos e os sentimentos têm.
- E então? Continuarás nisso... ou deixas-te embalar? 

[Estende a mão]
- Ah, como é bom deixar que os ventos levem o sem sentido dos preconcei... hmm, que mão suave a tua!

domingo, 18 de março de 2012

Diálogos Ocultos (I)





(Versión en español en los comentarios)

Há umas semanas, em jeito de brincadeira, comecei a escrever pequenos diálogos a partir de um ou outro acontecido no dia e também inspirado pelas músicas dos Danças Ocultas. Vou deixando por aqui...
No(c)turno das 7
Em conversa, ele disse:
- Ando em tanta volta cá dentro, por vezes nem me reconheço!
Ela perguntou:
- Quem és? 
Sem hesitar, respondeu: 
- Alguém em crescimento!
Sem quase deixar acabar a frase, devolve-lhe: 
- E isso não é pouco.