[Secção coisas de nada] Depois de jantar, dou um pequeno passeio pela quinta. Senti o fresco em suave brisa no anoitecer depois do calor forte do dia. Reparei nas nuvens. Fascina-me a suavidade das nuvens em anoitecer de Verão, nos tons alaranjados e rosados. Fiquei uns minutos a contemplar. Os padrões alteravam. Partes esvaiam-se no céu imenso. As transições são ensinamentos. É como as frases, os comentários, os sentires de hoje, que rapidamente transformam uma pessoa de besta em bestial ou de bestial em besta, conforme a vibe do momento. Leio tanta agressividade nas palavras. Pessoas que se transformam em ataques constantes. Mutilam-se na existência. Que se ganha com a violência da palavra? Nada. Tempos estes que cada vírgula corre o risco de ser apenas interpretada conforme a dor de quem lê. E tudo se esvai num segundo. Sim, as transições são ensinamentos. Mas deveríamos vivê-las a nos direccionar para lugares de empatia. Conhecer o rosto do outro, como infinito, recordando Emmanuel Lévinas. Perdeu a família no holocausto, mas reconhece que ainda assim há responsabilidade pelo carrasco. Se não, toda a violência é legitimada. E não pode ser. Não pode ser! Ficou mais de noite. Dizem que todos os gatos são pardos. E na sombra todos somos atravessados de igualdade. Também na luz. Por isso, contemplar o céu recorda-me a vastidão. O esvaziar da nuvem, o efémero do tempo. Mais vale aproveitá-lo em permitir-me sempre que possível dialogar. Quando não for possível, a afastar a violência até mesmo da palavra. E o sentir o fresco a serenar as ideias e a vida. Diz que Deus passa pela brisa suave. E como são suaves as nuvens transformadas pela brisa.
quarta-feira, 27 de julho de 2022
sexta-feira, 20 de maio de 2022
Beleza da complexidade humana
[Secção coisas de nada] Entre olhar o alto, como metáfora de infinito, também a olhar o baixo revela algo do imenso. A luz e a sombra apresentam sempre perspectivas diferente da mesma realidade. Se juntarmos cor, mais expansivo fica. É a beleza da complexidade. E se há coisa que me fascina é a complexidade do ser humano. A riqueza de escutar muitas pessoas ajuda-me a perceber uma transversalidade daquilo que nos é comum: todos somos atravessados de sentimentos, dores, sonhos, desejos, mistério, e transformados pelas relações. Depois a particularidade, marcada pelo tanto vivido por cada pessoa, em luz e sombra, ambas a pincelar as cores da existência. Por isso é que a escuta tem de ser livre de julgamentos, para perceber o concreto vivido dessa pessoa. A seguir, orienta-se para uma análise que permitirá a pessoa tomar um pouco mais consciência da riqueza de quem é, do que tem a manter e do que necessita libertar, abrindo-se à riqueza que os outros também são, sem exigir-lhes igualdade ou parecença. Tenho para mim que é assim que Deus nos vê: ricos de existência. E a terra avivada pela luz e pontilhada por cores torna-se lugar de oração sobre a beleza da complexidade humana.
quarta-feira, 11 de maio de 2022
Papoila
[Secção coisas de nada] Quando dou os meus breves passeios, vou observando os pormenores. Cada dia é diferente. Cada arbusto em cada dia é diferente. Cada árvore em cada dia é diferente. É o caminho da transformação, ao jeito de ciclos que renovam o ser mais pleno. Fiquei a observar a papoila. Já tinha passado por ela de manhã e não a vi. No pico de luz a cor era mais viva. Chamou-me. Quando estamos na sombra, não significa que não sejamos. Somos, num processo mais pessoal, mais de travessia e trabalho de encontro que deve de ser mais pleno com a nossa verdade. Quando vem a luz, continuamos a ser quem somos, despertando o sentido de presença. Ficamos mais descobertos. Mais expostos na luz. Se a aprendizagem da sombra foi bem feita, não há desajuste, desfoque, mas humildade. A flor simplesmente é. Apresenta a sua beleza. Nós, se estivermos centrados nesse lugar de humildade, apresentamos os dons que temos e somos, simplesmente, sem comparações, sem reacções, sem necessidades de afirmação, que levam a tantos conflitos. E desde esse lugar de verdade, em serenidade, contribuímos para a transformação do mundo, colaborando a pôr os dons a render. Em luz. Agradeci e segui caminho.
quarta-feira, 27 de abril de 2022
A beleza do concreto
[Secção coisas de nada] Depois de algumas conversas, dou um pequeno passeio pela quinta. Enquanto penso no que escutei, entregando a Deus cada pessoa, detenho-me nos pormenores. Pode ser a cor das flores, um ramo, uma teia de aranha. Desta vez, foram as gotas sobre as pétalas. Pablo d’Ors, no Biografia do Silêncio, escreve que o silêncio leva-nos à aceitação da vida tal qual é. E é tão difícil. Aceita-se facilmente as gotas nas pétalas: é óbvio. Mas apercebo-me da dificuldade em aceitar sobretudo o que não se gosta em nós, na família, nas relações. Idealiza-se e fica-se frustrado por tal não ser assim. Depois há o que chamo o duplo sofrimento: sofre-se porque algo está mal ou desajustado e sofre-se porque se sofre porque algo está mal ou desajustado. Isto é um gasto muito grande de energia emocional, até mesmo espiritual. O abstracto tem lugar na imaginação, na fantasia, importante para o simbólico, mas o concreto é, passe a redundância, o que é. Há a libertar o sofrimento porque se sofre e deter-se no que realmente faz sofrer para perceber o que posso fazer para integrar, curar, libertar. Desde os problemas com a família à riqueza dos dons pessoais, é na aceitação do que é que se dá passos de transformação. A natureza não idealiza, vive a beleza do concreto, no aqui e no agora. Agradeci o momento de beleza e segui caminho.
domingo, 3 de abril de 2022
Lâmpada e corações
[Secção coisas de nada] Achei fascinante esta lâmpada. Fiquei a ver as diferentes perspectivas da luz, da vida, do que somos. Ainda mais neste dia em que recordamos a mulher a que muitos queriam apedrejar. É tão fácil acusar sem conhecer. Tem sido notório por essas redes fora. As pedras na actualidade tornam-se comentários maledicentes, bocas foleiras, ataques ao aspecto ou características da pessoa, pseudo-conhecimento de tudo e mais alguma coisas, partilha de conteúdos para atacar, também em modo de cyberbullying. Quando, afinal, em todos nós há coisas por onde se pegar para ser apedrejado. Por isso, quando Jesus disse que quem não tivesse pecado atirasse a primeira pedra, saíram todos, a começar pelos mais velhos. Olhando para esta lâmpada fascinante, penso outra possibilidade: se encontrarmos a luz que nos habita e a reflectirmos, então, do mais novo ao mais velho, juntamo-nos e formamos comunidade de vida. Acho que ainda não disse: a lâmpada é fascinante. Mas mais fascinante são os corações luminosos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Raízes
[Secção coisas de nada] Achei fascinante andar por um caminho de raízes. Altivas, fortes, imensas, entrelaçadas, numa comunicação de vida. Parava. Observava. Imaginava as minhas raízes, das mais longas no tempo, às recentes: familiares, espirituais, existenciais de experiências vividas. O interessante: as raízes não se podam. Não podemos arrancar o nosso passado. O que se viveu está lá. No acompanhamento vou fazendo perguntas para ir o mais ao fundo possível do sentir, do concreto do que se viveu, para se perceber, por exemplo, onde é a raiz do sofrimento. Não se podendo arrancar, é possível curar. E nessa cura, ela fortalece e pode dar mais força e serenidade ao tronco e aos ramos. Estes últimos, sim, podem ser podados, direccionando futuro, em flores ou frutos bons.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Estrelas em terra
[Secção coisas de nada] De uma das janelas do gabinete onde escuto, tenho acompanhado o florir de uma magnólia. Flor em flor, foi despontando até se revestir de branco. Depois de uns momentos de silêncio, contemplei-a, serena, no anoitecer. Enquanto olhava as flores, a serem envolvidas pelo escuro da noite, imaginei-as estrelas em terra. Como cada pessoa a querer ser ponto de luz na escuridão que pode estar a vida, sua ou de alguém. Cada vez mais pessoas vêm desabafar a sua escuridão. E em muitos casos é grande. Enquanto as escuto, acompanho, tentando orientar em direcção ao pontilhado luminoso presente nas suas vidas. Deus tem sempre meios curiosos para nos revelar a luz. Isso, estrelas em terra. Sempre sagrada, como é cada pessoa.
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Pinceladas de beleza
[Secção coisas de nada] Amanheceu com tons de mistério. O nevoeiro rodeava a quinta, dando-lhe silêncio ainda mais sossegado. Detive-me nas pinceladas de beleza. Como a fragilidade de um fio, que à escala revela tanta força para aguentar o toque da bruma. Pensei nas pessoas frágeis que são, ainda assim, sinal de força de vida. E que aguentaram tanto. As memórias e as experiências que se tornam resiliência no caminho de encontro. Desde aí, formam redes, entrelaçam relações, partilham histórias como testemunho de que é possível, apesar da fragilidade, ser forte. O nevoeiro foi levantando. O sol despontou. Enquanto contemplava os pequenos diamantes a brilhar pousados nas pinceladas de beleza, o tempo parou e senti a leveza da eternidade. Agradeci e voltei à escuta de vidas também plenas de mistério do imenso de humanidade.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2021
Olhar o horizonte
[Secção coisas de nada em ante-véspera de Natal] Olhar o horizonte provoca em mim esperança. Tenho perdido a pressa de estar lá, no futuro, libertando-me das ânsias do amanhã. Sucedem-se os abraços de Natal. Enviam-se os desejos bons para este dia que continua a transformar a humanidade. Mas faz cada vez mais sentido o presente e ser presente. Isso abre rasgos de céu ou vias que ligam corações em amizade, carinho, perdão, respeito. Já em ecos deste Menino a germinar e prestes a nascer tendo nele a Paz. Torna-se ramo de novidade e de esperança. Ainda assim, não se impõe. O que dá, livre e gratuitamente, só chega a quem está disposto a acolher, a receber. Quem o faz, descobre que ser divino é ter poder para amar mais e mais. Enquanto olhava o horizonte, rasgado de esperança, brotou-me a invocação:
Ó Luz sem ocaso
que embelezas a noite,
atravessa os corações empedernidos
com o mistério da Tua carne
terça-feira, 16 de novembro de 2021
Clarear horizontes
[Secção coisas de nada em Tel Aviv] Fazer uma viagem é sempre oportunidade para abrir e clarear horizontes, perguntas, tempos. Ainda mais quando há grande contraste a acontecer. Gosto de deter-me nos pormenores, detalhes, coisas de nada, de onde podem sair histórias dentro da história da viagem. Faço silêncio. Emociono-me. E parece-me que vou fazer muitos momentos de silêncio, convidado pelos rostos, contrastes e a força dos lugares com tanto significado. A vida acontece. E muito se relativiza, sobre humanidade. Daqui a pouco, Jerusalém.
quinta-feira, 4 de novembro de 2021
Silêncio e encontro
[Secção coisas de nada] Entrei no gabinete e olhei o horizonte. Mesmo repetido, cada dia é diferente. O silêncio interior, no deserto que liberta, abre-nos perspectivas. Em “O Amigo do Deserto”, de Pablo D’Ors, a personagem principal desenha em cada dia o deserto que vê da sua janela. Todos os desenhos são diferentes. O mesmo se passa connosco quando nos escutamos no silêncio: sendo nós os mesmos, as mesmas, há diferenças no sentir, no viver, no conhecer, no amar. Com o passar do tempo nesta aprendizagem de vida a compreender que somos inacabados em caminho, ganhamos serenidade ante o que é. E liberdade, sem julgamentos precipitados. Estamos muito marcados por supostos disto e daquilo, bombardeados de expectativas nossas e de outros. O silêncio ajuda a tranquilizar tudo isso, de modo a chegar ao concreto, do hoje, do presente, que abre possibilidades de horizonte, em amor e serviço, que se renovam em cada dia.
segunda-feira, 25 de outubro de 2021
Mão de asa
[Secção coisas de nada] A rever fotografias passo por esta tirada diante de outra de Wolfgang Tillmans, em Serralves. Recordo-me em imaginações de momento: de braço esticado ao céu, ganhava asa. Agora ao vê-la novamente penso no pequeno que é imenso na continuidade do ser para lá da pele. Somos nós, quando percebemos a profundidade de mistério que nos habita. Tomar ainda mais consciência de ser criado à imagem e semelhança de Deus dá-me sentido de reverência, nessa extensão do todo que nos entranha a existência. É-nos concedido o poder de criar, de agir, de amar nas ténues fronteiras de bem e mal, morte e vida, ter e ser, unir e separar. No seguimento de nós, para lá da pele, seremos capazes de voar à medida que nos formos libertando da arrogância de pureza julgadora e enraizando na limpidez do gesto de amor ao próximo.
terça-feira, 12 de outubro de 2021
Luz e Sombra
[Secção coisas de nada] Tirei o dia para maior silêncio, leitura e descanso. A dar um pequeno passeio final de tarde pelo exterior na Casa da Torre, vejo a minha sombra alongada, envolta de manchas de luz. Tenho contactado com as sombras de muitas pessoas. Faz parte da vida de quem escuta. Que só é possível viver isso bem, quando se contacta com a própria sombra. Das primeiras vezes, é terrível. A imensa quantidade de preconceitos, em jeito de véus ou barreiras, religiosos, sociais, culturais, levanta defesas e, se não formos determinados (e muitas vezes é preciso ajuda para o sermos), fugimos, em negações ou ainda mais juízos. Mas a sombra permanece. E aumenta. Enfrentar o nosso lado sombrio é fundamental para a liberdade, para deixar que a compaixão ganhe lugar na existência. Não se trata de heroísmo, mas de caminho de muito respeito e verdade connosco e com os outros. Quando a sombra é enfrentada e atravessada, surge ressurreição: uma vida nova de sentir, entender e compreender a realidade, que conduz à construção de comunidade, para lá de qualquer competição, em colaboração com os dons, ou manchas de luz, recebidos.
sexta-feira, 1 de outubro de 2021
Flores e dedos e flores
[Secção coisas de nada] Passo por elas diariamente. Entre o riso e a gargalhada, penso que a natureza também tem o seu amor e o seu humor. Podemos ser mais profundos: as flores apontam ao céu. Ou então, mais marotos: apontam o caminho a gente mal-encarada. Haja alegria. Bom fim-de-semana!
sexta-feira, 24 de setembro de 2021
Uma folha
[Secção coisas de nada] Ofereceram-me esta folha, com tanta delicadeza e carinho “se colocares a meio de um livro mais pesado mantém as cores”, que deixou de ser mais uma folha para passar a ter a densidade de pensamento, partilha, presente e presença, amizade e muito mais características novas. Nós, seres humanos, temos esta capacidade de tornar o banal em algo profundamente especial; a simplicidade em algo cheio de significado. Por outras palavras, a riqueza do simbólico que transforma o gesto e o objecto em parcela de plenitude. Quando penso na passagem em que Jesus nos convida a ser como crianças, também me vem ao coração a plenitude que lhes acontece no pequeno. Do nada, caída no chão, uma folha torna-se pedaço de eternidade e lugar de contemplação da amizade e do sentido da vida com significado nas relações desde as pequenas coisas.
quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Luz de Outono
[Secção coisas de nada] Gosto da luz de Outono. Gosto da luz em geral, mas a de Outono aquece o caminho do recolhimento, desponta lágrima de saudade, por ter o seu quê de nostalgia, e, por isso, aguça o mistério do silêncio. Para escutar a profundidade e beleza do ser, convidando a libertar tudo o que já não nos pertence e impede crescer. Gosto da luz de Outono.
domingo, 5 de setembro de 2021
Sobre a noite
[Secção coisas de nada] Gosto da noite. Atrevo-me a dizer que tenho mesmo um suave fascínio. Há bastante tempo, era pela noite no seu sentido louco, de danças em pistas ou em cima de colunas, entre conversas divertidas, com gin tónico apenas gin, água tónica, gelo e uma rodela de limão. Sorrio ao recordar. Agora, sou mais da noite no mistério do silêncio, que permite outras conversas, a maioria interiores, algumas intimistas, como aconteceu com bons amigos na noite em que tirei esta foto. A beleza era imensa. A noite é espiritual. Jacob lutou com o anjo até à aurora. Nicodemos encontra-se com Jesus durante a noite. S. João da Cruz abriu-nos à noite escura da alma. É preciso saber atravessar as noites, fazer silêncio, observar e escutar os meandros de nós, na existência, no fulgor de nós para nos permitirmos receber algo novo. Crescer. Ser adulto na fé, nas relações, na vida. Gosto da noite, com suave fascínio. No dia seguinte à foto voltei à praia sozinho. Não lutei, dancei e mais uma vez deu-se um luminoso e novo suave nascimento.
domingo, 8 de agosto de 2021
Tempo suspenso
[Secção coisas de nada pela tarde] Tempo suspenso. O que também acontece com algumas fotografias: suspendem o tempo e o acontecimento. A nuvem assim quieta no imenso céu azul levou-me a outros momentos da vida, ainda por integrar. Ajudado por algumas conversas, leituras, escutas, situações que igualmente suspendem o tempo. E encaminham até ao que não foi visto com olhos de respeito, amor, cuidado, sem julgamento, aceitando, em particular a dor, as dores, retomando-nos no único lugar que cada pessoa é: essa densidade da existência, que nada nem ninguém pode substituir ou tirar. Surge a emoção de vida nova. Depois de tirar a fotografia à nuvem, ela continuou o seu caminho. E eu, o meu. O de continuar a amar.
terça-feira, 20 de julho de 2021
Gira-para-o-sol
[Secção coisas de nada a meio do dia] Ali estava, frondoso e farfalhudo ao longe. Gosto muito de girassóis. Dizem que é uma flor a oferecer a amigos especiais. Todas serão, mas esta guarda particular luz a transmitir quando oferecida. O acto da dádiva é um reconhecimento de vida. E quando se dá o melhor que se tem, em valores para lá do valor, em passos de liberdade, então a luz abre a leveza da humanidade. A criação dá-se. A única troca que permite é a da contemplação. A amizade bem vivida é espaço e tempo de luz na dádiva, também com possibilidade de acolher a queda, a sombra, a tristeza. A dádiva pode revestir-se de perdão. Quando nos damos todos saímos a ganhar. Como se nos fossemos girando à volta da Luz. Descentrados, transcendemos e colocamos o foco na beleza da Vida.
sexta-feira, 25 de junho de 2021
O amor é um lugar de espera
[Secção coisas de nada] Os ventos de final de tarde coreografam as folhas secas de tília pelo chão. E ele ali estava, quase perfeito. Pensei: o amor é um lugar de espera. Acomoda-se a observar os movimentos de toque e a escutar conversas de alma, mais subtis ou profundos. Diverte-se em sorriso sorrateiro com os fogos de artifício das paixões que interrompem os passos quotidianos, aflorando pelo corpo as hormonas que revitalizam a vida. Ainda assim, nessa espera, sabe que pode perder. Todas as perguntas fazem sentido, sobretudo quando já passou por muito. Sendo lugar de espera, sabe que os ventos agitam as árvores. As que têm raízes fortes fortalecem a amizade entre a terra e o céu. E as pequenas folhas vão formando desenhos no caminho.





















