[Secção outros tons enquanto escuto a oração em LabOratório na SEEI, ainda com muitos ecos de ontem de Transverse Orientation, obra coregráfica arrebatadora de Dimitris Papaioannou] É preciso deixar que a pele se torne lugar de luz. Passo ante passo, fazer caminho a que o olhar amanheça para lá de suposições, modelando desde o que é. Duro, violento, alegre ou pacificado. Somos chamados a voltar ao nu do paraíso, deixando que o banal se entrecruze com o extraordinário, e desde essa beleza de segundos sem excepção permitir Deus brotar em terra aberta de água viva. E nenhum corpo, n’Ele, foi, é ou será esquecido. Isso também é Natal, com a pele a ser luz.
sábado, 4 de dezembro de 2021
sábado, 19 de junho de 2021
Ser luz
Poema de Matsuo Bashô, em “O ermita viajante - haykus - obra completa”, ed. Assírio e Alvim
[Secção outros tons] Em cada dia de escuta, confirmo: o desejo incessante de habitar-me de luz. Aí agita-me o amor. E no silêncio, atravessando as sombras, respeito os tempos que não são meus, observando e agradecendo os voos iluminados de liberdade.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Dia de todas as cores
[Secção outros tons em Quaresma]
Anoitece:
arrasta-se o mesmo ritual
na pressão do igual
sempre igual para agradar a sociedade
e os modos de ver Deus
as preces de ontem ofuscam o silêncio
do grito cansado de repetir
o sacrifício de anos
quando entenderemos que Deus
traz o amanhecer?
no dia de todas as cores
sem sapatos nos pés
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Quarta-feira de Cinzas
[Secção outros tons em Quarta-feira de Cinzas] Gosto de recordar-me pó. Esse pó da terra primordial que somos chamados a regressar, o qual Deus modela e insufla o Seu alento. No presente, no hoje, no agora. Nos tempos que vivemos penso na fragilidade como cinzas sopradas. Somos chamados à Vida, sem esquecer sermos matéria que quebra e se desfaz em erros, falhas, pecados, possibilitando a porta à fértil compaixão. Hoje é dia de reconhecimento de que o futuro está aberto a algo novo se assim o permitirmos. É o modo de preparamos o húmus, ou a humildade. Desde a oração que se faz de silêncio e infinito.
sábado, 28 de novembro de 2020
Rasgo de luz
[Secção outros tons em tarde que se abre ao Advento, enquanto oriento Exercícios Espirituais]
Quero ser rasgo de luz
nas vias da escuta
de corpo que conduz
a paz
sábado, 21 de novembro de 2020
O instante
[Secção outros tons em estado de emergência] Aqueles breves segundos sustêm a respiração. Abro a janela de par-em-par ficando de frente com o infinito que transita o tempo. Posso estar confinado, mas ninguém me tira o sonho. As palavras ficam suspensas no fogo tardio. Naquele instante de silêncio contemplativo não há poderes, não há governo, não há partidos políticos, apenas a oração por quem entrega a vida. Todas as horas são boas para agradecer. Em algumas, pouso os ruídos e peço consciência para que haja novo amanhecer em cada coração pronto a deixar-se iluminar em amplos horizontes. Sim, podemos estar confinados, mas sempre com possibilidade de sonhar. E de agradecer.
quarta-feira, 15 de julho de 2020
Subtil definição de amor
[Secção outros tons] Às vezes fico à espera do silêncio. O calor acalma, amaina, serena, desacelera, fazendo deter o olhar no descanso das horas. O silêncio vem pela observação de algo novo: um jarro de duas pétalas. Amarelo. Surge o entusiasmo pela descoberta. A flor simplesmente é, sem porquê. O silêncio com a contemplação do jarro amarelo recorda que parte de nós é, simplesmente, sem porquê. Pode ser uma subtil definição de amor.



















