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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Il faut tenter de vivre




[Coisas do quotidiano em Paris - em modo “outros tons”] 

Il faut tenter de vivre,
é o mínimo. 
Por isso ganho tempo
na leitura

de pedras feitas carne
de olhares transformadores
de toques entre a roupa,
a pele, o vento, a tua mão.

Il faut tenter de vivre,
não permitindo o peso
do irreparável, do nunca mais.

E doo amor,
enquanto vivo,
enquanto vives.


[Foto: Olhei para o lado, o título do capítulo chamou-me. Apenas pedi licença para tirar a foto, não quis saber qual era o livro. A abertura do capítulo e as primeiras frases bastaram-me.]

sábado, 8 de novembro de 2014

Pedaços de tecido... ou...



Ontem em passeio de conversa boa, demos com uma pequena praça muito simpática em Paris [tenho de lá voltar, esqueci-me do nome]. Numa das esquinas de entrada para a praça estava uma loja de tecidos. A vitrine cheia de pedaços ordenados em cor chamou-me a atenção. Fico a pensar sobre a diversidade e a unidade, no diálogo que não pode cessar entre essas duas realidades. Aqui, é uma montra de pedaços de tecido… podia ser uma praça, um auditório, um autocarro, um avião, um congresso, uma missa, uma concentração, uma manifestação, uma peregrinação, cheios de gente.

sábado, 1 de novembro de 2014

Ser santo... ou modelo de santidade. ;)



[Coisas do quotidiano em Paris - Especial dia de Todos os Santos] Regressava da Missa. No metro, claro está [eu e o metro, com tantas histórias]. Vinha a pensar na santidade, nisto de ser santo… Estes últimos dias têm-me feito pensar bastante nesse sentido. Apercebi-me que estava a ser modelo de “sketching”. Aquele olhar típico em subida e descida, acompanhando a caneta no movimento de registo. Não resisti à curiosidade e fui espreitar. Pedi para fotografar. A minha imagem, em conjunto com a de outras pessoas, irá até à Noruega, pelas mãos da Milly. Seguindo viagem, continuei nos pensamentos: Até que ponto a santidade não será o deixar-se ser modelo para alguém? E, no fundo, permitir que esse testemunho vá pelo mundo fora? Parece-me que, para isso, há que desejar ser santo. Eu quero continuar a sê-lo cada vez mais. Não pela auréola, altar ou ar cândido, mas pela certeza da conversão, de, apesar dos medos ou dúvidas ou pecados, deixar-me transformar em direcção do amor e da justiça. Sim, quero ser santo e quero fazer milagres, dos que aliviam penas e dores, ao jeito de Deus que ama e faz sorrir pelo seu humor, que serena o coração e acolhe. Regressava da Missa, no metro, e vinha a pensar nisto de ser santo. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

"Messieur-dame on ferme !" [Rituais de Paris]




[Coisas do quotidiano em Paris] Estávamos de conversa, acompanhados pelo Sol de Outono que fazia avivar as cores de fogo e a vontade de passear. Gente e gente por ali, à volta do lago, entre filhos, pais, avós, junto com namoros (fugazes) e leituras final de tarde. Mesmo final… pois começou o ritual de adormecer as folhas por cair, chamando à movimentação geral de novos andamentos: “Messieurs-dame on ferme !”, cantado ao jeito de anúncio do programa de espectáculo de l’Ópera Garnier ou Bastille. Aqui, apenas será a orquestra do vento e o bailado das árvores… em exclusivo para os seres da noite. Esses que despertam depois de todos terem saído.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Ai trocas de línguas [ou mentes, "qu'enfim"] ;)




I. P.


[Coisas do quotidiano em Paris] Está-se de passeio e repara-se em “publicidades” ou “placardes” que, “prontoS”, é o que dá confusões de línguas… ou mentes, “qu’enfim”, lêem e percebem outras coisas (claro que falo por mim… ;) ).

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Estrutura e humanidade




[Coisas do quotidiano em Paris] Estava a caminhar e passei pelo Louvre. Estavam a desmontar uma tenda gigante. Achei piada à simetria ou linearidade… entre a estrutura e a humanidade. Apenas isso. ;)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Do engano à autenticidade


Erin Smith


[Coisas do quotidiano em Paris, mas que poderia ser em tantas outras partes do mundo] Desta vez não tirei foto, como há tempos com os sapatos. Havia que proteger a identidade de alguém que protegia o sentir. Talvez não se possa dizer protecção, será mais mascarar. Ao longo da viagem, de uma estação para outra, ia tirando selfies, com sorrisos tão bonitos… que logo caiam. Numa das vezes até encheu as bochechas de ar. Foi apenas naquele segundo para a foto. Rapidamente voltou ao semblante transformado em solidão. Assim ficou, mais um pouco, com olhar de fundo. Emocionou-se. Lá teria as suas coisas. Saiu na estação seguinte. Continuei em viagem: agradeci a sua vida… e pensei nas vezes que me enganei a mim mesmo com sorrisos, em tempos que apetecia chorar. Recordei a liberdade e leveza que senti quando comecei a viver a riqueza da autenticidade.

sábado, 7 de junho de 2014

[Coisas do quotidiano em Paris]




Na crónica de ontem no iMissio recordei que não é o extraordinário que faz a vida, mas o quotidiano. O extraordinário o que faz é dar impulsos de vida para que o quotidiano siga no bom ritmo. Venho eu no Metro [qualquer dia escrevo um livro sobre os acontecimentos que vivo no Metro] e o maquinista, depois de informar que por razões técnicas ficaríamos uns minutos parados, começa a cantar “moving like jagger” dos Maroon 5. Seguimos viagem e ele todo animado, continua a cantar, deixando os passageiros com um sorriso de boa disposição. É isso, toda uma animação no Metro. :D

terça-feira, 1 de abril de 2014

[Arte]



(Versión en español en los comentarios)

[Coisas do quotidiano em Paris]

[Tradução livre pela minha pessoa:

Esculpe, lima, cinzela;
Que o teu sonho flutuante,
Se sele,
No bloco resistente!]


Tenho para mim que a paixão ajuda a isto… e não me parece que seja mentira! ;)

terça-feira, 11 de março de 2014

Metafísica... exercício físico



(Versión en español brevemente en los comentarios)


[Coisas do quotidiano em Paris] Já o tinha encontrado uma vez. Hoje, “mesminho” à minha frente, lá repetiu a cena e eu, claro, tinha de registar esta raridade. Nada como uma escada rolante para fazer exercício. Não é todos os dias que acontece. Afinal, todo o lugar é um potencial espaço para distender os músculos. Depois de ter saído de uma aula sobre Heidegger, fiquei a pensar que se ele tivesse sido mais atento ao quotidiano, os seus “ser-aí” e “ser-aí-no mundo” seriam mais simples. Haja metafísica… perdão, exercício físico. :)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Montras [de livros] parisinas



[Coisas do quotidiano em Paris] Em passeio, achei piada a esta montra de livraria. Na noite de amizade da Sophia, situada entre margens de encantos que obrigam a atravessar fronteiras, encontra-se a Zona onde tudo pára. Silêncio. [Ou sedução] Nada mais há a dizer para além da fusão do beijo que assume a prioridade: “Je t’aime !”. E, também desta forma, descobrem-se outras leituras.