quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Rezar a Vida




[Secção “Rezar a Vida”] Na Companhia de Jesus celebramos hoje S. Estanislao Kostka, padroeiro dos noviços. Também a família de S. Bento (beneditinos, cistercienses e trapenses), religiosos e religiosas com especial vocação contemplativa, dedicados à oração, celebra todos os seus Santos. É um bonito dia para o “Rezar a Vida” começar a estar à venda pelas livrarias portuguesas. Haja rezar a vida. 

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Breve oração




[Breve oração ao anoitecer]

Agradeço-Te
profundamente
a lucidez, a paciência, a fé em nós,
ainda que a insensatez e gritos 

de anulação do outro te humedeçam o olhar.

domingo, 10 de novembro de 2019

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Unidade | Diversidade




[Secção pensamentos soltos] O Facebook recorda-me uma publicação com 5 anos. Esta: “[Coisas do quotidiano em Paris] Ontem em passeio de conversa boa, demos com uma pequena praça muito simpática em Paris [tenho de lá voltar, esqueci-me do nome]. Numa das esquinas de entrada para a praça estava uma loja de tecidos. A vitrine cheia de pedaços ordenados em cor chamou-me a atenção. Fico a pensar sobre a diversidade e a unidade, no diálogo que não pode cessar entre essas duas realidades. Aqui, é uma montra de pedaços de tecido… podia ser uma praça, um auditório, um autocarro, um avião, um congresso, uma missa, uma concentração, uma manifestação, uma peregrinação, cheios de gente.” 


Talvez hoje fosse uma “Secção coisas de nada”, mas o importante é que faz sentido pensar nessa diversidade de humanidade que lhe dá cor. No entanto, há a acrescentar cor com valores como o respeito próprio que leva ao respeito pelo outro. Um respeito que toma tempo, silêncio, cuidado, atenção, antes de julgamentos precipitados. A tentação é querer um mundo muito ao nosso modo, ao nosso tom, mas não é assim. Antes de julgar é preciso conhecer bem. Conhecer bem precisa de tempo. E somos mais de 7 mil milhões de humanos à face da terra.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Lançamento "Rezar a Vida" - Lisboa



[Secção “Rezar a Vida”] É com muito gosto e alegria que partilho o convite para o lançamento de “Rezar a Vida”. Dia 27 de Novembro, pelas 18h30, na fnac do Chiado - Lisboa. Vai ser muito bom ouvir a Ana Rita Ramos e o Henrique Raposo. Sintam-se convidados.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

O encontro




[Secção “Rezar a Vida”] Deu-se o encontro. Está muito bonito e eu sinto-me agradecido. Apetece ficar a contemplar pelo que significa de pessoas nele implicadas, de desafios, de lançar perguntas e deixar que cada qual no seu caminho quotidiano encontre respostas. A fé vive-se também desde as coisas extraordinariamente simples. Sou e estou feliz! Nas livrarias a partir do próximo dia 13.

domingo, 3 de novembro de 2019

árvores



[Secção letras verdes] Eco depois de rezar o encontro de Jesus com Zaqueu.

sábado, 2 de novembro de 2019

Fiéis defuntos




[Secção pensamentos soltos em dia dos fiéis defuntos] Das grandezas da realidade humana é a memória. Seja intelectual, seja corporal, a memória estrutura o nosso presente e o modo como a vamos visitando, respeitando, amando, orienta o caminho de futuro. Hoje é um dia de Memória e de memórias. As pessoas que já partiram atravessam-nos o pensamento. Surgem as memórias boas, em saudade do abraço, do carinho da conversa. Também as memórias amargas, de dor que revela a falta de perdão, dado ou recebido. O luto acontece desde esse recordar através das emoções, ao voltar a imaginar rostos e puxar por palavras ditas. Hoje é dia de acender vela ou velas diante de pessoas que partiram, mas mantém-se vivas na memória. Que se encontre um especial tempo de silêncio. Diante da vela, por cada nome, conforme a emoção, haja agradecimento, em sorriso eventualmente acompanhado de lágrimas. Caso haja dor, misturada de raiva ou arrependimento, que se encaminhe para o perdão por dizer ou receber. Como sugestão: escrever num papel o que ainda dói, a ferida, a revolta, permitindo expulsar as lágrimas que atravessam a alma e impedem caminho de libertação. Depois, queimar, como folhas que se desprendem das árvores, permitindo o crescimento, a renovação, um novo sim, curando a memória e dando espaço ao amor e à vida. Afinal, o “amor é mais forte que a morte” [Ct 8,5] ou, numa possível interpretação, apenas o amor pode ajudar a transformar todas as dores em vida e reencontro de luz. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Todos os Santos




[Secção pensamentos soltos em dia de Todos os santos] Este é um dia bonito de Igreja, de nomes e rostos, conhecidos e desconhecidos, de feitos extraordinários e quotidianos. É dia de esperança de (re)encontro: daqui a uns tempos será face-a-face, hoje, ainda é no silêncio da oração. A santidade reveste-se de sonhos para que todos tenham vida. Cada um de nós é chamado a fazer a parte que lhe corresponde, com gestos e palavras de autenticidade, em profundo respeito por si mesmo e pelo outro. Não se trata de ser mais ou menos puro diante de Deus, mas cada vez mais de coração de carne, onde todas as petrificações foram e são transformadas em Igreja de nomes e rostos amados e amantes. E a vida plena acontece e espalha-se, com luz, muita luz.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Rezar a Vida - o livro




[Secção Rezar a Vida] Recebi esta foto vinda de Sílvia Baptista, a minha querida editora da Matéria-Prima. Estou com grande sorriso. Apresento o “Rezar a Vida - A experiência da fé no quotidiano”. Só daqui a uns dias é que me encontrarei com ele, sentindo as páginas e o cheiro. É novamente aquela sensação de nascimento, sim. Estará à venda a partir de 13 de Novembro. Que alegria!

domingo, 27 de outubro de 2019

Agradecer




Suzanne
[Secção agradecer] 40. Dizem que têm ternura. Simbolicamente, no pensamento hebraico, o 4 significa passagem. É, sem dúvida, tempo novo. Agradeço tudo o vivido até agora, em conjunto com as manifestações de carinho recebidas ao longo do dia de ontem que emocionam sempre. Que bom! Ainda mais acompanhado pelas bonitas leituras deste fim-de-semana: “Deus não faz acepção de pessoas”, no livro de Ben-sirá; “combati o bom combate”, diz-nos S. Paulo; e a beleza da humildade do publicano que na simplicidade da oração “Meu Deus tem piedade de mim” sai justificado pela autenticidade. Olho o infinito de Mar, dou passos de dança, enquanto agradeço e peço a Deus luz, beleza e autenticidade para o novo tempo. 

sábado, 26 de outubro de 2019

40!




[Secção Vida] É dia de sorrir aos 40 anos bem vividos, com muita história na História. Tudo faz parte da aprendizagem no caminho de crescimento e liberdade. Hoje, de forma especial, agradeço muito a Deus, pela vida, família e amigos. Haja alegria!

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Boas notícias




Marta José - Dreamaker
[Coisa na vida de um padre, com boas notícias] A manhã começou muito bem. Bons encontros e abraços na Casa da Música, no Career Summit, organizado pela Cidade das Profissões - CMPorto. Um painel com muito boa disposição e animação em conversa sobre “Carreiras Fluídas” com a Edite, o Pedro e o Carlos. Para a próxima teremos mesmo de dançar! Depois, pela tarde, saber da boa notícia que faz sentido partilhar. O “Deus como Tu” foi e continua a ser cheio de Vida, com a descoberta do que significa algo que é nosso e ao mesmo tempo deixa de o ser. Recebi muitas palavras de agradecimento... e, logo, logo, ecos: “para quando o próximo?”. As coisas têm o seu tempo. Continuei a observar e a perceber o sentido. Claro, também com o reconhecimento, carinho, amizade, ajuda, muita ajuda e paciência da editora, a Sílvia Baptista, com quem tenho tido maravilhosas conversas e a chancela, da Liliana Valpaços, Matéria-prima. Assim, sem mais demoras, de coração emocionado e agradecido, dizer que o meu segundo livro está a caminho da gráfica. Em breve, darei mais novidades. Também é graças a este mundo das redes sociais que a Luz de frente acontece. Agradeço-Te o Verbo feito carne na nossa história. 

Breve oração




[Breve oração ao amanhecer] ⠀
Agradeço-Te⠀
as possibilidades de silêncio e diálogo,⠀
de ligação e ruptura, de memória e descoberta, de determinação e flexibilidade.⠀
Peço-Te⠀
autenticidade em cada inspiração.

domingo, 20 de outubro de 2019

Contemplações




[Secção coisas de nada] Estava sentado a contemplar a beleza de “Manhã de Páscoa”, de Caspar David Friedrich, quando se aproxima o casal. Não repararam que eu estava ali. Os obstáculos podem ser vistos como bloqueadores, provocando desânimo e afastamento do caminho. Ou, como possibilidade de puxar mais pelo melhor de cada um de nós, vendo novas perspectivas. Levantei-me e estavam no ângulo ajustado. Todos em sequência observávamos o eterno e simbólico novo amanhecer. Sairam e segui em contemplação.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

44 anos de vida partilhada




Kátia Viola


[Secção vidas] Agradecer. É dia de o fazer. Afinal, são 44 anos de vida partilhada, com alegria, paciência, silêncios e muitas histórias. Já tinha publicado esta fotografia. Volto a ela por ser tão expressiva no muito a agradecer de abraços que falam de vida. Ser casal tem cada vez mais a exigência de muita transformação. Não é fácil, pois o Amor implica dar e receber com muita gratuidade. E isso é aprendizagem de vida. Parabéns, Mãe Maria e Pai José, pelo vosso amor cheio de paciência um pelo outro e um com o outro! Gosto muito de vocês.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Boas recordações




[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia feliz. Com animação e sorrisos, como se quer em dia de casamento.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Career Summit | Casa da Música | Porto




[Coisas na vida de um padre] Fui convidado para ser orador no Career Summit. Será no próximo dia 24, na Casa da Música. Este evento é promovido pela Câmara Municipal do Porto, através do projeto Cidade das Profissões. Trata-se de uma iniciativa anual destinada a estudantes e técnicos que no seu quotidiano trabalham as questões da gestão de carreira e orientação vocacional / profissional (por exemplo, psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, sociólogos, entre outras áreas). Pretende-se que tenha um carácter provocatório que suscite a reflexão orientada acerca das questões da gestão de carreira no futuro e da evolução do mercado de trabalho. Mais informações aqui: www.careersummit.pt




domingo, 13 de outubro de 2019

Curar | Sanar




[Secção pensamentos soltos] Há curar e há sanar. Há quem fique curado e nunca sanado. Há quem possa não ficar curado, mas sana profundamente o Ser. É o eco que me sai da passagem do Evangelho para hoje. Jesus cura dez pessoas com lepra. Apenas uma, curiosamente um estrangeiro, um samaritano, regressa e agradece. A fé, diz-lhe Jesus, salvou-o. Além de curado, ficou sanado. Sanar é o reconhecimento do tanto bem recebido. É necessária a distância que permita esse reconhecimento. Quem já fez a experiência de uma ou mais viagens, da saída a outras perspectivas de terras, culturas, pensamentos, sentindo outros cheiros, sabores, línguas, emaranhando-se, por exemplo, no não entender bem o que está a ser dito, levando à humildade de algo novo em si, percebe a transformação que acontece na vida. Há muitas coisas que são precisas curar, mas o grande desafio da vida é sanar profundamente o Ser. Para isso, é preciso sair, abrindo o coração em atitude de agradecimento, e dar passos de encontro. De algum modo, todos somos estrangeiros, estando fora da terra que a todos une. Isso tem causado divisões, ataques a cores de pele, a modos de falar, em conjunto com desprezo fácil a quem, por exemplo, é crente em Deus. Também o despontar de ora patriotismos exacerbados, ora tentativas de diluições de identidade numa neutralidade ou igualitarismo animal impossíveis de acontecer. Tudo isso desgasta. Aumenta lepras socias, onde partes de corpo apodrecem, impedindo a colaboração e a integralidade da comunidade na sua diversidade. Por isso, é necessária a distância, onde se é capaz de reconhecer que ninguém é absoluto e, com objectividade, encontrar a relação que humaniza. Atravessamos muitas feridas sociais. Se cada pessoa conseguir perceber onde precisa ser curada, mas, mais que tudo, sanada, não só a própria sociedade se vai curando, como encontra sanação. Afinal, a nossa fé, alicerçada no reconhecimento em Bem do outro, é capaz de salvar.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Dia Mundial da Saúde Mental




[Secção pensamentos soltos em dia mundial da saúde mental] Quando há uns anos partilhei ter feito psicoterapia (e na altura ainda assim num misto de medo e de vergonha pelos julgamentos), fi-lo por dar-me conta do quanto havia de medos e tabus sobre o campo mental na sociedade, em particular, na vida religiosa. No entanto, os feedback recebidos, muitos deles em privado, a agradecer a coragem (?), confirmaram-me o quanto era necessário falar até normalizar e, a meu ver, mais que isso, naturalizar a questão da saúde mental. Na altura, saía-me a vontade de gritar, num “acordem para a vida”. Mas sabia que ainda seria apontado como: “olha este a projectar o que ele mesmo precisa”. De facto, apesar de muito se assistir de neuroses sociais, fruto do bombardeamento de informação sobre a formatação humana, o caminho não é o do grito, mas a partilha de “se estou bem e me vêem bem, tal também se deve a caminho de psicoterapia onde muita sombra foi iluminada”. Não me parece que todos tenhamos de passar por psicoterapia, mas todos somos convidados a mergulhar na beleza do amor-próprio que desperta o amor ao próximo. Por isso, a boa saúde mental de cada pessoa, afecta toda a sociedade. Na actualidade, onde somos bombardeados por “ter de estar obrigatoriamente bem, feliz e super-em-tudo, física-intelectual-relacional-e-socialmente”, é fundamental reconhecer a importância da saúde mental no caminho do equilíbrio do conhecimento e no diálogo entre emoção e razão, juntando a espiritualidade. Se naturalmente procuramos um ortopedista, cardiologista, etc., quando assim é necessário, que seja igualmente natural a ida a um psicoterapeuta, psicólogo ou psiquiatra. E quando não é o próprio a vivê-la, que não se goze, faça desdém, burla, mas, além de pensar se não está realmente a precisar por estar a gozar com outra pessoa, sorria e agradeça por alguém fazer caminho de amor por si com efeitos de vida para os outros.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A nossa tarde - RTP




[Coisas na vida de um padre] Mais uma vez fui muito bem acolhido por Tânia Ribas de Oliveira. Desta vez no programa “A nossa tarde”, da RTP. Estivemos, a Ir. Ida Videira, doroteia, e eu a falar sobre vocação religiosa, intercalado por entrevistas a duas Irmãs Clarissas. Começa aos 27 minutos da segunda parte. Já agora, aconselho a entrevista antes da nossa, a Frederico Almeida, com a sua alegria, apesar da Esclerose Múltipla. 







segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Bereshit



[Secção vida] “Bereshit” a palavra que abre o livro do Génesis, que significa “no princípio”. Ou o nome que dei a este agapone, ou pássaro do amor. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Libertar a raiva




[Secção coisas de corpo]
- P. Paulo, tenho tanta raiva acumulada dentro de mim. Tanta! Sei que não é muito cristão, mas não tenho como evitar. 
- Ser muito cristão é ser verdadeiro. E se a sua verdade neste momento é a raiva que sente, ela tem de sair. Consegue partilhar o que provoca essa raiva?
- Custa. Custa muito. É um misto de vergonha e medo. Que vai pensar de mim?

- Percebo que isso pode inquietar. Também senti isso quando tinha de falar das minhas coisas com o meu director espiritual e quando fiz terapia. Mas, o meu interesse é ajudar. Não estou aqui para julgar, mas para ajudar a libertar no que me for possível.
- Agradeço-lhe, muito. É tão difícil.

[Conta algumas coisas que lhe provocaram e provocam raiva. Dou um abraço.]

- Tome esta almofada e atire-a com toda a força contra a parede ou para o chão. Pode gritar ou ficar em silêncio. Mas, atire-a. Vá atirando. Imagine que está a libertar-se de todas essas pessoas. Aqui e agora, neste espaço e neste tempo, tudo é possível. [Ponho uma música mais forte. Vai atirando a almofada com mais violência. Vão saindo os gritos de raiva e muitas lágrimas.] Aqui estou. Quando achar que está na altura de terminar, pouse a almofada na mesa. Faça-o com a solenidade de quem decide em consciência parar. [Pousa a almofada.] Proponho agora que se deite no chão. Peço-lhe que feche os olhos. Respire com tranquilidade. [As lágrimas deslizavam.] Tome o seu tempo. Permita-se sentir a possível paz, depois de tudo o que viveu.

[Passados uns minutos.]

- Agora entendo quando o evangelho fala da expulsão dos demónios. É tanto o que levamos dentro.

- Por isso, é preciso respeitar os tempos. Não há automatismos, há caminho.

- E há que fazê-lo para encontrar liberdade.

Teologia da Dança




[Coisas na vida de um padre] A convite do Professor José Eduardo Franco e do Círculo Cipião, em conjunto com as Faculdades de Letras e de Direito da Universidade de Lisboa, irei falar sobre “Teologia da Dança” num Seminário à Hora do Almoço. É uma honra poder partilhar sobre este tema que me é tão querido num destes Seminários.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Fé sólida?




[Secção conversas soltas]
- P. Paulo, ouvi-o há pouco na Missa... e como gostava de ter uma fé sólida.
- O que entende por “fé sólida”?
- Que nunca duvidasse. Que sentisse sempre Deus presente na minha vida. Que nunca vacilasse diante do sofrimento ou das crises e maleitas da vida. 
- Hmm, pelo que vejo, gostava de estar no céu.
- Como assim? 
- Com esses absolutos todos, só mesmo no céu, rodeada de anjos e dos santos.
- Mas aí estaria morta! 
- Bem, sim, teria atravessado a morte e estaria Viva no céu.
- Ui, não tenho pressa.
- Já somos dois. [Demos uma gargalhada] A fé, por mais voltas que demos estando por estes caminhos terrenos, implica dúvida e dúvidas. Se pensarmos bem, as dúvidas ajudam a libertar imagens de Deus que nos atravessam o consciente e o inconsciente. Sentir Deus na Vida é sentir o Seu empurrão ao crescimento, que implica atravessar a descrença e o desespero. No entanto, como disse há pouco falando de Santa Teresinha, o que nos salva é o amor. O mais importante é aprofundarmos o amor. 
- Mas isso é difícil.
- Não impossível. O grande desafio do cristianismo, aliás da humanidade, é mesmo o amor. 
- Então, tenho de desejar é um amor sólido.
- E se for antes um amor simples e autêntico?

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Breve oração




[Breve oração ao anoitecer]

Agradeço-Te 
as aprendizagens de mar, entre ondas a recordar o ir e o regresso transformado, onde o centro e o profundo se tornam cada vez mais calmos e plenos, revelando a liberdade.


Peço-Te

perguntas que me levem a partir.

domingo, 29 de setembro de 2019

O nome como pormenor [importante]




[Secção pensamentos soltos] Na passagem do (não) encontro do homem rico e de Lázaro, o desgraçado a quem “até os cães lhe lambiam as feridas”, detive-me no pormenor de que um tem nome e o outro não. Este detalhe que S. Lucas coloca não é de pouca importância. O nome identifica-nos. À pergunta “quem sou” começa-se por responder “sou [nome]”. O homem rico ficou-se pela identidade de possuir coisas apenas para si. Ter coisas não é mau. O que torna negativo é uma posse tal que desvalorize radicalmente o cuidado pelo outro, em especial quem mais necessite. Lázaro o único que tinha era o nome. Não se faz uma apologia de miséria, mas de saber ser pobre, mesmo tendo muitas coisas. A pobreza, o despojamento, a liberdade, o cuidar do outro, dá-nos nome. Esse que está inscrito nas mãos de Deus, como recorda Isaías. Bem, então temos de ser desgraçados para ser dignos de nome? Não se trata de nada disso. Deus não é apologista da miséria, mas da pobreza. Ser pobre é saber libertar do que impede a autenticidade e o cuidado pelo outro. Tanto pode ser libertar de coisas materiais, como psicológicas e espirituais. Posso não possuir nada que se veja ao nível material, mas ter arrogância, presunção, desprezo, por não me ter deixado atravessar pela graça. Então, sim, ainda sou rico... e desgraçadamente sem nome. Sim, exigente, o trabalho humano e espiritual de escutar os profetas, os mestres e os guias que encaminham a Deus passa por conhecer internamente a força do amor e encontrar liberdade. É aí que também reside o Nome.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

479 | 16




Pedro Sampaio - na apresentação sobre a espiritualidade da peregrinação de vida, depois de termos visto o documentário “Camino”, no Cine-Teatro Garrett - Póvoa de Varzim

[Secção vida em celebração] 479 | 16. Dois números a falar de tempo, em anos, neste dia 27 de Setembro. O primeiro, a idade da Companhia de Jesus. O segundo, os anos que nela habito. É dia de agradecer a Deus e a tantas pessoas. Neste tempo, tenho aprendido a sentir o chão, umas vezes liso, outras rugoso, tornando o caminho de liberdade e de serviço ora mais ligeiro, ora mais moderado, permitindo silenciar, contemplar, celebrar, escutar, partilhar e amar cada vez mais a Deus sobre todas as coisas. Um Abraço aos jesuítas por esse mundo fora, com a minha oração ao Senhor da Vida por nós, pelas nossas missões e por todas as pessoas que nos ajudam a ser quem somos.


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Padre agricultor nas vindimas



[Coisas na vida de um padre] Estreei-me nas vindimas. Entre o som do corte dos cachos e a animação das conversas, vou imaginando o “Anno 1540” (o vinho produzido aqui na Casa da Torre) a ser preparado. Haja padre agricultor!

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Lugar na fotografia da humanidade




[Secção memórias levando a pensamentos soltos] Hoje de manhã dei uma pequena entrevista como contributo a um trabalho de mestrado sobre fotografia. Daqui a uns tempos poderei revelar mais, mas, durante a conversa, a propósito das emoções que as fotografias podem evocar, lembrei-me desta. É a fotografia da turma do 8.º E, 1992/93. Desperta muitas recordações. Detenho-me na que veio no seguimento da conversa: eu estou na fotografia, mas escondido. Propositadamente escondido. Recordo perfeitamente a sensação e o pensamento de não querer aparecer por medo a ser gozado. “Se não me vêem, não me chateiam, nem gozam.” E assim ficou registado outro tipo de silêncio: o da vergonha. Hoje não me dói ao recordar esses tempos. Usando a expressão de Enzo Bianchi, sinto a memória curada. No entanto, dói-me pensar que ainda há tantas crianças e tantos adolescentes e adultos que se escondem por vergonha, por medo, por não quererem ser gozados, por não serem aceites nas suas diferenças, físicas, culturais, sociais, religiosas, económicas, sexuais, emocionais. O problema não é da vítima, mas de quem agride, de quem anula o outro. Quem agride tem muita falta de amor-próprio, pois quem está bem consigo mesmo não necessita de afirmação, muito menos de anular o outro. A vítima necessita de muito apoio e acolhimento, em tempo e espaço onde possa falar, expressar, libertar-se de tanto sufoco. Afinal, muitas das vezes é a vítima que tem de mudar todo o seu estilo de vida, já que o agressor, cheio de aparente valor, lábia e capacidade refinada de fazer mal, consegue “sair por cima”. Em geral, por provocar ainda mais medo a quem o rodeia. Atenção, agressor pode ser uma pessoa ou uma entidade institucional. Lamento que nalgumas situações haja disparidade de critérios também em relação às vítimas, conforme a ideologia ou crença. Fazer mal ou bem a outro não tem nem credo, nem cor política, apenas depende do caminho de liberdade, de cura e de amor-próprio que cada pessoa vive. A coerência de valores residirá sempre no respeito pelo outro, enquanto pessoa que é, mesmo não se concordando com o modo de pensar ou ser. A coerência de valores humanos impedirá qualquer agressão à dignidade do outro. Reconheço tanto a complexidade de tudo isto, como a possibilidade que cada um de nós tem de promover a vida e a compaixão, implicando-nos e contribuindo com a nossa parte para que todos sintamos que temos lugar na fotografia da humanidade. 

domingo, 22 de setembro de 2019

Acalmar ruídos dissonantes



Samuel Afonso,sj


[Secção pensamentos soltos] Estava em busca de fotografias e encontrei esta. Quando foi tirada eu já sabia que viria para uma casa de silêncio. Na pequena Capela do Cristo do Sorriso, nos breves minutos de oração, pedi-Lhe ajuda para acalmar os ruídos, meus e do mundo. É dos grandes desafios de vida que, a meu ver, temos: silenciar ruídos dissonantes. Tal não é um exercício heróico, nem voluntarista. Implica vontade, sim, mas muita paciência, tempo de respeito: por um lado, com os próprios ruídos, percebendo de onde vêm, por outro, connosco próprios, aprendendo a partir da etapa de caminho que percorremos na actualidade. E sempre que necessário, recorrer a ajuda, seja ela espiritual e/ou psicológica. À medida que os ruídos dissonantes vão-se acalmando, saindo, libertando, ganha-se serenidade e capacidade de escuta de novos sons que abrem horizonte.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Retiro a Carmelitas




[Coisas na vida de um padre] Comecei há pouco a orientar retiro às Carmelitas do Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, diocese do Porto. O retiro seguirá uma linha, conforme me pediram, de conhecimento e oração desde o corpo, a corporeidade. Já há pouco, no primeiro encontro, senti a beleza do desafio. Estas Mulheres têm uma força de Espírito impressionante. Será ao longo da semana. Encontrar Deus pelo movimento. Como pedem que não se fotografe ou filme, a imagem que partilho é de um momento belíssimo no Carmelo da Paz, em Mazille - França, quando lá passei. Falando com a Madre Superiora soube que as Monjas daqui têm grande proximidade com as de lá. Rezamos uns pelos e com os outros.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sobre boas conversas



[Secção letras verdes] Apontamentos de sexta-feira à noite, a propósito de conversas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Ligação entre o padre e o casal




Daniela Rodrigues - Meraki Studio

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Esta bonita fotografia ilustra muito bem como abençoar um casamento significa que fica de fundo a especial ligação entre o padre e o casal. Até podemos ficar tempos sem nos encontrar ou falar, mas nem que seja no silêncio da oração vamos trazendo à memória o gesto de bênção que aconteceu no dia do casamento. Deseja-se a beleza do amor em crescendo. No entanto, podem surgir oscilações de tanto na relação. Enquanto padre, também vivo a responsabilidade de recordar a base do amor nos caminhos, por vezes duros, de encontro e de perdão. Aí, não duvido, a relação cresce e dá-se passos de Vida e de Amor, individualmente e em comunidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Deus Como Tu em acampamento



[Secção Deus como Tu] “Paulo, aqui vai a foto para saberes que o teu livro foi um óptimo apoio no nosso acampamento!” E é isto. Ele andou e anda por aí a ajudar em reflexões e bons encontros humanos e divinos. Obrigado, Pedro!

domingo, 8 de setembro de 2019

Laço verde




[Secção homenagem] Os inícios de aulas podem ser oportunidade de grandes amizades. Quando se é criança não se sabe o quanto, mas, nós, adultos, podemos ajudá-las a serem acolhedoras o mais possível ao ponto de surgirem amizades de vida. Assim, hoje é dia de contar a história do laço verde. No dia do seu aniversário, com esta história, agradeço e faço homenagem à minha melhor Amiga do mundo, do universo e arredores: a Suzanne. É sabido que gosto muito de celebrar o aniversário. É um dia de concentração de vida. Estávamos no 5.º ano. Éramos colegas pela primeira vez. Nesse dia, levei um laço verde. Aquela sensação de como algo nos torna especial. Mas, pode ser motivo de tristeza. Fui altamente gozado por colegas, rindo e puxando-me o laço. Sentia-me só e triste. A Suzanne também vibra com a celebração de aniversário. Assistiu e não ficou indiferente. Saltou para cima do banco de pedra e disse: "o meu amigo hoje é o rei. É o dia dos seus anos. Ninguém se mete com ele." Era tal a autoridade na voz que se afastaram. Desde aí, a amizade foi crescendo, onde, além da história do laço verde, juntam-se milhares de situações caricatas, milhares de conversas, milhares de partilhas, milhares de estupidezes das boas. De vez em quando, nas aulas, a propósito do tema amizade, fazia video-chamada com a Suzanne. Recordo a felicidade dos meus alunos do 5.ºG (2015/2016) quando a conheceram em Lisboa. Por estarem no 5.º ano, partilhei com eles a história do laço verde. Aproveitaram e fizeram-lhe imensas perguntas sobre o "setôr". Mas, mais importante, passar a mensagem do muito bom que pode acontecer quando acolhemos e respeitamos desde crianças. Naquele dia, ela fez a diferença. Hoje, são 30 anos de melhor Amizade. A Suzanne continua na sua dedicação a contribuir para um mundo melhor, humanizando na busca da autenticidade e da integridade com quem ela se cruza. Que o seu exemplo possa ajudar mais melhores amizades do mundo, universo e arredores a surgirem. Parabéns, Bedulina!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Rasgar véus




- P. Paulo, das coisas mais difíceis que tenho vivido é descobrir-me. Sempre me ensinaram o recato e que uma mulher que fala demasiado com muita gente é galdéria e oferecida. Sinto-me presa, sempre com medo.⠀
Pode pôr-se de pé, se faz favor? Braços ao longo do corpo. Respiração normal, intercalando com inspiração/expiração profundas. Não está naquele tempo, mas aqui e agora. Dá-me licença que a envolva com um véu?⠀
- Sim.⠀
- Vou apertá-lo aos poucos. Imagine que são as palavras “galdéria” e “oferecida” a envolver. [Começa a emocionar-se.] Que dizem os braços e as mãos? Permitem que a envolvem? ⠀
- Mas posso rasgar?⠀
- Rasgue. Isso, permita-se libertar com a sua força. Liberte-se dessas palavras-fantasmas.⠀
- Mas não sou digna!⠀
- Vou apertar mais e, simbolicamente, é a indignidade a envolver.⠀
[Contorce-se, muito emocionada. Dá um grito de raiva acumulada, rasga o tecido e pára, agora em lágrimas de liberdade.]⠀
Respire com calma. Estou aqui. ⠀
[Passam uns minutos]⠀
- P. Paulo, quantos véus nos envolvem? Muitos não é? Sinto-me estranhamente solta. É algo novo.⠀
- Pois, não duvidando que tenha sido com os melhores desejos, muito nos é dito e ouvimos desde pequenos: regras, modos de estar, até de ser, categorias, como proceder. Mas, crescer significa também perceber o ajustado na profunda liberdade. ⠀
- Tenho ainda algum caminho pela frente.⠀
- Sim, mas antes de o olhar, veja que já começou a rasgar. É tempo de agradecer esse passo...⠀
- ...da minha liberdade e dignidade.