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terça-feira, 5 de julho de 2022

8 anos de padre


João Almeida


[Secção celebração de vida] 8 anos de padre, celebro hoje. Recordo a sensação de estranheza que durou algum tempo quando me dava conta de ser padre. Ia na rua, a passear, parava: sou mesmo padre. Passei a sê-lo há 8 anos. Naturalmente já me está mais entranhado na consciência. Ainda assim, continuo a aprender a viver esse acontecimento que me mudou a vida.


Sinto grande responsabilidade. É um desafio ser padre na actualidade. Estamos em tempos de muitas mudanças, na sociedade e na Igreja. Daí que o primeiro olhar, como padre, tenha de ser para Deus, feito alimento, a dar vida. Não é por acaso que nas intenções antes do momento da consagração da ordenação seja recordado de forma especial a Eucaristia e a Reconciliação. Aí, na humildade de toda a vida, em luz e sombra, deixamos que Ele nos mostre o caminho de escuta, de acolhimento, de serviço, a promover a paz. Na oração há pouco, precisamente onde diante do mar decidi ser jesuíta e padre, recordava-me inacabado e o quanto tenho de estar atento aos desajustes do poder que me foi conferido. É exigente a liberdade. Quando reconcilio em Seu nome, percebo mais um pouco do meu caminho de reconciliação, sobretudo com as subtis pontas soltas que impedem a existência densa de amor. Afinal, quero o amor em crescendo e em profundidade.


Sim,

sinto-me feliz e realizado na vocação.


E também agradeço a tantas pessoas que, com mais, menos ou nenhuma consciência disso, me ajudam neste caminho de paternidade espiritual. 


Peço-Te

Atravessa-me de Ti


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Minha Mãe, Maria


[Secção vida] A minha Mãe não gosta que se saiba o aniversário. O que, obviamente, respeito. Por isso, este não é um texto de parabéns pela vida. Também não me apeteceu escrever sobre ela no Dia da Mãe. Por isso, este não é um texto de feliz dia da melhor mãe do mundo. Mas faz muito sentido homenagear esta Mulher, a minha Mãe, Maria.


Há nela uma mistura de doçura, cuidado, preocupação e atenção, junto com alguma melancolia, mágoa e tristeza por não ter realizado sonhos. A vida. Dito com aquele sentido de silêncios, em que as oportunidades de estudos, o seu sonho, não eram para todos. Pequenina de tamanho, agarrou-se ao trabalho e fez do trabalho vida. Quando me falam de espiritualismos vários, na suposta falta de fé de determinadas classes, com supostas visões de sociedade, aterro com as perguntas de horizontes descartados que também a minha mãe me foi contando. Não é fatalismo. Mas marca. Tal como marca o amor que encontrou com o meu Pai, José. A sua determinação levou a que tomasse em mãos o desafio de amar fortemente na doença e na tristeza, dando saúde de alma no cuidar, no apaparicar, e alegria em dias transformados. O seu olhar fala de história a ser sanada e de futuro a ser desbravado. Por amor, suavizou teimosias, permitindo viagens e leituras renovadas da existência. Pequenina, já disse, de tamanho, mas tão grande de entrega, de delicadeza, de vida. Em cada dia agradeço a Deus por esta Maria, minha Mãe.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

O amor salva


[Secção Vida] “Faz um ano que nasci outra vez e foste tu que me salvaste.” A densidade do imenso que está nesta frase dita pelo meu pai, dirigida à minha mãe, enquanto conversávamos os três, é de me deixar em silêncio a contemplar. Há um ano, neste dia, fez-se silêncio de espera depois da notícia do AVC muito grave. O advento para uma nova realidade: de cada um, em especial do meu pai. Ao longo deste ano, tantas vezes pensei no que é mesmo importante, no onde faz sentido orientar a entrega, sabendo que Deus nos suporta na adversidade para sermos adultos de fé e de essência. Não duvido na resposta: o amor. 


Depois de 6 meses internado, nas várias instituições, com tanto sofrimento, misturado com desejo e força de recuperação, o amor do meu pai pela minha mãe moveu o seu ser a fazer o que aparentemente seria impossível: libertar-se da cadeira de rodas, andar, subir e descer escadas. Tem o sonho de voltar a ir à Fóia de bicicleta. Já esteve mais longe. Sim, o amor salva. 


E, permitam-me o orgulho, o amor dos meus pais um pelo outro tem sido exemplo de salvação, em caminho de cura, de reconhecimento que os votos de “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” se encarnem de forma tão intensa como suporte na relação com desafios tão exigentes. A minha mãe cuida com a delicadeza de novo amanhecer, sentindo o cansaço e a vida. O meu pai, no conforto, entre muitas histórias da dureza daquele tempo sem visitas, conta esta: “pedia sempre três almofadas a mais para dormir. Porquê?, perguntavam. Uma para a perna não tombar. Outra para o braço não tombar. E outra para, com o braço bom, abraçar imaginando a minha Maria.” 


No silêncio contemplo a importância, beleza e força da Vida, desde o meu José e a minha Maria como exemplo de casal consagrado a serem sinal de amor enquanto olham o caminho partilhado nos desafios da vida. Sim, o amor, apoiado de esperança e fé, salva.


terça-feira, 26 de outubro de 2021

42



[Secção vida]

42 anos

a guardar nomes e rostos, histórias e orações, poemas e voos, danças e movimentos, silêncios e palavras, emoções e pensamentos, sombras e luzes, a contribuirem para o meu caminho de crescimento até ser semente. E agradeço a Deus. Tudo.


segunda-feira, 18 de outubro de 2021

46 anos de casal


[Secção Vida em Celebração] 46 anos: celebram a minha Maria e o meu José de vida partilhada. Na mão entrelaçada há sempre aquele momento em que o dar e o receber se fundem. Naquele dia, o da foto, comprometeram-se ao amor na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Este último ano tem revelado esse amor profundo que ambos sentem um pelo outro. Como filho, sinto-me emocionado ao testemunhar a força da recuperação do meu Pai e a delicadeza no cuidado da minha Mãe, em caminho lento de vida nova. Dizia-me o meu Pai há dias: quero casar outra vez. Do outro lado do telefone, ouvi o pedido de casamento. Tens de ser tu a casar-nos, acrescentou. Como não agradecer este dia, em particular o amor de um pelo outro? É a minha história também. Com humildade o digo, se ajudo outros a serem felizes é também graças a este dia e à vossa decisão de, diante de Deus, dizer sim um ao outro, aconteça o que acontecer. Queridos Mãe e Pai, este ano foi muito intenso para nós, mas tão profundo no Amor. Gosto muito de vocês. Com carinho, um beijo e um Abraço, Filho.


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Caminho de vida


[Secção memórias e vida] Encontrei esta fotografia na casa dos meus pais. Tinha 18 anos. Pedi a uma fotógrafa profissional que me tirasse algumas fotografias com o intuito de concorrer a um concurso de moda. Intuito, porque não cheguei a concorrer. Recordo a sensação: vergonha. Afinal, pensava eu: “sou feio! Vão gozar ainda mais comigo.” Apesar de nesse tempo já ser bastante social, na organização de muitas actividades, por dentro ainda reinava a desconsideração provocada pelo ridicularizar, entre outras coisas, do meu nariz, das minhas orelhas, do meu vestir fora de moda, da minha timidez, pelo mau jogador de futebol, pela falta de macheza.


Mais de 20 anos depois, a olhar a foto, sorrio. É tanto o que passamos na vida. Tanto, mesmo. E as feridas, as sombras, as dores, podem ser atravessadas de nova luz. A direcção espiritual em conjunto com a psicoterapia, continuando ainda o trabalho pessoal desde corpo em movimento autêntico, ajudaram a libertar-me das angústias do passado e a caminhar cada vez mais com pés firmes de presente. Ainda assim, há ecos que subtilmente surgem. Há dias, partilhava com um bom amigo as vergonhas que ainda surgem desse tempo. 


A aprendizagem: nos dias seguintes, fiz desse surgir os pontos de oração, sem julgar nada do aparecesse de memórias, sentimentos ou desejos: de que ou quem tens vergonha? E medo? E zanga? A quem gostarias de ter dito que amavas, mas não te sentias nem digno, nem capaz? As respostas afloraram luminosas. Fui entregando a Deus, permitindo o perdão. Vi o adolescente a sorrir. Aquietando-o, amei mais um pouco como adulto. Depois, senti o silêncio do novo nascer: “segue-Me! Continua a ajudar a quem te confio a fazer caminho até à beleza da Luz.”


segunda-feira, 27 de setembro de 2021

481 | 18


[Secção vida em celebração] 481 | 18: anos da Companhia de Jesus no Mundo, os que tenho de vida como jesuíta. 


Quando acordei, depois de agradecer o dia, foi o primeiro pensamento: 18 anos de jesuíta. Brinca-se com o número, pelo significado de maioridade. Enquanto rezava, pedindo a Deus pela Companhia, as suas missões e todos os meus Companheiros de cá e de lá, e em jeito de viagem ao longo deste anos como jesuíta, voltei a pensar no que escrevi há dias, no crescer até ser semente. Têm sido anos de muita aprendizagem, na travessia de sombras pelas luzes, sobretudo de Deus. É exigente crescer, mais ainda permitir-me ser semente. Santo Inácio termina a segunda semana dos Exercícios Espirituais a recordar que mais avançamos em todas as coisas espirituais, quanto saímos do próprio amor, querer e interesse. Depois de 18 anos, percebo o tanto que há de liberdade nesta saída. E só se compreende de entranhas essa liberdade desde o altar. Aí, quando celebro, respiro em profundidade e entrego o amor e o desamor, a vontade e o desdém, o interesse e o desinteresse. Não vai apenas de força pessoal, mas sobretudo de abandono confiante a Deus que me e nos desinstala constantemente a não ficarmos na infância e adolescência espirituais. Chegar a adulto na fé implica entregar-se total e plenamente. Bem, são apenas 18 anos. O caminho continua, a aprender desde o respiro divino até ser semente.


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Em celebração



[Secção Vida] Acordei a pensar nesta foto. De tantas, esta surgiu com muita naturalidade. Fui buscá-la. Já a tinha partilhado por estes lados. Na amizade não se esgota a novidade, mas é estimulada pela força das recordações a permitir algo novo. Volto à foto, com toque antigo, a avivar a beleza da celebração de hoje. Recordo: as gargalhadas que demos nessa viagem, qual subida das escadarias da Sagrada Família; os momentos de tensão, qual jovens adultos ainda com tanto laivo de adolescentes; as conversas soltas com gente importante (“sabem com quem estavam à conversa?”, diz-nos o senhor do restaurante, e nós “com uma pessoa simpática”, vai-se a saber era alguém de alta responsabilidade na comunicação social espanhola) e com outros turistas que se divertiam connosco; também as partilhas sempre presentes que adensam a melhor amizade do mundo, universo e arredores. É, mesmo à distância, maravilhoso celebrar a tua Vida, Suzanne. Sou muito agradecido por te ter como irmã de alma. Que Deus e Maria, já que nasceste no dia em que também celebramos o Seu aniversário, te envolvam de Luz e continuem a avivar-te as graças da autenticidade e humanidade. GMdT!


segunda-feira, 26 de outubro de 2020

41



[Secção vida]

41!


Mais do que anos, uma multiplicidade de acontecimentos com tantos nomes que me levam a agradecer a Deus cada dia, sem excepção, até hoje. E a vida acontece, pois “um dom vem colocar-se ao lado do meu fazer para o proteger do nada”. Maria Gabriela Llansol


domingo, 18 de outubro de 2020

Agradecer



[Secção vida] Agradecer. É dia de o fazer. Afinal, são 45 anos desde aquele dia em que disseram um ao outro que o amor é sagrado. Como em qualquer casamento não se sonha o que vem a acontecer. Ainda assim, há desejos de que seja sempre o melhor. Penso na cumplicidade que os dois têm com as diferenças que os caracterizam. Já tinha publicado esta fotografia. Volto a ela por ser tão expressiva no muito a agradecer. Apontava o céu e tínhamos o mar diante. O Infinito de tanto vivido e do muito ainda a descobrir. Ser casal tem cada vez mais a exigência de muita transformação. Não é fácil, pois o Amor implica dar e receber com muita gratuidade. E isso é aprendizagem de vida. Parabéns, Mãe Maria e Pai José, pelo vosso amor cheio de paciência um pelo outro! Gosto muito de vocês.


domingo, 27 de setembro de 2020

480 | 17


 Pedro Vicente

[Secção vida em celebração] 480 | 17: os anos da fundação da Companhia de Jesus e os que vivo como jesuíta, neste dia 27 de Setembro. Pensar no impacto que a Companhia teve e tem no mundo e fora (há crateras na Lua com nomes de Jesuítas). E pensar no imenso que ao longo destes 17 anos tenho descoberto de Deus, de humanidade em Jesus, entre contemplação e santidade humorada (apesar da fraca nitidez, chamo a atenção para o pormenor da t’shirt). É de agradecer. Muito! Um Abraço aos companheiros jesuítas por esse mundo fora, com a minha oração ao Senhor da Vida por nós, pelas nossas missões e por todas as pessoas que nos ajudam a ser quem somos em maior autenticidade e humanidade.


domingo, 3 de maio de 2020

Dar à Luz



[Secção vida] Dar à luz: a experiência de vida que implica tanto de união como capacidade de separação. É a sabedoria de ambos crescerem em afecto e em liberdade. Seja como for, o colo de mãe será sempre lugar de regresso a casa.

sábado, 26 de outubro de 2019

40!




[Secção Vida] É dia de sorrir aos 40 anos bem vividos, com muita história na História. Tudo faz parte da aprendizagem no caminho de crescimento e liberdade. Hoje, de forma especial, agradeço muito a Deus, pela vida, família e amigos. Haja alegria!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

44 anos de vida partilhada




Kátia Viola


[Secção vidas] Agradecer. É dia de o fazer. Afinal, são 44 anos de vida partilhada, com alegria, paciência, silêncios e muitas histórias. Já tinha publicado esta fotografia. Volto a ela por ser tão expressiva no muito a agradecer de abraços que falam de vida. Ser casal tem cada vez mais a exigência de muita transformação. Não é fácil, pois o Amor implica dar e receber com muita gratuidade. E isso é aprendizagem de vida. Parabéns, Mãe Maria e Pai José, pelo vosso amor cheio de paciência um pelo outro e um com o outro! Gosto muito de vocês.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Bereshit



[Secção vida] “Bereshit” a palavra que abre o livro do Génesis, que significa “no princípio”. Ou o nome que dei a este agapone, ou pássaro do amor.