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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

[Liberdade]





(Versión en español en los comentarios)


Liberdade:
encontrar a novidade
aqui.

Liberdade:
deixar Deus ser
Deus
e não
deus.

Liberdade:
Shhhhhh...
-Escuta-

sábado, 23 de junho de 2012

[Identidade]



Hugo Correia - Reuters

(Versión en español en los comentarios)


Identidade:
     
Terra, gestos, 
sons, letras,
mar, rostos,
[lágrima
de emoção]
relógio de sol,
em cruz delineado,
espigas descobertas
sobre o silêncio
da via campestre,
[sorriso
de memória]
bilhete trespassado
nos movimentos
da cidade,
pessoa feita homem,

[diluído na (ir)realidade
de muitos,
que dão passos,
trocando mãos,
alimentando beijos,
fortalecidos de pão]
de respiro
e saudade.

sábado, 21 de abril de 2012

[Ceia]



"A festa de Babette" (1987)


(Versión en español en los comentarios)


Abro os dias
com a novidade.
Uma mesa posta
ao estilo antigo, 
com novos sabores
de frutos da época.
Preparo-me,
como as palavras,
nos seus muitos sentidos.
Dirijo-te o rosto,
baixando-o para ser elevado.
Reconheço o silêncio a guardar.
A gestação não é ruidosa,
o ser tem várias facetas.
As dores de parto serão passageiras.
O que fica:
a certeza da nova criação.

domingo, 15 de abril de 2012

[Jo 20, 24-29] *




"A incredulidade de Tomé" de Caravaggio 

(Versión en español en los comentarios)


* Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!»


Não sei se são contos.
A morte não foi um jogo.
O véu rasgou-se, sim,
mas o corpo,
em tarde eclipsada,
foi acolhido em braços caídos.
O desalento, a cor, o silêncio,
o retumbar da pedra
na escuridão da gruta,
foram testemunhas do fim.
Pedem-me para crer?
Depois de tanto vivido,
estou cansado de fantasmas,
de histórias desencantadas,
de entusiasmos gastos
pelo etéreo sem mundo.
Apenas peço que os sentidos
doados ao nascer 
sejam o registo
desta minha forma de fé.
Eu quero crer. 

Escuto o meu nome.
Obediente estendo a mão.
Vejo e toco as marcas
da História viva.
Será paz o que me envolve?
Ou a certeza de que sou atendido
nas preces da agitação?
Creio, Senhor.


terça-feira, 20 de março de 2012

[Gn 1, 1]




James Field

(Versión en español en los comentarios)




O tempo reserva o espaço.
Encontram-se numa bondade
imperfeita.
Em passos perde-se o medo
de ser frágil. Isso dá o eterno
sentido das coisas.
Ser, mais que parecer,
virtude - esperança - encontro.



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

[Job 42, 1-6]



"Twilight Dreams of a Papilio Demouleus (5)" de Clang

(Versión en español en los comentarios)

Job respondeu ao Senhor e disse: «Sei que podes tudo e que nada te é impossível. Quem é que obscurece assim o desígnio divino, com palavras sem sentido? De facto, eu falei de coisas que não entendia, de maravilhas que superavam o meu saber. Eu dizia: 'Escuta-me, deixa-me falar! Vou interrogar-te e Tu me responderás.' Os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora vêem-te os meus próprios olhos. Por isso, retracto-me e consolo-me, cobrindo-me de pó e de cinza.»
No princípio buscava
o meu rosto no teu nome.
Calcorreando caminhos
de subidas e vales,
em silêncios do alto
e escuridão do abismo.
Em espelhos de pedra
tentava desenhar os meus contornos
pensando para mim conhecer-te
e não ter dúvidas.
E continuei, ainda assim,
a pôr estradas nesses passos.
Será que te encontrarei?
Na tempestade do deserto
perco a orientação:
mudam as questões ou intensificam-se.
Como o anoitecer
sem estrelas, 
escuto o silêncio
de uma nova abertura.
Tenho de esperar,
dar outro sentido à história.
Mesmo em razão:
Não esquecerei o caminho feito,
marcas das entranhas,
no chão desfeitas,
no coração delineadas
com o cinzel de carne.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Para hoje: [Gn 2, 25]*




Klaus Kampert



Transparência
Nas mãos entrelaçadas
nos corpos revelados
Vulneráveis ambos
livres.
Complemento de Ser,
Descobrimos o mundo...


* "Estavam ambos nus, tanto o homem como a mulher, mas não sentiam vergonha"



terça-feira, 18 de outubro de 2011

[Gn 22, 1-18]






Ser real:
a experiência
inquietante, transformadora
do que vejo, escuto, sinto

nas entranhas,

e de homem passo a pai.

Ser silêncio
ante a abertura da realidade,
como lótus flutuante,

reveladora de novidade.

E na criação encontro o Criador.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

[Rt 1 - 4]


["Seara # 1" de Nanã Sousa Dias, in olhares.com]


Voos subtis
sobre textos antigos,
sagrados.

O moldar da pele
diante da nova realidade
(re)feita em ensinamentos.

A recolha de espigas
anunciadoras de novo mundo,
na seara que ondeia
ao sabor do vento

que sopra por onde quer.


sábado, 12 de fevereiro de 2011

[Lc 10, 41-42]

[Foto: "Onde o tempo se demora" de José Luís Garcês, in olhares.com]



Profundidade

[procurada nos afazeres
quotidianos,
sem sentido aparente.

É sempre do mesmo,
como rotina (des)esperada
em cada toque de despertador.

Sentirei o palpitar cardíaco?

É sempre do mesmo

com as variações
da profundidade do sentir]

da Vida

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

[1 Cor 1, 20]


["O lento despertar da loucura e da salvação I" de João Veríssimo in olhares.com]



Paradoxo.
A curiosidade presente
na rua que cruzo entre o
Saber do não saber.

Dúvida(s).
A inquietação da subida
do monte, deixando a areia
dos pés formar a palavra
viva.

Silêncio.
Afinal os dias
são maiores,
nas ondas brota jogo novo,
houve descoberta.

Fundamento.
Diante da frase solta
aos ventos:
deu-se a revelação.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

[Jo 20, 14]

["Enlevo..." de António Gil in olhares.com]



Para MTH

Um engano
e
Passei os olhos por ti,
em tempos,
em conversas,
em dúvidas,
em construção de pontes
(aladas)
de Corpo encarnado.

Que cresce,
desenvolve os sentidos
numa ligação para além
do tempo e do espaço

falando de divindade

na humanidade,
com toque de Sofia,
partilhada
(mesmo em silêncio)
da História,
dos Contos,
do mistério em oculto.

(E aqui, agora)
para ti
chamo
invoco
canto
a Luz,
(vinda em voos)
com (a)braços
protectores,
cheios de Vida

que pintam a realidade de brilho,
anulam a opressão,
fazem sorrir

renovando a inspiração,
a mesma que te faz Ser(vir)
com o dom de palavras.


sábado, 8 de janeiro de 2011

[Jo 1, 39]*



* Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.» Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Eram as quatro da tarde.


Olhar,
De cor esperançada do desejo
De te conhecer

Em suaves melodias,
sentindo o incenso novo

suavemente unificador
do etéreo, do concreto.