quinta-feira, 26 de junho de 2014

Instante



Hielke Gerritse


[Secção outros tons] O instante. Descreveria como aquele momento em que nada se espera e tudo acontece. O que já foi fica registado, deixando que o movimento siga na continuidade dos tempos. Na atitude de reverência, compreendendo que os sonhos são possíveis, a fé ganha corpo… e as histórias continuam a ser escritas e contadas. Alimenta-se a esperança, contempla-se o instante.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Preparativos



Volodymyr Zinchenko

Estou aqui em preparativos e tive uma boa surpresa. Na 1.ª leitura do dia em que celebrarei a Missa Nova, Deus diz a Salomão: “Pede o que quiseres!”. Salomão, podendo pedir “vida longa, riquezas ou a morte dos inimigos”, pede um coração inteligente. Deus concede-lhe assim o dom da sabedoria. O saber discernir para bem governar, para melhor servir. Releio… pensando no dia da Missa, na minha pessoa, só me sai, citando um grande amigo bastante Delicado: “Deuscidências”. :)

domingo, 22 de junho de 2014

"Está quase!"



Hideyuki Katagiri


“Está quase!” É uma expressão que tenho ouvido bastante. É bonito perceber a emoção das pessoas amigas, que se junta à minha. Entre descanso e encontros, torna-se o tema de conversa: “Como te sentes?”; “Já viste como o tempo passa rápido?”; “Quem diria?”; “Estás feliz? Oh, desculpa, que pergunta, nota-se logo que sim!” Há pouco na procissão do Corpo de Deus rezava agradecido pela vocação, por nós 6 que vamos ser ordenados, e pelas pessoas a quem vamos servir. É isso, faltam 14 dias... na verdade, 13 dias e algumas horas. ;)


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Golfinhos :)



(Versión en español en los comentarios)

“Que queres ser quando fores grande?” “Veterinário com especialidade em cetáceos!”, respondia prontamente, já com os meus 10 anos. Já se sabe as volta que a vida deu. Mas, claro, o carinho pelos cetáceos continua. Ontem o meu pai perguntou: “Tens programa para amanhã à tarde?” “Qual a proposta?” E eis que fomos para o alto-mar algarvio ver golfinhos selvagens. Era à sorte, pois nem sempre se consegue ver. No entanto, para grandes sorrisos de toda a gente, os golfinhos até nadaram às voltas do barco, como que a cumprimentar… enquanto caçavam a bela da sardinha. Foi difícil tirar boas fotos. No regresso, em silêncio a contemplar a costa, agradeci a Deus a beleza da criação e pedi-lhe que houvesse cada vez mais consciência da importância da protecção da Natureza. Não é uma questão de caprichos… mas também de sobrevivência da humanidade.  

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Símbolo



Kamala Kannan

[Secção outros tons] Busco o símbolo. De mim ou de ti, no caminho que molda os pés. Os gestos rodeiam-se de ternura, misturado com o cansaço da viagem de tanto. São as saudades que marcam aquele estar, no abraço que continua a bordar o que será. As conversas dispersam-se no muito a dizer. Não se notam as rugas, apenas a amizade que o tempo não apagou. 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

[Pensamentos soltos sobre animais]



Sempre quis ter um cão. Se a minha vida permitisse adoptava um, em especial que tivesse sido abandonado. Fico impressionado com a quantidade de animais que são abandonados, sobretudo pelos caprichos de algumas pessoas. E os que, em nome de luxos, feitiçarias, etc. e tal, são mortos por este Planeta fora? A natureza tem um misterioso equilíbrio, onde não se pode, nem deve, confundir uso de abuso. Pensava nisto enquanto o “Xiribiri” [nome dado por mim, confesso] veio ter comigo aqui ao computador. Agora, volta a estar no meu ombro, enquanto escrevo, mordiscando-me a orelha. Aos poucos foi-se habituando a estar por casa… a gaiola está sempre aberta. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

Cheiro que marca encontro



Ainda cheiram a sardinhas. Normalmente não gosto do cheiro que fica nas mãos, mas hoje não me importo nada. Há as pequenas coisas que aparentam ser ridículas ou cliché, mas… vividas com seriedade tornam-se isso mesmo: vida. Hoje é o cheiro das sardinhas que marca a chegada e os encontros. O meu pai preparou-as, tal como uma salada de tomate feita pela minha mãe, junto com o belo do pão caseiro da minha avó, e soube-me pela vida. Que boas estavam! A comida tem sabor de encontro, de relação e de vida. Chego de outra Ceia, presidida pelo Luís, um companheiro jesuíta e grande amigo. Juntam-se as famílias. Dá-se encontro… e é bom, muito bom. :)

Post digno para hoje...





Há já umas semanas que tenho este post pensado para publicar hoje. ;)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O que se recebe é para dar



(Versión en español en los comentarios)

O que me faltava terminar neste ano lectivo, está feito e entregue num mail que acabo de enviar. Saiu um bocado “a ferros”: juntou-se a preguiça mental em pensar em francês (que filme!), junto com o facto de estar “noutra” desde há algum tempo. Às vezes, qual estudante que se preze, barafusto, erro, reclamo, faço imensos “pós-doc” em procrastinação, no entanto, sinto-me muito agradecido por poder estudar, ler, pensar, articular realidades, apercebendo-me da força deste modo de servir. Acumular conhecimentos de nada serve se não se conjugar com sabedoria de vida: o que se recebe é para dar. E há muitas formas de o fazer, tanto de receber como de dar. ;) 

domingo, 15 de junho de 2014

Reencontro



Gilbert Sape

(Versión en español en los comentarios)

“A minha mulher está quase a chegar!” Os olhos brilhavam com uma ternura impressionante. Havia o tremer de lábios e de palavras em dizê-lo, afinal são mais de 3 anos de separação forçada por uma fuga à tortura e à morte. O Poder, em especial algum Político, insiste em fazer mal. “Já preparaste o reencontro?” Respondeu-me: “Nem sei. Passa-me tanto pela cabeça e pelo coração. Vou levar um ramo de flores, como ela gosta. Depois, só queremos ficar abraçados.” Infelizmente não são todos, mas há capítulos com finais felizes. Sinto-me agradecido por poder fazer parte desta história. Dá ânimo para continuar a fazer caminho para que haja mais assim. Afinal, parece-me que o dinamismo da Santíssima Trindade, que hoje a Igreja celebra, tem que ver com este caminho de justiça e de paz. Talvez seja longo, mas… não impossível.


sábado, 14 de junho de 2014

Momentos e recordações de "stôr"




De 4.ª feira até hoje à tarde, estive a acompanhar aqui em Paris um grupo de 80 alunos do Colégio [CAIC] onde fui professor há 4 anos (GOD, o tempo passa!!). Foi voltar a dois anos de muita aprendizagem. O “stôr Paulo” veio ao de cima à força toda: a orientar, a organizar, a estar atento, a dar-lhes “uma chapadona” ;) . Além disso, foi muito bom estar com bons amigos, também “setôres”, e dar umas boas gargalhadas. Estes dias fizeram-me recordar muitos momentos como Director de Turma, em que vivi pela primeira vez o sentido da paternidade espiritual. E nisto também fiz mais um bocadinho da passagem de Paris de França para Portugal… ;) 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Humildade... em agradecimento



Ly Hoang Long

Ontem recordei uma conversa muito importante para mim. Não sei precisar o dia, mas sei que passaram alguns meses depois de começar a voar como Comissário. “Paulo, que se passa? Porquê esse ‘nariz empinado’?”, pergunta-me a Suzanne. Por vários motivos, estava a seguir por um caminho de superioridade que, de todo, não me caracterizava. O que é certo é que estava a seguir. Porque recordei esta conversa ontem? Pelas mais de mil partilhas feitas pelo facebook [será que se pode considerar “viral”? ;) ], muita gente leu a minha “breve” história vocacional, de relação com Deus, publicada no Folha de Domingo. Tive bastantes comentários e mensagens, a agradecer e a celebrar a ordenação que aí vem. Como dizia há dias, mexe por dentro, surge o nervosismo: a minha vida é e será de partilha. “Humildade” ressoou-me na cabeça e no coração ao longo do dia, quando via os vários pedidos de amizade e as partilhas da notícia a aumentarem. É fácil resvalar para o mau orgulho de “sou mesmo bom”… pondo-me num pedestal. Estes anos de formação deram-me campainhas interiores para recordar: “Paulo, não percas o sentido do dom de Deus. Sente-te reconhecido e agradecido por ele. Que bom que a tua vida pode ser exemplo e meio para que as pessoas possam conhecer Jesus, a quem tentas seguir. Mas, liberta-te dos interesses do mundo. Não és melhor, nem pior que ninguém. Não és superior a ninguém. Sabes bem que Jesus, a quem queres imitar, lavou os pés.” Depois, quando me deitei, lembrei-me desta partilha: "Tentações e flatulência" 

Humildade: com esta palavra acabei o dia de ontem, agradecido a Deus e tanta gente que me ajuda a ser quem sou, em especial à formação que recebo na Companhia de Jesus... e, claro, com uma boa gargalhada. :D


terça-feira, 10 de junho de 2014

Saudade... neste dia de Portugal




Passo algumas vezes por esta avenida.

Há um ano estava por terras de Espanha. Agora estou em Paris de França. E vivo aquela sensação de “Tuga” que sente a saudade e está desejoso de chegar a Portugal. Neste dia de Camões, do sangue Lusitano, recordo o que escrevi há um ano precisamente. Continua a fazer sentido.


A palavra “saudade” descreve muito de nós, portugueses. Parece que estamos constantemente com saudade: do passado, do futuro, do presente. Se por vezes há aquele desejo bom do reencontro, noutras amargamos o que ainda não temos, prevalecendo a queixa e o desespero. Não podemos esquecer a raça Lusitana, aquela que nos fez rasgar horizontes desconhecidos, acolhendo novas terras e gentes. Hoje, os horizontes não são físicos, mas de alma. Que o dia de Portugal nos ajude a agradecer a riqueza do que somos e a lutar esperançosamente pelos “mares por navegar” da justiça, lealdade e verdade. 

Artigo... na Folha de Domingo


domingo, 8 de junho de 2014

[Apontamentos nocturnos]



Richard T. Cole

(Versión en español en los comentarios)


Mais uma vez, em jeito de partilha, solto os pensamentos neste fechar de noite. Volto a tomar consciência do imenso que somos, do que nos rodeia, do que não se pode controlar, do que posso decidir, sim, em plena liberdade e o outro lado que são lá uns senhores que decidem por mim, por nós. No entanto, ninguém pode tirar-me a possibilidade de maravilhar-me com a noite, deixando-me envolver por esse mistério da pequenez e do Infinito. É como se o tempo parasse e se fundisse, fazendo rodopiar tudo e todos que constituem as coisas da vida. Do ridículo ao estupendo, das coisas estúpidas às fundamentais. Pode surgir a revolta, o desespero ante a catástrofe eminente. Ou então, aceitar que o poder não leva a lado nenhum. Apenas a Esperança: se aceito converter-me é aí que se dá mudança. Esta minha mania de ser utópico tem destas coisas… Acho que está na hora de ir dormir. Começou a trovejar. Ainda é a noite do Espírito. Haverá alguma que não seja?

[Secção outros tons... em dia de Pentecostes]




Martin Roemers

(Versión en español en los comentarios)

No princípio é a inspiração. Insufla o corpo no primeiro grito que abrasa e confirma a vida. Aos poucos a linguagem torna-se semelhante a quem impele o crescimento, anulando o medo de andar e encontrar(-se). As divisões cessam com o gesto de paz, em que as palavras são desnecessárias: basta que ames, tão simples quanto isso. Forma-se outro Corpo, onde nenhum membro é matéria morta. No perdão encontra-se o fogo que transforma todas as coisas a dar de si, renovadas pelo sopro do Espírito. E nasce-se de novo, deixando que no princípio seja a inspiração.


sábado, 7 de junho de 2014

[Coisas do quotidiano em Paris]




Na crónica de ontem no iMissio recordei que não é o extraordinário que faz a vida, mas o quotidiano. O extraordinário o que faz é dar impulsos de vida para que o quotidiano siga no bom ritmo. Venho eu no Metro [qualquer dia escrevo um livro sobre os acontecimentos que vivo no Metro] e o maquinista, depois de informar que por razões técnicas ficaríamos uns minutos parados, começa a cantar “moving like jagger” dos Maroon 5. Seguimos viagem e ele todo animado, continua a cantar, deixando os passageiros com um sorriso de boa disposição. É isso, toda uma animação no Metro. :D

sexta-feira, 6 de junho de 2014

"Hoje"



Hoje | foto de Joana Patita em

Saio do Hoje, a última criação coreográfica de Tiago Guedes. Saem notas soltas, sem pensar muito, apenas, tal como a peça “exige”, ficar-me pelo(s) registo(s) do(s) momento(s) presente(s).

Fecho os olhos e a velocidade paira no fundo da memória curta. A velocidade dos gestos apressados, perfeitamente adequados ao ritmo do agora, deste instante que, mesmo sendo noite, recolhe a aceleração de todos os batimentos cardíacos, deixando em exaustão a própria desorientação das coisas. Nessa respiração ofegante, que eu próprio vivi sentado a ver toda a intensidade que saia do palco, deixo que o corpo se adapte aos tempos… ao meu tempo, ao meu hoje, ao meu agora, à minha actualidade. Que inevitavelmente tropeça no Hoje que são outros que me deixaram a pensar.

Num primeiro momento, a vida acelerada, como que numa ida às compras, saindo do metro, depois do trabalho, para ir para casa, fazer o jantar, arrumar o dia ou as horas, na continuidade do presente. Outros e ninguém ao lado, apenas a subtileza do olhar ou um primeiro suave encontro que leva directamente ao confronto, ao agarrar, na exigência da tua, da vossa, presença na minha vida. Tudo sem parar, sem deter o tempo, que não cessa de dizer: “Agora! Tem de ser agora”. Afinal, já não são as horas que contam ou a continuidade do ritmo de cada dia, mas tu ou eu, ou tu e eu, ou nós, entrelaçados numa figura mitológica de mil braços, que não cessa de mover e implicar-me na história. E a meio apeteceu-me gritar. 

Não posso dizer taxativamente “é isto!”, mas há a densa interpretação deste agora que é bruto, que exige o combate diário pela vida. Será solidão se não amparo as quedas e não faço o silêncio necessário para me reposicionar no quem sou? que vai dando nomes à minha própria pessoa. Os gestos tão individuais e tão comuns fazem com que identifique a humanidade. Essa mesma, ofegante de tanto mover-se, num novo mundo que se renova constantemente. O Hoje inquieta. Tenho o seu quê de responsabilidade, impedindo, naquilo que posso, a morte do mundo pela exaustão. Dá-me vontade de parar e pensar no amanhã. 


Obrigado Tiago!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Falta 1 mês



A um mês do grande dia, recordo o que um companheiro, daqueles com muita sabedoria de anos e vida, me disse há dias: “Paulo, tenta não perder o olhar dos que amam. É esse olhar que ajuda a ver mais longe e dar fé aos que não a vivem por tanta coisa. Se és chamado a ajudar que os outros sejam livres e felizes, recorda que tu és pecador amado. Sim, repetimos isto muitas vezes. Para que deixe de ser mais um cliché, faz tu mesmo caminho de liberdade e felicidade, na fé de que Deus nunca te deixará de amar, mesmo nos momentos mais escuros ou vergonhosos da tua vida. Aí serás capaz de paternidade. E se a tua oração um dia passar pelo vazio, pelo sem sentido, tornando-se seca, dando-te vontade de desistir, volta a contar, como memória agradecida, as tuas histórias de encontro com Deus e limita-te a agradecer diante d’Ele do mais ridículo ao mais profundo da vida”. 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

O que vivo é único



Paolo Pellegrin

(Versión en español en los comentarios)


Tenho andado estranho nos últimos dias, podendo-se contar em semana e algo. Hoje, enquanto dançava, entrei no silêncio de mim e comecei a sair da terra, quase voar, atrevo-me a dizer a sair ao encontro profundo com Deus. Mas algo não batia certo. Sim, é bonito o desejo, a vontade, do encontro com Deus, mas… naquele momento, apesar de ser autêntico, estava em fuga, esquecendo o corpo, a vida, o agora. Fui convidado a prostrar-me, recordando esse gesto tão forte na ordenação. Assim o fiz. Aterrei, repetindo com as variações que no profundo de mim ia sentindo. Toquei o chão com todo o corpo, percebendo: “queres manter a normalidade, mas, Paulo, o que vives é único. Por isso não fujas, mesmo que seja por uma defesa para fazeres o que ainda há a fazer.” Sim, ainda tenho de acabar aqui alguns trabalhos, mas… GOD, é uma sensação tão boa este aproximar-se da ordenação que inevitavelmente a cabeça e o coração voltam-se para esse momento. Quase é difícil pensar, ainda mais noutra língua. O que apetece mesmo é estar lá, prostrado, sentindo o coração agradecido pela entrega e por perceber que, humildemente, darei a vida de Deus, sem esquecer o corpo, a vida, o agora. É isso, daí a estranheza… o que vivo é único. E escrevendo agora, sai-me: único e muito bom! :D

terça-feira, 3 de junho de 2014

Peço orações ou pensamentos



Um jesuíta, o Pe. Alexis Prem Kumar, director do Serviço dos Jesuítas aos Refugiados (JRS) no Afeganistão, foi raptado ontem por um grupo armado quando saía da escola dirigida pela JRS-Afeganistão. De momento não há mais informações. Peço-vos a oração ou o pensamento. Muito obrigado!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Silêncio em movimento




Carmelitas do Carmelo da Paz, em Mazille, relativamente próximo de Taizé

A suavidade do silêncio: a entrada, os passos a dar, a distância e a proximidade, o olhar, o ir, enquanto se prepara o coração para o louvor a Deus que pauta o dia destas irmãs carmelitas descalças. Rezei com elas. Fiquei fascinado com as entradas para a Capela. As saídas são igualmente suaves. Talvez seja nada de especial, mas bastou-me isto para encontrar o silêncio do movimento na relação com Deus no tempo que durou a oração. 

domingo, 1 de junho de 2014

Crianças...



Amy Hildebrand


Crianças, que nós adultos sejamos capazes de vos libertar de toda a escravidão, dando-vos a possibilidade de crescerem aos vossos ritmos. Crianças, que nós adultos permitamos que os vossos trabalhos sejam sempre de descoberta e de gozo, nunca vos cortando o sonho e a imaginação. Crianças, que nós adultos sejamos sempre motivadores da vossa existência, da vossa educação e do vosso sorriso, sendo sempre, cada um de nós, amparo nas vossas quedas. Crianças, façam-nos recordar a criatividade que permite encontrar uma nova personagem em cada objecto ou nuvem e que todos somos convidados a brincar “infinitos”.

sábado, 31 de maio de 2014

Em dia de Visitação [e do Tripulante de Cabine]




[Secção outros tons] Visitar: sair ou viajar ao encontro de alguém a quem sirvo num abraço, na escuta ou simplesmente no olhar que abre o horizonte. Partilha-se o alimento ou as perguntas que fazem ir mais longe. Os Mistérios ganham outra luminosidade... e percebe-se o convite à descoberta de outros voos. [Recordo de forma de especial, neste dia da Visitação e do Tripulante de Cabine, todos os que voam e que permitem o voar... em particular antigos colegas e agora amigos ]

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Numa breve passagem por Taizé...




Capela da Ressurreição em Taizé


Aqui, neste silêncio habitado por tanta gente, rezo: Senhor, dou-te graças pela amizade, pelas histórias que também constroem a minha, pelas pessoas que não se cansam de sonhar e pôr em prática a Vida pelo outro. Peço-te por todas as pessoas que guardo no coração. Abraça-as muito! 

terça-feira, 27 de maio de 2014

[Secção pensamentos soltos]



Marco Parenti

(Versión en español en los comentarios)

Há insistência em contar as coisas como elas são. É justo! É de verdade que se trata. No entanto, há o perigo de abuso, como se alguém a tivesse em pleno bolso, junto com meia-dúzia de moedas. “Sou muito verdadeiro, digo tudo o que tenho a dizer no momento!” Esta frase pode magoar, mesmo que pareça revestida de autenticidade. Arrisca-se o pecado da omissão do tempo, do espaço, do outro. Antes de se dizer, tenta-se investir no perdão… primeiro de si próprio, não deixando as dores das feridas pessoais falar. Dar a outra face, com olhar fixo no horizonte, é sinal que o caminho não acaba ali. É oportunidade de recomeço… e de contar de outro modo as coisas como elas são.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

[Secção outros tons]



Ralitsa Byalkova


As palavras, presas no emaranhado de pensamentos e emoções, não saem na forma ajustada. O silêncio torna-se o melhor texto. E fico à escuta. Afinal, o caminho aproxima futuro.

domingo, 25 de maio de 2014

Em dia de eleições europeias



Ivan Tereschenko


Nesta noite surge a sensação de tristeza, incómodo, preocupação, um laivo de medo, por ser estrangeiro, apoiando uma comunidade com bastantes emigrantes, em França. Salientando que mais de metade da população votante do país [como em muitos outros] não votou… Brinca-se às birras políticas, até com a democracia, mas isto não é o “pictionary” ou o “Risco”… é sério e pode-se jogar com a vida de muita gente.

sábado, 24 de maio de 2014

[Desabafos... sobre isto das redes sociais]



J. Baylor Roberts


Considero-me um “facebooquer”, um “blogger”, sim, nisto de vir cá partilhar, mantendo contacto com amigos, ver coisas novas a partir das páginas que gosto, etc. Não tenho crítica fácil, nem às redes sociais, nem ao que cada um publica ou deixa de publicar. A minha grande crítica passa pelo perigo de se aceitar tudo, tomando como verdade algo que não se sabe. Sou daqueles que quando vê uma coisa que a curiosidade chama a atenção, mas tem ar suspeito, vai ao google confirmar: “spam? vírus?”, evitando enviar o belo do vírus por esse mundo virtual fora. Aprendi também que a velocidade das redes sociais pode permitir o bem, mas também o pior que se pode imaginar, por exemplo, entre outras coisas, cyberbullying ou alguém perder a vida em linchamento popular "por engano". As tais histerias perigosas… cada vez mais comuns na actualidade em que a racionalidade perde terreno, impedindo a noção de "critério", validando-se tudo a partir da emoção do momento. O que vai acontecendo? A desinformação impede a formação (também de consciência). E como formar leva tempo e dá trabalho, cai-se no perigo de viver e comentar a partir do “eu cá tenho a minha opinião pessoal e se não te agrada paciência”, isto, claro, em nome da tão afamada “liberdade de expressão”. Cada vez mais me convenço: a liberdade também implica aprender a saber perder… e isso, é todo um caminho a ser percorrido, não por auto-estrada, mas por estrada rural.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Abstenção a ganhar [infelizmente]





Parece que a abstenção vai ganhar mais uma vez nas próximas eleições. Isso preocupa-me. Sei que os factores são muitos, mais ou menos justificáveis, mas dá-me que pensar que é sobretudo o desinteresse, a desconfiança ou o desagrado que motivam a abstenção. Não é “só um voto”, é a opinião/vontade de cada pessoa que vota, aliada à história da possibilidade de emitir essa opinião/vontade. Ainda há dias comentava-se em aula que a consciência cívica vai desaparecendo. Se desaparece totalmente, haverá alguém com muita vontade de impor uma nova… ao seu modo. Pelo que a História nos recorda, essas imposições não deram resultados agradáveis. Conheço quem os viveu… não me apetece viver nada igual ou parecido.

terça-feira, 20 de maio de 2014

[Secção Sonhos]



O meu badget de comissário, junto com a estola que uma amiga muito especial, que já está junto do Pai, me ofereceu. Foi a minha primeira estola.

(Versión en español en los comentarios)


Hoje sonhei que estava a celebrar uma Missa num avião… com o pormenor de que estava fardado e de estola. ;) E assim juntam-se duas coisas que gosto muito. Faltou o movimento coreográfico, mas “we never know”! ;) Enfim, a emoção, pelos vistos também dá para isto. ;)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Do medo.. à liberdade.




Max Seigal

(Versión en español en los comentarios)


Medo. Foi o sentimento que me acompanhou durante anos. Não sai de um dia para o outro. Também não deixo que me volte a amordaçar os movimentos. Voltei ao “medo de perder-me” e dancei com o que não vejo… as costas e o seu infinito. Num primeiro momento ainda queria ver, buscar, tentar agarrar-me à segurança de algo. Concentrei-me, voltei à respiração e suavemente surgia o sussurro vindo do fundo de mim: liberta-te! Por breves instantes voltei ao caminho feito, repassando nomes, situações, gestos que acabaram por empurrar-me para a frente. Acabei como homem do aqui e do agora. Recomecei, agora de olhos postos para o horizonte, tendo em memória o corpo que cresce, que se eleva como árvore que alcança o céu. Densidade nos gestos, com novidades e leveza. No novo passo de autenticidade, entreguei-me… nos instantes em que mais um pouco do medo se desvaneceu. Acabei como homem de fé. Liberdade. É o sentimento que me acompanha no presente.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Eleições ao Parlamento Europeu




Sempre que voto agradeço por todos os homens e mulheres que lutaram para que eu possa viver este direito. Agradeço também a liberdade que tenho em poder decidir, com o máximo de humildade, o que penso ser melhor para o futuro que não é só meu, mas de toda uma Comunidade. Da minha parte, já votei! 

terça-feira, 13 de maio de 2014

Fátima... [um Mistério de Fé!]



Henriques da Cunha


Das imagens que mais gosto, quando estou em Fátima a 12 de Maio ou de Outubro, é o momento em que se elevam as velas durante o terço. Das várias vezes que lá estive, encontrei pessoas do mais variado que se pode imaginar: pobres de dinheiro ou de espírito, ricas de criatividade ou de vaidade, crentes em Deus ou na energia cósmica do Universo, descrentes na política ou na família, alguém na solidão estando rodeada do grupo que a acompanhou em peregrinação e alguém com o coração cheio de gente, depois de ter caminhado só, em silêncio, durante 5 dias para agradecer algo importante na sua vida. Na escuridão, não havia rostos, nem roupas, apenas a luz que cada pessoa, independentemente da sua história pessoal e de relação com Deus, elevava. Essas luzes iluminam sempre todo o recinto… e, atrevo-me a dizer, a humanidade. Gosto desse momento, pois não se pode fazer nenhum julgamento. E aí está um dos Mistérios da Fé! 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Pensar custa...



Lynn Johnson

(Versión en español en los comentarios)


Pensar à séria custa. E custa ainda mais quando tenho de admitir que a minha opinião pode não ser a [mais] correcta ou que lhe faltam dados para que seja adequada e justa. Já me custou mais o “perder a opinião”, mas tal, felizmente, vai diminuindo, quando é isso que faz sentido. Apesar de por vezes as vísceras se incomodarem quando ouço, vejo ou leio algumas coisas, tento aplicar a razão. Isto por ser mais p’ó emotivo. Talvez quem seja mais p’ó racional, poderia pensar que no corpo, além do córtex cerebral, também há baço, esófago, fígado, estômago, fémur, genitais, pulmões, tendão de Aquiles, “the famous one” coração, etc., etc.. Pensar à séria custa… afinal, é preciso fazê-lo com o corpo todo. Tenho para mim que haveria mais serenidade na apresentação das opiniões.

domingo, 11 de maio de 2014

Bring back our girls


[Sem título e sem muitas mais palavras, junto-me à causa!]


[“Devolvam as nossas raparigas | E todas as outras que vivem sem liberdade e dignidade!!”]

[Penso alto neste dia em que se reza especialmente pelas vocações]



Micael Martel

(Versión en español en los comentarios)


Deus chama sempre. O importante é parar e escutar para poder responder o que faz sentido nesse chamamento. Há os naturais sentimentos de medo, de dúvida e de estranheza, muita vezes provocados pelos preconceitos, ideias feitas, etc. e tal sobre a vocação de padre, religioso (ou Irmão) ou religiosa (vulgo freira), em relação ao casamento, à maternidade ou paternidade, outro modo de vida de consagração, ou ainda sobre esta ou aquela profissão. A liberdade passa mesmo por “pôr as cartas na mesa” e com serenidade ver o que faz sentido na vida pessoal, com total honestidade. Pessoas perfeitas não existem. Existem, sim, pessoas convidadas a crescer em humanidade e em serviço, na vocação a que são chamadas. Actualmente, em que se gosta tanto de desafios, um dos maiores é o de viver plenamente a própria vida… e para isso há respostas a dar e caminho a fazer.

sábado, 10 de maio de 2014

Abençoar [casas]



Ulises Rivero

(Versión en español en los comentarios)


Têm-me pedido para abençoar casas. Tem sido uma experiência bonita, pois é outra forma de levar Deus à vida concreta das pessoas. Há dias, depois de uma pequena conversa inicial, a explicar o que significa este ritual, pedi a água para abençoar e depois aspergir a casa e fui até à sala. Chego e toda a família vai para a cozinha. Pensei que iriam buscar alguma coisa. Passa o tempo, eles lá e eu na sala. Passa mais um bocado e vem o senhor, olha para mim: “Já está?”. Dei uma gargalhada e disse: “Já está o quê?” “Então, a benção feita!”. Dei outra gargalhada: “Não, ainda não, porque estava à vossa espera. Talvez não me tenha explicado bem. Isto não é segredo nenhum e faz todo o sentido que esteja toda a família presente. Como dizia, mais do que afastar “maus espíritos” ou afins, é o convite para que Deus entre na vossa casa e ela torne-se cada vez mais espaço de acolhimento”. Lá vieram todos… e mais uma família ficou [com a casa] abençoada.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Nervosismo



Bobby Haas

(Versión en español en los comentarios)


Uns meses antes da ordenação de diácono, perguntaram-me se estava nervoso. Respondi que não. Afinal estava-me a preparar há anos. Com o seu humor, Deus mostrou-me a partir do carinho das pessoas que a ordenação não era fim ou promoção de carreira. Lembro-me perfeitamente de surgir o nervosismo. Está a voltar. Há momentos em que estou a rezar, a imaginar o dia, e emociono-me, sentindo-me pequeno. Tenho uma vontade imensa em ser padre, é inexplicável. Talvez por isso sentir-me pequeno. Não tem que ver com ser mais ou menos digno. Percebo que não é pelas minhas forças, inteligência, ser mais ou menos isto ou aquilo, de mais progressista ou “normal”. Não. Hoje diante da minha pequena vela acesa, pensava que só pode ser pelo abandono, pela confiança. E no profundo silêncio, segredo-Lhe: “Ajuda-me a ser terra fecunda ao teu serviço!”

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Entre quedas e aprendizagem...



Carolyn Drake


Houve um tempo, já como jesuíta, que só gostava de falar sobre temas interessantes, profundos, intensos, considerando o banal como algo a evitar. O que interessava era isso: fazer sempre uma viagem ao extraordinário. Como resultado, vinham as frustrações, a sensação de não aguentar tudo, e, pior ainda, o julgamento dos outros: “não estão ao meu nível!”. Levei algum tempo a admitir. De facto, precisei de cair algumas vezes, rezar outras tantas, para perceber que muitas vezes sou eu que não estou ao nível dos simples ou dos que “não são profundos” aos meus olhos. Moral da história (nada bombástica): ainda tenho muito a cair… perdão… aprender.

terça-feira, 6 de maio de 2014

"Não me detenhas!"



William Kerdoncuff

(Versión en español en los comentarios)


As ideias saltam, num questionamento sobre tanto. Esta mania de não me deixar ficar pelo adquirido ou pelas “certezas” que acabam por se tornar ídolos (mesmo na teologia, na espiritualidade, na relação com Deus), provocam-me a agitação do pensamento. Volto à tensão da coerência entre o sentir, pensar, dizer e agir. “Não me detenhas!”, diz Jesus, já ressuscitado, a Maria Madalena. Isto é impressionante… sobretudo por pensar que posso acomodar-me a detê-lo numa fórmula ou numa imagem. E isso não quero! Como resultado: as ideias saltam, num questionamento sobre tanto. E aí a vida também acontece!

segunda-feira, 5 de maio de 2014

A dois meses...




“Selfie” diante da estátua de S. Paulo, que o refere como Apóstolo dos Gentis, à porta da 
Basílica de S. Paulo Fora de Muros em Roma

A dois meses do grande momento, um excerto da Carta de S. Paulo aos Romanos [12, 9-18].


“Que o vosso amor seja sincero. Detestai o mal e apegai-vos ao bem. Sede afectuosos uns para com os outros no amor fraterno; adiantai-vos uns aos outros na estima mútua. Não sejais preguiçosos na vossa dedicação; deixai-vos inflamar pelo Espírito; entregai-vos ao serviço do Senhor. Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração. Partilhai com os santos que passam necessidade; aproveitai todas as ocasiões para serdes hospitaleiros. Bendizei os que vos perseguem; bendizei, não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Preocupai-vos em andar de acordo uns com os outros; não vos preocupeis com as grandezas, mas entregai-vos ao que é humilde; não vos julgueis sábios por vós próprios. Não pagueis a ninguém o mal com o mal; interessai-vos pelo que é bom diante de todos os homens. Tanto quanto for possível e de vós dependa, vivei em paz com todos os homens.”

domingo, 4 de maio de 2014

Confissão Pública [em dia da Mãe]



“Selfie” no Verão passado, com o meu pai José ao lado, a ver as nossas “figurinhas” ;)


No dia 19 de Março passado (dia do Pai) fiz uma Confissão Pública. Hoje tenho de fazer outra muito parecida: esta senhora é a parte que falta com alta responsabilidade sobre quem sou. E eu agradecido. Muito agradecido! Tem sempre “As histórias de Maria” para contar, mostrando a genica e a impressionante atenção que tem pelas outras pessoas. Das coisas que mais gosto é quando rimos os dois (ou os três) a bom rir (por isso esta foto, em que ríamos que nem uns perdidos a vê-la). Gosto também da mousse de chocolate, das ervilhas com batatas (ou arroz) e ovos. Dos bordados (terei algo muito especial bordado por ela). Nela guarda a tristeza de a vida não lhe ter permitido estudar como gostaria, de poder ensinar. O curioso é que acaba por ensinar muito mais do que pensa… a partir da sua delicadeza e cuidados. Às vezes os nossos feitios fazem surgir alguma faísca, que é rapidamente dissipada, entre outras coisas, com o beijinho que me dá sempre antes de sair para trabalhar, estando eu ainda a dormir. Sim, é a minha mãe Maria e eu gosto muuuuuuito dela! :)

sábado, 3 de maio de 2014

"Ad audiendas cofessiones"



Dana Clemons


Este fim-de-semana comecei mais uma formação de preparação para o sacerdócio: o “Ad audiendas confessiones”. É isso: preparar-me para ministrar o Sacramento tão mal entendido, por vezes mal vivido e outras tantas mal tratado: o da Confissão ou, como prefiro, da Reconciliação. Poderei escrever um dia mais sobre o assunto, mas… depois de uma “esfrega” de bastantes casos complexos, fica a certeza de que a misericórdia de Deus tem de estar sempre presente, ajudando a pessoa a encontrar a liberdade no que a oprime. Vai daí que, aliado à indiscutível caridade, a escuta atenta é primordial para perceber se há ou não pecado, e se há, onde é que ele realmente está. O importante é ajudar a pessoa a encontrar a Paz e o caminho de reconciliação consigo, com os outros e com Deus. E depois, eu sou sempre intermediário da graça divina… se sou um mau confessor, arrisco-me a ser eu a estar em pecado. ;)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os vídeos de Bill Viola


4 fotogramas do vídeo “Tristão” de Bill Viola

“Tens de ir ver a exposição de Bill Viola no Grand Palais!” Lá escrevi na lista dos desejos: “A ir!” No entanto, parecia que a exposição me perseguia: na rua, em revistas, mais pessoas a terem ido ver. Fui esta semana, na 4.ª feira passada. E vou voltar. Tenho de voltar. É difícil explicar o porquê. Aqueles vídeos, a forma como estão projectados, a disposição da sala, tudo me entra (sim, ainda hoje) pelas entranhas dentro. Não consegui “ver” todos. É preciso, mais que tempo, paciência: em relação ao presente, ao que está a acontecer, ao climax e ao momento seguinte… como que em digestão do que se passou. Talvez isto seja demasiado intelectual ou abstracto, mas as metáforas utilizadas nos vídeos condensam imenso da vida mesma. Fiz-me várias perguntas: Como lido com o tempo? Como trabalho a paciência? Como vivo a rotina? Como me deixo transformar pela realidade? Como aguentar que a vida continua apesar da brutalidade de alguns acontecimentos? Racionalmente parece óbvio, mas… ninguém é uma máquina de produtividade, de habilidades, de crenças (políticas, religiosas, desportivas). Obriga-me a pensar na conversão: no tornar-me mais humano e, assim, mais divino. Alguns vídeos chamam por mim (ou será a verdade de mim próprio que me chama a isso mesmo?). Vou voltar. Tenho de voltar! 


Deixo um excerto do vídeo “Ascensão”: http://vimeo.com/29978729

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Dia do Trabalhador



Seyit Konyali

(Versión en español brevemente en los comentarios)


Estava a rezar e fiz uma pequena viagem no tempo aos trabalhos que tive: numa esplanada no Verão, quando tinha 15 anos (os "primeiros trocos" ganhos), numa loja de fotografias no ano seguinte, em duas recepções de hotel (numa delas durante 9 meses), depois como comissário (3 anos) e como professor (2 anos). De vez em quando faz-me bem voltar à riqueza do já vivido, no caminho que me ajuda ser quem sou. A meio da oração agradeci, não só toda esta experiência, como a dos meus pais que desde pequeno ensinaram-me a respeitar o trabalho e as dificuldades da vida. Depois dei outro passo: entreguei a Deus todas as pessoas que estão desempregadas ou que têm de se sujeitar a condições desumanas de trabalho. Conheço bastantes, entre família, amigos e conhecidos, que, infelizmente, passam por uma destas situações. Sim, hoje não é o dia transcendente ou metafísico do trabalhador. É dia para recordar que o trabalho justo, aliado ao igual justo descanso, também fazem parte da dignidade humana.