quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Convenções e diferença




Arghya Chaterjee


As convenções fazem parte do ser humano. Convencionar, delimitar, definir, regrar, têm de constar na linguagem quando se vive em sociedade. No entanto, abusar disto pode levar à formatação, que anula outro lado da humanidade: o único, o genuíno, o diferente, o especial. Ao longo dos tempos o social estratificou modos de ser, criando modelos rígidos que podem anular a riqueza também inerente a cada ser humano. Sim, a riqueza proveniente dessa unicidade também não pode ficar sem limites. Parece-me que educar, ou fazer caminho de crescimento, é ajudar a dar asas à riqueza de cada um, junto com pautas de diálogo, sobretudo no saber escutar para além do preconceito pessoal.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Mãos




Dolon Archi


[Secção outros tons] As mãos contam a história de quem amassou terra. Semente após semente, as horas foram sendo depositadas. Gretas surgiam entre sol e frio, nas estações que deixam cair folhas de fogo, dando espaço aos rebentos, vigorosos, apoiados em contos. Não há velhos, não há novos: a vida faz-se de memória agradecida e de sonhos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Sobre reacções...




Dmitry Butuzov

[Secção desabafos] Nos últimos tempos tem-me incomodado e dado que pensar as reacções de muitos cristãos católicos a temas sensíveis, como o divórcio, situação de recasamento, homossexualidade, já que em nada tocam a misericórdia de quem se diz seguidor de Jesus Cristo. Tenho lido, ouvido e visto reacções de agressividade que mexem com a vida de muitas pessoas: que menos esperam, que podem estar sentadas no lugar ao lado da Missa, ser do mesmo grupo de reflexão sobre a fé ou bíblico. Quando os temas são sensíveis, há que tratá-los com sensibilidade e respeito pela pessoa, sem pôr tudo no mesmo saco. É impressionante as barbaridades que se dizem acompanhadas com o artifício retórico de “e eu até conheço ou tenho amigos que são divorciados, recasados, gays, etc.” Se se tem esses amigos e se o são realmente, cuidado com o que se escreve ou diz, pois com amigos assim… já se sabe. Custa-me ver que em nome da fé, perdão, duma pseudo-moral-que-se-diz-vir-da-fé, pode-se provocar tanto sofrimento desnecessário. Por vezes, apetece perguntar se a reacção visceral que se tem aos temas não será alguma situação mal resolvida, consigo ou com outros próximos, que não quer aceitar. Se assim é, não vai de rezas, mas de se fazer caminho de encontro consigo próprio… e nisso, Cristo foi muito claro (e duro, sobretudo com os fariseus e doutores da Lei). De vez em quando lá me recordo quem tem precedência na chegada ao Reino dos Céus.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Aula com alunos de 5.º ano




Bjorn Persson


Mal entro na sala, alguns põem logo as mãos em cima da mesa. Não, não é nenhum tipo de inspecção. Desde que comecei as aulas com eles que, antes da oração da amanhã [tenho aula ao primeiro tempo], resolvi dar-lhes dicas de meditação. Mãos apoiadas na mesa, costas direitas, pernas descruzadas, pés bem assentes no chão, olhos fechados. Inspira e expira… e cá vai disto. “Isto ajuda-vos?” É sabido que as crianças têm grande capacidade imaginativa. Um ou outro sorri, emociona-se, em todos vou percebendo a serenidade a acontecer. “Sim, stôr!”, “É diferente!”. Propus, por exemplo, que visualizassem alguém de quem gostam muito, depois alguém com têm mais dificuldades de relacionamento. Pedi que dessem um abraço a cada pessoa. Achei que iam fazê-lo em pensamento, quando tenho o meu momento de surpresa: todos, quase em coreografia, levantam os braços e, das duas vezes, dão um abraço. Depois, conversámos e as partilhas foram no ponto.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Advento




Justin Knott


Estamos em advento. É tempo de espera, em esperança, do nascimento de Jesus. Em cada ano voltamos a viver este mistério, tornando-se oportunidade para renovar ou transformar o encontro que cada qual tem com Deus. Para uns esse encontro é de certeza, de aconchego, de acolhimento, para outros, por muitos motivos que merecem respeito, é de silêncio, de confusão, de tristeza, de dúvidas ou até mesmo de negação. Atrevo-me a dizer que este tempo de espera tanto é nosso como é de Deus. Sim, Deus também espera, em esperança, pela nossa vinda até Ele, com imenso respeito pela nossa liberdade.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

[Primeiro-] Ministro



Zay Yar Lin


O Presidente da República indigitou António Costa como Primeiro-Ministro. Neste momento, parece-me importante que, mais do andarmos em lutas de ataque-defesa, se pense realmente em algo óbvio: nas pessoas, em especial as que estão mesmo mais desprotegidas e com muitas dificuldades a vários níveis. Mais do que pensar em “bolsos pessoais”, haja sentido do que significa ser Ministro (do latim “Minister”): não é aquele que se serve a si mesmo e/ou amigos próximos, mas aquele que serve. E para servir desta forma é preciso muita consciência da responsabilidade social.

domingo, 22 de novembro de 2015

Caminhos




Fabio Petti


[Secção outros tons] Bastam-me as moradas que tenho de cruzar. Entre o silêncio, a noite e o amanhecer, novas nuances surgem em pinceladas na alma, tornando o corpo mais humano.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Folha branca




Aula de 3.º ano Ensino Profissional (alunos entre os 17 e os 20 anos). Módulo: Relações humanas e gestão de conflitos. “Uma das coisas que me apercebo é a grande necessidade que há de falar sem filtros. No entanto, é difícil falar de sentimentos e explorar o que nos vai nas entranhas. Já sabem, eu acredito em vocês. Não me interessa os estigmas e preconceitos que há com as pessoas que frequentam estes cursos. Eu acredito em vocês. Aqui têm uma folha branca. Vão escrever o que quiserem… até mesmo ‘estou farto desta m..da toda’. É para vocês, não é para me darem. [Caras de incómodo, estranheza e ‘este passou-se’.] Peço-vos que sejam verdadeiros e autênticos convosco.” Música de fundo. Também escrevi na minha folha. Um silêncio impressionante. Sim, incómodo, muito mesmo. “Stôr, acabei.” Levantou-se e veio dar-me a folha. “Ah, mas não é para me dar.” “Eu quero que leia.” Muitos entregaram-me. Terminei a aula antes do tempo para lhes dar tempo para respirar… “Stôr, não volte a fazer mais disto!” “Ainda agora estamos a começar.” ;)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Agradecido




Enviei este sorriso a uma pessoa especial, depois de ter recebido uma mensagem à qual me senti muito agradecido. Isto há uns tempos. Acho que faz sentido partilhar hoje este sorriso no dia seguinte a ter recebido tanta manifestação de carinho e amizade. Sorri muitas vezes, emocionei-me também, agradeci, agradeci muito a Deus. A vida é feita de relação, de busca, de encontro, de deixar que nesta peregrinação possamos ir abrindo mais os horizontes. Ontem foi um dia cheio… ainda está a ser. Não conseguirei responder às muitas mensagens que recebi. Fica aqui o agradecimento especial, com um sorriso, a cada uma e a cada um. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sonhos




Aula com alunos de 5.º ano. Tinha pensado um tema, mas uma pequena conversa de corredor com um pequenote antes de entrar na sala fez-me mudar o que tinha pensado. Sumário: “Ao encontro dos sonhos”. Foi engraçado vê-los agitados de curiosidade a passar o sumário. “Sabem, acredito que os sonhos mudam a vida e que podem realizar-se. Façam o favor de sonhar muito! Que sonhos têm?” E comecei a escrever no quadro os sonhos que iam partilhando. Regras: ninguém podia julgar, nem pôr em causa ou gozar com nenhum sonho de um colega. Era o tempo e espaço de liberdade para partilhar os sonhos. No final, já quase na hora de sair, queriam continuar a partilhar. Disse-lhes: “Mais importante do que partilhar agora, alimentem os sonhos no vosso coração. Libertem a imaginação. Não há sonhos impossíveis. Podem realizar-se de forma diferente ao que esperamos, mas realizam-se.”

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Encontro, conversão.



Sirsendu Gayen


O encontro connosco mesmos, esse entrar na consciência de si, é um exercício exigente. Tenho-me apercebido disto nestes tempos de muita aprendizagem, acabando por surgir muitas perguntas que me fazem tremer diante do que me é confiado. O exterior pode ser desafiante. No entanto, o grande desafio está no transformar-me, converter-me, ampliando o horizonte do meu sentir e estar. E isto é duro, sobretudo por também implicar perder ou perder-me. Pode-se dizer: a exigência da fé nesse abandono à confiança de Deus, que não está lá, como os ídolos, mas cá, nas entranhas, segredando a força da própria humanidade e divindade. A conversão não é para apenas tornar-me uma pessoa melhor, mas alguém divino com Ele. Para tal, as noites, os silêncios, as ausências de Deus fazem crescer, dando-se caminho de liberdade.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Deus em causa




Calla Kessler

- Stôr, desculpe a pergunta. O stôr na Missa de domingo disse que às vezes não acredita em Deus. Percebi bem? 
- Não me recordo como formulei. Provavelmente o que disse foi, mais do que não acreditar, que também punha Deus em causa. Melhor, questiono o meu modo de acreditar em Deus.
- Nunca pensei que um padre pudesse dizer isso. Se o diz, sinto-me mais descansado.
- Então?
- Oh, acho que também passo por isso, mas fui ensinado que a fé não se põe em causa. 

- Não ponhas em causa a fé em ti, mas quanto ao modo de ver, viver ou sentir Deus, de vez em quando é bom que te perguntes sobre isso. Agora, não o faças sozinho. Busca sempre alguém que te compreenda e ajude a fazer caminho. Deus e nós somos mistério, pena é que se perca a consciência disto. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Caminho de sombra...



Takashi Nakagawa


No caminho da liberdade, há vistas de beleza em encantos de consolação. É o brilho de sol em Primavera ou Verão. Vem o silêncio da contemplação. Com igual naturalidade, mudam as estações. O caminho segue e a rota leva até às sombras da alma que repugnam, não apetecendo encarar ou aceitar. Suaviza-se a consolação da beleza, em contraste com a nova visão da realidade que, afinal, também sempre lá esteve. Abraão, Jacob, Job, Jonas, Isaías, a mulher Samaritana à beira do poço, e, claro, Jesus, passaram por esse confronto para encontrar liberdade. Nessa marca de ideais sociais e religiosos de perfeição ou pureza, esconde-se ou evita-se tocar o lado sombrio do ser. Por mais duro e terrível que seja, nessa passagem dá-se crescimento, expansão do ser, em liberdade e amor. Daí que nunca se pode julgar. O caminho com Deus é profundamente pessoal.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ensinar. Saborear.




Sho Shibata  


Aula com alunos de 5.º ano. Lemos um poema de Ary dos Santos, onde se percebe que estudar pode significar muitas coisas. No final, propus que em casa voltassem a ler o poema e no caderno escrevessem os versos ou palavras que mais lhes chamassem a atenção. Rapidamente alguns braços no ar para perguntar: “O tpc é obrigatório, professor?” Respondi-lhes: “Não, não é nem tpc, nem obrigatório. É uma proposta para que em casa com mais calma possam saborear o poema. Que pena é que só se façam as coisas quando são obrigatórias. Sim, imagino que têm muito que fazer e limitam-se ao que são obrigados, mas, por favor, não reduzam a vossa vida de estudo ao que é apenas obrigatório.” Não sei quantos irão fazer o que pedi. Sei que nestas idades é preciso marcar bem os limites. No entanto, também sei que as crianças podem ser educadas no sentido da liberdade em saborear a realidade. Há riscos? Sim, há. Mas quero contribuir para uma educação que não mecaniza, mas humaniza. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Silêncio




Francisco Negroni

O silêncio faz jus à Palavra.
Nessa escuta, em tempo
que o pão leva a ser amassado,
o vento passa pela vinha

soltando folhas de fogo.


domingo, 27 de setembro de 2015

12 anos




Dulce Antunes - Missa final dos 1.ºs Exercícios Espirituais que orientei


Diz que à dúzia é mais barato. Mas cá não andamos em promoções, porque damos, ou neste caso, vou dando de e com graça a minha vida de forma especial como jesuíta há 12 anos. Há momentos em que parece que foi ontem, outros em que já foi há imenso tempo. Têm sido tantas as mudanças em mim, em jeito de conversões que vão acontecendo, que há muito a agradecer e a continuar a descobrir… sobre mim, sobre Deus e sobre os outros e o mundo a que sou enviado… e nesse descobrir perceber onde posso continuar a dar, a partir do muito que vou recebendo, em especial da Companhia de Jesus, que também hoje celebra 475 anos.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Pastor




A bolsa guarda as muitas chaves… sobretudo para abrir passagens. O peixe já me acompanha desde que fui morar para Lisboa com 18 anos. O “J”? Em S. João, Jesus mostra-se como o bom Pastor e como a porta. É no cadernito que vou apontando as ideias, intuições, palavras soltas, do que vou escutando…


Ontem, em conversa, apercebia-me do tsunami que passo. Explico: foi-me confiada a missão de ser o coordenador da pastoral do Colégio das Caldinhas, que compreende 5 escolas, perfazendo um total de quase 3000 alunos dos meses de idade aos 22 anos, juntando, claro, os muitos educadores. Numa das escolas sou professor de Educação Religiosa e Formação Integral. Também sou coordenador das actividades da pastoral comum aos 3 colégios dos jesuítas em Portugal. Têm sido muitas reuniões, conversas, leitura de pastas… de escuta, muita escuta, para perceber como posso bem servir por aqui. Vivo muitas sensações diante dos desafios que tenho pela frente. Claro que já vou acumulando pérolas ;) , além de já ter sido confundido como electricista, houve um aluno de 7.º ano que depois da minha apresentação manda esta: “p’a padre até se veste bem!” ;) Seja como for, uma das minhas prioridades é cuidar. Afinal, pastoral vem de pastor, aquele que cuida. O primeiro a cuidar é Cristo, o bom Pastor. E Cristo tem uma predilecção por quem está cansado, oprimido, perdido ou rejeitado. Não julga, apenas quer cuidar e com misericórdia. Em resumo: de momento é uma animação de informação a reter, para poder cuidar bem.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ajudas




AP Photo/Martin Meissner


Tenho estado mais silencioso por estes lados. 1) O tempo tem sido diminuto, sobretudo diante da muita novidade a absorver com a nova missão. 2) Do que vou lendo sobre a situação de crise humanitária que estamos a atravessar, só penso que infelizmente a memória é cada vez mais curta, deixando o medo e a ignorância tomar as últimas palavras. Vale-me a esperança de muitos mais que vêem seres humanos nos rostos: de família, amigos, sem-abrigos, refugiados, migrantes, desempregados, excluídos. Afinal, quem se interessa pelo ser humano em sofrimento procura onde há necessidade, ajuda no que pode fazer ou oferecer, e ponto. Se é necessário fazer reflexões? Óbvio, mas essas levam tempo e é preciso estudo, muito estudo, que não são meras opiniões. De momento, que se ajude como se pode… seja o vizinho do lado que está no desemprego, o sem-abrigo que dorme na nossa porta e/ou os refugiados que fogem para viver. O resto são tretas… para não dizer outra coisa.

domingo, 30 de agosto de 2015

Cultura de acolhimento




Robert Atanasovski/AFP


Somos concebidos em cultura. Essa cultura que atravessa a humanidade condiciona o modo de pensar e viver. É difícil, para não dizer impossível, alcançar a pura neutralidade. Questões de crenças atravessam todos os âmbitos. Ser humano é ser crente. E não vale a pena fugir disto. Os tipos de crenças é que podem variar: do desportivo ao religioso, sem esquecer o político, elas pairam na vida de cada um. Somos cultura, somos crença… e somos relação. Nessa relação deveríamos perceber a riqueza da humanidade na sua diversidade. Chegam-nos humanos, como cada um de nós, por mar, atravessando arames farpados, de culturas diferentes. Apenas buscam viver… nem é viver melhor, apenas viver. Ficar-se neutro é impossível, já não o é optar entre o medo ou a confiança na altura de falar na ajuda que se pode dar. Continuo a acreditar que, para além das crenças todas, possa crescer a de um mundo melhor. Nestes dias, de todo que passa por acolher, e não expulsar, sobretudo quem quer apenas viver.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Notas soltas



Juan Carlos Osorio

Escrevo notas soltas
no caderno que sente
a letra mudar

o pensamento
em rabiscos e ideias

o sentimento
em frases e dizeres

entre Deus e Amor
são histórias sem fim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Aprumar valores




Yap Kh


[Secção desabafos] Estar “fora do mundo” durante alguns dias sabe bem. É como se me fechasse numa redoma de outros ventos e marés. No entanto, sabe-me bem apenas por uns dias, pois muito mais tempo entro no perigo de desligar-me da realidade circundante. E é essa realidade que também me ajuda a pensar. É certo que temos vários níveis: o banal do quotidiano, o extraordinário, os acontecimentos de vida e o que se passa no mundo. Dá-se mais interesse conforme os gostos. Volto e leio sobre a gravidade da situação humanitária de refugiados, sobre a continuação do massacre perpetuado pelo Estado Islâmico, sobre as manifestações de extrema-direita na Alemanha contra a entrada de refugiados no país e sobre pessoas a continuar a morrer no Mediterrâneo por buscar a vida. Gosto de animação, não sou pessimista, sigo numa linha de esperança, mas que dói, dói. O que mais custa é saber que há quem tenha interesses com tudo isto, banalizanado a vida humana. Diante destes cenários, fico a pensar na hierarquia de valores que tenho de aprumar… afinal isto de amar o próximo como a si mesmo tem muito mais que se lhe diga.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Agradecer




Agradecer. Verbo bastante usado nos últimos tempos, tanto nos Exercícios espirituais que fiz e orientei, como nestes dias de Campo de Férias com uma equipa de animadores muito boa, tal como o grupo de participantes. Como não podia deixar de ser, houve demonstrações de segurança da “Jesuit Airlines”. Percebo que a farda ainda tem de ser adaptada, mas já está em caminho. ;) Sinto-me agradecido pelas boas conversas e partilhas…. com muita gargalhada à mistura. Como alguns diziam: “Oh padre, acalma lá o olhar ‘suga almas’”. Não suguei nenhuma, mas vi imensas cheias de dons, muita criatividade e com corações cheio de vontade de ajudar e servir. Não, não me venham com “a juventude está perdida”. Do muito que tenho visto, em particular estes 42 adolescentes, entre 17 e 19 anos, que animámos, todos têm potencial para ajudar o mundo a ser melhor. Eles não são o futuro, mas o presente da humanidade. Daí, muito a agradecer. :)

sábado, 15 de agosto de 2015

Partilha(s)




Têm sido dias muitos cheios, de silêncio e com muita escuta: pessoal, de Deus, de outros. Ainda estou a orientar Exercícios Espirituais. Depois irei para campo de férias. Será a loucura e animação. Daí continuar mais ausente destes lados. ;) Agradeço as mensagens que me têm enviado, responderei com calma assim que possa. Deixo uma pequena partilha do que pensei sobre a misericórdia durante o meu retiro: “Repito muitas vezes ‘misericórdia’, com o sentido de ‘entranhas mexidas’ com a dor, o sofrimento, do outro. Tenho receio de que de tanto repetir possa esvaziar a palavra, tal como acontece com ‘amor’. No entanto, tal como na dança, a repetição do gesto, do movimento, é fundamental para os incorporar, também é necessário repetir os gestos de misericórdia. Deixar que se entranhe, incorpore o sentido da entrega, do amor ao próximo. Dito assim pode ser, ou pode entrar num voluntarismo. Aqui é uma questão, mais que de esforço, da prática de amor ao próximo a partir de Cristo. Imitar Cristo, não me comparar com Ele. Senhor, peço-te, ajuda-me a ‘con-figurar’ contigo. Não para ver se chego onde tu chegas… não é uma questão de comparação ou competição, mas de viver o amor ao próximo a partir do teu amor. É aí que vou percebendo o ‘passou fazendo o bem’ e o ‘levanta-te’ tantas vezes repetido a quem estava caído, desprezado, excluído e rejeitado, sem exigires nada, absolutamente nada, em troca.” 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Exercícios Espirituais




Paul Brooks


Estou a mergulhar de forma diferente nos Exercícios Espirituais (EE) de St. Inácio. Depois de os ter feito pela primeira vez há 14 anos, preparo os que vou orientar pela primeira vez sozinho a partir de amanhã para um grupo de 16 pessoas. Depois do merecido descanso entre sol e mar, preparo os pontos e os textos bíblicos que irei propor como ajuda ao encontro entre a “criatura e o Criador”. A grande riqueza dos EE está situada neste encontro, onde, mais do que ideias ou teologia, promove a liberdade através de um caminho que fará dialogar a história pessoal com o seu passado, sem julgamentos, na actualidade, em conjunto com a de Deus, em especial a partir da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus. Depois farei eu os meus EE… e de seguida voltarei a orientar outro grupo. Nos próximos dias estarei rodeado de espiritualidade inaciana e sobretudo de encontro com Deus. Nesse silêncio habitado e orante, tanto proposto como o que irei viver, rezarei por vocês, pelas vossas intenções e projectos. Peço-vos a oração e ou o pensamento, por mim e pelos dois grupos. Até breve. :)

terça-feira, 21 de julho de 2015

Coisas extra-quotidiano da vida de um padre - continuação de hoje




Chegado a Portimão para uns dias de descanso mais à séria, o meu pai disse: “vamos até ao Zoomarine!” Assim foi, pensando eu que seria mais uma das muitas vezes que lá fui. Mas não. Se há um ano andei a nadar com leões e elefantes marinhos e fui ver golfinhos no alto mar algarvio, desta vez os meus pais fizeram-me a surpresa de ir nadar de perto com os golfinhos. Este era um dos sonhos de criança. Posso não ser veterinário com especialidade em cetáceos, mas já posso dizer que dancei, nadei, mergulhei com o Hugo e dei e recebi beijinhos da Sara. Toda uma animação! De facto, sempre fui dado a novas amizades… mesmo que para muita gente possam ser estranhas. ;)

Coisas extra-quotidiano na vida de um padre




Os meus pais fizeram-me uma surpresa. Quem disse que sonhos de criança não se cumprem? Daqui a pouco conto mais... agora vou nadar com golfinhos!

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Pastor e ovelha e pastor




Jawed Alan


Ontem, durante mais uma viagem e acompanhado pela noite, recordei os muitos encontros desde que cheguei, junto com boas conversas. Sobrevoava: quem é o ser humano? Talvez em tempo de “silly season” não apetece andar com estas questões mais filosóficas. No entanto, o tempo não pára e os acontecimentos, mais ou menos conhecidos, continuam a mover a humanidade. Pensei nisto de ser “bom pastor” (para onde encaminhavam as leituras deste domingo, ajudado pelas reflexões das homilias dos dois companheiros jesuítas que este fim-de-semana presidiram às suas Missas Novas). Não podemos ser bons pastores se não conhecermos a realidade das pessoas que nos rodeiam. Além das pessoas, também dos tempos, das culturas sociais e religiosas, que vão para além do meu “eu” fechado sobre si mesmo, em ideias ou modos de pensar. No fundo, mais uma vez o apelo à conversão pelo que esta ou aquela conversa ou história fazem ver de novo, em especial, a partir da misericórdia. O Francisco Campos, no sábado, recordava que somos pastores e ovelhas. O Francisco Martins, ontem, recordava-nos que o compadecer de Jesus é algo de entranhas, nesse movimento visceral, até mesmo uterino, que provoca vida. O bom pastor quer e compadece-se da vida das suas ovelhas, independentemente da sua cor, raça, sexo, crença, força ou fragilidade… sem esquecer, ou talvez por tomar cada vez mais consciência, que também é ovelha.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Muros




Laszlo Balogh/Reuters


[Secção desabafos] Li que se começa a erguer mais um muro na Europa. “Impedir a entrada de gente”, dizem eles. Os muros, físicos ou relacionais, erguem-se pelos medos. E o medo em excesso faz coisas muito estúpidas: impede a vida e fecha mentalidades. Ah, e se eles “lá” estão a morrer, isso, pelos vistos, não interessa nada. Realmente, a história é esquecida com muita rapidez.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Fase de regresso




Nilton Quoirin


Entre conversas e silêncios vou-me apercebendo que estou em fase de regresso. Há o regresso físico, numa viagem de lá para cá. Depois há as muitas outras pequenas viagens de regressos: de pormenores ridículos de me espantar com o valor de 2,8€ por dois croissants e um pastel de nata… quando em Paris só o pastel de nata seria 2€, passando pela sensação de precisar de tempo e oração para dar-me conta das mudanças. Parece que foi ontem, mas 5 anos fora é algum tempo, ainda mais quando muito aconteceu. O regresso também é tomada de consciência das mudanças, do solidificar ou confirmar caminhos, em registo de tanta gente que conheci, seja em conversas soltas, seja em amizades que ficarão pelo tempo. Estes dias passados foram de (re)encontros, de conhecer a nova casa, de começar a perceber os desafios da nova missão e de recordações, o que permitiu escutar e contar o “como foi” destes últimos tempos. Vivi também a alegria de co-celebrar na ordenação sacerdotal de três companheiros na Sé Nova de Coimbra. Hoje foi a Missa Nova de um deles, com foguetes e tapete de flores. Depois, coisas curiosas como andar na rua e “Desculpe, é o padre Paulo?” “Sim, sou!” “Ah, comecei a segui-lo pelo blogue, depois pelo facebook. Não sei se tem tempo, mas com algum descaramento pergunto: posso confessar-me?” “Vamos a isto! :) ” É isto, entre conversas e silêncios, vou-me apercebendo que estou em fase de regresso.

domingo, 5 de julho de 2015

1 ano de padre




Dulce Antunes


1 ano de padre. :D Sinto o agradecimento a Deus por este dom confiado. São imensos o poder e a força que vou-me apercebendo ter, em conjunto, quase ao mesmo nível, da fragilidade que muitas vezes sinto. Essa fragilidade, dentro da humanidade, tem-me ajudado a ajustar esses imensos poder e força para o melhor, para a dádiva, para a escuta, para o outro. Não é uma questão de ser mais ou menos digno, mas de me dispor à escuta da chamada e assim servir nesta paternidade que dá a vida de Deus. Foi um ano de muitas graças e da consciência do que significa amar na repetição dos gestos que consagram e perdoam em nome de Cristo. Agradeço também este 1.º ano de padre do Carlos, do Frederico, do Gonçalo, do João e do Pedro. Isto de ser padre não é coisa nossa, mas de Corpo e em serviço a esse Corpo: como religiosos, no nosso caso na Companhia de Jesus, como cristãos, na Igreja, e como humanos, na sociedade. Ao recordar este dia, voltam-me a doer as maçãs do rosto do constante sorrir de feliz. ;) Peço-vos, a quem seja de rezar, a oração, a que seja mais de pensar, um pensamento por nós, para continuarmos a ter um coração disponível à escuta e ao serviço do outro, dando vida às pessoas e nas missões que nos são confiadas.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vontade de leitura




Gurcan Ozturk / AFP/ Getty Images

Ainda não tive oportunidade de ler a recente encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco. No entanto, a vontade cresce pelas críticas que tenho lido. Pelo lado das positivas, por ser uma encíclica que aborda pela primeira vez um tema tão importante como a ecologia, dos pontos de vista ambiental e humano. Do lado das negativas, curiosamente muitas vindas de âmbitos mais conservadores da Igreja, de que o Papa trata de temas que não competem à religião, acusando-o de socialista e até mesmo comunista. Pois, só por estas críticas negativas volto ao que fui pensando ao longo deste últimos anos de estudo: a heresia do neo-gnosticismo anda aí. O importante é sermos todos muitos espirituais, a rezar, a cumprir os preceitos todos e mais alguns, sobretudo ao nível da moral sexual, que isto da injustiça social, ecológica, é coisa de países de terceiro mundo. De facto, não me adianta rezar muito e ir a todas as missas e mais algumas se isso serve apenas para alivio de consciência ou “aplacar iras divinas”, mantendo a ideia, por não conhecerem a realidade para além dos seu mundo económico-social, de que há pessoas de categorias diferentes e de que todos vivem muito bem. Quem se diz cristão não pode esquecer que segue o Senhor que foi condenado à morte e de cruz também por ter expulso os vendilhões do Templo. De salientar que esse gesto foi religioso, político e económico, pela injustiça que se cometia em nome de Deus. Pelo que se lê desde o Antigo Testamento, reafirmado pelo Novo, das grandes preocupações divinas é sobretudo pelo que mais sofre, em especial quando tal acontece injustamente.


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Coisas do regresso a Portugal :)




A transição para Portugal começou com um encontro inesperado ainda em Paris. Na comunidade estava o Pe. Alexis Prem Kumar, antigo director do Serviço de Jesuítas aos Refugiados no Afeganistão, que esteve refém pelos talibãs durante 8 meses. Aí falámos um pouco desses dias e disse-lhe que em Portugal também muita gente tinha rezado por ele. Ficou muito agradecido. Daí a ideia da selfie, como forma de agradecimento. Seguiu-se o resto das arrumações; dormir duas horas e ir para o aeroporto. No check-in a senhora estava muito agitada a chamar o supervisor. Só dizia: “Staff! Staff! Il est staff!” Não estava a perceber o que se passava, mas consideraram-me como “staff”… ;) Até que vi o cartão de embarque: executiva. Deu muito jeito, pois para económica tinha excesso de bagagem, o que deixei de ter, podendo levar até dois volumes para a cabine. Foi perfeito. Depois percebi que houve “mimos” dos amigos aviadores… o que agradeço muito, muito. Não me roguei. Sendo dia de S. Paulo, recordei a sua passagem que fala do saber viver ora quando se tem e ora quando não se tem. Lá fui ao “lounge” tomar o pequeno-almoço. Voltei ao ambiente de avião: tão bom! Houve boas conversas de galley, a recordar velhos tempos. Depois aterrei em Lisboa no cockpit: foi fechar um ciclo para começar outro com grandes vistas. Como me disse a Suzanne: “Olha, foi uma transição à grande e à francesa!” ;) Rezei em acção de graças por S. Pedro e S. Paulo… acho bonito e fortemente simbólico regressar neste dia. E como se canta na famosa música do Dino Meira: “Voltei, voltei, voltei de lá. Ainda ontem estava em França e agora já estou cá!” ;) De fundo há sensação boa, muito boa… da vontade de anunciar a Vida em abundância de Deus. 

domingo, 28 de junho de 2015

Au revoir, Paris !




[FR] Merci Paris ! Merci a tous les nouveaux amis de Paris ! Merci pour ces deux ans de Vie dans ma vie. Dieu a travaillé beaucoup en moi dans ce temps et je pense que je l’ai aidé aussi. ;) C’est la ville de l’amour et de la lumière. Que ça continue à passer, pas seulement dans les filmes ou dans l’imaginer des gens, mais dans le cœur de chaque personne. Je suis heureux pour tout que j’ai vécu ici. Je quitte avec une marque d’une forte sensation d’action de grâces. Je continue à prier pour vous, chers amis. Je vous attends au Portugal. ;) À très, très bien tôt, j’espère ! Je vous embrasse avec tendresse !


[PT] Obrigado! É a agradecer que faz sentido terminar mais esta etapa aqui em Paris. Sou feliz pelo que aprendo e que vivo. Espero continuar a dar, como sou chamado. Portugal, até amanhã! ;) 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Vibrações, diferença e paz





[Coisas do quotidiano em Paris] Claro, esta secção não podia faltar nos últimos dias. Estava há pouco a dar um passeio quando, em plena rua, vejo uma senhora metida num grande cuenco tibetano, com outro na cabeça. Dois senhores lá tocavam nos dois cuencos para provocar vibração. A senhora quase levitava. Depois, no autocarro, vi esta senhora e este senhor a trocarem contactos. Tão diferentes no modo de vestir e unidos pela paz. O que despontou a conversa foi ele ter-se despediu-se de alguém a dizer: “Precisamos de paz na diferença!” Estando sentados em frente um do outro, a senhora deu um sorriso e disse: “Je suis d’accord!” E puseram-se a conversar. Em dia de tristeza pelos atentados, é uma pequena lufada de ar fresco ver encontros na diferença, seja a “levitar” com cuencos, seja em conversas a partir da paz. Tendo em conta o post de há pouco, hoje foi dia de UNESCO tanto na sede, como na rua. 

UNESCO



Fui pela primeira vez à UNESCO no dia 27 de Novembro. Nesse dia vivi a alegria da passagem do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade. Vivi igualmente a surpresa de uma nova amizade a surgir. Voltei lá mais vezes para boas conversas de vida, de humanidade, em alegrias e tristezas, dores e esperanças, de partilha daqui e dali sobre educação, ciência e cultura, de escuta, de pensar e de sonhar. O mundo da cultura, nessa riqueza da diversidade, também me ajuda a continuar a percorrer caminhos de fé, de humildade, de respeito e de aprendizagem na escuta de outras perspectivas. Perceber a importância da cultura, da educação e da ciência, em boas reflexões, é também ir percebendo quem é o ser humano.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dança e agradecimento




Quando termino etapas sinto sempre profundo agradecimento. É muito o que recebo. Um dos encontros importantes que levou a uma grande amizade é sem dúvida o que tive com a Diana, minha professora de dança durante este tempo de Paris. Hoje tivemos a última aula, pelo menos por cá (nunca se sabe o futuro ;) ). Foi muito o que aprendi com “mi maestra.” Este trabalho, implicando corpo, dança, movimento, foi fundamental para o caminho que faço de autenticidade comigo, com Deus e com os outros. Recordo das primeiras coisas que me disse: “o que recebi é para dar, não me interessa guardar para mim.” Deus esteve presente nas aulas, entre partilhas e respiração. Houve transição nas nossas vidas, em gestos que ganham consistência e densidade em dança que “torna visível o invisível.”

terça-feira, 23 de junho de 2015

Mudanças




As mudanças são aborrecidas. Ponto! É estranho começar a ver o quarto a ficar vazio. Recordo a primeira vez que mudei de quarto no noviciado. Não achei piada nenhuma: “Ainda há 6 meses mudei-me de Lisboa para Portimão, depois para Coimbra e agora ando a mudar outra vez!” Pois, é a nossa vida de jesuítas, em sinal de disponibilidade, de ir aprendendo a partir para onde somos enviados em missão. Já não sinto a fúria que senti no noviciado, apenas aquele lado aborrecido de encaixotar. ;) Despersonaliza-se o quarto mais uma vez. Por seu lado, a vida vai ficando mais cheia de nomes, rostos, histórias, acontecimentos. Tal como em registos de livros… muitos livros. ;) 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mestrado em Teologia: check!




Hoje, depois de hora e meia de exame final, por um lado, à volta de uma questão teológica sobre a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo e não a cervejaria/zona de Lisboa, entenda-se ;) ), por outro, sobre o dossier final de ano que escrevi com uma dissertação teológica sobre o apanhado geral dos estudos feitos, dou por concluída esta fase de estudos. Mestrado em Teologia: check! :D Houve algumas perguntas de “chatear”. Ajudou estar calmo e tranquilo, afinal com esta idade já não estou para este tipo de chatices. O que sei, sei. O que não sei, pois não vou enrolar, não sei. Parece óbvio, mas não foi há tanto tempo quanto isso em que os exames eram momentos dramáticos desgastando-me a provar, estupidamente a mim mesmo em primeiro lugar, que era capaz, ou que sabia, ou que até era digno de ser jesuíta. Isto para mim é um grande ensinamento para as cenas dos próximos capítulos que se aproximam em que serei professor: ajudar os alunos a buscar a verdade e autenticidade de si próprios. Agora: semana de “até já”, “até logo” e, claro, encaixotar. Também faz parte!