segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ironia [e ridículo ante a morte]




Associated Press

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Em Itália, Lampedusa, enterram-se mortos numerados sem nome, com nova nacionalidade. Será a morte necessária para se ser alguém? Alguém que em vida busca precisamente viver? Em geral, quem governa carrega-se de ironia: pena dos mortos, horror dos vivos; pena do dinheiro que não tem, matando aos poucos quem vê a dignidade fugir. Entra-se, melhor, permanece-se no ridículo. Apetece gritar a dor da morte, para que os bem viventes tomem consciência que a vida não é uma reserva de Estado, nem um luxo... mas a base do ser para além da raça, sexo, cultura, religião. E percebe-se a responsabilidade que temos uns com outros.

domingo, 6 de outubro de 2013

Questões de corpo




Helmut Newton

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O corpo é de grande riqueza. Desde há tempos que se vê o ser humano como corpo que é e não que tem. No entanto, actualmente explora-se ao máximo esta dimensão em forma bastante sexualizada. Isto vende e faz babar. Perde-se a noção do pudor (que nada tem que ver com puritanismo) e a rebeldia sexual passa a ser considerada como “fashion”... junto com a má-educação e falta de respeito. E em nome do dinheiro (para alguns), ultrapassando as conveniências, tudo se torna permitido. Não, a escravatura não acabou, mudou de configuração. Pena é que se revista de arte... e liberdade de expressão.

[Escrito depois de ter lido a carta de Sinead O'Connor a Miley Cyrus e respectivas respostas]


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Pequenos grandes e Animais




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Estou num encontro de estudos de temas sérios com a Religião de pano de fundo: na cultura, o fundamentalismo, na sociedade, na Bíblia. Confesso que há momentos em que me sinto perdido... no meio de tanto intelecto em língua francesa. ;) Uma pessoa lê o evangelho do dia de S. Francisco de Assis e solta uma gargalhada: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos”. E lembro-me deste vídeo... de relação entre os Pequenos-grandes e os animais. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Livro de Elogios




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Partilho o meu primeiro elogio oficial no “Livro de Elogios”. Fiquei muito contente quando vi que, tal como existe o “Livro de Reclamações”, também existe o “Livro de Elogios”. Uma boa reclamação, com sentido e não apenas por capricho, pode ajudar a melhorar os serviços. Mas, em vez da negativa, o mesmo pode acontecer pela positiva. Saliente-se que estreei o livro naquele restaurante. ;)



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A defesa que Deus não precisa



Brice Portolano

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Na minha última grande luta com Deus percebi de coração uma coisa: Deus não precisa de defesa. Ele precisa ser testemunhado. Já não vivemos em tempos de cristandade, onde acreditar em Deus era obrigatório. Obrigatório mesmo! Sinceramente, preocupa-me mais o desamor que a descrença. Evangelizar é anunciar alguém que ama para além de qualquer característica da pessoa amada. Esse anúncio faz-se em liberdade... e é em liberdade que se aceita e se cresce na relação. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

(...) [ou abstenção]




Vejo os resultados (confesso que me custou não votar este ano), sobretudo o valor da abstenção, e dá-me pena e tristeza. Penso, tomando uma posição de ingénua compreensão, que seja a forma que muitas pessoas encontram para reivindicar que estão fartas do (des)governo local ou nacional. Como as memórias são cada vez mais curtas e estuda-se cada vez menos História, esquece-se o quanto custou (vidas até) a milhares, de homens e depois mulheres, para conseguir exercer a opinião numa cruz de voto. Passou-se da ditadura à democracia, mesmo sendo “a pior forma de governo”. Mas, pergunto-me se não há um desejo de passar da democracia à ditadura? E de “Casa Portuguesa”, passa-se à “Casa dos degredos”.



domingo, 29 de setembro de 2013

[Arc]anjos




Muhammed Muheisen/Associated Press

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Diz que Deus por vezes é tímido. Ou então, o seu rosto é tão intenso que não é possível vê-lo directamente. Por isso envia os anjos. Apareceram a Abraão, um lutou com Jacob, Gabriel encontrou-se com Maria. Mensageiros: mostram a importância da humanidade. Hoje recorda-se os Santos Arcanjos. É dia de trazer à memória a quantidade de anjos que acompanham, abraçam, fazem rasgar caminhos, não deixam ninguém só mesmo na maior solidão. Tantos de carne e osso, com nome concreto... meio disfarçado. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Amor [vs Monotonia]




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Tenho para mim que muitas relações acabam por monotonia. Ok, sei que a coisa é bastante complexa. Mas, depois da primeira explosão do “l’amour”, não se deveria ter medo de provocar outras. O amor quer-se cultivado, desmontado, renovado. A apatia leva a um desgaste e a um acomodar da relação. Óbvio que o amor de há 2, 6, 11, 27, 48 anos não é o mesmo... e ainda bem. Isso não significa que tenha de morrer. Tem, sim, de amadurecer. E às vezes um pouco de “glamour”, por parte de ambos no casal, ajuda. ;)


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

10 anos em 473




Mafalda Coimbra

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10 anos a acompanhar os 473 da Companhia de Jesus, que celebramos hoje, 27 de Setembro. Muito poderia contar sobre estes 10 anos, dentro desta grande História que é maior que a minha. Em memória agradecida, recordo as pessoas, as conversas, as peregrinações, as aprendizagens, as dores, as quedas, as confirmações, a fé, os Exercícios Espirituais, o silêncio, o “ser em caminho”... que me têm aproximado a Deus. Um Abraço a todos os jesuítas, junto com a minha oração ao “Senhor de todas as coisas” por nós, pelas nossas missões e por todas as pessoas que nos ajudam a ser quem somos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Dos outros [a fé]




Amy Hildebam

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Sei que muitas vezes confiam em mim também pela minha fé. Devo contar um dos segredos: a fé do outros. Na escuta, apercebo-me que as pessoas têm mais fé do que pensam. Fico impressionado e agradecido pela oportunidade que me é dada ao entrar no grande coração de tanta gente, em conversas, em mensagens, em mails, e perceber que, da dor à alegria, cada pessoa é mesmo muito. Não é um positivismo ou optimismo tontos. Na realidade, se se notasse mais a “imagem e semelhança de Deus”, acredito que a felicidade (profunda, diga-se) brotaria de forma renovada.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nada que ver. Aparentemente.





Jordan Matter

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Nada que ver. Aparentemente. Como o ser humano é um todo, há partes ou acontecimentos da vida, que aparentemente nada têm que ver, que acabam por marcar a personalidade. Entrar nessa coreografia da vida pode fazer voltar ao que sujou ou fez doer. O incrível é que o resultado, após o trabalho a partir da verdade de si próprio, faz com que a graciosidade e a leveza se destaquem. A única perfeição que é exigida é a da misericórdia, com o próprio em primeiro lugar. Se ajuda, até se inverte o mandamento: “Como a ti mesmo, ama os outros”. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Deserto(s)




P K

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Há coisa de 5 anos pensei seriamente sair da Companhia. Atravessei um deserto imenso: solidão, fragilidade, incompreensão, vazio espiritual, onde muitas das orações, ou tentativas de, eram acompanhadas de lágrimas. “Que faço aqui?”, perguntava. Entre outras coisas, achava que a vida religiosa tinha de ser revestida de utilidade. Em muitos desses momentos, comecei a sentir profundamente um “Mantém-te!” que me ia serenando o coração. Neste tempo, encontrei beleza no caminho: a graça de perceber mais um pouco do mistério do deserto... meu e de outros.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Estranho silêncio da partida




Dá-se em mim aquele silêncio estranho das partidas. Mistura-se a esperança com a tristeza e saudade de quem parte. Recordo o P. Alfredo Dinis... que partiu para o Pai ontem de noite. Aliou a inteligência e a fé com simplicidade e gosto. Alguém com visão dos sinais dos tempos, tentando dialogar com a actualidade. Foi dos homens que me ajudou a pensar para além do estabelecido. Sei que partiu com a serenidade e fé que o caracterizavam. Hoje é justo que revele este poeta anónimo... a partir do poema que me ofereceu como “Amigo Secreto” no Natal de 2007. Um grande Abraço, P. Alfredo!

domingo, 22 de setembro de 2013

Aproveitar e/ou renovar.




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Olhar a história é um risco. Percebe-se que o “no passado é que era” pode não ser tão agradável como é hoje. Descobre-se que afinal algumas coisas recentes não são tão actuais quanto isso. Tanto apagar o passado, como o apenas viver nele é estupidez. As tradições são para ajudar a fazer caminho, não para aprisionar num tempo que já não existe, para além da memória. Ajuda uma boa dose de maturidade, em saber o que é de aproveitar e o que é de renovar. 

sábado, 21 de setembro de 2013

(...) [VIII]




Luca Zennaro/Reuters

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Estamos em tempos em que o mundo está a voltar a olhar para a Igreja, graças ao Papa Francisco, com um grande sorriso. Mas, ainda há quem tenha medo desse sorriso, ou de perder sabe-se lá o quê. Esta recente entrevista do Papa, assim em “resumo resumido”, mostra-nos que, na sua profunda humanidade de “pecador amado”, deseja, à semelhança de Cristo, pôr o acolhimento na linha da frente, junto com a profunda liberdade humana. Isto, para aqueles cujas regras são o que determinam a fé, desestabiliza.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Aviões, fé... e crochet




Rui Sousa

Pensando nos aviões: recentemente falou-se em crochet. 

Num universo de milhares de pessoas não é difícil cair em generalizações. Há os grupos, as tribos, aqueles que falam a mesma linguagem, sem que seja necessariamente a língua falada ou escrita. Esses grupos podem-se fechar num conhecimento do seu mundo muito próprio, reduzindo-se ao que “acham” sem saber de facto como são outras realidades, projectando o que sentem, vivem ou fazem. Tenho para mim que a riqueza do conhecimento também reside em escutar pessoas diferentes, a partir da vida concreta dessas mesmas pessoas. Noutra palavra: abrir perspectivas e horizontes. É isso que faz uma pessoa sábia: a capacidade de ver para além da sua própria realidade. E o crochet, bonita arte, dá espaço à responsabilidade pelas vidas... mais importantes que uma sandes.

Ah, a fé... faz parte do misterioso que é o ser humano.


quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sobre a fragilidade...




Pat Wallace

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Por uma ou outra razão, tenho pensado na fragilidade. Seria bom que o humor, o riso ou a gargalhada estivessem mais presentes na vida, mas as lágrimas também são necessárias para aliviar dores que nem sempre são possíveis de viver. A impotência carrega certa dose de frustração. Se for dada uma volta, pode ser o momento em que o orgulho se transforma em abandono de fé. Mais que não seja, na pessoa que tenho diante. E da fragilidade sai o passo da compreensão.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Casamento [o primeiro]





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Este sábado presidi ao meu primeiro casamento. Da minha prima Liliana, com o agora meu primo Andre. Sendo o primeiro e em família, como me comentava uma grande amiga, juntou-se a história familiar e a de fé. Entre muitas coisas disse-lhes para nunca deixarem de se conhecer, de não terem problemas de rezar pelo e com o outro e para não se abandonarem à monotonia... seja em que âmbito for! ;) À família e aos amigos: recordei que também têm(os) responsabilidade em ajudar a manter-lhes a chama acesa... depois da explosão das emoções. No fundo, a diferença entre a luz de uma vela e a chama de um fósforo. Rezo para que não percam os sorrisos com que tiveram todo o tempo da celebração! 

[A imagem, de momento, não tem a melhor qualidade... "sorry"... mas queria mesmo uma do casamento. Ah, e o meu computador está de volta!!!]

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Novidades



 
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Apesar do silêncio, estou bem. Stop. Computador ainda avariado e o teclado francês é todo baralhado do sistema (letras trocadas, não tem alguns acentos). Stop. Com muita coisa para contar. Stop. Eh um verdadeiro exercicio de humildade. Stop. Observo e escuto, respondendo o melhor que posso no meu francês misturado de português e espanhol. Stop. Estou animado e contente. Stop. Ah, tenho rezado pelos aniversariantes destes últimos días, mesmo não tendo escrito a felicitar. Stop. Sim, rezo, com gosto. Stop.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

[Em modo off... quase forçado]

 

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O silêncio por estes lados: pois... o meu computador resolveu “adoecer”. Não sei o que tem, pois ainda não o levei ao “dótor”. Espero que não seja nada de grave. Nos “entretantos”, vai havendo muitos bons encontros e conversas.
 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

(...) [VII]



 



Amy Friend e REUTERS/Muhammad Hamed

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Vejo as notícias e apetece-me ficar em silêncio. Aquele silêncio que mistura impotência, raiva, dor, angústia... também lágrimas. Morre gente muito nova às mãos de quem quer poder. Para quê? Para governar quem? Só pelo dinheiro? Pela imagem? E assim se destrói vidas humanas inocentes com químicos, armas, ou na força da luta contra o fogo. Sendo o mínimo que posso fazer, fico no silêncio da oração... pelos que partem e pelos que ficam.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Espera(nça)




Dulce Antunes

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Espera. Ou saber esperar. Faz parte da aprendizagem. Assim, nos dias em que a Lua impulsa a marés revestidas de grandeza. Quando baixa, pequenos segredos pousados no fundo do mar despontam. Saber esperar esses segredos, apenas revelados a quem escuta e observa sem tempo, no espaço demorado de um passeio... de alma, ou de corpo confiante: a história também é paciente. Abrindo a possibilidade de outras leituras. E a esperança surge naqueles que esperam. Ou sabem esperar, enquanto aprendiam a ler outras marés. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Filosofices [em dia de calor]




Chema Madoz

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De vez em quando lá ouço: “A Filosofia é uma seca!” A questão é que sem ela, o mundo corre sérios riscos de secar... de definhar. Gabar de que o ser humano é um animal racional é muito pouco. Seria interessante que se desse bom uso a essa razão. Enfim, prelúdios de um dia de calor.

domingo, 18 de agosto de 2013

A paz podre que Jesus não quer [homilia de hoje]



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Resumo da homilia de hoje, a partir dos textos de Lc 12, 49-53: Jesus não veio trazer a paz podre, aquela que leva a um marasmo e apatia sócio-política, espiritual e de relações. O cristão é chamado a denunciar a injustiça, por exemplo, através da intervenção cívica pelo voto; a aprofundar a fé, não se ficando pela paz do cumprir preceitos; e a viver o respeito nas relações, evitando, por exemplo, a violência doméstica. Gravaram a homilia, aqui partilho. Aproveito para agradecer ao P. Mário Sousa, em nome da comunidade da Igreja Matriz, o gesto que tiveram comigo (ofereçam-me uma réplica em tamanho pequeno da imagem da N. Sra. da Conceição), junto com o carinho, a amizade e a oração. Contem com a minha também.

sábado, 17 de agosto de 2013

Respeito [religioso]





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Nestes últimos dias, as imagens de terror no Egipto são chocantes. Espera-se a paz e a protecção, sobretudo dos inocentes. Muitas vezes usa-se a religião para o confronto e tal é rapidamente difundido, mas a esperança e o respeito também devem ser noticiados. Há algum tempo, cristãos protegeram muçulmanos em oração. Há três dias, muçulmanos protegem uma igreja no Egipto, enquanto os cristãos celebravam Missa. A Religião, com “R”, no profundo sentido da palavra, deve promover o encontro. Aqui está um bom exemplo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Consciência [e melodias]





Alex Wolkowicz

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Há a imagem da consciência com o anjinho e o diabinho. Faz. Não faças. Fala. Não fales. Prefiro vê-la ao som de pequenos toques de cristal. Mais que alerta, ao suave som de conhecidas ou desconhecidas melodias, torna-se a guia, impedindo que as decisões levem por caminhos errados. Depende de cada qual a escuta da melodia... e deixar-se embalar. O ruído não costuma ser bom conselheiro.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Assunção de Maria [Agradecido]




Carla Ventura

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Hoje, dia da Assunção de Maria, sinto-me especialmente agradecido. Pela primeira vez servi como diácono na Igreja Matriz de Portimão. Co-celebrei, em conjunto com toda a Assembleia, com o D. Manuel Madureira Dias, bispo emérito do Algarve, com o P. Mário Sousa, pároco, e com o Victor Sabino, diácono permanente. Com os três, tal como à Comunidade paroquial, tenho, ainda que a níveis diferentes, carinho e amizade. E ter-me sido pedido que colocasse a nova coroa na imagem da Padroeira foi emocionante. Senti nervosismo em muitos momentos. Durante a consagração, passou-me pelo pensamento: “As celebrações não são meros rituais. São o reconhecimento do caminho feito do encontro com Deus, das pessoas que acompanham e do empurrão que se recebe para, tal como Maria, nos dirigirmos ao serviço dos outros... no meu caso particular, dos que estão ou foram afastados.”

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Em cada 3 segundos...





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São tantos os motivos, os erros, os descuidos, as exigências para que as crianças sejam mais adultas que crianças: em guerras, na família, na educação, no trabalho, num campo de refugiados... no abuso. Há dias, na ONU, Malala Yousafzai, a menina sobrevivente de um atentado a uma escola, apelava à responsabilidade através da educação. A vida tem o seu ciclo natural, é desnecessário apressá-lo em nome do poder ou da falta de paciência.

[No final da actuação o rapaz diz: “Em cada 3 segundos o mundo perde uma criança.”]


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Fé madura



Julio Fontana em processo criativo

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“Devemos ter consciência de que até a ‘fé madura’ continua a ser uma realidade incompleta naquilo que nos diz respeito, (...) em vez de algo que já possuímos e que poderíamos considerar como nossa ‘propriedade’.” Tomáš Halíck, em “Paciência com Deus - Oportunidade para um encontro” Este livro tem-me dado bastante que pensar... e rezar. 

domingo, 11 de agosto de 2013

Rezar com a dança





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Rezar com a dança, com o corpo. Foi a proposta que Maria Luisa Carles e eu apresentámos na Casa da Torre, em Soutelo. É difícil resumir o que ali vivemos, em conjunto com os 13 participantes. Um grupo muito diversificado que se foi abrindo e confiando ao que é novo sendo antigo. Somos corpo dinâmico. A relação com Deus através da dança surge já no livro do Êxodo. Percebe-se a tensão e a alegria, os bloqueios e as possibilidades... e os sentidos ficam mais despertos. Quando o corpo está livre, está mais disponível para servir. 

[Para criar Sleepless, Jirí Kylián inspirou-se nas incisões que Julio Fontana, pintor argentino, fazia nas suas telas. As incisões levam a que a contemplação vá para além da pintura... “abrindo uma porta secreta para o ‘desconhecido’ (...) levando à busca de ‘dimensões’ físicas, emocionais, filosóficas ou espirituais.”]


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Edith Stein [Santa Teresa Benedita da Cruz]





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Edith Stein, uma mulher muito interessante. Judia de nascimento, ateia por convicção, estudou filosofia. Sendo discípula de Husserl, escreve a sua tese de doutoramento sobre O problema da empatia. Mais tarde lê o "Livro da Vida" de Teresa de Ávila e converte-se ao cristianismo. Baptiza-se e, anos depois, entra no Carmelo, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz. Morre em Auschwitz a 9 de Agosto de 1942. Do seus Escritos essenciais: “Para os cristãos não existem 'humanos estranhos'. O nosso 'próximo' é todo aquele que temos diante e que tem necessidade de nós, e é indiferente que seja nosso parente ou não, que nos caia bem ou nos desgoste, ou que seja 'moralmente digno' de ajuda ou não. O amor de Cristo não conhece limites”.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

De regresso dos "Mosquitos"




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Foi a primeira vez que animei “Mosquitos” (entre 8 e 10 anos). Eram 42... com muita energia e impressionante capacidade de escuta. Houve momentos de perder a paciência. Afinal, são 8 dias em que o mundo se reduz ao Campo de Férias. Percebo mais um pouco a intuição de Santo Inácio de Loiola, quando nos põe como missão nas Constituições a catequese das crianças. Podemos ter muito conhecimento, a inteligência está em saber levá-lo a todos. Foi um muito bom Campo, com Animadores e Mosquitos espectaculares. Sobre a minha prestação, deixo o resumo de uma mosquita: “Tu és fixe, fazes muitas caretas enquanto falas. Não vou esquecer o andar do Sr. [a personagem que representei na novela com que fechávamos cada dia]. Perguntei: “E mais alguma coisa?” Respondeu: “Sim. Ensinaste-nos que o amor põe-se mais nos gestos que nas palavras”. E sorri...