segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Retiro a Carmelitas




[Coisas na vida de um padre] Comecei há pouco a orientar retiro às Carmelitas do Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, diocese do Porto. O retiro seguirá uma linha, conforme me pediram, de conhecimento e oração desde o corpo, a corporeidade. Já há pouco, no primeiro encontro, senti a beleza do desafio. Estas Mulheres têm uma força de Espírito impressionante. Será ao longo da semana. Encontrar Deus pelo movimento. Como pedem que não se fotografe ou filme, a imagem que partilho é de um momento belíssimo no Carmelo da Paz, em Mazille - França, quando lá passei. Falando com a Madre Superiora soube que as Monjas daqui têm grande proximidade com as de lá. Rezamos uns pelos e com os outros.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Sobre boas conversas



[Secção letras verdes] Apontamentos de sexta-feira à noite, a propósito de conversas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Ligação entre o padre e o casal




Daniela Rodrigues - Meraki Studio

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Esta bonita fotografia ilustra muito bem como abençoar um casamento significa que fica de fundo a especial ligação entre o padre e o casal. Até podemos ficar tempos sem nos encontrar ou falar, mas nem que seja no silêncio da oração vamos trazendo à memória o gesto de bênção que aconteceu no dia do casamento. Deseja-se a beleza do amor em crescendo. No entanto, podem surgir oscilações de tanto na relação. Enquanto padre, também vivo a responsabilidade de recordar a base do amor nos caminhos, por vezes duros, de encontro e de perdão. Aí, não duvido, a relação cresce e dá-se passos de Vida e de Amor, individualmente e em comunidade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Deus Como Tu em acampamento



[Secção Deus como Tu] “Paulo, aqui vai a foto para saberes que o teu livro foi um óptimo apoio no nosso acampamento!” E é isto. Ele andou e anda por aí a ajudar em reflexões e bons encontros humanos e divinos. Obrigado, Pedro!

domingo, 8 de setembro de 2019

Laço verde




[Secção homenagem] Os inícios de aulas podem ser oportunidade de grandes amizades. Quando se é criança não se sabe o quanto, mas, nós, adultos, podemos ajudá-las a serem acolhedoras o mais possível ao ponto de surgirem amizades de vida. Assim, hoje é dia de contar a história do laço verde. No dia do seu aniversário, com esta história, agradeço e faço homenagem à minha melhor Amiga do mundo, do universo e arredores: a Suzanne. É sabido que gosto muito de celebrar o aniversário. É um dia de concentração de vida. Estávamos no 5.º ano. Éramos colegas pela primeira vez. Nesse dia, levei um laço verde. Aquela sensação de como algo nos torna especial. Mas, pode ser motivo de tristeza. Fui altamente gozado por colegas, rindo e puxando-me o laço. Sentia-me só e triste. A Suzanne também vibra com a celebração de aniversário. Assistiu e não ficou indiferente. Saltou para cima do banco de pedra e disse: "o meu amigo hoje é o rei. É o dia dos seus anos. Ninguém se mete com ele." Era tal a autoridade na voz que se afastaram. Desde aí, a amizade foi crescendo, onde, além da história do laço verde, juntam-se milhares de situações caricatas, milhares de conversas, milhares de partilhas, milhares de estupidezes das boas. De vez em quando, nas aulas, a propósito do tema amizade, fazia video-chamada com a Suzanne. Recordo a felicidade dos meus alunos do 5.ºG (2015/2016) quando a conheceram em Lisboa. Por estarem no 5.º ano, partilhei com eles a história do laço verde. Aproveitaram e fizeram-lhe imensas perguntas sobre o "setôr". Mas, mais importante, passar a mensagem do muito bom que pode acontecer quando acolhemos e respeitamos desde crianças. Naquele dia, ela fez a diferença. Hoje, são 30 anos de melhor Amizade. A Suzanne continua na sua dedicação a contribuir para um mundo melhor, humanizando na busca da autenticidade e da integridade com quem ela se cruza. Que o seu exemplo possa ajudar mais melhores amizades do mundo, universo e arredores a surgirem. Parabéns, Bedulina!

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Rasgar véus




- P. Paulo, das coisas mais difíceis que tenho vivido é descobrir-me. Sempre me ensinaram o recato e que uma mulher que fala demasiado com muita gente é galdéria e oferecida. Sinto-me presa, sempre com medo.⠀
Pode pôr-se de pé, se faz favor? Braços ao longo do corpo. Respiração normal, intercalando com inspiração/expiração profundas. Não está naquele tempo, mas aqui e agora. Dá-me licença que a envolva com um véu?⠀
- Sim.⠀
- Vou apertá-lo aos poucos. Imagine que são as palavras “galdéria” e “oferecida” a envolver. [Começa a emocionar-se.] Que dizem os braços e as mãos? Permitem que a envolvem? ⠀
- Mas posso rasgar?⠀
- Rasgue. Isso, permita-se libertar com a sua força. Liberte-se dessas palavras-fantasmas.⠀
- Mas não sou digna!⠀
- Vou apertar mais e, simbolicamente, é a indignidade a envolver.⠀
[Contorce-se, muito emocionada. Dá um grito de raiva acumulada, rasga o tecido e pára, agora em lágrimas de liberdade.]⠀
Respire com calma. Estou aqui. ⠀
[Passam uns minutos]⠀
- P. Paulo, quantos véus nos envolvem? Muitos não é? Sinto-me estranhamente solta. É algo novo.⠀
- Pois, não duvidando que tenha sido com os melhores desejos, muito nos é dito e ouvimos desde pequenos: regras, modos de estar, até de ser, categorias, como proceder. Mas, crescer significa também perceber o ajustado na profunda liberdade. ⠀
- Tenho ainda algum caminho pela frente.⠀
- Sim, mas antes de o olhar, veja que já começou a rasgar. É tempo de agradecer esse passo...⠀
- ...da minha liberdade e dignidade.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Breve Oração




[Breve oração antes de adormecer]⠀
Agradeço-Te⠀
os encontros ⠀
que rasgam e atravessam véus⠀
deixando vislumbrar a força da luz⠀
em movimentos de vida.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Nomear as sombras




[Secção letras verdes] Dia bom, com ecos de “faça-se luz” do primeiro dia da criação.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Recomeços



[Secção coisas de nada] Quando reparei, ali ia, rápida em direcção ao alto. Muito provavelmente tinha caído com o sopro de vento. Voltava a subir. Uma bonita imagem para estes tempos de recomeços: fazer caminho. De transformação e de criação. 

domingo, 1 de setembro de 2019

Coisas de Corpo



[Secção coisas de corpo] Reflexão à volta de questões de corpo, provocada pelas recentes notícias do actor Ângelo Rodrigues.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Comer: momento de Ser




[Coisas na vida de um padre] “Paulo, cá venho eu com o desafio de mais um texto para a Bica. O tema da próxima edição é a GULA e parece-me um tema interessante para um texto teu”, assim me escrevia João Moreira, editor da Bica. Aceitei e foi publicado o texto “Comer: momento de Ser”. A revista na versão online pode aceder-se em www.revistabica.com. Como diz o João Moreira no editorial, “esta é uma Bica gulosa, para ser lida sem moderação.” Boas leituras!

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Nuvens



[Secção coisas de nada] Revejo fotografias que tirei nas últimas semanas. Num desses dias o céu estava pincelado de nuvens suaves. Todo o planeta já viu e vê milhares de milhões de nuvens. Todas diferentes. O mesmo se passa com pessoas. Vi a echarpe de Isadora Duncan a bailar enquanto se transformava em asa de anjo.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Breve oração




[Breve oração em tempo de regresso]

Agradeço-Te 
o silêncio do mar, com convite a maravilhar e a agradecer, 
permitindo ao descanso ganhar horas de Ti em mim, abrindo nós. 

Peço-Te

a expansão de Infinito com abertura ao desconhecido, 
atravessando-o em amor. 

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Tempo de paragem. Até breve!



[Secção tempo de paragem pelas redes sociais] Entre luz e sombra, o silêncio faz-me encontrar a importância de Deus no nada. Mais profundamente, o silêncio que desperta o que o teólogo Paul Tillich descreveu como "comoção existencial": sou podendo não ter sido. A gratuidade dos pés assentes em terra e mar recordando o sagrado de tanto na vida. Pode-se descansar, e bem, de tudo. Mas que não se descanse de quem se é e, para quem n'Ele acredita, de Deus. Ele deseja de entranhas o nosso crescer em terra sagrada que somos. Até breve!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Madrinhas e padrinhos de casamento



[Coisas na vida de um padre com secção pensamentos soltos] Chegam boas recordações de um dia feliz. E é uma boa oportunidade para falar das madrinhas e dos padrinhos. Eles são escolhidos pela profunda amizade que têm com o casal. Uns mais com um, outros mais com outro, seja como for, têm a função de recordar o ser casal, o amor a transformar-se ao longo dos tempos. Tanto nos dias alegres, como naqueles dias em que isto de estar casado tem muito que se lhe diga, os padrinhos devem ajudar o casal a ser casal. Afinal, foram escolhidos de forma particular para serem testemunhas do momento em que os noivos dizem reciprocamente: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que morte nos separe”. Na alegria e na saúde, tudo maravilha. Na tristeza e na doença é preciso mais acompanhamento e suporte. Por isso, os padrinhos não são adereços, mas pessoas importantes no caminho de amor do casal, ajudando-os a viver o que prometeram. Aqui é mais um exemplo da importância de sermos relação, sermos comunidade, no apoio a dar em muitos momentos da vida. 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Breve oração



[Breve oração em dia da transfiguração]

Agradeço-Te 
o corpo no Corpo,
em abertura de horizontes
que se expandem na atenção ao outro

Peço-Te
silêncio para continuar a compreender a luz

na descida da montanha

sábado, 3 de agosto de 2019

Boas recordações




Henrique Cepeda 


[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia feliz e muito simbólico. A força do amor em geração que cresce e em nova vida para Deus. Faz-se Luz em bênçãos.

Luz e encontro



[Secção coisas de nada e de tudo] Há dias em que falam as sombras, outros, a luz. Aqui via em chão de madeira luzes da luz. Ontem, em conversa com um Lama e o Rinpoche que acompanhavam o grupo, falávamos, mais do que as diferenças entre o budismo e o cristianismo, da riqueza das semelhanças no desejo de contribuirmos para a iluminação do mundo, da humanidade. Não é uma abstracção, é caminho interior concreto e necessário que cada pessoa tem de fazer. Seja qual for a tradição religiosa, atravessar a sombra contribuirá sempre para a iluminação de todos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Acolhimento




fotogramas de vídeos de Bill Viola

[Secção considerações] Entre uma e outra conversa surge o tema separação, divórcio, fé e relação com a Igreja. O tema é complicado e complexo que não dá propriamente para desenvolver num texto, mesmo que fique mais longo, numa rede social. No entanto, há pequenas considerações que se podem fazer:

A separação ou divórcio não são, em geral, algo vivido de ânimo leve. Ter pessoas de fora a comentar, julgar ou ainda carregar uma das partes (a tendência é que seja a mulher) com mais pesos de vergonha ou culpa é completamente indesejável e a evitar totalmente.

Quem não sabe do assunto ou acha-se autoridade moral, deve manter o recato e a discrição no respeito da dor alheia, basicamente abstendo-se de falar. O único dever que cada um de nós tem neste tema de casal é o da denúncia em caso de conhecimento de violência doméstica. É crime público. 

Quem vive separação, sim, pode continuar a viver os sacramentos. A questão, e que está em sérias reflexões, onde deve de haver um acompanhamento mais delicado que ajude o discernimento, é sobre quem vive nova união, não quem está unicamente separado. Mas, ainda assim, tendo em conta a complexidade do tema, há que abster-se de comentários sobre as pessoas em causa. 

Quem é cristão saberá o que significa “vim para salvar e não condenar”. Foi Jesus que disse. Logo, não seja, ainda mais em nome da fé, o primeiro ou a primeira a condenar quem já sente dor suficiente com o que está a viver. 

Se alguém vir uma pessoa a comungar que na sua perspectiva ou falta de informação ache que não deveria de o fazer, deixe-se de (m)paternalismos e pense na sua própria consciência, se está mais preocupada com o alheio ou com a própria conversão. 


Toda a comunidade cristã deve ser, nunca de julgamento ou exclusão, mas de acolhimento. Obrigado pela atenção.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Dia de Santo Inácio de Loyola




[Secção pensamentos soltos em dia de Santo Inácio de Loiola] Quando há um mês estive em Loiola, mais precisamente na Capela da Conversão, voltei a repassar em pensamento a vida de Sto. Inácio. Detive-me no grande acontecimento, a perna partida com a bala de canhão, que lhe alterou a vida e a de cada pessoa que contacta com a espiritualidade inaciana. Pois, um acontecimento pessoal levou a inumeráveis de outros, muitos apenas por Deus conhecidos, tornando-se assim algo “comunitário”. Como de essência somos relação, a vida de cada um tem sempre impacto noutros. Daí a responsabilidade que cada pessoa tem em fazer o caminho pessoal de encontro profundo amor com a sua verdade, autenticidade, atravessando luzes, sombras, feridas, alegrias, desejos, dores, perguntas, medos, ruídos e silêncios... e assim encontrar a sua vocação única e especial de dádiva do que é e tem. É exigente. No entanto, quando feito, eleva a humanidade, tornando-a mais divina.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Sombras



[Secção coisas de nada] Estava de conversa e vi-a diante. As sombras chamam-me a atenção. Na beleza de contraste de luz revelam outros mundos e muito a aprender, em especial as interiores. Primeiro, sem procurar a origem, pareceu-me o braço de alguém a pedir algo. Depois, a cabeça de uma víbora. Imaginei histórias e emoções. Antes de sair, vi a flor.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Lugar único





[Secção coisas de corpo]
- P. Paulo, sinto-me sempre em segundo lugar. Concorro a algo e fico sempre no lugar depois das vagas existente. Nunca tenho lugar. 
- Pode levantar-se, se faz favor. Assim, com ambos pés assentes e firmes no chão, e braços ao longo do corpo. Feche os olhos. Respire normalmente. Tome consciência do aqui e do agora… inspiração e expiração profundas. Alguém pode ocupar o seu espaço? Alguém pode estar onde está? Inspire e expire. Cada lugar é único. Agora deixe-se cair, tentando libertar esse medo de estar no seu lugar.
- Não consigo. 
- Vamos com calma. Comece por dobrar os joelhos. Mais um pouco. [Dou um suave empurrão e cai.] Enrole-se e levante-se devagar. Repetimos. Dobre lentamente. Tome consciência da descida. [Suave empurrão e queda.] Repetimos. [Chega ao máximo de agachamento.] Deixe-se cair. [E cai]. Levante-se devagar. Inspire e expire profundamente. Concentre-se no ventre, na sua força única de mulher. Não separe a cabeça do resto do corpo. Seja totalidade. Tome consciência dessa totalidade. Ame-se para além do racional, da cabeça. 
[Começa a transpirar em bica.]
- Eu sou mais.
- Na existência não há primeiro ou segundo lugar. Aprende-se a ser pleno. O resto vem por acréscimo. Também com as quedas. E viu como conseguiu cair… e ao levantar-se a tomar mais consciência de quem é?
- É possível nascer de novo.

- Bem-vinda ao seu lugar único. 

domingo, 28 de julho de 2019

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te 
a presença. Esse estar 
de aqui e de agora,
entre partidas e chegadas que transformam. Novos tempos.

Peço-Te
o Espírito, 
o pão de novo amanhecer,
e o movimento habitado 
de luminosa autenticidade.

sábado, 27 de julho de 2019

Missa Nova de João Manuel




[Secção agradecimento] Tirei esta fotografia há uma semana. Foi depois da Missa Nova de João Manuel, companheiro jesuíta recentemente ordenado. Sou suspeito: gosto muito do João. Diante da luz de final de tarde e de centenas de pessoas, com a sua genuinidade, simplicidade, autenticidade, revelou beleza e acolhimento divinos. As suas palavras e gestos foram de grande delicadeza para a diversidade de todos nós que com ele celebrámos a sua vida em e com Deus. Em mim, pelo menos, ainda fazem eco: a hospitalidade como fundamento da essência cristã, abrindo espaço na mesa para o diálogo também com quem é diferente no modo de crer, pensar, viver, amar. Não uma simples conversa, mas o profundo diálogo em que ambas as partes se permitem transformar. O Céu acontece nesses momentos de encontro com a melhor parte. O João é e será um grande promotor de acolhimento e de vida. O seu grande coração assim o orienta. Agradeço-te muito João, pelo bem que fazes e pelo outro tanto que farás.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Gotas de água



[Secção coisas de nada] Choveu durante a manhã. Passo pelas plantas no bosque e vejo as gotículas formadas nas folhas. Parecem pequenas esferas de cristal. A diferença está na fragilidade. Pois, é isso, a diferença e, em muitas situações de vida, a beleza está no modo como se vive a fragilidade, deixando-se atravessar pela luz. O resto é silêncio e simples gotas da chuva da manhã.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Breve oração




[Breve oração a meio da tarde] 

Agradeço-Te 
o silêncio das flores. 
Também a sua fala de existência.

Peço-Te 
entendimento da gratuidade

do perfume e da cor

terça-feira, 23 de julho de 2019

Recordação de dia de emoções



Nuno Gonçalves

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia muito bonito. Gosto de celebrar casamentos. É um dia cheio de emoções, onde se deseja e vive-se a força do amor partilhado. Digo aos noivos que ficamos também unidos em Deus e assim salientar o sentido comunitário do sacramento. O amor é sempre de abertura ao outro.

domingo, 21 de julho de 2019

Boas recordações





Paula Correia

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dia cheio de Espírito. Foi o Crisma, no dia de Pentecostes, deste grupo que acompanhei em situações diferentes nas suas vidas. Que continuem a crescer, à semelhança de Jesus, em estatura e em graça.

Acolher é o verbo



[Secção outros tons] O carvalho de Mambré torna-se sombra da luz da promessa. Acolher é o verbo. Lavam-se os pés e sente-se o cheiro a pão. É nos simples a presença da melhor parte.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Rabiscos em Deus como Tu



[Secção Deus Como Tu] Diz que uma criança de 3 anos andou a pôr leitura em dia. Viva a criatividade. Imagino a gargalhada divina. Se foi como a minha quando recebi a mensagem, foi bem alta.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Envelhecer, amadurecer




[Secção coisas de corpo] Abrindo as redes sociais vejo muitas publicações de pessoas envelhecidas. Apercebo-me que é uma aplicação nova. Reconheço a piada. No entanto, surgiu-me novamente a diferença entre envelhecer e amadurecer. Envelhecer poder-se-ia dizer um estado ligado ao avançar cronológico. Amadurecer será um estado que revela o crescimento existencial. Nem sempre o aspecto físico revela a maturidade da pessoa. É-se amadurecido quando as idades biológica, intelectual, psicológica se conjugam. Isso é um processo a trabalhar ao longo da vida. Há pessoas de “pele nova”, mas velhas no modo como se relacionam. Há pessoas de “pele enrugada”, mas infantis no modo como se relacionam. Sabermos ir crescendo nas distintas idades, conjugando a beleza da experiência, torna-nos sábios. Isso exige tempo, que vai para além do clique num filtro. Como disse, reconheço a piada. Ainda assim, apesar de saber que isto hoje em dia da privacidade total só acontece se nos desligarmos totalmente das tecnologias, prefiro não dar os meus dados de reconhecimento facial a uma empresa russa. Que venham os tempos próprios e ajustados do caminho do amadurecimento, com mais ou menos rugas, mais ou menos cabelo, mais ou menos brancas, sempre com mais respeito por si mesmo e pelo próximo. 


sábado, 13 de julho de 2019

Rasgar véus




[Secção pensamentos soltos] Estamos rodeados de véus. Uns mais evidentes, outros subtis, mas estamos rodeados de véus. Fico a pensar no desafio que é ir dando conta ou nomear esses véus e permitir atravessá-los. Dos versículos que mais me ecoa é o “rasgar do véu do templo” no momento da morte de Jesus. Deus, ou o Santo dos Santos era inacessível, rodeado por um véu. Rasgou-se. Que som igualmente forte quando a palavra é pronunciada. R-A-S-G-A-R. Quando se rasga algo, muitas vezes é sinal de estar gasto. Outras vezes é de pequeno acidente. No entanto, quando rasgamos propositadamente algo, folhas de papel ou fotografias, é outro modo de dizer: já não interessas. É exercício de liberdade. A folha de papel pode ser tantas coisas, sociais, religiosas, políticas, culturais, que, além de se terem transformado em estruturas pesadas, impedindo a leveza da Vida, bloqueiam a passagem. Daí que na oração, para quem é crente em Deus, e na reflexão consigo mesmo, para quem é crente apenas na humanidade, há algo primordial: a verdade a nomear os véus, que podem ser sentimentos, acontecimentos, pessoas, incoerências, medos. Esse processo pode ser muito doloroso, sendo necessário acompanhamento. Não se trata de heroísmo, mais de cuidar-se. Dos momentos mais bonitos que vivo como padre é acompanhar a beleza das travessias na vida. Quando S. Paulo escreve que agora vemos como num espelho, depois será face-a-face, imagino-me para lá de todos os véus rasgados diante do profundo olhar amoroso de Deus rodeado de gente, muita gente na mesma contemplação de Vida. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Abecedário




[Secção coisas curiosas] Rezo a partir do abecedário com muita frequência. Assim, pelas letras dos nomes trago todas as pessoas ao coração. De vez em quando publico que usei este modo de oração. A última vez foi a iniciar a Caravana. E eis que um amigo beneditino de Monserrat depois de ler o post envia-me esta oração que encontrou. Diz que está situada entre os séculos XVII e XVIII e ainda que “deve ser uma piada requintada, no entanto é capaz de ter ajudado algum padre mais escrupuloso”. O certo foi a boa gargalhada que dei. Se alguém puser em causa este tipo de oração, tenho argumentos históricos.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Fotografia



[Coisas na vida de um padre] 
- P. Paulo, agora uma fotografia connosco!
- Já sabem que tem de sair uma fora do tipo convencional.

E assim chega uma boa e humorada recordação do baile de finalistas do INA. Aliás, não só do baile. Também, simbolicamente, da amizade com tantas e tantos alunos.

Coluna de luz



[Secção coisas de nada] Há dias vi esta coluna de luz. Estava de conversa e parei, parámos. “Aparece com frequência e é bonito”, comentou. Pensei: haverá sempre mistério na luz. E na subtileza do jogo de sombras. Ainda ontem líamos, em Missa, a luta de Jacob com o Anjo. Começou de noite e terminou na aurora. Recebeu novo nome. As lutas, entre luzes e sombras, renovam o ser.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Dias de nada... ou de tudo




Jon super/AFP, de um projecto fotográfico de Spencer Tunick

[Secção pensamentos soltos] Hoje não é dia de nada e de ninguém. Sendo-o de nada, junta-se o outro absoluto: é dia de tudo e de todos. Explico-me. Desde há uns tempos que me faz confusão as celebrações dos dias de algo. Não que não me pareça importante esse salientar, mas é mesmo por ainda termos de recordar, ano após ano, a necessidade do respeito pelo outro, seja a Mulher, o Refugiado, alguém LGBT, seja o Ambiente, a Terra, os Oceanos. A discriminação ainda é gritante, levantando as fobias que anulam pessoas a partir de categorias. Incomoda-me ainda mais quando se usa a religião como argumento discriminatório. No caso da Cristã, a centralidade do mandamento novo “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é de tremenda exigência. Esse amor passa por um profundo exercício de auto-conhecimento e, assim, de expansão de si mesmo no conhecimento do outro. Não é fácil, de todo que não. Afinal, antes de mais, há que enfrentar os preconceitos connosco próprios, em especial no que não queremos aceitar em nós mesmos: que fazemos parte de um todo, o qual se inclui o ambiente a cuidar; que, seja ela qual for, vivemos a dimensão afectivo-sexual em toda a sua complexidade; que o ser humano é igual em dignidade independentemente do género ou cultura. Ainda há muito caminho a percorrer, enquanto se consumir os recursos naturais como se fossem egoisticamente posse de alguém, enquanto houver pessoas mal-tratadas e assassinadas pela sua condição cultural, sexual, religiosa. Por isso, hoje, tal como amanhã e em cada um dos outros dias que não são particularmente de nada e de ninguém, continuam a ser de tudo e de todos no recordar e viver o respeito pelo outro. 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Silêncio




[Secção pensamentos soltos] O tema silêncio acompanha-me há muito tempo. Muito antes mesmo da saída do “Silêncio” de Martin Scorsese, a partir da obra de Sushaku Endo. Talvez por ser filho único, tenho um lado de recolhimento forte. Gosto muito de estar com amigos, vida social, mas, cada vez mais necessito de espaços de silêncio, que vão de cinco minutos a dias completos. Vem isto a propósito por ter celebrado Missa há pouco pela primeira vez no Mosteiro das Carmelitas de Bande, perto de Paços de Ferreira. Irmãs de clausura e de silêncio, dedicando-se inteiramente à oração. Quando entrei na Capela, já paramentado, tive a clara sensação de sentir-me profundamente em casa. Não pela questão da vocação, sou jesuíta com muito gosto, mas pela força do silêncio habitado de vida que ali senti. Estive à conversa com a Irmã Vera, Madre Superiora, que faz parte de um grupo de religiosos contemplativos que vivem a reflexão do diálogo inter-religioso nessa componente mais mística, monacal. Contou-me a experiência que viveu com dervixes: “P. Paulo, temos tanto a aprender com a mística oriental”. Concordávamos que no ocidente ficámos (e estamos) muito presos ao racional. Esquecemos o corpo, o silêncio do corpo. A vitalidade que se sente quando enfrentamos os ruídos “medos” ou “vergonhas”. É duríssima a experiência de dar nome a esses fantasmas que podem chegar a anular quem não os enfrenta. Mas é nomear que liberta. Ao passar por um dos corredores deparei-me com este ícone do Arcanjo Miguel. Ele defende-nos do que divide. Uma das maneiras de o fazer é mostrar-nos a realidade e reduzi-la à insignificância ante a força de Deus. O silêncio, bem vivido, torna-se Arcanjo Miguel. E a Vida acontece.