sábado, 13 de outubro de 2018

Vida, simplesmente.




Teresa Moreira
[Coisas na vida de um padre, em pensamentos soltos] Durante a tarde, fui ao Porto, à APELA, falar sobre Espiritualidade numa formação a cuidadores. As ajudas técnica e psicológica podem ser complementadas com o acompanhamento espiritual: humanizando o gesto, dando-lhe significado de Vida. É preciso desmistificar estereótipos à volta do “espiritual” e perceber a sua importância no essencial de cada um de nós. Isso, o essencial. Estando com o pensamento às voltas sobre o dia de hoje, alio a acontecimentos no mundo, que me causam alguma preocupação, e com algo que escrevi há dias: a vida nunca será coisa pouca. Esta frase pode tornar-se feita e bonita. No entanto, tenho para mim que faz falta fazer muito silêncio no mundo para nos darmos seriamente conta de que não pode ser o medo a comandar o nosso agir. Perceber a importância do amor como caminho de humanização é fundamental para não deixar que o ódio se torne garante seja do que for. Amar não significa aceitar a injustiça. Amar significa caminhar em direcção à única justiça que faz sentido: aquela que valoriza o outro independentemente da sua condição física, religiosa e social. Isso implica um grande trabalho de amor-próprio (não confundir com narcisismo). O amor-próprio desenvolve-se com experiências de abertura de horizontes a partir da relação humana, de leituras, de conhecimento e reflexão, levando a perceber desde as entranhas que na dignidade ninguém é superior a ninguém. Grande passo de liberdade se dá quando isso acontece. E o verdadeiro Amor deseja sempre a liberdade do outro.

Parar em escuta de si




João Coutinho

[Coisas na vida de um padre] O convite volta a acontecer: parar em escuta de si. Neste fim-de-semana é proposto à turma de 12.° ano do curso de Instrumentistas da ARTAVE, a escola profissional de música. Perceber a importância de quem se é e do que se faz como oportunidade de dádiva ao outro. Em caminho de autenticidade, as notas musicais sairão com ainda mais vida. Ah, e com o mar ao fundo, em Infinito, recorda-se o imenso a descobrir. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Nomes




[Secção letras verdes] Pequeno registo, depois de conversas e pedidos de oração, ao terminar o dia.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Tesourinhos



[Secção tesourinhos] Fui ao computador da Comunidade procurar uma lista de aniversários. Coloco “aniversários” na pesquisa e vou dar a uma pasta onde está guardada esta foto que fará 13 anos daqui a 17 dias. E surgem tantas recordações. Basta pensar que, apesar de já ter começado as aulas de Filosofia em Braga, ainda era noviço. Faríamos os Votos dias depois. Não é nada novo, de cabeça já se sabe, mas a sensação que surge diante das memórias despertas por uma fotografia é a de reconhecimento do imenso que passamos. A Vida nunca será coisa pouca.


domingo, 7 de outubro de 2018

Igualdade na dignidade



Laura El-Tantawy


[Secção pensamentos soltos] Os textos da liturgia deste domingo recordam algo fundamental: a igualdade na dignidade entre homem e mulher. Desde a criação que Deus estabelece essa igualdade, no entanto, ainda há essa desvalorização e, infelizmente, de forma acentuada. A forma como se destrata a mulher é assustadora. Não é endeusar a figura feminina, mas, mostrar como há fragilidade e força que levam ao respeito a partir da complementaridade entre os géneros feminino e masculino. Nem um nem outro é melhor: na sua diferença complementam-se. No entanto, a força física parece ser a única medida de “dignidade”, levando, ainda mais, à desvalorização da figura feminina. É de louvar a decisão da partilha do Prémio Nobel da Paz entre Nadia Murad e Denis Mukwege. Ela com as marcas da violência sexual. Ele como curador dessas marcas em tantas mulheres. A intimidade sexual é um recanto de dádiva e de prazer, nunca devendo ser vivido como uso. Infelizmente, o “macho” que se julga cheio de força (seja física e/ou financeira) acaba por abusar dessa intimidade. A violência sexual, usada como arma de guerra ou de outro modo, é uma manipulação de poder sobre a outra pessoa. Fragilizando-a na intimidade, o abusador anula a vítima a um mero objecto. Alertar para as situações de abuso começa desde logo pela educação, que passa também pelo exemplo de trato humano. Qualquer abuso deve ser denunciado. Não é fácil dar a cara, pois, infelizmente, além da violência sexual, ainda há a violência da desconfiança e do gozo. No entanto, se cada um de nós quer ser caminho de humanização, antes de julgar, deverá acolher. E quem não sente capacidade de acolher, deverá calar-se e informar-se. Esta passagem do livro do Génesis tem uma subtileza: todos nós somos feitos do mesmo barro, por isso, quando alguém sofre um ataque na dignidade, toda a humanidade perde. Mas, quando alguém caminha no respeito, na denúncia de violência e no acolhimento de que sofre, alimenta a esperança de toda humanidade. Que prevaleçam as pessoas de esperança, tal como Nadia Murad e Denis Mukwege.

Breve oração




[Breve oração no amanhecer]

Agradeço-Te 
as perguntas pela manhã, depois da escuta dos sonhos, iluminando e desfazendo medos de visitar 
a profundidade de ser.

Peço-Te

ajuda-me a continuar a desenlear do que impede a resposta à vida.

domingo, 30 de setembro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

478 | 15




Beatriz Dinis - no Campo de Férias deste Verão


[Secção vida] Dentro dos quase 39 anos de vida, celebro hoje 15 de jesuíta, a juntar, neste mesmo dia, aos 478 da Companhia de Jesus. Estes dias, para mim, são sempre de agradecer. 15 anos: em idade biológica seria o meio da adolescência. No entanto, em idade religiosa, já com a experiência de ser e de aprender a ser padre, é tempo de continuar a contribuir à abertura de horizontes, ajudando em passagens de descoberta de quem cada pessoa é no seu encontro com Deus. N’Ele aprende-se a ver. E nós, em especial os que seguimos a vida religiosa, temos a responsabilidade de tirar véus para ampliar a visão da vida, ajudando em maior amor e serviço a este mundo concreto, onde Deus se faz presente. Um Abraço a todos os jesuítas por esse mundo fora, com a minha oração ao “Senhor de todas as coisas” por nós, pelas nossas missões e por todas as pessoas que nos ajudam a ser quem somos.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te 
a consciência dos tempos, apesar de por vezes desfocar a percepção da realidade.

Que eu seja capaz de agir cada vez mais e assim ir desvanecendo o reagir.

sábado, 22 de setembro de 2018

Oração em equinócio




[Breve oração em entardecer de equinócio]

Agradeço-Te o silêncio da vida e a Luz brilhante de quem caminha no respeito da dignidade, não permitindo ou justificando violações, reconhecendo que o corpo do outro não é um objecto, mas é alguém com direito a decidir a quem dirigir o prazer de intimidade.

Peço-Te
que sejamos capazes de autêntica justiça, permitindo a transformação da sociedade na beleza do teu Reino onde, recordando as palavras de Maria, os “poderosos são derrubados dos tronos e os humildes exaltados”.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Coisas de corpo




Baskar Kundu

[Secção coisas de corpo] 

- P. Paulo, disseram-me que tem jeito para curar maleitas de corpo.
Dei uma gargalhada. 
- Ai, sim. É verdade que gosto de estudar o corpo como um todo. Daí até “curar maleitas”… mas, diga lá.
- Estou com uma dor de pescoço tão intensa. 
Notava-se pelo olhar fechado, enquanto o afagava.
- Já dói há muito?
- Sim, uns 4 dias. 
- Importa-se que toque?
Sentia-se o calor febril na zona. Enquanto lá tinha a mão, continuei:
- Não tem de me responder a mim, apenas para si. Sente-se a carregar alguma responsabilidade? Ou então, sente-se pressionado por alguma decisão a tomar?
- Sim, sim, uma decisão de vida. Estou a caminho de uma possível mudança de país. Mas, não estou com muita vontade.
- Não está com vontade ou tem medo do que pode acontecer?
- Ai, até parece bruxo?, soltando uma gargalhada.
- Não, sou padre. E pisquei o olho, com outra gargalhada. Não tenha problemas com os seus medos. Numa análise de mudanças de vida, são naturais. Dê-lhes nome. Assim, de desconhecidos passam a conhecidos… e, aos poucos, deixam de se acumular no pescoço. 
Tirei a mão.
- Ui, dói muito menos. 
- Consegue perceber porquê? Isto não é milagreiro. É tomar consciência de corpo que vai para além do físico. Abrange o todo que somos, com o que sentimos, vivemos, sonhamos. E quando a dimensão física dá sinal, há que parar e perceber de onde realmente vem a dor. 

Ainda ficámos mais um pouco à conversa. Espero que seja capaz de libertar-se dos medos e da dor. 

P.S. - Temos tanto a descobrir de nós na totalidade enquanto Corpo. Haja caminho!

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Breve oração




[Breve oração em entardecer]

Agradeço-Te a luz que desvela Outono, 
pedindo tempo de renovação ante cansaços e ânsias de futuro.

Que eu me permita contemplar
a Luz 
sobre mim.

domingo, 16 de setembro de 2018

Apresentação de Deus como Tu




Kátia Viola


[Secção agradecimentos] Neste fim-de-semana vivi um concentrado de emoções. Apresentar “Deus como Tu” no mesmo dia em dois sítios diferentes, em que um deles é a cidade com tantos rostos próximos, é muito forte. Quando tiver uma foto da apresentação de Beja, partilho como foi lá. Agora, com o olhar de beleza fotográfico de Kátia Viola, agradeço a amizade da Suzanne, dos meus companheiros jesuítas em Portimão, dos meus pais, dos meus colegas e amigos de secundário, de tantas pessoas que me viram crescer. Foi emocionante escutar a Melhor-Amiga-do-Mundo-e-Arredores a apresentar Deus como Tu. A nossa cumplicidade de 29 anos de melhor amizade também fala da relação com Deus. Sim, é de agradecer... e muito.







quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O Que de Verdade Importa




[Secção boa publicidade] Estreia hoje “O que de verdade importa”. Tive a possibilidade de o ver na ante-estreia há uma semana. A delicadeza, o humor e a seriedade presente no filme, através da história de Alec e da comunidade à sua volta, ajudam a avivar o “curador” que há em nós. Curador na ajuda, no deixar-se transformar e aceitar quem é na contribuição de um mundo melhor. Paco Arango disse-nos que nos tornaríamos embaixadores do filme. E assim é, há que divulga-lo. Afinal, é o filme 100% solidário, em que a totalidade das receitas revertem para o IPO de Lisboa. ¡Muchas Gracias, Paco, por tu película! Vamos ao cinema? 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Breve oração em dia de começo de aulas



LookImaginary

Entre sono, curiosidade, felicidade, timidez e receios que as crianças e adolescentes trazem nos olhares e corações, agradeço-Te os seus talentos, os seus dons, os seus sonhos, os seus modos de ser únicos.

Que nós, educadores, sejamos capazes de os ajudar a crescer e a descobrir o mundo a partir de quem são, sem comparar capacidades, mas orientar para a colaboração na diferença.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Dia cheio




Rita Rocha



[Coisas na vida de um padre] O dia foi cheio de muito... e de bênção de mais um casal. Sinto-me privilegiado no testemunho destes momentos de tanto Encontro... e Amor.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Breve oração




Agradeço-Te a Luz de cada gesto autêntico, 
direccionado à liberdade e à certeza do Amor 
que atravessa e dissipa todas as sombras.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Caminho



[Coisas na vida de um padre] Esta noite o João Delicado e eu estaremos à conversa sobre O Caminho ou peregrinações... de terra e de vida no Cine-Teatro Garrett, na Póvoa de Varzim.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Breve oração [em início de ano lectivo]




Agradeço-Te os dons, 
dirigidos aos passos de ensino, educando que não somos nem números, nem peças de uma máquina, mas seres que incorporam comunidades local e global.

Peço-Te a Luz,
para diante das sombras ser capaz de ver novas oportunidades.

domingo, 2 de setembro de 2018

Quem habitará no santuário?



REUTERS/Osservatore Romano

[Secção pensamentos soltos - um pouco mais longo] É fácil perceber que não é possível gostar, nem agradar a toda a gente. Quem o faz, em geral, está com dificuldades de lidar com o seu amor-próprio. Agradar toda a gente implica estar em constante anulação para se ajustar ao outro e assim evitar ao máximo, por exemplo, o conflito. O Papa Francisco quando percebeu que a Igreja necessitava de mudanças, não o fez por mero capricho. Só quem gosta de estar fechado em tradições mortas, que já não falam da vitalidade da fé, é que não percebe esse ar fresco, ao jeito do Espírito que sopra onde quer. E já se percebeu: se há coisa que Francisco não tem falta é de amor-próprio, daí que fala, silencia ou age conforme o que vai compreendendo ser, com o conhecimento que tem, o melhor para a Igreja ferida, bastante ferida. As feridas são visíveis. Perpetradas por membros que têm a responsabilidade de ligar o céu e a terra, mostram bem que se pode fazer muito mal. Aconteceu, e, infelizmente, em termos de consciência ainda acontece, com a maledicência, a segregação e acepção de pessoas, onde se julga que uns são impuros diante da pureza angelical de outros. Não é assim. “Não o que está no exterior, mas no interior é que torna o pensamento e a acção impura”, ouviu-se hoje no Evangelho. Nos meios eclesiais fala-se muito da necessária reflexão a ser feita. Sim, claro, com seriedade, tem de ser feita para detectar aquilo que não deveria acontecer em quem vive (mal ou de forma desajustada) a fé:
- jogos de poder e interesses;
- abusos de poder;
- sarcasmo;
- mentiras;
- usura;
- competições desgastantes para provar “dignidade”;
- a falta de noção e de respeito pela dimensão corporal e que, ainda mais, é rápida e exageradamente moralizada;
etc.

O Papa Francisco tem feito um enorme trabalho, na continuidade, sim, do Papa Bento XVI, de tornar a Igreja mais próxima do Evangelho, que salva e não passa a vida a condenar. No entanto, ainda há quem prefira a condenação, por exemplo, em grupos de facebook, messenger, whatsaap, nos quais é fácil, qual secretismo, destilar e segregar veneno, a partir de críticas negativas de uma posição monocolor da realidade. A verdade, como também vai dizendo de várias formas o Papa, é poliédrica, ou seja, é um conjunto de várias faces que se encontram no diálogo construtivo para um mundo melhor. Sem dúvida que o Salmo deste domingo (Sl 14[15]) é para ser rezado e entranhado:

Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

O que vive sem mancha e pratica a justiça 
e diz a verdade que tem no seu coração 
e guarda a sua língua da calúnia.

Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

O que não faz mal ao seu próximo, 
nem ultraja o seu semelhante; 
o que tem por desprezível o ímpio, 
mas estima os que temem o Senhor.

Quem habitará, Senhor, no vosso santuário?

O que não falta ao juramento, 
mesmo em seu prejuízo, 
e não empresta dinheiro com usura, 
nem aceita presentes para condenar o inocente. 

Quem assim proceder jamais será abalado. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Our Lady, among us




[Coisas na vida de um padre] Estando ainda em Loiola, recebi um mail de João Moreira, editor da Revista Bica, com a proposta de nova colaboração. Já o tinha feito com um texto sobre a noite para a 3.ª edição. Desta vez o desafio era diferente. Escrever textos a partir de fotografias do projecto "Our Lady, among us" de Rodrigo Cabrita. As fotografias têm todas uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. Achei o desafio muito interessante, ainda mais quando as fotografias são muito boas. Aí está, a partir da pág. 150. Boa leitura de toda a revista, que vale muito a pena, também com artigos sobre o novo Centro Cultural Brotéria - Cristianismo e Cultura e Padre António Vieira.

domingo, 26 de agosto de 2018

Força Monchique



[Secção solidariedade] O Campo de Férias terminou. Já falarei sobre ele. Assim, estou aos poucos de regresso. Começo por partilhar este evento Força Monchique. Será no próximo dia 31 de Agosto. Não vou conseguir estar por coincidir com o Encontro anual dos Jesuítas portugueses. No entanto, recomendo vivamente a quem possa ir. Vai sair mais enriquecido(a) humanamente enquanto pode ajudar quem muito ou quase tudo perdeu com o incêndio em Monchique.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Fechado para Campo



[Fechado para Campo de Férias] Os próximos 10 dias serão de animação de 42 participantes. Entre jogos e banhos de rio, juntando teatro, dança e momentos de silêncio e reflexão, haja Vida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Auto-retrato



[Auto-retrato com pensamento solto em dia da Assunção de Maria] A água estava cristalina, em temperatura que pede, tal como as reflexões de vida, calma a entrar. Observei o entrecruzar de luz e de sombra provocado pelas suaves ondas. Vi a minha própria sombra a desvanecer-se entre as luzes. Tal como o pensamento. Pensar exige fluidez de luz e sombra, onde se misturam a dúvida e a clarividência de resposta. Ainda assim, no cauto coração aberto a receber a possível nova perspectiva que humanize. No dia de hoje, surgem as palavras de Maria, em momento de agitação: Faça-se. A Palavra naquele caso, evocando a voz divina que soou pela primeira vez a criar a Luz. Logo de seguida, no desconhecido dos primeiros tempos calcorreou montes e confirmando a fertilidade de Isabel grita os poderosos derrotados e os humildes exaltados. O poder que aniquila será sempre sombrio. Somente os que se atrevem a conhecer a profundidade do húmus interno, pessoal, feito carne, perceberão a luz que emana do respeito, do amor e da misericórdia. E isso pede tempo e silêncio, também a contemplar a sombra desvanecer-se na luz.

domingo, 12 de agosto de 2018

Ajuda Monchique




Jornal Barlavento

[Secção Solidariedade - Monchique] O fogo passou. Agora é tempo de, na medida das possibilidades de cada um(a), ajudar muitas pessoas que perderam muito, praticamente tudo ou mesmo tudo. Ao longo da última semana fui testemunha de como a sociedade civil, em particular a portimonense, viveu total entrega nos bastidores de apoio a todos os que combatiam o fogo e de acompanhamento das pessoas evacuadas. Para mim não é novidade pelo que conheço dos “meus” alunos, no entanto, é sempre bom de salientar a força do empenho da “malta nova”. Escuteiros, membros de grupos de jovens, filhos e filhas de voluntários(as) adultos(as) estiveram a dar o seu melhor em tudo o que havia para fazer nesse apoio aos bombeiros. E isso, pelo que sei, continua no Centro de Apoio Monchique que centraliza toda a ajuda a dar a quem mais precisa. Aconselho a passar por lá ou pelo site e ver as ajudas necessárias: www.ajudamonchique.com 

O Corpo e Deus




[Momento orgulho] Já saiu há dias, estando eu de retiro. Mas agora, a retornar a alguma calma depois de dias cheios, partilho imagem com a minha primeira publicação de um artigo teológico na mais antiga e reconhecida revista italiana “La Civiltà Cattolica”: “O Corpo e Deus”: https://www.laciviltacattolica.it/articolo/il-corpo-e-dio/

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

É tempo de acompanhar.



Pedro Nunes/Reuters

[Secção pensamentos soltos] É difícil escrever dentro da complexidade do que acontece ante um incêndio de grandes dimensões. Rapidamente exigem-se responsabilidades, apontando dedos e acusações. Ao mesmo tempo, dá-se o louvor e a gratidão a quem está no terreno a apagar o fogo. Entrecruzam-se ainda as críticas, os comentários, “fez”-“não fez”, “disse”-“não disse”, etc. etc. etc. O diálogo entre a razão e a emoção difere muito dependendo de quem e de como se está a viver a situação: para muitos é “uma” casa, para os que estão em vias de a perder é “a” casa; para muitos é “um” animal, para quem sempre viveu com eles como sustento ou companhia, são “os” animais; para muitos, estando a centenas de metros ou quilómetros, sem qualquer relação afectiva directa, é relativamente simples comentar com racionalidade e “ponderação” o que se está a viver; para quem está a escassos metros, sem bombeiros à vista, a adrenalina diminui bastante a capacidade de pensar, entrando-se em reacção de sobrevivência que, sim, pode significar querer salvar “a” casa, ou seja “a” vida. Será necessária distância para agradecer as evacuações forçadas, mesmo com ameaça de acusação de “desobediência civil”. Tal como a outra distância igualmente necessária para se perceber que a vida, sem ser no sentido puramente biológico, não se reconstrói no simples “a vida continua” quando se perde tudo. É precisa ajuda material e humana, nesse sarar feridas físicas e de alma. A Serra perdeu vida. Muitas e muitas pessoas perderam vida. Talvez com exagero, reconheço, todos perdemos vida em cada incêndio. Percebe-se a importância de cuidar. E, não, não é só das florestas, mas também da linguagem e uns dos outros. Para milhares, a vida continua… e já está. No entanto, muitas pessoas entraram em luto. É tempo de acompanhar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Paz




[Secção muito breves pensamentos soltos] Nestes últimos dias, na minha oração também em serviço, tenho recordado este parágrafo do livro “Etty Hillesum” de Frei Michaeldavide, pelas edições Paulinas. Li-o durante os Exercícios Espirituais. Tirei a foto, mas não registei a página. O parágrafo são palavras de Etty no seu Diário. Sim, fazem-me muito eco nestes dias, com tudo a acontecer na nossa Serra de Monchique e arredores. 

domingo, 29 de julho de 2018

Fechado para balanço




Álvaro Roquette

[Secção “fechado para balanço”] No final do dia começo os meus Exercícios Espirituais, depois terei uns dias de descanso. Estarei mais ausente destes lados. Será tempo de silêncio, deixar-me estar de pés em terra a recordar o tanto vivido nos últimos tempos e em “Reforma de Vida”, como propõe Santo Inácio, pôr o coração à escuta de Deus sobre os caminhos de futuro. Fica a certeza da minha oração em abecedário e assim recordar todas as pessoas com quem me cruzo real e virtualmente. Um abraço e até breve.

Boas recordações



[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Foi há precisamente um ano e a primeira vez que abençoei o casamento de um antigo aluno. Haja vida!

sábado, 28 de julho de 2018

Breve oração



[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te a luz,
fazendo transparecer os pormenores de beleza
em todo o lugar.

Peço-Te,
ajuda-me a aprofundar
o olhar atento à luz 
presente em cada pessoa.


terça-feira, 24 de julho de 2018

Arco-íris



[Secção pensamentos soltos] Enquanto passeava reparei no regador de relva. Pulverizava água que, ao passar a luz do sol, abria-se em expansão de cores. Fiquei a pensar numa possível metáfora: estando nós cheios de tanto, com a nossa história e  com aprendizagens nas muitas dimensões que nos constituem, se nos permitirmos sair, deixar iluminar, enquanto pulverizamos os outros de respeito, de escuta, de sentido, então há expansão de encontro, de compreensão e vida na imensa diversidade de realidades que não são (nem têm de ser) iguais a mim. É curioso: um dos símbolos da Paz é o arco-íris. Afinal, recorda o Arco da Aliança entre Deus e a diversidade da humanidade. 

P. Nuno Gonçalves condecorado




Presidência da República

[Secção jesuítas-on-fire] O P. Nuno Gonçalves, actualmente reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana - Roma, foi condecorado, por Marcelo Rebelo de Sousa, Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada, que distingue o mérito literário, científico e artístico. O P. Nuno nos agradecimentos, além de reconhecer a importância da família e de fazer memória dos jesuítas condecorados, salientou que a condecoração estende-se a toda a Companhia de Jesus, já que da mesma recebeu todas as missões confiadas, em especial em instituições educativas, tal como o Instituto Nun’Álvres - Colégio das Caldinhas. Parabéns ao P. Nuno! Parabéns à Companhia de Jesus!

Mais sobre o P. Nuno Gonçalves e a condecoração:




Ele anda por aí



Carla Cardoso


[Secção “Deus como Tu”] Ele anda aí pelo quotidiano, em viagem de metro. Obrigado, Carla, por partilhares.