quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Tempo de paragem. Até breve!



[Secção tempo de paragem pelas redes sociais] Entre luz e sombra, o silêncio faz-me encontrar a importância de Deus no nada. Mais profundamente, o silêncio que desperta o que o teólogo Paul Tillich descreveu como "comoção existencial": sou podendo não ter sido. A gratuidade dos pés assentes em terra e mar recordando o sagrado de tanto na vida. Pode-se descansar, e bem, de tudo. Mas que não se descanse de quem se é e, para quem n'Ele acredita, de Deus. Ele deseja de entranhas o nosso crescer em terra sagrada que somos. Até breve!

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Madrinhas e padrinhos de casamento



[Coisas na vida de um padre com secção pensamentos soltos] Chegam boas recordações de um dia feliz. E é uma boa oportunidade para falar das madrinhas e dos padrinhos. Eles são escolhidos pela profunda amizade que têm com o casal. Uns mais com um, outros mais com outro, seja como for, têm a função de recordar o ser casal, o amor a transformar-se ao longo dos tempos. Tanto nos dias alegres, como naqueles dias em que isto de estar casado tem muito que se lhe diga, os padrinhos devem ajudar o casal a ser casal. Afinal, foram escolhidos de forma particular para serem testemunhas do momento em que os noivos dizem reciprocamente: “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que morte nos separe”. Na alegria e na saúde, tudo maravilha. Na tristeza e na doença é preciso mais acompanhamento e suporte. Por isso, os padrinhos não são adereços, mas pessoas importantes no caminho de amor do casal, ajudando-os a viver o que prometeram. Aqui é mais um exemplo da importância de sermos relação, sermos comunidade, no apoio a dar em muitos momentos da vida. 

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Breve oração



[Breve oração em dia da transfiguração]

Agradeço-Te 
o corpo no Corpo,
em abertura de horizontes
que se expandem na atenção ao outro

Peço-Te
silêncio para continuar a compreender a luz

na descida da montanha

sábado, 3 de agosto de 2019

Boas recordações




Henrique Cepeda 


[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia feliz e muito simbólico. A força do amor em geração que cresce e em nova vida para Deus. Faz-se Luz em bênçãos.

Luz e encontro



[Secção coisas de nada e de tudo] Há dias em que falam as sombras, outros, a luz. Aqui via em chão de madeira luzes da luz. Ontem, em conversa com um Lama e o Rinpoche que acompanhavam o grupo, falávamos, mais do que as diferenças entre o budismo e o cristianismo, da riqueza das semelhanças no desejo de contribuirmos para a iluminação do mundo, da humanidade. Não é uma abstracção, é caminho interior concreto e necessário que cada pessoa tem de fazer. Seja qual for a tradição religiosa, atravessar a sombra contribuirá sempre para a iluminação de todos.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Acolhimento




fotogramas de vídeos de Bill Viola

[Secção considerações] Entre uma e outra conversa surge o tema separação, divórcio, fé e relação com a Igreja. O tema é complicado e complexo que não dá propriamente para desenvolver num texto, mesmo que fique mais longo, numa rede social. No entanto, há pequenas considerações que se podem fazer:

A separação ou divórcio não são, em geral, algo vivido de ânimo leve. Ter pessoas de fora a comentar, julgar ou ainda carregar uma das partes (a tendência é que seja a mulher) com mais pesos de vergonha ou culpa é completamente indesejável e a evitar totalmente.

Quem não sabe do assunto ou acha-se autoridade moral, deve manter o recato e a discrição no respeito da dor alheia, basicamente abstendo-se de falar. O único dever que cada um de nós tem neste tema de casal é o da denúncia em caso de conhecimento de violência doméstica. É crime público. 

Quem vive separação, sim, pode continuar a viver os sacramentos. A questão, e que está em sérias reflexões, onde deve de haver um acompanhamento mais delicado que ajude o discernimento, é sobre quem vive nova união, não quem está unicamente separado. Mas, ainda assim, tendo em conta a complexidade do tema, há que abster-se de comentários sobre as pessoas em causa. 

Quem é cristão saberá o que significa “vim para salvar e não condenar”. Foi Jesus que disse. Logo, não seja, ainda mais em nome da fé, o primeiro ou a primeira a condenar quem já sente dor suficiente com o que está a viver. 

Se alguém vir uma pessoa a comungar que na sua perspectiva ou falta de informação ache que não deveria de o fazer, deixe-se de (m)paternalismos e pense na sua própria consciência, se está mais preocupada com o alheio ou com a própria conversão. 


Toda a comunidade cristã deve ser, nunca de julgamento ou exclusão, mas de acolhimento. Obrigado pela atenção.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Dia de Santo Inácio de Loyola




[Secção pensamentos soltos em dia de Santo Inácio de Loiola] Quando há um mês estive em Loiola, mais precisamente na Capela da Conversão, voltei a repassar em pensamento a vida de Sto. Inácio. Detive-me no grande acontecimento, a perna partida com a bala de canhão, que lhe alterou a vida e a de cada pessoa que contacta com a espiritualidade inaciana. Pois, um acontecimento pessoal levou a inumeráveis de outros, muitos apenas por Deus conhecidos, tornando-se assim algo “comunitário”. Como de essência somos relação, a vida de cada um tem sempre impacto noutros. Daí a responsabilidade que cada pessoa tem em fazer o caminho pessoal de encontro profundo amor com a sua verdade, autenticidade, atravessando luzes, sombras, feridas, alegrias, desejos, dores, perguntas, medos, ruídos e silêncios... e assim encontrar a sua vocação única e especial de dádiva do que é e tem. É exigente. No entanto, quando feito, eleva a humanidade, tornando-a mais divina.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Sombras



[Secção coisas de nada] Estava de conversa e vi-a diante. As sombras chamam-me a atenção. Na beleza de contraste de luz revelam outros mundos e muito a aprender, em especial as interiores. Primeiro, sem procurar a origem, pareceu-me o braço de alguém a pedir algo. Depois, a cabeça de uma víbora. Imaginei histórias e emoções. Antes de sair, vi a flor.

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Lugar único





[Secção coisas de corpo]
- P. Paulo, sinto-me sempre em segundo lugar. Concorro a algo e fico sempre no lugar depois das vagas existente. Nunca tenho lugar. 
- Pode levantar-se, se faz favor. Assim, com ambos pés assentes e firmes no chão, e braços ao longo do corpo. Feche os olhos. Respire normalmente. Tome consciência do aqui e do agora… inspiração e expiração profundas. Alguém pode ocupar o seu espaço? Alguém pode estar onde está? Inspire e expire. Cada lugar é único. Agora deixe-se cair, tentando libertar esse medo de estar no seu lugar.
- Não consigo. 
- Vamos com calma. Comece por dobrar os joelhos. Mais um pouco. [Dou um suave empurrão e cai.] Enrole-se e levante-se devagar. Repetimos. Dobre lentamente. Tome consciência da descida. [Suave empurrão e queda.] Repetimos. [Chega ao máximo de agachamento.] Deixe-se cair. [E cai]. Levante-se devagar. Inspire e expire profundamente. Concentre-se no ventre, na sua força única de mulher. Não separe a cabeça do resto do corpo. Seja totalidade. Tome consciência dessa totalidade. Ame-se para além do racional, da cabeça. 
[Começa a transpirar em bica.]
- Eu sou mais.
- Na existência não há primeiro ou segundo lugar. Aprende-se a ser pleno. O resto vem por acréscimo. Também com as quedas. E viu como conseguiu cair… e ao levantar-se a tomar mais consciência de quem é?
- É possível nascer de novo.

- Bem-vinda ao seu lugar único. 

domingo, 28 de julho de 2019

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te 
a presença. Esse estar 
de aqui e de agora,
entre partidas e chegadas que transformam. Novos tempos.

Peço-Te
o Espírito, 
o pão de novo amanhecer,
e o movimento habitado 
de luminosa autenticidade.

sábado, 27 de julho de 2019

Missa Nova de João Manuel




[Secção agradecimento] Tirei esta fotografia há uma semana. Foi depois da Missa Nova de João Manuel, companheiro jesuíta recentemente ordenado. Sou suspeito: gosto muito do João. Diante da luz de final de tarde e de centenas de pessoas, com a sua genuinidade, simplicidade, autenticidade, revelou beleza e acolhimento divinos. As suas palavras e gestos foram de grande delicadeza para a diversidade de todos nós que com ele celebrámos a sua vida em e com Deus. Em mim, pelo menos, ainda fazem eco: a hospitalidade como fundamento da essência cristã, abrindo espaço na mesa para o diálogo também com quem é diferente no modo de crer, pensar, viver, amar. Não uma simples conversa, mas o profundo diálogo em que ambas as partes se permitem transformar. O Céu acontece nesses momentos de encontro com a melhor parte. O João é e será um grande promotor de acolhimento e de vida. O seu grande coração assim o orienta. Agradeço-te muito João, pelo bem que fazes e pelo outro tanto que farás.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Gotas de água



[Secção coisas de nada] Choveu durante a manhã. Passo pelas plantas no bosque e vejo as gotículas formadas nas folhas. Parecem pequenas esferas de cristal. A diferença está na fragilidade. Pois, é isso, a diferença e, em muitas situações de vida, a beleza está no modo como se vive a fragilidade, deixando-se atravessar pela luz. O resto é silêncio e simples gotas da chuva da manhã.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Breve oração




[Breve oração a meio da tarde] 

Agradeço-Te 
o silêncio das flores. 
Também a sua fala de existência.

Peço-Te 
entendimento da gratuidade

do perfume e da cor

terça-feira, 23 de julho de 2019

Recordação de dia de emoções



Nuno Gonçalves

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia muito bonito. Gosto de celebrar casamentos. É um dia cheio de emoções, onde se deseja e vive-se a força do amor partilhado. Digo aos noivos que ficamos também unidos em Deus e assim salientar o sentido comunitário do sacramento. O amor é sempre de abertura ao outro.

domingo, 21 de julho de 2019

Boas recordações





Paula Correia

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dia cheio de Espírito. Foi o Crisma, no dia de Pentecostes, deste grupo que acompanhei em situações diferentes nas suas vidas. Que continuem a crescer, à semelhança de Jesus, em estatura e em graça.

Acolher é o verbo



[Secção outros tons] O carvalho de Mambré torna-se sombra da luz da promessa. Acolher é o verbo. Lavam-se os pés e sente-se o cheiro a pão. É nos simples a presença da melhor parte.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Rabiscos em Deus como Tu



[Secção Deus Como Tu] Diz que uma criança de 3 anos andou a pôr leitura em dia. Viva a criatividade. Imagino a gargalhada divina. Se foi como a minha quando recebi a mensagem, foi bem alta.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Envelhecer, amadurecer




[Secção coisas de corpo] Abrindo as redes sociais vejo muitas publicações de pessoas envelhecidas. Apercebo-me que é uma aplicação nova. Reconheço a piada. No entanto, surgiu-me novamente a diferença entre envelhecer e amadurecer. Envelhecer poder-se-ia dizer um estado ligado ao avançar cronológico. Amadurecer será um estado que revela o crescimento existencial. Nem sempre o aspecto físico revela a maturidade da pessoa. É-se amadurecido quando as idades biológica, intelectual, psicológica se conjugam. Isso é um processo a trabalhar ao longo da vida. Há pessoas de “pele nova”, mas velhas no modo como se relacionam. Há pessoas de “pele enrugada”, mas infantis no modo como se relacionam. Sabermos ir crescendo nas distintas idades, conjugando a beleza da experiência, torna-nos sábios. Isso exige tempo, que vai para além do clique num filtro. Como disse, reconheço a piada. Ainda assim, apesar de saber que isto hoje em dia da privacidade total só acontece se nos desligarmos totalmente das tecnologias, prefiro não dar os meus dados de reconhecimento facial a uma empresa russa. Que venham os tempos próprios e ajustados do caminho do amadurecimento, com mais ou menos rugas, mais ou menos cabelo, mais ou menos brancas, sempre com mais respeito por si mesmo e pelo próximo. 


sábado, 13 de julho de 2019

Rasgar véus




[Secção pensamentos soltos] Estamos rodeados de véus. Uns mais evidentes, outros subtis, mas estamos rodeados de véus. Fico a pensar no desafio que é ir dando conta ou nomear esses véus e permitir atravessá-los. Dos versículos que mais me ecoa é o “rasgar do véu do templo” no momento da morte de Jesus. Deus, ou o Santo dos Santos era inacessível, rodeado por um véu. Rasgou-se. Que som igualmente forte quando a palavra é pronunciada. R-A-S-G-A-R. Quando se rasga algo, muitas vezes é sinal de estar gasto. Outras vezes é de pequeno acidente. No entanto, quando rasgamos propositadamente algo, folhas de papel ou fotografias, é outro modo de dizer: já não interessas. É exercício de liberdade. A folha de papel pode ser tantas coisas, sociais, religiosas, políticas, culturais, que, além de se terem transformado em estruturas pesadas, impedindo a leveza da Vida, bloqueiam a passagem. Daí que na oração, para quem é crente em Deus, e na reflexão consigo mesmo, para quem é crente apenas na humanidade, há algo primordial: a verdade a nomear os véus, que podem ser sentimentos, acontecimentos, pessoas, incoerências, medos. Esse processo pode ser muito doloroso, sendo necessário acompanhamento. Não se trata de heroísmo, mais de cuidar-se. Dos momentos mais bonitos que vivo como padre é acompanhar a beleza das travessias na vida. Quando S. Paulo escreve que agora vemos como num espelho, depois será face-a-face, imagino-me para lá de todos os véus rasgados diante do profundo olhar amoroso de Deus rodeado de gente, muita gente na mesma contemplação de Vida. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Abecedário




[Secção coisas curiosas] Rezo a partir do abecedário com muita frequência. Assim, pelas letras dos nomes trago todas as pessoas ao coração. De vez em quando publico que usei este modo de oração. A última vez foi a iniciar a Caravana. E eis que um amigo beneditino de Monserrat depois de ler o post envia-me esta oração que encontrou. Diz que está situada entre os séculos XVII e XVIII e ainda que “deve ser uma piada requintada, no entanto é capaz de ter ajudado algum padre mais escrupuloso”. O certo foi a boa gargalhada que dei. Se alguém puser em causa este tipo de oração, tenho argumentos históricos.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Fotografia



[Coisas na vida de um padre] 
- P. Paulo, agora uma fotografia connosco!
- Já sabem que tem de sair uma fora do tipo convencional.

E assim chega uma boa e humorada recordação do baile de finalistas do INA. Aliás, não só do baile. Também, simbolicamente, da amizade com tantas e tantos alunos.

Coluna de luz



[Secção coisas de nada] Há dias vi esta coluna de luz. Estava de conversa e parei, parámos. “Aparece com frequência e é bonito”, comentou. Pensei: haverá sempre mistério na luz. E na subtileza do jogo de sombras. Ainda ontem líamos, em Missa, a luta de Jacob com o Anjo. Começou de noite e terminou na aurora. Recebeu novo nome. As lutas, entre luzes e sombras, renovam o ser.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Dias de nada... ou de tudo




Jon super/AFP, de um projecto fotográfico de Spencer Tunick

[Secção pensamentos soltos] Hoje não é dia de nada e de ninguém. Sendo-o de nada, junta-se o outro absoluto: é dia de tudo e de todos. Explico-me. Desde há uns tempos que me faz confusão as celebrações dos dias de algo. Não que não me pareça importante esse salientar, mas é mesmo por ainda termos de recordar, ano após ano, a necessidade do respeito pelo outro, seja a Mulher, o Refugiado, alguém LGBT, seja o Ambiente, a Terra, os Oceanos. A discriminação ainda é gritante, levantando as fobias que anulam pessoas a partir de categorias. Incomoda-me ainda mais quando se usa a religião como argumento discriminatório. No caso da Cristã, a centralidade do mandamento novo “amai-vos uns aos outros como eu vos amei” é de tremenda exigência. Esse amor passa por um profundo exercício de auto-conhecimento e, assim, de expansão de si mesmo no conhecimento do outro. Não é fácil, de todo que não. Afinal, antes de mais, há que enfrentar os preconceitos connosco próprios, em especial no que não queremos aceitar em nós mesmos: que fazemos parte de um todo, o qual se inclui o ambiente a cuidar; que, seja ela qual for, vivemos a dimensão afectivo-sexual em toda a sua complexidade; que o ser humano é igual em dignidade independentemente do género ou cultura. Ainda há muito caminho a percorrer, enquanto se consumir os recursos naturais como se fossem egoisticamente posse de alguém, enquanto houver pessoas mal-tratadas e assassinadas pela sua condição cultural, sexual, religiosa. Por isso, hoje, tal como amanhã e em cada um dos outros dias que não são particularmente de nada e de ninguém, continuam a ser de tudo e de todos no recordar e viver o respeito pelo outro. 

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Silêncio




[Secção pensamentos soltos] O tema silêncio acompanha-me há muito tempo. Muito antes mesmo da saída do “Silêncio” de Martin Scorsese, a partir da obra de Sushaku Endo. Talvez por ser filho único, tenho um lado de recolhimento forte. Gosto muito de estar com amigos, vida social, mas, cada vez mais necessito de espaços de silêncio, que vão de cinco minutos a dias completos. Vem isto a propósito por ter celebrado Missa há pouco pela primeira vez no Mosteiro das Carmelitas de Bande, perto de Paços de Ferreira. Irmãs de clausura e de silêncio, dedicando-se inteiramente à oração. Quando entrei na Capela, já paramentado, tive a clara sensação de sentir-me profundamente em casa. Não pela questão da vocação, sou jesuíta com muito gosto, mas pela força do silêncio habitado de vida que ali senti. Estive à conversa com a Irmã Vera, Madre Superiora, que faz parte de um grupo de religiosos contemplativos que vivem a reflexão do diálogo inter-religioso nessa componente mais mística, monacal. Contou-me a experiência que viveu com dervixes: “P. Paulo, temos tanto a aprender com a mística oriental”. Concordávamos que no ocidente ficámos (e estamos) muito presos ao racional. Esquecemos o corpo, o silêncio do corpo. A vitalidade que se sente quando enfrentamos os ruídos “medos” ou “vergonhas”. É duríssima a experiência de dar nome a esses fantasmas que podem chegar a anular quem não os enfrenta. Mas é nomear que liberta. Ao passar por um dos corredores deparei-me com este ícone do Arcanjo Miguel. Ele defende-nos do que divide. Uma das maneiras de o fazer é mostrar-nos a realidade e reduzi-la à insignificância ante a força de Deus. O silêncio, bem vivido, torna-se Arcanjo Miguel. E a Vida acontece. 

domingo, 7 de julho de 2019

(Re)inventar as palavras



[Secção pensamentos soltos] A reler Almada Negreiros detive-me nestas passagens. Somos seres de comunicação, onde a palavra tem especial destaque. Infantil é não ter voz ou ainda não ter força na palavra dita. É preciso crescer, articular emoção e razão onde a palavra ganha consistência. Fico a pensar que Deus usa a palavra para criar cada canto e recanto, com cume na criação do ser humano à sua imagem e semelhança. Re-inventar as palavras já criadas pode ser, a meu ver, voltar à beleza da origem: comunicar para dar vida. Seguindo eu o Verbo que se fez carne, aprofundo a re-invenção: comunicar para dar e sermos vida divina. Sei que é mais difícil e complexo. Então, para comunicar bem é preciso tempo, de silêncio, de aprendizagem (observando muito sem julgamentos rápidos e bruscos) e de saber ler os sinais dos tempos. Que se re-inventem as palavras, em especial as que humanizam.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

5 anos de padre




[Secção aniversário] Agradeço muito a Deus tanto vivido nestes 5 anos de padre. Hoje, sem muito mais palavras, a fotografia revela o meu sentir.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Caravana - O Sorriso




[Caravana 2019] Deu-se o encontro com o Sorriso que tranquiliza e repete a promessa: “estarei convosco até ao fim dos tempos.” Mesmo com dúvidas de fé, perguntas sobre tanto da existência, diante do Cristo do Sorriso faz-se silêncio para sentir que na individualidade que enriquece a diversidade somos enviados a amar como Ele nos ama. É desafio diário. Quem por aqui passa e se detém, libertando medos e agradecendo a vida, ficará sempre com a companhia do Sorriso.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Caravana - Ser peregrino




[Caravana 2019] Ser peregrino: condição de cada pessoa que (se) busca. Uns na quietude de casa, em quotidiano que faz da rotina espaço de entrega e amor. Outros, a deixar o extraordinário, em conhecimento de novos rostos e histórias, abrir vistas de Deus que não se cansa de amar. Ser peregrino: condição de cada pessoa, libertando-se de comparações.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Caravana - Acontecimentos



[Caravana 2019] Há acontecimentos que nos mudam a vida. Nada de novo. A novidade é vivida quando o acontecimento torna-se ocasião de mudança de muito(s). A desgraça da perna partida permitiu que Inácio descobrisse Deus de forma renovada. A sua conversão levou à fundação da Companhia de Jesus. Também graças a esse acontecimento hoje conhecemo-nos, estamos por aqui em viagem, muitos, para não dizer todos, libertamos um pouco mais o que nos afasta de nós mesmos. Há acontecimentos que mudam a vida e Deus aproveita para ser + entre nós.

Caravana - Ser apanhado




Teresa Líbano Monteiro


[Coisas na vida de um padre em Caravana 2019] Ser apanhado a ouvir a explicação sobre o regresso de Sto. Inácio à sua terra Natal. Na Capela da Madalena falou sobre Jesus às crianças. Curiosidade: como era de família importante, os Loyola, o irmão, envergonhado por ele ter aparecido vestido de serapilheira e não querer ficar no Solar mas no hospital com os doentes e peregrinos, disse-lhe que não viria ninguém ouvi-lo. Respondeu: “Eu falarei nem que seja apenas a uma pessoa.” Aparecem centenas... e o próprio irmão, ficando comovido com o amor com que Inácio falava de Jesus.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Caravana - história(s)





[Caravana 2019] Sou quem sou com histórias. No plural, por se fundirem a pessoal e a universal. Há coisas vividas grandiosas, outras aparentemente insignificantes: o importante é saber ajustá-las sem as negar. Cada um de nós é essas histórias. Por mais escuras que possam ser, quando aceites e integradas tornam-se cor de vida.

domingo, 30 de junho de 2019

Caravana - Partir



[Caravana 2019] Partir. Em modo de ir em descoberta de novas terras e quebrar o que impede a liberdade de encontrar a terra fértil que cada um(a) é. Somos 46 total, a maioria alunos de 11.º, em caminho ao encontro de Inácio e Xavier, santos que se deixaram amar por Deus e partiram em anúncio de Vida. Trago o abecedário no coração.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

terça-feira, 25 de junho de 2019

Saudades da terra de onde saímos



[Secção pensamentos soltos] Por vezes tenho saudades de tempo e espaço que não conheço. Até para mim é estranha a sensação. A saudade é sentida e vivida a partir da experiência de encontro com pessoas, lugares, situações. Ainda assim, esse desconhecimento causador de saudade não é daqueles desconfortáveis, mas estimulador a fazer caminho em direcção a algo mais fundo ou mais pleno. Sim, há saudades de casa. Ou da terra de onde todos saímos. No mais íntimo sei, sabemos, de onde somos e a vida é o convite a esse regresso à origem, onde há que libertar coisas e coisinhas que impedem o amor. As saudades, afinal, tornam-se sinal de que em cada um de nós reside a vontade de regresso ao Paraíso. Na pele latejam em memória viva as marcas da moldagem divina.

Breve oração




[Breve oração no entardecer de S. João]

Agradeço-Te os encontros 
que desvelam tempos sem tempo
e convidam a descalçar em terra
sandálias sem pó

Peço-Te
voz que ilumine 
o teu caminho


segunda-feira, 24 de junho de 2019

Olhos fechados



Rita Rocha

[Secção pensamentos soltos desde coisas na vida de um padre] O sentido visão é dos que capta mais informação. Sou daqueles que facilmente se distrai com a informação visual a acontecer. Luzes e movimento, por exemplo, podem retirar-me o foco. Ao longo dos anos que me dedico particularmente ao silêncio, na oração, na meditação, fechar os olhos ajuda-me a focar no essencial: seja numa leitura a acontecer, seja no saborear alguma informação recebida em contemplação. Acrescento: não é só fechar os olhos, também ajuda muito tranquilizar a respiração com inspiração e expiração pausadas. São muitos os momentos em que tudo se transforma. O Espírito tem especial predilecção pelo silêncio.