sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

TEDx Santo Tirso




[Secção coisas de corpo] Acabo de receber a mensagem: "Olá! O vídeo do TEDx já está, finalmente, no nosso canal do youtube." Obrigado, mais uma vez, TEDx Santo Tirso, pela oportunidade. Aqui partilho.

Autoridade





Itsuo Inouye/AP

[Secção desabafos] As figuras de autoridade dão pautas para o grupo de que são responsáveis: a nível social (um presidente, um ministro, um director, um professor, um padre, etc.) e a nível moral (um médico, uma figura pública de relevo, como um jornalista, um actor, um músico, um futebolista,…). Essas pautas são tidas mais em conta conforme a relevância do poder e carisma dessa pessoa. Não nos admiremos, então, que subtilmente se legitime a mentira, a incoerência, a violência nas palavras e actos, a banalização da responsabilidade, nestes tempos de “pós-verdade”, “factos alternativos” e emails e sms que, apesar de "privados", tratam da vida de tantos. Enfim, pormenores… 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Estrelas




Rhys Logan

[Coisas, assim, logo de manhã…] 
- P. Paulo, hoje de noite passei pela janela e uma estrela brilhou mais forte. Será que foi o meu avô a piscar-me o olho?
- Que lhe parece?
- Só pode ser ele. Uma vez contou-me que as pessoas boas nos piscam o olho lá do céu.
Sorrimos. Abraçámo-nos. E seguiu para a aula.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Jornadas Inovação Pedagógica SJ




 Nelson Matias

Foram ontem as primeiras Jornadas de Inovação Pedagógica SJ, com educadores, docentes e não-docentes, dos três Colégios da Companhia de Jesus em Portugal. O painel de oradores não veio do exterior, mas do imenso que já se faz em cada um dos Colégios. O foco principal: como ajudar os nossos alunos a crescer humanamente, entre o equilíbrio do académico e dos valores que contribuem para o sentido do serviço, no mundo que mudou e continua em mudança. Não podemos ficar presos ao “sempre foi assim” (vá-se lá saber o que é esse “sempre”), nem ao “está tudo mal, há que mudar tudo” (vá-se lá saber o que é esse “tudo”), mas perceber o fundamento da educação, numa Escola adaptada às pessoas da actualidade e não do século passado. Dentro das características da Pedagogia Inaciana, encontramos a importância da pessoa com talentos e virtudes, criada à imagem e semelhança de Deus, chamada a servir neste mundo concreto. Esperemos pelas próximas.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Divagações




Na imagem, texto de Daniel Faria


[Divagações de uma noite de Sábado] Tenho sentido a minha escrita emperrada. Desde há dias que sinto isso. Sento-me para escrever e não consigo afastar a sensação de vazio na criatividade. Escrevo. Apago. Escre… e fica a sensação de espera. “Não é tempo. Guarda-te no sentir!” Penso um pouco e apercebo-me que o Silêncio, melhor, o efeito do Silêncio ainda ecoa em mim. É cada vez maior o ruído das coisas. O tempo para sentir e pensar diminui drasticamente, pedindo-se, exigindo-se ou determinando-se opinião de forma vincada como se o amanhecer e o entardecer fossem blocos mono-colores. As penumbras exigem passadas calmas, sem grandes correrias. Assustamo-nos com o rumo político, onde a verdade diluí-se conforme o poder em causa e os povos caminham em extremos que deixam de escutar o pensamento diferente. A Fé reduz-se à fezada, perdendo a força de testemunho de vida, ganhando contornos de moralismo, aplicando-se isto tanto aos fervorosos crentes do divino, como aos do não-divino. Durante a celebração da Missa, no momento da consagração, nessas palavras que d’Ele repetimos com toda a dignidade, pensei: serás Tu uma regra?… “isto é o meu Corpo”… não, és corpo, com movimento que estimula o passo. Dignidade não pode ser rigidez. Dignidade é consciência do imenso e  pouco que sou, no meio de imenso e pouco em cada outro, com história… “fazei isto em memória de Mim”. Essa memória faz-me ir aos textos e ver-Te a ser desafiado e a silenciar, a curar e a silenciar, a pregar e a silenciar, a denunciar e a silenciar, a criar e entregar novos caminhos apenas compreendidos pelos que amam. E amar não permite cópias, clones de corpo e de alma… até mesmo de fé. Amar significa atravessar trevas, aprendendo da sua maestria, e reconhecer a luz irradiante que deseja e comunica vida. A fé é simples de explicar na teoria… no entanto, aquele pedaço de Pão em Corpo, amante e amado, desalinha todas as histórias. Não é por acaso que só se compreende em silêncio de Sexta-feira e de Sábado santos. Esses são dias nada amados, mas transformam a compaixão em certeza de Vida… a que se quer profundamente alegre. Se os dias são passagem, o amor é o ficar, demorado, saboreando o chá de jasmim acabado de servir.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Aula




Visto assim, parece algo sem sentido... quando o sentido foi, numa aula de EVT de 9.º ano, aliar meditação, emoção e saída do quotidiano, em música, corpo e desenho. No final, houve silêncio e vontade de repetir.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Reconhecimento rotário




[Secção coisas na vida de um padre] E assim terminou um serão. Agradecido, é como me sinto, pelo convite e oportunidade de partilhar algo que ajude e promova a Paz.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Vida frágil



Mais uma vez, Daniel Faria. Hoje, no dia da partida de mais um amigo. A vida é frágil. Vale-nos a força do amor e da bondade: beleza engrandecida, dando importância ao essencial.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Momento




Apenas o registo da beleza do momento… em flor presenteada. 

Temas de conversa




Dolors Bas

[Secção coisas de corpo] Há constatações sobre o corpo de alguém que podem ser bastante indelicadas. “Ah, já há tanto tempo que não te via: estás mais gorda, mais magro, com menos cabelo, mais brancas, já se notam as rugas…” Pois, o que pode ser uma constatação “de nada”, por detrás pode haver, igualmente “nada” como a natural alteração corporal, ou questões mais delicadas que não se quer expor publicamente. Enquanto corpo que somos, pode estar a acontecer algo muito mais para lá da dimensão física. E respeitar o acontecimento do outro é pôr-me nesse lugar. Se é difícil… então, o tempo será sempre um adequado tema de conversa.


domingo, 5 de fevereiro de 2017

Luz




[Secção outros tons] A mesma Luz, em diferentes tons. Ou o modo como Deus incide, vive, brilha, em quem se deixa amar.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Estatísticas



[Secção coisas] Achei estranho o disparo de visualizações no blogue. Vou ver: o aumento vem dos Estados Unidos e da China. Atenção, agentes secretos infiltrados pelo blogger, facebook e afins, eu não tenho problemas em dizer que não concordo medidas políticas do actual presidente dos Estados Unidos. E sim, assumo que publiquei há tempos um vídeo sobre ameaças a um jornalista da BBC que tentou entrevistar uma candidata independente à Câmara Municipal de uma terra lá da China. Se sou perigoso, espero que seja apenas pelo “peace and love”. Agradecido. Thank you. 谢谢. ;)

Sobre o Silêncio




Nuno Branco,sj

Quanto mais leio sobre o filme Silêncio, de Martin Scorsese, mais vontade tenho de fazer e viver 

Silêncio
uma gota de chuva
desliza sobre a janela

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

presente da humanidade




Yudith’s Journal


[Secção desabafos] Vi ontem um vídeo que continua a atravessar-me o pensamento.  Não o partilho propositadamente. Foi publicado numa página de armas, como exemplo de maravilhamento na recepção de um presente de aniversário. Aqui começa a primeira agitação. Mas, a grande, é ver a emoção de uma criança, entre os 10 e os 12 anos, quando recebe uma espingarda xpto. Não é de brincar. É uma espingarda que disparará tiros reais… que podem matar. A criança, com ar inocente próprio da idade, emociona-se ao receber o presente da vida. Em muito, as crianças são reflexo do que as rodeia. “Childern see, children do” [as crianças vêem, as crianças fazem] foi um spot publicitário que surgiu há tempos para alertar os pais em como a educação passa pela imitação. É assustador pensar que uma criança possa ter, como se fosse o mais natural da vida, uma arma como presente. Gostava de pensar que este seria um caso isolado, mas, pelos comentários, havia quem defendesse e achasse normal. Para mim, o normal, é que se presenteie as crianças, mais do que com coisas, de forma especial com tempo, atenção e orientação. Elas aprendem mais com o que somos, as nossas atitudes, que com o que lhes dizemos. Como tantas vezes repito, elas (no fundo, todos nós) não são (somos) o futuro, mas o presente da humanidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dia do Consagrado




Lidia Chaulet


[Celebramos hoje de forma especial o dia do consagrado. Repesco um texto que escrevi há uns anos.] Faz sentido consagrar a vida a Deus? Sim, se se perceber que ser religioso(a) é viver e servir no mundo concreto e não idealizado. Sim, se não se vê como um heroísmo, mas como outro lado da humanidade. Sim, se o passado, a história, os pecados perdoados não são motivos de vergonha, mas de compaixão com a fragilidade dos outros. Sim, se apesar do medo ou inquietação, a confiança na denúncia da injustiça ante os que mais sofrem fale mais alto. Sim, se as conversões quotidianas levem à humildade que afirma: “Não somos melhores, somos simplesmente diferentes no encontro com Ele”.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Aula dos sonhos




[Aula com alunos do 6.º ano] Já andavam a pedir há muito: “Stôr, quando é que temos a aula dos sonhos?” Como estou a falar da Bíblia, aproveitei a deixa dos “sonhos bíblicos”, para… “então, vamos sonhar?” A exaltação geral: “é hoje!” Acho fascinante os seus brilhos de olhar a querer partilhar os sonhos. Fui por ordem e, como de costume, escrevi no quadro o sonho que iam partilhando: sentir ‘borboletas’ na barriga; superar a minha vergonha; transformar as pessoas más em boas; voar (este é influência do professor ;) ), ser o melhor guarda-redes do mundo, etc. No final, a deixa: “guardem bem os sonhos no coração e dêem o vosso melhor para os realizar.”

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Palavrões




Nancy Bumpus

[Secção desabafos] Se as crianças dizem palavrões? Sim, dizem. Ouve-se aqui e ali, no pátio da escola, na rua, no autocarro, no café ou em casa, de forma mais ou menos cultural, como ofensa ou libertação de tensão. Pode ser dito “caneco”, “flor amarga”, “filho de mel” ou outro neologismo qualquer para ir a esse palavrão que se quer evitar. Justifica-se com isso usar no ensino escolar? Recordo sempre o riso envergonhado quando lemos, no meu ido 9.º ano, “a puta da badana” no Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. O importante é perceber que na educação nem tudo é válido, nem tudo é evitável, mas tudo pode e deve ser conversado de acordo com a idade e a maturidade. Afinal, não lidamos com massas informes, mas pessoas concretas com maturidades e histórias de vida muito diferentes. Mais uma vez, a educação não pode ser uma deliberação de gabinete… implica muito de terreno, com trabalho pessoal e colaborativo entre educadores (nesta palavra incluo encarregados de educação, docentes e não-docentes) e alunos. Depois, discussões em praça pública a partir de superficialidades de parte a parte apenas provoca o que vai sendo cada vez mais natural: gritos, berros, acusações. Quem perde? Todos nós! Para ganhar, que haja reflexão séria… não tanto pelas leituras do Plano Nacional de Leitura, mas pela percepção de que a Educação é mais séria do que se quer crer na construção da Sociedade.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

[...]




[Secção pensamentos soltos] É sabido que a vida é um constante desafio. Entre coisas interessantes que possa ler e deixar-me a pensar, há o quotidiano, em simples trocas de palavras, gestos e partilha mais prolongada da experiência da vida, com escuta, em confiança, de tanto. Muitas vezes, também eu desejo fórmulas mágicas para que tudo esteja bem, da simples relação humana, familiar ou profissional, à situação aparentemente incontrolável do mundo mais amplo. Olho para a Crunchie (a minha hamster). Dorme, come e passa bastante tempo na roda, nesse “caminho” que dá voltas e voltas sem a tirar do sítio, apenas na libertação pelo exercício físico, em completa despreocupação. A vida não é uma roda… não pode ser, nem posso deixar que o seja. Tem o seu quê de exigência, na busca pessoal por onde passa o crescimento. Penso nisto várias vezes, sobretudo depois de “conversar” (obrigado tradutor “árabe-português” da google) com pessoas que aterram numa nova terra fugidos da guerra. No recolhimento da noite, em celebração de Missa, ao fazer o exame de consciência agradeço cada vez mais os pequenos “nadas” e vou alinhavando por onde tenho de podar, regar e semear o que me permita crescer em humanidade. Em tempos, incomodava-me bastante quando me defrontava com as minhas falhas… o ego ferido é muito doloroso. Hoje em dia, tento focar-me na força do amor. E aqui revejo-me novamente em Daniel Faria, que ando a ler… acabando por ser força de oração… “[…] Querendo-se sem falha, será o mais incompleto dos seres.”

domingo, 29 de janeiro de 2017

Silêncio



Foto tirada entre aguaceiros

[Secção outros tons]

Silêncio:
a oração impele 
ao cume

enquanto o 
mundo grita:
silêncio.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Humanização




Kai Pfaffenbach/Reuters

[Secção desabafos] Custa-me ler e ouvir declarações do novo presidente dos EUA. Ainda mais hoje, que acolhi, em nome do Grupo de Apoio aos Refugiados do Colégio das Caldinhas em colaboração com a Câmara Municipal de Santo Tirso e a Cruz Vermelha, uma família Síria. Depois de darmos um abraço, o Hassan diz: "quero fazer de tudo para começar a trabalhar. Não podemos estar dependentes de um país que tão bem nos recebe." Sigamos... em caminho da humanização.

Limites e grandeza




Em jeito de oração, no amanhecer de algo novo... por Daniel Faria.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Crunchie




Os animais de estimação que tive foram sempre pequenos: cobaias e hamsters (com criação e tudo). Acabámos por nunca ter um cão ou gato, pelas mais variadas razões. Eu gostaria de ter um cão, mas, como jesuíta, não dá… por outras tantas razões com muito sentido. Este fim-de-semana, lá com os miúdos, fui às compras ao mercado e eis que vejo uma (agora sei que é uma) hamster ferido que não estava a ser de agrado de ninguém. Sobe-se-me o carinho, dei 5€ ao senhor que ficou todo contente e trouxe-a. Senhores e senhoras, meninos e meninas, apresento-vos a Crunchie.

Equilíbrio




Félix Morlán González


[Secção outros tons] Encontro o equilíbrio nas palavras, enquanto sinto feridas saradas e escuto o imenso que me rodeia. Paz e reconciliação… ao jeito de mantra, oração e desejo que entre em cada poro de pele… e gesto de vida. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A ti, Tino...



Esta foto enviou-me o Tino há anos, de viagens…


Para ti, Tino… e Suzana, depois desta intensa tarde.

A porta mora à espera...abre-se um espaço maior...uma região mais íntima na circulação das minhas veias
uma outra terra que pensa a minha morada
um perfume, uma maravilha, um repouso
para a cabeça dos que lutam com bravura 

Daniel Faria [poderia ser Constantino Gonçalves]

Abraço, querido Amigo, até à grande Festa da eternidade.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Fim-de-semana




Fim-de-semana com alunos de 6.º ano. Muita brincadeira, jogos, animação, perguntas e mais perguntas. Também paragem. Propus-lhes conhecimento próprio através de corpo. Gargalhadas, com os jingles de anca e gritos para libertar vergonha. Expressaram-se em movimento e, depois, rezaram o Pai-Nosso com gestos únicos de si. No final, meditámos em agradecimento de cada parte do corpo: os pés e a possibilidade de caminhar, as pernas que ajudam a fazer caminhos, as mãos, os braços e os abraços, os olhos e o olhar, os ouvidos e o escutar, o coração e o amar-se. E, ainda assim, tanto por descobrir. Fizemos nova amizade… amanhã revelo. Agora, descansar de tanta intensidade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Surpresa




[Aula com alunos do 6.º ano] Sempre que posso, saio da sala com os alunos. Eles sabem disso e, sempre que o tempo permite (para eles frio não conta), vamos até ao bosque. Se já em aula, com a relação de proximidade, vão fazendo perguntas ou partilhas mais pessoais das suas perspectivas sobre a vida, em momentos fora do contexto habitual, outras conversas surgem. Ao seu modo, partilham a viagem de sonho ou a dúvida sobre algo ou ainda a tristeza por alguém doente. Assim que chegam ao bosque, depois do habitual convite a escutar o silêncio:
- Stôr, podemos ir ali ao fundo? Queremos preparar-lhe uma surpresa.
Passado um tempo, chamam-me.
- Stôôôôr!!! Já pode cá vir!
Fomos todos, a ouvir o resmalhar das folhas secas.
- O Natal já passou, mas como o stôr diz tantas vezes, Jesus está sempre a nascer. É para si. 
- Permitam-me: é para nós.
E abracámo-nos todos, em agradecimento.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Chega-te Deus feito Homem



Yannis Behrakis/Reuters

[Secção outros tons] Chega-te Deus feito Homem, nesse olhar que vê o atrofio de mãos e de mentes. Diante da Vida o sábado é irrelevante, mesmo que séculos ou milénios depois de o “levanta-te e estende a mão”, dito nesse dia proibido de liberdade, ainda continuem a soar vozes dissonantes com desejos de segregação. A mente atrofiada em coração empedernido é difícil de curar, impedindo de perceber o céu e o véu rasgados em amor de Filho.

Árvores despidas




- Stôr, qual o interesse de fotografar uma árvore despida?
- Simplesmente registar a beleza do contraste entre os ramos despidos e o céu azul.
[Vê a foto]
- Parecem neurónios. 
- E mais?
- Redes de comunicação.
- E mais?
- Estrutura para construir uma casa.
- E mais?
- Ossos entrelaçados.
- E mais?
- Escovas enormes para limpar o céu.
- Então, qual o interesse de fotografar uma árvore despida?
- Hmmm, é isso… ehehehe… dar asas à imaginação. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Armadura? Pele




Calin Strajescu

[Secção coisas de corpo] Por aqui e por ali vou encontrando cada vez mais pessoas com armaduras. Já não de ferro como em tempos idos, mas de alma. Gente endurecida, que vai perdendo a sensibilidade no que a rodeia. Somos seres de endo-esqueleto, sendo a pele a revestir-nos e a pôr em contacto com o exterior. Numa mistura entre força e fragilidade, a pele protege-nos de forma delicada. A suavidade do toque permite o arrepio, medindo temperaturas de clima e de alma. A flexibilidade contribui para a maleabilidade de pensamento. Corre-se mais riscos de dor, com cortes ou queimaduras, por não haver receio de amar. É mais fácil a armadura, no entanto, o peso vai aumentando, impedindo a ligeireza do movimento para a liberdade. No fundo, o profundo amor a si mesmo e ao próximo permite voar com os pés bem assentes no chão, de rosto luminoso e mãos dispostas a servir.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Estágio de Formação Humana e Espiritual




Maria Amorim


Este fim-de-semana estive com uma turma em Estágio de Formação Humana e Espiritual. Algo bastante forte e marcante no nosso projecto educativo é precisamente a Formação Humana e Espiritual. Diariamente, acompanhando os alunos com a proximidade, que passa pelo simples “olá” até às conversas individuais de modo a perceber os seus sentires pessoais e ajudá-los a crescer com e para os outros. Pontualmente, parando um dia ou um fim-de-semana em turma, onde há tempo para saborear gratuitamente a vida e viver o perdão e agradecimento uns com os outros. Entre outras coisas, vindo a propósito, disse: “As nossas decisões e acções provocam ondas. Se forem para o bem, as ondas são tipo pedra no charco… suaves que agitam a água, dando-lhe vida. Se forem rodeadas de irresponsabilidade, as ondas podem ganhar proporções de tsunami, destruindo tudo à volta. A adolescência é para ser vivida com emoção, com garra, com sonhos, aprendendo igualmente a força da dignidade, minha e do próximo”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Ajuda psicológica



Jakir Hossain Rana

[Coisas na vida de um padre] Alguém me falava muito a medo sobre ajuda psicológica.
- Eu não sou louco.
- Acha que eu sou louco?
- Não, sr. padre, de modo algum. 
- Então… eu já recorri a ajuda em terapia psicológica e, além da orientação espiritual, continuo a fazer o que se chama supervisão psicológica. Tenho gosto, dom, vocação em acompanhar pessoas, ajudando-as a ser livres e felizes, sabendo que também sou uma, na mesma busca de liberdade e, acrescento, encontro com Deus. 
- [Com ar de surpresa] Por essa não esperava.
- Infelizmente, ainda não há muito cuidado e atenção com a saúde mental, fazendo-se julgamentos rápidos e tristes. Antes de algo mais grave, é possível fazer tanto. Se partir uma perna, vai ao ortopedista. Quando as feridas de alma são muito profundas, procura-se a ajuda especializada para as curar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sementes e pássaros



Jason Boswell

[Coisas na vida de um padre] Contava-me os últimos acontecimentos. Doenças e internamentos, com situações de perigo de vida, que deixaram de o ser, sentindo nova vida a surgir, novo olhar para as coisas. Na conversa:
- Vê tu, que no meio de tanto, ainda por cima levei com uma cagadela descomunal de um pássaro. Que mais me falta acontecer?, pensei. Era tudo tão triste.
- Posso dar outra interpretação? Sentes nova vida a surgir. Bem, a porcaria de vida pode ser fertilizante para algo novo. E um pássaro liberta sementes nos dejectos. Não é poético. É a realidade. Agora é tempo de deixar essas sementes brotar, com o novo olhar para a Vida. 

[...]




[Secção outros tons] A fé rodeia-se de história, olhares, escuta e caminho. Num instante, o silêncio do amanhecer.

Silêncio



Desenho de Nuno Branco,sj

[Secção Silêncio, ou efeitos dele] Percebo que o filme mexeu e mexe seriamente comigo quando acordo, ou nem sei se adormeci, com lágrimas a "cair de fio", enquanto os pensamentos agitam-se com perguntas... e, em jeito de oração contemplativa, apoio-me na pintura de um Companheiro logo após de ter visto o mesmo filme. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Nevoeiro




[Secção outros tons] Saboreio o silêncio do nevoeiro. Nele reside poesia e mistério próprio de abrandar passos e ficar à espera que se dissipem perguntas. Pouco se entende quando não se pára e contempla… mesmo que nada se veja a não ser a incógnita do que possa surgir. Entre medo e surpresa, aclara-se, pelo menos, beleza.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Silêncio, o filme




Fotograma do filme Silence Movie, de Martin Scorsese

Vi o Silêncio. A última vez que senti o que vivo pelo corpo foi na Ordenação de padre. O cansaço da intensidade, talvez possa designar assim. Ainda não estou capaz de intelectualizar sobre aquelas mais de 2 horas e meia que passaram sem tempo de demora. O filme pode falar da dúvida de fé. Saio de lá com a clara sensação de adensar-me ainda mais a fé… em Deus que baralha todos, mas todos os meus esquemas. No ano em que terminei a licenciatura em Teologia, fui a Manresa, onde Sto. Inácio de Loiola teve a visão do Cardoner, percebendo a expansão e universalidade de Deus. À conversa com um Companheiro, falava-lhe das minhas dúvidas, inquietações, gostos e irritações com a Teologia. Disse-me: “Paulo, a vida espiritual é como a subida ao Everest. Temos todos os guias, como a Bíblia e os Exercícios Espirituais, até um determinado momento. Aí, nesse preciso momento, mais ninguém nos pode acompanhar à subida ao cume. Estão nas nossas mãos a morte, a vida e a Vida.” Ainda não estou, nem pouco mais ou menos, nesse momento na chegada ao cume, no entanto, com humildade, acrescento… nas nossas mãos estão a morte, a vida, a Vida e o Amor. E hoje compreendi mais um pouco o Amar de Jesus até ao extremo… em Silêncio.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Daniel Serrão | Zygmunt Bauman




[Secção homenagens] Ontem, Daniel Serrão, hoje, Zygmunt Bauman. Partidas de quem deixou fortes marcas no pensamento contemporâneo sobre o ser humano e a sociedade. Ambos alertaram para mudanças que afastam o ser humano do essencial, tendo o desejo de o aproximar à sua densidade de vida e de encontro. Serrão impulsionando a Bioética, Bauman advertindo para os perigos da crescente insensibilidade da sociedade globalizada. De Daniel Serrão, li bons artigos e ouvi melhores entrevistas, como esta https://soundcloud.com/joao-delicado/entrevista-prof-daniel-serrao-1parte. De Zygmunt Bauman, além de bons artigos, estou a meio do livro, que vivamente aconselho, “Cegueira Moral - A perda da sensibilidade na modernidade Líquida”. A humanidade perde dois grandes Homens que a amavam profundamente. Fica o seu legado. Continuemos a aprender com o imenso que nos deixaram. 

Vida em abundância




Nelson Garrido, da escultura “East-West/West-East” de Richard Serra


[Coisas na vida de um padre] Ofereceram-me esta foto, escolhida e assinada pelo autor. A escolha teve a ajuda da passagem aqui pelo blogue, no que vou partilhando em escrita e fotos. Já estive em contemplação diante dela e fez tanto sentido depois de um dia cheio. Conversas soltas e mais sérias, em escuta de vida, confissões, pregação na Missa de funeral da avó de um colega e de um aluno e Missa em Comunidade, celebrando o Baptismo de Jesus. Neste acontecimento forte, onde mais uma vez Jesus mostra que participa plenamente da humanidade, pondo-se na fila para ser baptizado, o Céu e a Terra juntam-se, unem-se, ligam-se. O Filho Amado torna presente a força do Pai no meio de nós. Se antes havia separações a partir de “purezas” que velavam a relação com Deus, com Jesus tudo se desvela, mostrando a justiça de Deus: dar vida em abundância, desejando o crescimento de cada ser humano em fé, esperança e caridade. A vida essencial que está para lá da sobrevivência, de uma manutenção biológica do respirar ou alimentar, que nunca morre: dá-se a transformação da presença, jamais o seu fim. São muitas as vezes que isto é difícil de compreender, ou então, até por muitos pode ser visto como estupidez. Olhando para esta foto, sinto-me criança a olhar ao alto, no imenso que desconheço, deixando-me deslumbrar com a beleza da fé, acabando por ser ponte no anúncio e vivência da justiça de Deus. E continuo no caminho da Sua escuta no meio do turbilhão do mundo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Epifania [do acolhimento]




Moussa Idrissi


Das coisas que mais me fascinam no encontro com Jesus é o Seu acolhimento. Os Evangelhos fazem questão de nos mostrar que desde logo o Menino é o sinal, a manifestação, de inclusão, de abertura ao outro, em especial, aos excluídos e ao diferente. Na noite de Natal, em abertura do tempo natalício, com a passagem de S. Lucas vimos como os pastores, aqueles que estão fora, apesar de pertencerem à mesma sociedade, são os primeiros a adorar o Menino. A encerrar o tempo natalício, em S. Mateus é-nos apresentado outra adoração do Menino. Desta vez, os Magos vindos do Oriente são os primeiros a viver o acolhimento universal por parte d’Aquele que revela novo modo de reinar: na paz, na justiça e no serviço. Novamente, a partir destes textos, percebemos que a relação com Jesus é o primordial. Quando o conhecemos verdadeiramente, de coração disposto à conversão, acabamos por regressar, tal como os Magos, por outro caminho… e manifestar, tal como Ele, o acolhimento nas nossas vidas.