quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Testemunho para a Câmara Municipal de Portimão




[Coisas na vida de um padre] A Dra. Isilda Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Portimão, convidou-me a estar presente na sessão solene comemorativa do Dia da Cidade e a dar um testemunho sobre o voluntariado, em especial, a propósito do incêndio na Serra de Monchique. Foi ontem. Isto de estar quase no pólo oposto do país impossibilitou-me de ir pessoalmente a Portimão. No entanto, enviei um vídeo com o meu testemunho. Como algumas pessoas pediram o acesso ao vídeo, aqui o partilho. 

[Vídeo e edição por Vasco Martins, nosso aluno da OFICINA - Escola Profissional do INA.]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Natureza



[Secção outros tons] A natureza, em espera de tempo certo, ensina o equilíbrio. Movimenta o silêncio. Abre as cores. Desvela mistério. Sem refúgios, é. Simplesmente é. Aí reside a grande maestria divina. 

"Não basta?"



[Secção boas leituras] Assim, para começar a semana em que terminam as aulas e aumentam as azáfamas natalícias. Almada Negreiros, “A Invenção do Dia Claro”, p. 11.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Palmas




[Coisas na vida de um padre] Chegaram registos de momentos felizes. “Palmas, amigos! Palmas! Eles estão casados!”

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Crónica de Henrique Raposo




[Secção "Deus como Tu"] O Henrique Raposo partilhou comigo o esboço desta crónica no dia em que as lágrimas despontaram por vários momentos. Disse-lhe isso. Fico-lhe muito agradecido pela partilha, pela consideração e palavras sobre "Deus como Tu" nesta crónica, que vem na sequência de outra, sobre isto de educar o rapaz, o adolescente, o homem para as lágrimas.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Advento




[Secção pensamentos soltos acompanhados de letras verdes] Gosto do Advento. Há um silêncio próprio que se impõe: o da espera, permitindo preparar o coração para o encontro que um dia iluminará todas as relações. A espera de Advento amplia-se em esperança. Em dias de luto, onde é necessário dar tempo à transformação da relação, deixo ecoar a vida no coração. E agradecemos muito, os meus pais e eu, os abraços recebidos envoltos de luz.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Breve oração em dia de partida para o Pai






[Breve oração em dia de partida para o Pai da minha avó Teresa]

Agradeço-Te
os laços de campo e de horas esculpidas nas mãos que cultivaram sementes em terra fértil
e amassaram pão também adocicado em folar de Páscoa

a mesma hoje vivida.

Peço-Te
acolhe-a no regaço em mimos de Luz,
dando-nos Esperança na certeza da Vida.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Animação em baptismo.




[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Estava a dar a bênção à família. Elevo a mão e o Frederico com a maior naturalidade deu “cá mais cinco”. Gargalhada geral! O baptismo é Vida e Vida aconteceu.

domingo, 25 de novembro de 2018

Dia Internacional para a Eliminação da Violência da Mulher




Li Hoang Long

[Secção pensamentos soltos em memórias] A propósito deste Dia Internacional para a Eliminação da Violência da Mulher, recordei este episódio vivido há uns anos. 

Dava mais um dos meus passeios. Encontrei a D. Maria [nome fictício]. “Olá, está boa? Já há algum tempo que não a vejo pela Missa.” “Sabe como é sr. padre, a vida… a vida…” Reparei que tinha uma mancha estranha perto do olho. Apercebeu-se do meu olhar e prontificou-se, antes que fizesse qualquer pergunta: “tropecei em casa e bati no móvel.” Nestes dias tenho andado mais sensível e emocionei-me. Saiu-me: “D. Maria, posso dar-lhe um abraço?” Ela percebeu que eu percebi que não tinha sido móvel nenhum, mas uma mão. Não sei se fechada. Não sei se aberta. Mas foi uma mão que lhe fez aquela mancha. Aceitou o abraço e chorou. Chorámos. “Tem tempo, sr. padre?” Como não havia de ter? E conversámos. Muita dor foi partilhada.


Infelizmente este Dia. Infelizmente por ainda haver: mulheres assassinadas; silêncios cúmplices que não entendem que há situações em que, sim, “entre marido e mulher somos obrigados legal e moralmente a pôr a colher”, isto por um lado, já que por outro, ainda há gente que comenta e condena a vida alheia, em especial de mulheres que, apesar do medo, vergonha, dor, decidem pôr um basta a relações amargas, com perigo de vida. A sociedade pode não mudar totalmente com alertas de “Dias”, mas é bom ter consciência que muitas vezes acontece ao nosso lado e de que há sempre algo a fazer para acabar com a violência.

sábado, 24 de novembro de 2018

Padrões




[Secção pensamentos soltos] Os padrões são repetições de feitios em cores ou acontecimentos de vida. São algumas as vezes que, no exame de consciência, na reflexão e oração, apercebo-me de repetir o modo de funcionar em determinadas relações. Ido ao fundo disso, com toda a verdade que me é possível, vejo o que possa estar desajustado, levando-me à aprendizagem inicial de como reagi diante de algo, em geral não muito simpático. Os padrões têm o seu quê de cíclico, normalmente provocados por auto-enganos. Podem ser interrompidos quando se dá nome à realidade. Esse dar nome é temeroso, obrigando-nos, em reverência, a descalçar em terra sagrada que somos. Leva-nos ao momento inicial da criação quando Deus diz ao primeiro humano que nomeie o que o circunda. Ou seja, é doloroso por termos de atravessar o divino em nós e isso significa atravessar também a sombra, com todos os medos, vergonhas, maus silêncios, frustrações, resignações. Dar nome a isso tudo, com o respeito pelo tempo próprio, é romper com a repetição desajustada. Dando nome, torna-se conhecido. Começamos assim a ser nós a controlar. Aos poucos, faz-se um retalho de memórias curadas e o padrão ganha tons de compaixão.


quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Breve oração




[Breve oração em final de entardecer]

Agradeço-Te 
a revelação em cada acontecimento,
entre chuva e sol,
que me permite desvelar
o amor.

Peço-Te
visão de beleza e luz

focada no todo.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Congresso de Parentalidade Consciente






Sérgio Rito


[Coisas na vida de um padre] No passado sábado, fui um dos oradores do Congresso  de Parentalidade Consciente, que teve “Educação para a sustentabilidade social” como tema de fundo. Fechar um Congresso é um misto de honra e de responsabilidade. Depois de um dia inteiro de boas apresentações, tentar dar sentido a tudo, ainda que a apresentação tenha ela mesma o seu sentido próprio, foi graças ao apropriar do que foi dito. Do parto, ao sono, passando pela integração,  complexidade e educação, houve unidade nesse desejo de despertar para a sustentabilidade. Não é demais voltar a agradecer à Mia (www.mikaelaoven.com) pela confiança e convite. Haja colaboração no caminho de humanização. Parabéns a todos os oradores e organizadores. Também a quem participou, afinal haverá o contributo de 4400€ para Associação “Um Pequeno Gesto”. 

domingo, 18 de novembro de 2018

Juízos finais




Abigail Fahey


[Secção pensamentos soltos] O final dos tempos, a hora, o momento, só o Pai é que sabe. Isto recorda-nos Marcos no Evangelho de hoje. Ao rezar o texto, saindo da primeira sensação que possa ter sido incutida de “medo-do-fim-do-mundo-ao-modo-cinematográfico”, apercebi-me das muitas horas finais que passei. Tempos de passagem, de embates de limite, com medos, sim, muitos. A visão muito mitológica de juízo final, com as imagens de destruição, podem impedir o caminho de descoberta de Deus que é Pai com entranhas maternais, na profundidade de amor por cada um de nós. Por outras palavras, Deus que salva e não deus que condena. Afinal, envia Miguel, o chefe dos anjos. Mika-El: aquele que protege, que defende. Essa é a base da relação com Deus: a salvação. Significa isto uma desculpabilização dos maus actos, atitudes, comportamentos, em especial os que advém de jogos de poder? De modo algum. Pelo contrário, deve despertar a noção de responsabilidade, em que cada pessoa possa desbravar o caminho do seu coração e remover o que está petrificado e podre, impedindo o respeito pelo próximo. Essa é a hora da conversão. Este processo por vezes necessita de choque, de abalo tal que leve a questionar até mesmo a existência de Deus. No fundo, os tempos finais, apocalípticos, devem apontar à remoção de todos os ídolos, de tudo o que impeça a visão e escuta de quem Ama totalmente ao ponto de entregar o Filho como final de todos os sacrifícios. O juízo final, esse último, acontece cada vez que decidimos seriamente amar mais. Aí somos obrigados a novo nascimento, em saída de nós mesmos em direcção a quem sofre, a quem precisa, aproximando-nos mais da essência divina.

Parar




[Secção pensamentos soltos] Parar. É um verbo. Sabemos que os verbos falam de acção, de dinamismo, de movimento. Então, o verbo “parar” pode ser um paradoxo vivificador. O acto de paragem, incomodativo em meios que fazem igualar humanidade a produtividade, torna-se revolucionário. Paro ante o exterior e permito que seja o interior a movimentar-se pelos meandros da minha história, cheia de emoções, sentimentos, perguntas e respostas, desvelando a beleza da existência. A revolução dá-se ou de rompante, ou de passos suaves, pela descoberta do imenso que sou e vivo. Diminuir a velocidade da vida, dando-me tempo para escutar e ver é exigente. “Nãos” têm de ser ditos, em nome de um sim maior ao acto de presença. Também e, a meu ver, principalmente, diante de Deus. Há medo de parar. Afinal, há o fantasma de “parar é morrer”. Mas, e se eliminássemos o fantasma e permitíssemos a morte desse medo? É certo que parar é morrer para algo. Mas necessário para uma Vida com mais sentido. Parar para pensar, rezar ou simplesmente estar… sem mais, na atitude de quem sabe contemplar e agradecer. E na paragem, nesse silêncio que vai diminuindo ruídos, percebemos o que realmente importa: amar(-se). Outro verbo (difícil, sim!). Agora, em dinamismo exterior de gestos concretos na direcção do próximo. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te
a luz que atravessa os caminhos sombrios, 
entre perguntas e respostas,

no silêncio do novo amanhecer.

domingo, 11 de novembro de 2018

Boas recordações



[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Escolher quem leva as alianças é de responsabilidade. Há que estar ao nível desse grande momento.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Pessoa. Simplesmente.




Thomson Reuters

[Coisas na vida de um padre]
Seguia pela rua fora. Chovia e abriguei-me num toldo. Apanhei um pedaço da conversa de duas senhoras em cigarro a meio da manhã. 
- … engenheiro, doutor ou professor. Sério, não sei o que ele é.
Sorri, não me contive e disse: 
- Pessoa. Imagino que seja uma pessoa como cada um de nós. 
Rimos os três. Dando os bons dias, seguimos nas nossas vidas.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Boas recordações



SL Casamentos

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia feliz. Não me recordo o que estaria a dizer. Seja como for, como se nota, houve animação abençoada!

sábado, 3 de novembro de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te 
a laranja que saboreei e a rosa que contemplei. Recordaram-me que não sei o que é fome, permitindo-me vislumbrar beleza. 

Peço-Te:

Afasta de mim toda a sede de poder.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Em dia de Todos os Santos



[Secção pensamentos soltos em dia de Todos os Santos] Este, para mim, é um dia de memórias e de sonhos. Também do presente, no seu sentido de extraordinário quotidiano. Memória de histórias vividas por homens e mulheres, uns oficialmente canonizados outros oficiosamente no coração de cada um de nós, que buscaram a autenticidade de si mesmos em relação com Deus. No gesto e na oração, abraçaram o melhor do cuidado do amor. Mesmo sem quererem, tornam-se exemplo ou inspiração, não a imitar mas a desvelar o melhor de nós. Daí, dia de sonhos. Possibilidade de abertura ao desejo de transformação ou conversão, onde os véus do que nos impede a luz do caminho, verdade e vida vão-se rasgando e caindo, permitindo ver o sentido de uma entrega maior. Não se trata de busca de perfeição desumana, mas de corpo vivo que se vai ajustando à realidade concreta: pessoal e social. O corpo ajustado não se acomoda. O corpo ajustado integra a comunidade de quem quer viver a plenitude do amor. Por vezes, gostaria que isto acontecesse num ápice. Mas, é preciso tempo e silêncio para perceber que tal acontece muitas vezes na subtileza diária, no modo como falo, dou atenção, vejo, escuto, ensino, celebro, escrevo, leio, reconheço a luz e a sombra, amo, vivo. A transformação total é coisa de filmes de heróis. A conversão à santidade é algo de quotidiano. Com passos extraordinários, certo, mas de quotidiano, onde o reconhecer do que é importante e absoluto não reside em coisas, mas na beleza da autenticidade dos pequenos gestos de amor comigo e com os outros. Isso pode ser difícil, mas não impossível. Em dia de Todos os Santos, dependendo da vida que cada um ou cada uma possa estar a passar, haja Luz de Deus no amanhecer, no entardecer e no anoitecer... permitindo o nascimento de algo novo.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Memórias doridas e tempo



Ramiro Torrents

[Secção conversas de corpo e alma] 
- P. Paulo, não quero recordar tanta coisa. Custa muito.
- Mas as memórias, sem que as controle, surgem, despontam.
- Sim, sim, muito. Eu tento distrair-me, buscar outras coisas, mas… elas voltam por vezes com ainda mais força. Como é que posso evitar que isso aconteça? Não quero, foi tudo tão duro.
- Pois, é mesmo atravessar essas recordações, sem as julgar, porque foram o que foram. É assim que evita com elas despontem de forma indesejada. Dando o passo, com respeito, ao seu tempo, sem se violentar, de ir olhando para cada momento. As feridas curam-se tratando com cuidado, muito cuidado. Não se curam a esconder. É certo que escondidas vão dar sinal, com a dor da presença. E se não dermos atenção, pode infectar e vai doer muito mais. Se olharmos para a ferida, com carinho e respeito e aos poucos começarmos a cuidar a dor do mal vai-se transformando aos poucos em dor de cura, até deixar de doer e tornar-se uma memória curada. 
- Ouço-o falar e parece fácil. 
- O caminho, em si, é fácil e simples. Mas fazê-lo é muito atribulado. É preciso tempo e a companhia adequada, que saiba encaminhar, sem julgamento e com sabedoria na escuta. 
- Preciso de tempo. 

- Tome-o, antes de mais, com carinho e respeito por si e por tudo o que viveu. 

domingo, 28 de outubro de 2018

Agradecer




[Secção agradecimentos com pensamentos soltos] Tenho explorado o verbo agradecer. O dia de aniversário é muito bom para isso. Ainda não consegui terminar de ler todo o carinho que, de forma tão especial, recebi no dia de celebrar a Vida. Gosto de responder individualmente, mas reconheço que não conseguirei. Por isso, ontem, em dia de vento mais forte, passei pela praia e diante do infinito de mar rezei o abecedário. Já se sabe, não falha nenhum nome e assim agradeci a Deus a beleza da Vida presente em rostos, histórias partilhadas e muitos sorrisos e gargalhadas. No final da tarde, na Missa, onde a propósito do cego que é curado por Jesus e pela sua fé que o salvou, voltei ao meu propósito a recordar cada letra. Foi a minha forma, tal como disse na homilia, de reparar. À semelhança de Jesus que pára e repara, assim aconteceu. Quantas vezes paro e reparo tanto em mim, como em quem ou no que está à minha volta? Jesus repara no cego, dando-lhe liberdade, sem impor, e repara a sua cegueira, com esse pormenor tão bonito e forte de reconhecimento da fé do próprio Bartimeu que o salvou. Por isso, escolho esta fotografia que tirei ontem do Infinito do Oceano. A fé como expansão de nós, como possibilidade de consciência do imenso a viver e a agradecer, que nos permite reparar nos pormenores e, assim, reparar o que nos impede de ver com maior autenticidade a beleza da Vida. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Em dia de aniversário




[Secção Vidas] É bom, belo e ajustado agradecer a Vida. Em sorriso, para tanta amizade!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Dar Vida




Mãe Maria com Filho Paulo a caminho, por Pai José


[Secção vida, em preparação interior para amanhã] Gosto desta fotografia. A beleza da gravidez recorda-nos o tempo da preparação da Vida. Dar tempo. Dar-se tempo de nascer. Cada um de nós é chamado a criar. Nos diferentes níveis de maternidade e paternidade, acontece o dar algo ao outro: a vida (biológica, afectiva, intelectual, artística, espiritual, social, legal). Uns são chamados a contribuir em todas, outros de modo específico nalguma, mesmo quando não se dê conta. Nascer também é tirar véus de algo novo: é-se, em busca da simplicidade, em caminho da Luz. Tão bonita a expressão: “estar de esperança”. E cada um de nós tem de se colocar nesse caminho, permitindo-se a Esperança, a Fé e o Amor.

Breve oração




[Breve oração em início da manhã] 

Agradeço-Te 
o silêncio 
entre as azáfamas do quotidiano, permitindo escutar o essencial.

Peço-Te

liberdade ante os ruídos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O uso da realidade



[Secção pensamentos soltos] A realidade objectiva em si mesma é amoral. Ou seja, nem é boa, nem má. Uma faca não é boa nem má. Um carro não é bom nem mau. Um computador não é bom nem mau. A tecnologia não é bom nem má. É cada um de nós que vai provocar o uso que lhe dará o atributo. Já se sabe que não existe neutralidade no ser humano. A nossa condição cultural vai levar-nos sempre a algo que dirige o sentir, o pensar e o viver para uma perspectiva que se achará a mais correcta. De forma geral, os Direitos Humanos não são neutros. Têm uma visão, perspectiva de humanidade que, passo a redundância, procuram humanizar a partir de uma igualdade que respeita as diferenças que sejam motivo de crescimento dos Povos. Pensava nisto tudo enquanto via este breve vídeo. A tecnologia tem muitas vantagens. Como se vê, ajuda a estabilizar uma pessoa: física e, consequentemente, emocionalmente. Aliás, ajuda a estabilizar não só a pessoa que sofre da doença de Parkinson, como também todas as outras que a acompanham. No entanto, o mau uso da tecnologia pode provocar desastres humanitários. Exagero? Penso em bombas atómicas ou, mais recentemente, especialização em notícias-falsas replicadas à exaustão de modo despertar o lado sombra da desumanidade, com o aumento de ódio, revolta, amargura, etc. O que será importante? Parar e pensar. O acto de partilhar uma “notícia” de um site duvidoso, como resultado da reacção  da minha emoção primária corre o risco de fomentar a clivagem entre os “bons” e os “maus”; os “certos” e os “errados”; os “ortodoxos” e os “hereges”; os “conservadores” e os “progressistas”; etc. etc. etc. Na passagem do Evangelho de ontem, Jesus alertava para os perigos do poder desligado do serviço. Hierarquias de poder que não são de serviço, de colaboração, de respeito pelo outro, vão sempre fomentar a instabilidade emocional. Política, religiosa ou socialmente falando, o mau uso da realidade desumaniza. O meu desejo: que na vida aconteçam mais sorrisos emocionados, tal como no vídeo, pelo bem que se faz no uso das coisas (e nunca de pessoas!).

domingo, 21 de outubro de 2018

Sobre o beijo




Chris Dandridge

[Secção coisas de corpo] Beijo. Ósculo. Xôxo. Beijinho. Manifestação de carinho, ternura, proximidade, muita proximidade. Apenas os povos latinos o usam como primeira saudação. Basta passar os Pirinéus e o primeiro contacto é um braço estendido para o aperto de mão. Só depois, muito depois, já a começar a se estabelecer um certo conhecimento, se avança para um beijo. Sou daqueles que gosta de beijinhos. E dou-os, a amigas e amigos, sem problemas de más-interpretações. Afinal, ainda considero que a consciência é fundamental nisto tudo. O problema é a consciência mal formada ou estabelecida na tacanhez e falta de bom senso do que chamo “ambiente-aldeia” ou falta de abertura de horizontes que impedem o espírito crítico, levando a afirmações extremistas de parte a parte do tipo “ora tudo” ou “ora nada”. As relações humanas, já se sabe, são complexas e é pena que se escute cada vez menos o corpo que se é (para que não se rasguem vestiduras, entendo o corpo como totalidade integral de muitas dimensões: física, psicológica, racional, social e espiritual). O beijo, repito, é sinal de muita proximidade. O acto de aproximar a cara de outra pessoa significa que me relaciono muito bem com essa pessoa e não tenho desconforto ou medo. No contexto português em que mais facilmente se beija o rosto (com um ou dois beijinhos), esse viver de proximidade atenua-se, mas, ainda assim, quem nunca sentiu incómodo com alguns beijos dados e recebidos que atire a primeira pedra. O contacto de corpo é contacto de ser. Educar para esse contacto implica respeito de parte a parte. As crianças, que, repito à exaustão, não são adultos em miniatura, vivem de forma mais espontânea o sentir tanto na proximidade como na repulsa. Quando gostam, são as primeiras a beijar e abraçar sem problema. Quando não se sentem confortáveis, por personalidade ou experiências vividas menos simpáticas, não querem contacto de proximidade, preferindo a distância. Se isto acontece, mais do obrigá-las (muito menos com acrescentos de violência física ou psicológica), será uma boa oportunidade de com calma (ah, sim, calma, tempo, disponibilidade, etc.) tentar perceber o porquê de não querer essa proximidade. Poderá ter que ver ou não com essa pessoa: recorda alguém que a agrediu, recorda alguém “mau” que viu num filme ou numa história, etc. Ou, então, se for na confusão de um sítio com muita gente, nada tem que ver com o beijo, mas com a sensação de insegurança que se sente à volta. Sim, é complexo, e não dá para escrever num texto curto. Por isso, antes de tanta agressão e discussão comportamental de tamanha violência, que se faça uma análise séria do ser corpo que se é e perceba-se os muitos mecanismos associados ao beijo, ao abraço, em última instância à complexidade da relação humana. Depois, se parecer bem, ósculemo-nos na paz.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Boas recordações


A imagem pode conter: 2 pessoas, incluindo Catia Gaspar Pereira, pessoas em pé e interiores

[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de um dia muito bonito e cheio de Vida. Ainda mais quando se abençoa o amor em família.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

43 anos de casados


A imagem pode conter: 3 pessoas, pessoas a sorrir, barba, céu e ar livre

[Secção vidas] Agradecer. É dia de o fazer. Afinal, são 43 anos de vida partilhada, com alegria, paciência, silêncios e muitas histórias. Já tinha publicado esta fotografia. Volto a ela por ser tão expressiva no muito a agradecer. Apontava o céu e tínhamos o mar diante. O Infinito de tanto vivido e do muito ainda a descobrir. Ser casal tem cada vez mais a exigência de muita transformação. Não é fácil, pois o Amor implica dar e receber com muita gratuidade. E isso é aprendizagem de vida. Parabéns, Mãe Maria e Pai José, pelo vosso amor cheio de paciência um pelo outro! Gosto muito de vocês.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Justiça social

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas sentadas, sapatos e texto



[Secção desabafos sobre justiça social] Quando se fala de voar para aqui ou ali, lá vem a Ryanair como mais barata. Digo logo, por conhecer minimamente a aviação, que me recuso a voar com eles. “Mas, onde fica o voto de pobreza?” O voto implica também justiça social. Alguém paga os voos baratos, pois a aviação é cara. Ou seja, paga quem lá trabalha! Aqui está um exemplo. Logo a seguir à tempestade pelo nosso país, vi esta fotografia a circular. Apesar de não gostar da Ryanair, ainda achei que seria uma foto-feita de tão inacreditável parecer. Mas, infelizmente, não. Estes tripulantes, mais uns quantos que não se vêem, foram obrigados, depois de terem tidos os voos desviados do Porto para Málaga, a dormir numa sala com 8 cadeiras. Eram 24 tripulantes no total. Segundo responsáveis da empresa num comunicado, não havia hotéis com quartos disponíveis em Málaga. (Sem comentários!!) Dizem eles que providenciaram a ida para o Lounge do aeroporto. O que também já foi desmentido. Sim, voos acessíveis, mas... a justiça social é-me muito importante, precisamente pelo Voto de Pobreza. Já foram apresentadas queixas às autoridades de aviação. Esperemos que se tomem providências. A dignidade do e no trabalho é condição de humanidade.

sábado, 13 de outubro de 2018

Vida, simplesmente.




Teresa Moreira
[Coisas na vida de um padre, em pensamentos soltos] Durante a tarde, fui ao Porto, à APELA, falar sobre Espiritualidade numa formação a cuidadores. As ajudas técnica e psicológica podem ser complementadas com o acompanhamento espiritual: humanizando o gesto, dando-lhe significado de Vida. É preciso desmistificar estereótipos à volta do “espiritual” e perceber a sua importância no essencial de cada um de nós. Isso, o essencial. Estando com o pensamento às voltas sobre o dia de hoje, alio a acontecimentos no mundo, que me causam alguma preocupação, e com algo que escrevi há dias: a vida nunca será coisa pouca. Esta frase pode tornar-se feita e bonita. No entanto, tenho para mim que faz falta fazer muito silêncio no mundo para nos darmos seriamente conta de que não pode ser o medo a comandar o nosso agir. Perceber a importância do amor como caminho de humanização é fundamental para não deixar que o ódio se torne garante seja do que for. Amar não significa aceitar a injustiça. Amar significa caminhar em direcção à única justiça que faz sentido: aquela que valoriza o outro independentemente da sua condição física, religiosa e social. Isso implica um grande trabalho de amor-próprio (não confundir com narcisismo). O amor-próprio desenvolve-se com experiências de abertura de horizontes a partir da relação humana, de leituras, de conhecimento e reflexão, levando a perceber desde as entranhas que na dignidade ninguém é superior a ninguém. Grande passo de liberdade se dá quando isso acontece. E o verdadeiro Amor deseja sempre a liberdade do outro.

Parar em escuta de si




João Coutinho

[Coisas na vida de um padre] O convite volta a acontecer: parar em escuta de si. Neste fim-de-semana é proposto à turma de 12.° ano do curso de Instrumentistas da ARTAVE, a escola profissional de música. Perceber a importância de quem se é e do que se faz como oportunidade de dádiva ao outro. Em caminho de autenticidade, as notas musicais sairão com ainda mais vida. Ah, e com o mar ao fundo, em Infinito, recorda-se o imenso a descobrir. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Nomes




[Secção letras verdes] Pequeno registo, depois de conversas e pedidos de oração, ao terminar o dia.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Tesourinhos



[Secção tesourinhos] Fui ao computador da Comunidade procurar uma lista de aniversários. Coloco “aniversários” na pesquisa e vou dar a uma pasta onde está guardada esta foto que fará 13 anos daqui a 17 dias. E surgem tantas recordações. Basta pensar que, apesar de já ter começado as aulas de Filosofia em Braga, ainda era noviço. Faríamos os Votos dias depois. Não é nada novo, de cabeça já se sabe, mas a sensação que surge diante das memórias despertas por uma fotografia é a de reconhecimento do imenso que passamos. A Vida nunca será coisa pouca.


domingo, 7 de outubro de 2018

Igualdade na dignidade



Laura El-Tantawy


[Secção pensamentos soltos] Os textos da liturgia deste domingo recordam algo fundamental: a igualdade na dignidade entre homem e mulher. Desde a criação que Deus estabelece essa igualdade, no entanto, ainda há essa desvalorização e, infelizmente, de forma acentuada. A forma como se destrata a mulher é assustadora. Não é endeusar a figura feminina, mas, mostrar como há fragilidade e força que levam ao respeito a partir da complementaridade entre os géneros feminino e masculino. Nem um nem outro é melhor: na sua diferença complementam-se. No entanto, a força física parece ser a única medida de “dignidade”, levando, ainda mais, à desvalorização da figura feminina. É de louvar a decisão da partilha do Prémio Nobel da Paz entre Nadia Murad e Denis Mukwege. Ela com as marcas da violência sexual. Ele como curador dessas marcas em tantas mulheres. A intimidade sexual é um recanto de dádiva e de prazer, nunca devendo ser vivido como uso. Infelizmente, o “macho” que se julga cheio de força (seja física e/ou financeira) acaba por abusar dessa intimidade. A violência sexual, usada como arma de guerra ou de outro modo, é uma manipulação de poder sobre a outra pessoa. Fragilizando-a na intimidade, o abusador anula a vítima a um mero objecto. Alertar para as situações de abuso começa desde logo pela educação, que passa também pelo exemplo de trato humano. Qualquer abuso deve ser denunciado. Não é fácil dar a cara, pois, infelizmente, além da violência sexual, ainda há a violência da desconfiança e do gozo. No entanto, se cada um de nós quer ser caminho de humanização, antes de julgar, deverá acolher. E quem não sente capacidade de acolher, deverá calar-se e informar-se. Esta passagem do livro do Génesis tem uma subtileza: todos nós somos feitos do mesmo barro, por isso, quando alguém sofre um ataque na dignidade, toda a humanidade perde. Mas, quando alguém caminha no respeito, na denúncia de violência e no acolhimento de que sofre, alimenta a esperança de toda humanidade. Que prevaleçam as pessoas de esperança, tal como Nadia Murad e Denis Mukwege.

Breve oração




[Breve oração no amanhecer]

Agradeço-Te 
as perguntas pela manhã, depois da escuta dos sonhos, iluminando e desfazendo medos de visitar 
a profundidade de ser.

Peço-Te

ajuda-me a continuar a desenlear do que impede a resposta à vida.

domingo, 30 de setembro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

478 | 15




Beatriz Dinis - no Campo de Férias deste Verão


[Secção vida] Dentro dos quase 39 anos de vida, celebro hoje 15 de jesuíta, a juntar, neste mesmo dia, aos 478 da Companhia de Jesus. Estes dias, para mim, são sempre de agradecer. 15 anos: em idade biológica seria o meio da adolescência. No entanto, em idade religiosa, já com a experiência de ser e de aprender a ser padre, é tempo de continuar a contribuir à abertura de horizontes, ajudando em passagens de descoberta de quem cada pessoa é no seu encontro com Deus. N’Ele aprende-se a ver. E nós, em especial os que seguimos a vida religiosa, temos a responsabilidade de tirar véus para ampliar a visão da vida, ajudando em maior amor e serviço a este mundo concreto, onde Deus se faz presente. Um Abraço a todos os jesuítas por esse mundo fora, com a minha oração ao “Senhor de todas as coisas” por nós, pelas nossas missões e por todas as pessoas que nos ajudam a ser quem somos.