quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Campo de Férias


Começou ontem o Campo de Férias. Lambretas II. 42 participantes. 15 animadores. Na primeira Missa, a proposta foi de colocar a impressão digital na cruz presente na capela. Cada um de nós é único, dando cor a todo o grupo. Todos estamos em Deus. 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

(Re)descobrir a vivência cristã… em sacramento




Bin Yu

Texto publicado na edição Agosto/Setembro da revista Mensageiro do Apostolado da Oração

As palavras missa, eucaristia, sacramento, fé, catequese, etc., parecem estar cobertas de pó. Talvez por uma questão de linguagem ou, então, de mudança de “tempos culturais”, quer estas palavras quer o seu sentido têm vindo a ser muito conotados com enfadonho, seca, aborrecido, apenas se necessário ou quando dá jeito. Em parte, há razão de ser: afinal, a linguagem e os rituais religiosos – em especial para quem não os conhece – tornam-se fechados, incompreensíveis, podendo chegar ao aparente sem sentido. E aos poucos, ajuda a que cresça essa conotação e, em seguimento, o número dos “católicos não-praticantes”. Partindo da ideia de que “não-praticante” é quem, entre outras coisas, professa a fé católica, mas, tirando casamentos, baptizados e funerais, não tem por hábito ir à Missa, poderia perguntar o que levaria a que essas pessoas tenham-se afastado da prática religiosa. Daria um bom estudo, junto com outro sobre o “estar na Missa”. Afinal, acabam por se relacionar, nesse “o que é” e “como” praticar ou viver os sacramentos.

É tão estranho quando, também a partir da linguagem corporal, sente-se o mecanicismo em que se está lá porque “faz parte”, “sempre foi assim”, “lá me levanto e lá me sento”, “lá repito as fórmulas”. Nós, cristãos, somos chamados a ser autênticos animadores e não meros executores do ritual, que em vez de ser algo de vida vai-se esvaziando em ritualismo, resumindo-se num “fazer coisas”. O ritual bem vivido ajuda a que todas as pessoas se sintam participantes da celebração. Vivendo em ritualismo, a beleza da celebração perde-se, tornando-se artificial e mecânica. Não é fazer da celebração da Missa um espectáculo ou uma “festarola" para ser “fixe, moderno e atrair”: cai-se também no ridículo. Trata-se de ajudar a que se esteja lá plenamente a celebrar a vida de Cristo em comunidade. Às vezes basta começar por relaxar os ombros e respirar calmamente, permitindo trazer a vida, tal qual ela é, para a celebração. O que oferecemos como “fruto da terra, da vinha, e do trabalho humano” é, segundo a nossa fé, transformado em Cristo, que não é um executor, mas o animador por excelência. Essa nossa oferta é toda a vida, com as suas alegrias e esperanças, dores e angústias, para que Cristo possa dar-nos a graça que mais necessitamos para melhor vivermos a nossa relação com Deus e com quem nos envolve. Uma das grandes tentações é a de que apenas se vá à Missa em momentos pontuais e, quando se personaliza ainda mais, nos que estão carregados de dores e angústias, descurando os de felicidade. Todos, mas todos os momentos são de celebrar com Cristo. A Missa é encontro que nos permite participar da vida de Deus. 

Há uns anos, numa sessão de Formação Humana e Espiritual, pedi ajuda ao grupo. Sem filtros, ou seja, a partir das entranhas, pedi-lhes que me falassem de Deus e da Igreja. O que achavam, o que sentiam, se lhes era indiferente, fossem crentes ou não. Houve respostas muito interessantes. Uma delas, pela forma tão sincera com que foi dita, deu-me bastante que pensar: “Deixei de ir à Missa quando já não me obrigavam. Acho que nessa altura até tinha deixado de acreditar em Deus. Um dia, depois de muito tempo sem ir, entrei numa Igreja. A Missa estava a começar. Decidi ficar todo o tempo. Fui comungar e vivi a presença de Deus. Tive vontade de voltar.” Perguntei-lhe se tinha consciência do que é que a fez voltar. Respondeu: “Não sei. Mas, senti que foi a partir de uma decisão minha e não de uma imposição.”

Participar na eucaristia dominical e de dias santos de guarda faz parte dos deveres de quem vive a fé católica. Mais uma vez, surge a sensação estranha de o encontro com Deus se dar a partir da obrigação. Até há, mais para a norte do país, a expressão da “desobriga”, quando se cumpre o que há a cumprir ao nível religioso. É certo que Deus manda-nos viver a proximidade com Ele em forma celebrativa, nos sacramentos, e relacional, nas obras de misericórdia. No entanto, esse mandamento não deve ser visto de forma paternalista e castradora, onde se dá o cumprimento por medo, infantilizando a relação com Ele. 

A fé necessita ser alimentada, além da oração, por uma boa formação, em catequese de adultos ou cursos teológicos, pela leitura, participação comunitária, acompanhamento espiritual, para que possamos crescer, à semelhança de Jesus, “em sabedoria e em graça”. Ao fazer este caminho de crescimento pessoal e espiritual, apercebemo-nos da importância da vida em, com e por Deus, que liberta-se da ideia ou sensação de obrigação penosa, para passar a ser uma necessidade de encontro com Ele, fonte de vida. Esse encontro, tal como sugere Santo Inácio de Loiola nos Exercícios Espirituais, aumenta o conhecimento interno que temos de Cristo, com o propósito de mais O amar, seguir e servir. É um caminho de fé desafiante. Quem tem o desejo de o fazer, vai percebendo a força da travessia, com implicações a todos os níveis, em especial de transformação do modo como se compreende o mistério da vida de Deus e, por reflexo, do Ser Humano. O cristianismo é a vivência, o relacionamento, não com uma doutrina ou um conjunto de regras, mas com a pessoa de Cristo, em comunidade, a Igreja. Tal como vamos aprendendo a nos relacionar em família, em amizade e nos vários grupos de que fazemos parte, naturalmente surgem deveres que, de algum modo, fazem aumentar os vínculos, o afecto e o sentido de pertença. 

Quando a fé em Cristo é mal compreendida, de modo mais ou menos inconsciente, põe-se em causa os deveres desse sentido de pertença ou, então, limita-se à superficialidade da sensação imediata: “sinto-me bem, vou; se não me é confortável, já não faz sentido ir” ou “estou a precisar, vou; se já estou bem, já não faz falta ir”. Quando a fé em Cristo é bem vivida, percebemos que, tal como aconteceu com os discípulos, podemos passar por questionamentos, revoltas, dúvidas, no entanto, sabemos que são passos na escalada espiritual. Há a recordar que a conversão também se dá a partir da nossa história, daquilo que somos. Não podendo mudar o passado, podemos aceitar e integrar o que cada um foi e é. Aí, consegue-se a força que nos agarra por dentro. À medida que o conhecimento interno de Cristo vai sendo cada vez mais presente na nossa vida, percebemos que Deus não pede o desencarnar do que fomos e de quem somos. Muito pelo contrário, convida a que cada qual seja o que é na sua máxima profundidade, entre luzes e sombras. No fundo, a coragem de sermos cada vez mais autênticos diante d’Ele. E tal é de se viver especialmente nos sacramentos da eucaristia e da reconciliação.

Mais do que uma prática, participar livremente nos sacramentos a partir da fé vivida, moldada e transformada por Deus, deixa de ser pela “desobriga”, mas segue os passos do desejo do encontro real com Cristo. No crescimento da relação, afastamo-nos do “sentir-superficial”, do simples apetecer, dando-se uma maior proximidade com o Senhor que nos quer fazer participantes da sua vida, para sermos, tal como Ele, vida para os outros.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Final de Férias


Suzanne Rodrigues


[Secção final de férias] Isto do “ao sétimo dia descansou” tem muito que se lhe diga. Não só em fim-de-semana, independentemente de qual dia, como também em pousio final de época, há sagrado no restabelecer o curso das horas e das estações de corpo, onde se incluem todas as sua dimensões. É preciso desligar e, nesse tempo, simplesmente fazer nada. Houve momentos na praia em que contemplava Deus no mar. Sentia o silêncio crescer. Ainda vivia resquícios de tentação no formular palavras de agradecimento para aliviar o “tens-de-dizer-sempre-qualquer-coisa”. Sei de onde vêm, mas igualmente sei que faço caminho na contemplação deixando-me estar. E serenam-se as vozes, dando espaço ao silêncio. Terminaram estes dias. Já me encontro novamente em viagem.

sábado, 13 de agosto de 2016

Vício




Dotan Saguy

[Secção coisas de corpo] Este texto é escrito com a devida autorização, ainda mais por, em determinado momento, ter-me proposto que o escrevesse. “Paulo, por trabalhares as questões do corpo, gostava de falar contigo sobre algo que tem provocado muito sofrimento e tem sido terrível: tenho um forte vício ao sexo.” A conversa foi muito dura e intensa, para lá das três horas. A pessoa precisava desabafar, sem se sentir nem julgada, nem, sobretudo, gozada. É muito fácil entrar com a piadinha fácil. No entanto, diante de mim tinha alguém em profundo sofrimento. Perguntei-lhe se estava a ter acompanhamento. “A vergonha é muita!” Pois, mais uma vez não é tema fácil. Há que ter cuidado para não ir a extremos, ambos perigosos: nem ao conservadorismo que torna o sexo tabu, nem à banalização de uma realidade tão bela da dimensão afectiva do ser humano. “Começámos uma relação aberta, com a possibilidade de conhecer e viver coisas novas. Há quem diga que são os homossexuais que as têm, mas não é assim. O sub-mundo do sexo é assustador e, no meu caso, viciante.” Na actualidade, com o culto do corpo em crescimento, parece que se desperta ainda mais a animalidade sem afecto. 
Ao longo da conversa, fui-me apercebendo de uma grande falta de amor-próprio. 
- Que procuras?, perguntei-lhe. 
- Sentir prazer! [Enquanto falávamos, todo o corpo se contraía, a fechar-se.]
- Pára. Não te mexas. Observa-te. Sente-te. Já viste como estás em total contracção de ti mesmo. Será que te procuras a ti? Ou algo mais forte de ti? 
Fixou-me o olhar, começou a emocionar-se. Assim ficou uns breves minutos.
- Não… sei… quem sou!
Pedi-lhe para se concentrar, respirar com calma e voluntariamente perder a contracção do corpo.  
Depois de um tempo de trabalho em tomar consciência de si, disse-lhe:
- Não és uma pessoa louca, nem sequer a pior do mundo. Tens um vício, para dares o passo de liberdade há que atravessar a vergonha. Não é fácil, mas mais difícil será se continuas como estás, nessa contracção e fechamento de ti. Agradeço-te a confiança, muito mesmo, aqui estou para escutar-te. Parece-me que precisas de ajuda mais especializada. 

Sei que está a tê-la. Também continuamos a conversar. Aos poucos, na escuta que vou vivendo, vou confirmando a grande necessidade que há da educação dos afectos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Ajuda(s)




Ricardo Oliveira Duarte/TSF


São muitos os amigos em aperto, tanto no Funchal, como mais a norte, aqui no Continente. Por eles tenho pensado e rezado. Neste momento, facilmente o emotivismo surge. O que se diz e escreve, para quem não está no terreno, tem de ser muito bem pensado, ainda mais se se cai no risco de julgar decisões de quem lá está. Fora de zona de perigo torna-se fácil decidir com toda a lógica e ponderação. Também devem ouvir-se as declarações ditas em desespero com cuidado, respeito e, claro está, sem julgamentos. Neste momento, há que juntar o máximo de esforços para a ajuda nos locais, tanto a bombeiros que ainda estão a lutar contra as chamas, como às pessoas que ficaram sem as suas casas e locais de trabalho…. e, sim, também sem os seus animais de estimação ou de sobrevivência. Quem está próximo e possa, são sempre bem-vindos bens de primeira necessidade. Para quem está longe e possa ajudar financeiramente, a Cáritas criou uma conta “Cáritas ajuda a Madeira”: 0035 0697 0059 7240130 28, da CGD.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Bombeiros




Reuters


Aos Bombeiros, por este país fora, muito obrigado e muita força. A quem vive o sofrimento pelo drama dos incêndios, um sentido abraço. Neste momento, a minha oração.

Edith Stein - Sta. Teresa Benedita da Cruz




Edith Stein, mulher e santa muito interessante, por quem sinto bastante devoção. Judia de nascimento, ateia por convicção, estudou filosofia. Sendo discípula de Husserl, escreve a sua tese de doutoramento sobre “O problema da empatia”. Mais tarde lê o "Livro da Vida" de Santa Teresa de Ávila. Converte-se ao cristianismo. Baptiza-se e, anos depois, entra no Carmelo, tomando o nome de Teresa Benedita da Cruz. Morre nas câmaras de gás de Auschwitz a 9 de Agosto de 1942. Dos seus “Escritos essenciais”: “Para os cristãos não existem 'humanos estranhos'. O nosso 'próximo' é todo aquele que temos diante e que tem necessidade de nós, e é indiferente que seja nosso parente ou não, que nos caia bem ou nos desgoste, ou que seja 'moralmente digno' de ajuda ou não. O amor de Cristo não conhece limites”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Tempo de maternidade e paternidade




Vivek Prakash/Reuters


Um dos temas a abordar nas próximas homilias de casamentos será o do respeito pelo tempo da maternidade e paternidade dos esposos. Nenhuma vida é totalmente pública. Nem deve de ser. Por isso, não se pode saber o que cada qual está a atravessar. No caso da maternidade e paternidade, há que ter muito respeito e cuidado pela forma como se aborda a questão. “Então, já há tanto tempo casados e nada de filhos?”; “Estamos numa de gozar férias prolongadas como marido e mulher, é?”; “Para quando os filhos?”… estas e outras perguntas do género podem ser extremamente dolorosas. A paternidade e a maternidade não deve ser uma obrigação, mas um caminho de decisão ponderada a dois, nessa entrega de amor. Pode acontecer que seja um tema muito delicado, por algum motivo que, para além de quem eles queiram partilhar, ninguém tem de saber. Quando se pensar em perguntar sobre filhos a um casal que ainda não os tem, que se pense, por respeito e educação, duas ou mais vezes se tal faz sentido. E se não souber que outro tema tratar, o cumprimento, seguido de silêncio, tornam-se sempre uma boa opção.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Transportes [II]


Há dias, num post humorado, publiquei a foto do encontro com os Transportes Paulo Duarte. Tendo em conta os comentários, resolvi escrever-lhes, com a partilha do post, a agradecer o nome da empresa, já que são muitas as pessoas que pensam também em mim quando passam pelos ditos transportes. Tenho a pronta resposta que está na foto. No dia seguinte, pedem-me a morada para uma surpresa. Chegou. Será que o carteiro ficou baralhado com tanto Paulo Duarte? ;) E assim, de forma inesperada, surgem simpatias com piada. :) Obrigado, Transportes Paulo Duarte. O meu abraço! :)

Humanizar a morte




Achintya Guchhait


Ontem jantei entre conversas de anjos. Melhor, com anjos. No meio de tanto, falou-se, em especial, de humanizar a morte. Afinal, conhecemo-nos num encontro de formação sobre cuidados paliativos neo-natais. Há medo de falar da morte, em especial com quem está para partir ou quem está a cuidar. Talvez não se saiba como. Não é tema fácil, nem desejável. Mas atravessa-nos a todos, sem excepção. Exigimos a vida, ou coração a bater, em respiro, para dar aquele tempo de perdoar ou de ser perdoado. Em tanta gente os gritos são silenciosos e nada iguais. Quer-se libertar culpas e dores, mais que físicas, de alma. Não se executam técnicas, apenas, por vezes, são necessários o toque, a presença e nenhuma palavra. Os anjos encontram-se… e ontem partilhámos sobre a humanização da morte, nesse desejo de aproximar quem é cuidado e de quem cuida à Vida.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Infinito




Maria Rita, 
que a tirou e pensou em mim, agradecida pelo que vou partilhando no facebook [e por aqui]


[Secção outros tons]

Silêncio
entre histórias. 
Conduz-me Infinito. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Paz | Esperança




Florien Escoffier
Quando o coração fraqueja, a defesa impele ataques. No entanto, o medo pode ser anulado com a esperança. São tempos em que facilmente se generaliza, impedindo de ver que nem todos partilham de violência. Em Paris tive oportunidade de conhecer o Nassr, Íman. Ficámos amigos. De vez em quando trocamos palavras em orações. Partilhamos a dor sentida em cada atentado. Também a esperança de vivermos a fé no Deus de e da Paz. Ontem, em muitas Igrejas francesas, muçulmanos foram à Missa, prestar a sentida homenagem ao Padre Hemel. 

domingo, 31 de julho de 2016

Em dia de Sto. Inácio de Loiola




Ser jesuíta significa muito. Ao longo destes anos, tenho ouvido o "ah, é jesuíta" como elogio, piada, comentário com algum desdém, acompanhado de perguntas de curiosidade, espanto ou louvor. Talvez por tentarmos viver a indiferença inaciana, acabamos por marcar alguma diferença no modo de ver e estar no mundo. Caracteriza-nos os Exercícios Espirituais que Inácio de Loiola, Santo que hoje celebramos, nos deixou como caminho de encontro com Deus. Ele mesmo viveu este encontro de forma tão intensa, que se apercebeu como poucos da força, subtileza, riqueza, desmontagem, intensidade do mistério da encarnação em Jesus Cristo. Mostrou-nos como a nossa história é chamada a ser lugar de memória agradecida, onde em conversão tudo pode ganhar sentido de crescimento e liberdade, de modo a viver a vontade de Deus no maior amor e serviço. Também por aí o arriscar, nesse cruzar fronteiras de dúvidas, questões, humanidade, podendo passar por caminhos aparentemente desviantes, na busca de Deus em todas as coisas "na Terra tal como o é no Céu." Um abraço e a oração agradecida por todos os jesuítas por esse mundo fora, em especial por aqueles que nos governam: P. José Frazão, Provincial; P. Adolfo Nicolás, Geral; Francisco, Papa.

sábado, 30 de julho de 2016

SIC Notícias




[Secção Informações] Convidaram-me da SIC Notícias a comentar a visita do Papa à Polónia, integrada nas Jornadas Mundiais da Juventude. Lá estarei, no noticiário das 19h. :) 

terça-feira, 26 de julho de 2016

[...]




Pietro Sorano


Estou a orientar Exercícios Espirituais. Tinha a ideia de escrever um post sobre o dia dos avós. Mas um padre foi assassinado em França. Acrescentam-se mais mortes do género pelo mundo. Apetece-me silenciar. Não quero alimentar ódios. Toda a morte incomoda.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Estreia como pregador




Ontem estreei-me como pregador numa romaria: qual P. António Vieira! ;) O sermão teve como tema a misericórdia. Pelo que sei, a minha voz ressoou pelos megafones da festa: “Poooovo de Areias… neste ano de jubileu temos ouvido várias vezes a palavra misericórdia, quase até à exaustão. Provavelmente, poderá haver quem esteja cansado de a ouvir. Pois bem, passemos do ouvir à escuta: a misericórdia não é para se falar, mas para ser vivida!” A partir daí, foi desenvolver três pontos: misericórdia comigo, misericórdia de Deus, misericórdia com os outros. 

1. … comigo
A minha insistência dos últimos tempos: ir ao encontro do amor-próprio, com as luzes e as sombras da existência. Misericórdia tem “cor” a meio, ou seja, tem coração, que deve ser cada vez mais de carne, eliminando todas as pedras que impeçam o diálogo e reflexão que alia emoção e razão. Tanta gente frustrada, que se fecha na sua miséria. Depois, implode ou explode, causando danos, muito deles terríveis, como se tem visto por esse mundo fora. 

2. … de Deus
Tanta falta há de conhecimento de Deus: estereótipos, banalizações, ídolos, muitos ídolos, escondidos em aparentes “santidades” e espiritualismos. É mais fácil estar diante de um deus que nos pede para cumprir, cumprir e cumprir. Recordando, entre outros textos, as parábolas da misericórdia em Lc 15, muito mais difícil é compreender e deixar-se envolver por Deus que ama e deseja o crescimento e a divinização de cada um de nós, convidando-nos a atravessar tudo o que nos impede de Amar.

3. … com os outros
Amar implica muito. Amar, sabendo que tem que ver com o que já disse anteriormente, implica entrega. Jesus, na parábola do juízo final, diz: vinde benditos de meu Pai, porque me deste de comer, de beber, vestiste-me e visitaste-me quando estava preso ou doente. É isso: dar de mim. De nada serve carregar andores ao calor, se não se ama, não se acolhe, não se respeita a diferença. De nada serve organizar romarias, se a vida se pautar por julgamentos e condenações. De nada serve assumir cargos públicos, se o grande interesse é o próprio bolso e não a vida e o crescimento do povo ou da nação. Até mesmo para mim, enquanto padre, de nada me serve celebrar muitas missas, se vivo a minha vida com superioridade e não como serviço.



“Povo de Areias… a misericórdia é para ser vivida. Sejamos capazes de nos deixar envolver pela força do amor de Deus e tornemo-nos nós mesmos amor, ajudando a que este mundo seja cada vez mais espaço de humanidade e divindade!”

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Transportes



[Secção esclarecimentos] O meu voto de pobreza, que não é de miséria, nem de mau gosto, impede-me de ter empresas. ;)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Pessoas no mundo




Alexandros Avramidis/Reuters

[Inicialmente publicado na edição de Julho 2016 da Revista da Misericórdia - Santo Tirso]

Pessoas no Mundo
Milhares vivem refugiadas

Facilmente a poesia pode aparecer no quotidiano. A densidade das palavras abrem para sentimentos, recordações, acontecimentos, em frescura primaveril presente nos versos. Como que se se refugiassem entre a subtileza de estrofes que encantam e até cantam. Esse quotidiano até pode estar afastado de outras histórias que nos chegam através de notícias, interpostas por um ecrã ou folha de jornal. Eles lá, nós cá, sem bem saber que dizer, fazer ou pensar. As terras estão longe e eles trazem-nas tão perto. As águas do Mediterrâneo revelam rostos fugidos de confronto, guerra, morte. Novos ares surgem, com muitas perguntas de todos os lados. Quem são? Humanos em busca de vida, com nomes e histórias concretos. No entanto, há um adjectivo que mais os tem acompanhado: refugiados. 

Desde há três anos que acompanho de perto pessoas refugiadas pelos mais diversos motivos, desde a perseguição política, passando pela religiosa, cultural ou sexual, culminando na social, onde a guerra arrasta milhares e milhares em fuga. Durante a minha formação como jesuíta, passei por Paris. Na comunidade onde estive, integrada no projecto Welcome da JRS (serviço jesuíta aos refugiados), viviam connosco pessoas refugiadas. Com o crescer da confiança, partilhavam as suas histórias. Entre os porquês e os modos de fuga, ia sabendo de famílias, umas assassinadas e outras sem qualquer possibilidade de contactar pelo medo de represálias. Uma vez, ao jantar, falava com o M. sobre o dia. Contava-me como pouco a pouco ia aprendendo o francês:

- Às vezes custa, não é? Sobretudo a relação entre a fonética e a escrita.
- Sim, e os temas de estudo. 
- Como assim?
- Temas como “a casa”, por exemplo. Faz pensar a família.
- Tens conseguido falar com alguém da tua família?
- Não sei nada deles há meses. É preferível que eu desapareça para que eles vivam, ou mantenham a vida possível.

Nas conversas, a emoção mostrava que os sentimentos atravessam toda a humanidade. Nas diferenças no modo de expressar, o coração revela que o amor, o desejo de viver, a vontade de abraçar quem nos é querido, brotam da essência do ser humano. O P. Adolfo Nicolás, Padre Geral dos Jesuítas, comentava numa conferência sobre o drama humanitário das pessoas refugiadas: "Temos que aprender com os refugiados. Perderam tudo, mas não a sua humanidade. Talvez sejamos nós que temos de aprender isso mesmo, a ser mais humanos”.

A humanidade tem a tal poesia do sentir. Da poesia até se pode passar à oração. Foi o que me aconteceu depois de ter escutado todo o relato de onde pode ir o mais anti-poético, nesse negrume de maldade humana, tecida em gestos de tortura. Nessa noite, depois da escuta, senti-me um profundo ingrato. Na oração agradeci, agradeci, agradeci e agradeci. Do pormenor do cheiro a amaciador dos lençóis (ridículo, quase), ao facto de estar vivo. Agradeci a fé e o que ela faz comigo e de a vida, ou a conversão, ou sei lá, me ajudar a ser alguém em quem confiar. Agradeci o poder saborear o silêncio sem ter pesadelos. Agradeci o poder fazer uma crítica sem a ameaça da tortura e da morte. Agradeci o não ter medo, nem vergonha, de pedir abraços quando deles preciso.

A relação transforma. A empatia faz com as histórias se entrelacem, alterando o pensar. São rostos que dialogam, modificando a reflexão, nessa empatia em que a dor e a paz são recebidas mutuamente, em mãos que se apertam. Um dos refugiados com quem costumava conversar veio contar-me uma boa novidade: após mais de um ano a tentar ter cartão de cidadania temporária, este finalmente chegou. A partir dali já podia tratar do processo para que a mulher também pudesse vir. Não a vê pessoalmente há mais de três anos. Foi obrigado a fugir do país pela guerra, por ser jornalista e ter denunciado casos de corrupção e abuso de poder. Outro que viveu a tortura de perto… e de longe, ao se ver obrigado a fugir, deixando a família, a terra, sem saber se poderá voltar. Emocionado e com um grande sorriso, depois de contar a novidade, disse: “Paulo, chegou em tempo de Páscoa. Na minha pouca fé, apercebo-me um bocadinho do que é a ressurreição.” Não consegui dizer nada em resposta, para além do forte abraço que partilhámos.

Passado uns tempos comenta: “A minha mulher está quase a chegar!” Os olhos brilhavam com uma ternura impressionante. Havia o tremer de lábios e de palavras em dizê-lo, afinal são mais de três anos de separação forçada. O Poder, em especial político, insiste em fazer mal. “Já preparaste o reencontro?” Respondeu-me: “Nem sei. Passa-me tanto pela cabeça e pelo coração. Vou levar um ramo de flores, como ela gosta. Depois, só queremos ficar abraçados.” Tempo depois, o S. telefona-me e vai lá a casa. Deu-se encontro entre nós. Não vinha sozinho. A mulher acompanhava-o. Depois de grande batalha burocrática, tinha chegado há dois meses. Pouco-a-pouco instalam-se nesse reencontro, ainda com medo com o que se pode passar com os que lá ficam. Mesmo vivendo este fantasma, toda a conversa foi à volta da esperança… e nada forçada, pelo contrário, transparecia no rosto. Que abraço bom demos todos.

Torna-se claro que penso muito na humanidade. Talvez seja das palavras que me acompanha muito frequentemente em léxico. Não a quero gastar com o uso, tornando-a quase banal. Simplesmente quero enaltecer o profundo sentido do que é ser humano, também concebido em cultura que cruza a humanidade condicionando o modo de pensar e de viver. É difícil, para não dizer impossível, alcançar a pura neutralidade. Questões de crenças tocam todos os âmbitos. Ser humano é ser crente. E não vale a pena fugir disto. Os tipos de crenças é que podem variar: do desportivo ao religioso, sem esquecer o político, elas pairam na vida de cada um. Somos cultura, somos crença… e somos relação, que nos ajuda a perceber a riqueza da humanidade na sua diversidade. Pelo que já escrevi, marca-me muito a chegada de tanta gente, como cada um de nós, por mar, atravessando arames farpados, de culturas diferentes. Apenas buscam viver… nem é viver melhor, apenas viver. Ficar-se neutro é impossível, já não o é optar entre o medo ou a confiança na altura de falar no auxílio a todas estas pessoas. Continuo a acreditar que, para além das crenças todas, possa crescer a de um mundo melhor. Para que tal aconteça, passa por acolher, e não expulsar, em especial quem quer, depois de tanto sofrimento, simplesmente viver.
  

E a vida, como se vê, reveste-se de poesia. Tanto fala de amor, de beleza, como também grita pela justiça e misericórdia por aqueles de longe que estão aqui perto. “Vemos, ouvimos e lemos. Não podemos ignorar”, disse-nos Sophia de Mello Breyner. Os rostos deles são os nossos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Formação sobre Corpo




Teresa lamas Serra


Mais uma formação dada sobre corpo. Desta vez para educadores daqui da escola. Uma primeira parte um pouco mais teórica, também com o filme Baraka para abrir perspectivas. Depois, movimento habitado por cada pessoa. A ideia base era conhecer(-se) em corpo e em relação, saindo do convencional, também com fortes pinceladas sobre fé e teologia. Exercícios simples, promovendo a consciência do corpo que se é, independentemente de como se é. É-se e ponto. Encontrar a limpidez do respirar, que não é tão óbvio como parece, e da posição que recorda a força da dignidade. Para terminar, um diálogo de gestos, pondo de lado julgamentos… despertando gargalhadas. Foi pedido o módulo II.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Questões




José Hernán Cibils

Este fim-de-semana foi muito cheio: dois casamentos abençoados, a Missa Nova de um companheiro, uma festa de finalistas, um baptismo, um jantar de reencontro, onde em tudo houve muito boas conversas. Sinto-me, em muitos momentos, cada vez mais em escuta. Surgem os comentários sobre Igreja, fé, Deus, mundo, mais ou menos típicos, alguns bastante pertinentes, em especial quando há partilha a partir de exemplos pessoais. Aumenta em mim a percepção desta transformação do mundo mais acentuada, provocando ou adensando questões. Partilho algumas. Como me vejo no mundo de hoje, na sociedade concreta? Como me formo e informo para além das redes sociais e de opiniões soltas, nos mais variados temas, em particular nos que não domino? Como relaciono a emoção e a razão nas minhas reflexões? Estou disposto a conhecer-me em profundidade sobre os dons, talentos, qualidades e capacidades, pondo-os a render, tomando consciência da minha importância no mundo? Percebo quais são os momentos em que tenho de diluir a minha opinião ou acção e dá-la ou pôr em prática quando faz realmente sentido? Como vivo o agradecimento na minha vida? As conversas ajudam-me muito nas reflexões seguintes. Continuo em escuta.


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Silêncio




Beamie Young

[Secção outros tons] 

Silêncio.
De longe tão perto, os sinos anunciam vidas ceifadas.
Os rostos clamam por paz.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Inferno | Vida




Konstka Lincola

- Como atravessamos o inferno, P. Paulo? Diga-me?
Foi numa daquelas conversas em que senti as entranhas revolverem. As perguntas surgiram em grito, com muitas lágrimas a acompanhar. Eram muitas as ataduras que envolviam a pessoa, que já acompanho há algum tempo, numa história marcada por rejeição, culpa, violência... tudo num silêncio sufocante.
- Dê-me a mão.
Pusemo-nos de pé.
- A quem e como gostaria de dizer o que conta? Ou, melhor, o que gostaria de fazer a essas pessoas?
Estranhou as perguntas. 
- Obviamente que o vai fazer aqui, em local protegido, com alguém que não vai julgar os gestos ou as palavras, é para ficar neste espaço. O sofrimento está aí a latejar para sair. Todo o corpo fala, preparando-se para libertar pesos antigos. Que dizem essas mãos? Esses pés? 
Emocionei-me ao ver como aos poucos deixava-se falar em corpo da raiva contida. Foram uns largos minutos de luta. Apesar da exaustão, esboçou um tímido sorriso.
- É isto atravessar o inferno?
- Não... Há muito que o atravessava e estava a apoderar-se de si. Já era tempo de começar a sair dele. Não se fique pelo vislumbre da porta. Como sabe, houve muito caminho prévio e ainda há outro tanto a fazer. 
- E Deus?
Apontei para a pintura de Cristo na cruz que tenho no gabinete.
- Deus faz caminho consigo. 
Já à noite, recebo uma mensagem: "P. Paulo, a vida vale a pena!" 
E agradeci.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Feridas




Will Strathmann


As feridas. Não tanto as de pequenas brincadeiras em aventuras pelos bosques, mas as de alma. Essas têm de ser especialmente curadas com muita atenção, respeito e cuidado. Infelizmente, há tantas, mas tantas, que acabam por ser abafadas no orgulho, medo, vergonha, idealismos, moralismos, e vão minando a própria pessoa, como as relações que vive ou estabelece. São muitas, demasiadas, pessoas feridas em sofrimento, projectando-se em mau-humor, irritabilidade, falta de paciência, intelectualismos, julgamentos, etc. Curar essas feridas de alma é doloroso, não podendo ser feito de qualquer forma. Dar o passo no pedido de ajuda, ou admitir para si mesmo a necessidade desse caminho de cura, em especial da memória, será muito libertador.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Fé... e fim de vencedores e vencidos




Martin Bagg


[Secção pensamento solto sobre a fé nestes dias] Reparo que tem surpreendido a muita gente a fé de Fernando Santos. Ou, pelo menos, a forma natural como fala dela. Destacou-se que agradeceu a sabedoria que Deus lhe dá, devolvendo-Lhe a dádiva de glória. Poder-se-á deduzir que Deus ajudou Portugal a ganhar o Euro. Sempre me fez confusão estes aparentes favoritismos divinos. Deus, não impondo, dá em igual os dons que cada qual, por esse mundo fora, necessita para humanizar a criação. A questão reside na liberdade que temos, nessa disposição de aceitá-los ou não. Quando se chegar a tempos em que todos aceitemos e percebamos a Vida da divindade para cada ser humano, em especial no amor e misericórdia, deixará de haver vencedores e vencidos.

domingo, 10 de julho de 2016

PORTUGAL




Tirei-a em Paris, no dia 10 de Junho e hoje faz sentido republicá-la. Portugal | UNESCO | Celebração

[Secção CELEBRAR] Não ligo muito ao futebol, mas se há coisa que me mexe as entranhas é a injustiça, seja onde for. E foi enervante. No entanto, a verdade, a honra e a justiça ganharam através de nós, portugueses. Com a vitória do Euro em conjunto com as medalhas no atletismo, o dia transforma-se em universalmente português. VIVA Portugal!

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Vi-o a rezar.







Passei e vi-o a rezar. Imaginei alguém que, depois de mergulhar às profundezas de si, regressa, observa, deixa-se estar, ao seu ritmo, em escuta de novos tempos. A conversão é um nascer de novo.

domingo, 3 de julho de 2016

N.ª Sra. de Sheshua






No hospital da Madalena, onde Sto. Inácio esteve alojado quando regressou à sua terra no tempo em que estudava em Paris, há uma pequena imagem de N.ª Sra. de Sheshua, vinda da zona de Saigão, que os jesuítas usavam para evangelizar. Ao vê-la, agradeci a diversidade de olhares para a mesma realidade, que tem em conta a cultura local e mostra como a religiosidade conjuga o universal e o particular. Os jesuítas perceberam desde logo a importância da inculturação no anúncio do Evangelho. Teologicamente tem que ver com o Mistério da Encarnação. Deus que se faz próximo, que não impõe, mas a partir do concreto que muda, transforma e altera-se nos tempos e espaços, propõe sempre uma visão de “amar o próximo como a si mesmo”, em jeito de criança de respira e vive alegria nos braços da sua mãe.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Viagens e recordações





Entre viagens, passeios em Madrid, molhas-surpresa com garrafas de água, gritos nas montanhas-russas ("é a loucura, é o delírio") e golos de Portugal, houve uma pequena paragem para uma foto de grupo com grande parte da minha direcção de turma. Apesar da vergonha inicial, tão típica da adolescência, lá os convenci a tirar esta foto maravilhosa. Foi uma despedida em grande, com muito "brio profissional". Entretanto, já estou em Loiola, no País Basco, com outro grupo, em Caravana. É non-stop, esta vida de padre!!! ;)


terça-feira, 28 de junho de 2016

Há um ano




Esta foto foi tirada há precisamente um ano. Foi a última, de muitas, que tirei à Torre, quando estava a regressar a casa para terminar de fazer as malas e arrumar o quarto. Tanto aconteceu desde há um ano, nesse regresso a Portugal depois de 5 anos fora a estudar. Há pouco, na Missa, recordava bem esse dia carregado de emoção. As despedidas são sempre estranhas, junto com a vontade de (re)encontros. Também a chegada à nova Missão, no conhecer tantas pessoas que se foram tornando importantes. A vida de jesuíta tem este quê de partir, chegar, re-partir e… o coração vai-se enchendo de pessoas, histórias, amizades e conversões. E, amanhã, em dia de S. Pedro e S. Paulo, nesse aniversário de regresso, viajo em visita de estudo até Madrid e depois, com outro grupo da escola, sigo para Loiola e Xavier. É isso, partir, chegar, re-partir…