quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Fechado para Campo



[Fechado para Campo de Férias] Os próximos 10 dias serão de animação de 42 participantes. Entre jogos e banhos de rio, juntando teatro, dança e momentos de silêncio e reflexão, haja Vida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Auto-retrato



[Auto-retrato com pensamento solto em dia da Assunção de Maria] A água estava cristalina, em temperatura que pede, tal como as reflexões de vida, calma a entrar. Observei o entrecruzar de luz e de sombra provocado pelas suaves ondas. Vi a minha própria sombra a desvanecer-se entre as luzes. Tal como o pensamento. Pensar exige fluidez de luz e sombra, onde se misturam a dúvida e a clarividência de resposta. Ainda assim, no cauto coração aberto a receber a possível nova perspectiva que humanize. No dia de hoje, surgem as palavras de Maria, em momento de agitação: Faça-se. A Palavra naquele caso, evocando a voz divina que soou pela primeira vez a criar a Luz. Logo de seguida, no desconhecido dos primeiros tempos calcorreou montes e confirmando a fertilidade de Isabel grita os poderosos derrotados e os humildes exaltados. O poder que aniquila será sempre sombrio. Somente os que se atrevem a conhecer a profundidade do húmus interno, pessoal, feito carne, perceberão a luz que emana do respeito, do amor e da misericórdia. E isso pede tempo e silêncio, também a contemplar a sombra desvanecer-se na luz.

domingo, 12 de agosto de 2018

Ajuda Monchique




Jornal Barlavento

[Secção Solidariedade - Monchique] O fogo passou. Agora é tempo de, na medida das possibilidades de cada um(a), ajudar muitas pessoas que perderam muito, praticamente tudo ou mesmo tudo. Ao longo da última semana fui testemunha de como a sociedade civil, em particular a portimonense, viveu total entrega nos bastidores de apoio a todos os que combatiam o fogo e de acompanhamento das pessoas evacuadas. Para mim não é novidade pelo que conheço dos “meus” alunos, no entanto, é sempre bom de salientar a força do empenho da “malta nova”. Escuteiros, membros de grupos de jovens, filhos e filhas de voluntários(as) adultos(as) estiveram a dar o seu melhor em tudo o que havia para fazer nesse apoio aos bombeiros. E isso, pelo que sei, continua no Centro de Apoio Monchique que centraliza toda a ajuda a dar a quem mais precisa. Aconselho a passar por lá ou pelo site e ver as ajudas necessárias: www.ajudamonchique.com 

O Corpo e Deus




[Momento orgulho] Já saiu há dias, estando eu de retiro. Mas agora, a retornar a alguma calma depois de dias cheios, partilho imagem com a minha primeira publicação de um artigo teológico na mais antiga e reconhecida revista italiana “La Civiltà Cattolica”: “O Corpo e Deus”: https://www.laciviltacattolica.it/articolo/il-corpo-e-dio/

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

É tempo de acompanhar.



Pedro Nunes/Reuters

[Secção pensamentos soltos] É difícil escrever dentro da complexidade do que acontece ante um incêndio de grandes dimensões. Rapidamente exigem-se responsabilidades, apontando dedos e acusações. Ao mesmo tempo, dá-se o louvor e a gratidão a quem está no terreno a apagar o fogo. Entrecruzam-se ainda as críticas, os comentários, “fez”-“não fez”, “disse”-“não disse”, etc. etc. etc. O diálogo entre a razão e a emoção difere muito dependendo de quem e de como se está a viver a situação: para muitos é “uma” casa, para os que estão em vias de a perder é “a” casa; para muitos é “um” animal, para quem sempre viveu com eles como sustento ou companhia, são “os” animais; para muitos, estando a centenas de metros ou quilómetros, sem qualquer relação afectiva directa, é relativamente simples comentar com racionalidade e “ponderação” o que se está a viver; para quem está a escassos metros, sem bombeiros à vista, a adrenalina diminui bastante a capacidade de pensar, entrando-se em reacção de sobrevivência que, sim, pode significar querer salvar “a” casa, ou seja “a” vida. Será necessária distância para agradecer as evacuações forçadas, mesmo com ameaça de acusação de “desobediência civil”. Tal como a outra distância igualmente necessária para se perceber que a vida, sem ser no sentido puramente biológico, não se reconstrói no simples “a vida continua” quando se perde tudo. É precisa ajuda material e humana, nesse sarar feridas físicas e de alma. A Serra perdeu vida. Muitas e muitas pessoas perderam vida. Talvez com exagero, reconheço, todos perdemos vida em cada incêndio. Percebe-se a importância de cuidar. E, não, não é só das florestas, mas também da linguagem e uns dos outros. Para milhares, a vida continua… e já está. No entanto, muitas pessoas entraram em luto. É tempo de acompanhar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Paz




[Secção muito breves pensamentos soltos] Nestes últimos dias, na minha oração também em serviço, tenho recordado este parágrafo do livro “Etty Hillesum” de Frei Michaeldavide, pelas edições Paulinas. Li-o durante os Exercícios Espirituais. Tirei a foto, mas não registei a página. O parágrafo são palavras de Etty no seu Diário. Sim, fazem-me muito eco nestes dias, com tudo a acontecer na nossa Serra de Monchique e arredores. 

domingo, 29 de julho de 2018

Fechado para balanço




Álvaro Roquette

[Secção “fechado para balanço”] No final do dia começo os meus Exercícios Espirituais, depois terei uns dias de descanso. Estarei mais ausente destes lados. Será tempo de silêncio, deixar-me estar de pés em terra a recordar o tanto vivido nos últimos tempos e em “Reforma de Vida”, como propõe Santo Inácio, pôr o coração à escuta de Deus sobre os caminhos de futuro. Fica a certeza da minha oração em abecedário e assim recordar todas as pessoas com quem me cruzo real e virtualmente. Um abraço e até breve.

Boas recordações



[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Foi há precisamente um ano e a primeira vez que abençoei o casamento de um antigo aluno. Haja vida!

sábado, 28 de julho de 2018

Breve oração



[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te a luz,
fazendo transparecer os pormenores de beleza
em todo o lugar.

Peço-Te,
ajuda-me a aprofundar
o olhar atento à luz 
presente em cada pessoa.


terça-feira, 24 de julho de 2018

Arco-íris



[Secção pensamentos soltos] Enquanto passeava reparei no regador de relva. Pulverizava água que, ao passar a luz do sol, abria-se em expansão de cores. Fiquei a pensar numa possível metáfora: estando nós cheios de tanto, com a nossa história e  com aprendizagens nas muitas dimensões que nos constituem, se nos permitirmos sair, deixar iluminar, enquanto pulverizamos os outros de respeito, de escuta, de sentido, então há expansão de encontro, de compreensão e vida na imensa diversidade de realidades que não são (nem têm de ser) iguais a mim. É curioso: um dos símbolos da Paz é o arco-íris. Afinal, recorda o Arco da Aliança entre Deus e a diversidade da humanidade. 

P. Nuno Gonçalves condecorado




Presidência da República

[Secção jesuítas-on-fire] O P. Nuno Gonçalves, actualmente reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana - Roma, foi condecorado, por Marcelo Rebelo de Sousa, Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada, que distingue o mérito literário, científico e artístico. O P. Nuno nos agradecimentos, além de reconhecer a importância da família e de fazer memória dos jesuítas condecorados, salientou que a condecoração estende-se a toda a Companhia de Jesus, já que da mesma recebeu todas as missões confiadas, em especial em instituições educativas, tal como o Instituto Nun’Álvres - Colégio das Caldinhas. Parabéns ao P. Nuno! Parabéns à Companhia de Jesus!

Mais sobre o P. Nuno Gonçalves e a condecoração:




Ele anda por aí



Carla Cardoso


[Secção “Deus como Tu”] Ele anda aí pelo quotidiano, em viagem de metro. Obrigado, Carla, por partilhares.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

límpido fio




Pablo Sala Santamans


[Secção outros tons] 

o límpido fio de água,
em estival silêncio,

desvela os sedentos 

Sapatos e desenvolvimento




Yannis Behrakis/Reuters


[Secção pensamentos soltos pela manhã] Estava a ver um vídeo a apresentar sapatos que aumentam de tamanho, “óptimos para crianças de países em desenvolvimento”. Parei nesse “óptimos” e restante ideia. Esta coisa de separação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento é algo social, político e, sobretudo, económico. Uns são ricos e outros pobres. Em quê? Nos tais países desenvolvidos, nos quais Portugal se inclui, entende-se que temos todas as condições, ao ponto de não precisarmos de “sapatos que aumentam de tamanho”. Mas, estará desenvolvida a maturidade? Subtilmente há a exigência de que as crianças e os adolescentes sejam perfeitos, imaculados, “adultos em miniatura”, portanto. Enquanto os adultos, na possibilidade de terem tudo (já que estamos em países desenvolvidos), vivem no emotivismo opinativo, relacional, profissional, como se atravessassem, ou atravessando mesmo, uma adolescência tardia. Os nossos alicerces assentam nessa lógica da posse como forma de desenvolvimento e superioridade económica, derivando para a moral. Tenho para mim que o desenvolvimento essencial a ser vivido tem que ver com o do respeito por si próprio e pelo outro. Isso permite que a maturidade se apresente nos tempos certos, onde as distintas dimensões que nos caracterizam estão ajustadas. Duas ou mais crianças brincarão, com ou sem sapatos, sem julgamentos de superioridade. E os adultos evoluem, não pela posse de algo ou a querer replicar o que não viveram, com sentido de igualdade na dignidade, eliminando separações e contribuindo para um mundo mais justo. Independentemente dos sapatos, que sejamos capazes de fazer caminho de respeito pelo próximo.

domingo, 22 de julho de 2018

Noivos pacificadores



[Coisas na vida de um padre] Chegam boas recordações de dias felizes. Ainda mais hoje, quando recordamos a força do olhar de Jesus que se compadece e convida a dar vida, ensinando a importância da Paz. Os casamentos também são esta oportunidade de encontro, onde os noivos/esposos são convidados a serem, em amor consagrado, pacificadores.

sábado, 21 de julho de 2018

Breve oração em dia de casamento



[Breve oração na noite de um dia cheio, com casamento e boas conversas na festa do casamento]

Agradeço-Te 
a beleza dos sorrisos 
de quem ama e de quem se deixa amar.

Peço-Te,
ajuda-me a contribuir para

que o amor seja sempre luz entre amantes.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Divagações em nevoeiro



[Secção divagações em manhã de nevoeiro] Das maiores dificuldades da Vida é o ser-se verdadeiro. Antes de mais, consigo mesmo, depois vem o acréscimo com os outros. A honestidade de alma é deixar-se entrar no mistério em tal profundidade, mesmo com risco de nos perdermos, permitindo a entrada de Luz. Não será isso a fé? Esse abandono ao invisível, com possibilidade de perda que abre novos caminhos? Enfrentam-se os medos e os bloqueios que impedem o canal da Vida, entrando pelas brumas. É assim que se dissipam. Dando nome, sem vergonha, sem nojo, sem moralismo, apenas nomear o que é. E o mistério revela-se. Em passo que abranda e respeita os tempos da Verdade a tocar e a amar, levando à conversão de Ser sem ruídos, em limpidez divina.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Breve oração




[Breve oração ao anoitecer]

Agradeço-Te 
a normalidade do quotidiano, 
sem grandes espectáculos ou acontecimentos.

Peço-Te,
ajuda-me a saber esperar o extraordinário, 

no silêncio que traz novidade. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Olhar o alto




Tiago Madeira

[Coisas na vida de um padre] Hoje, em conversa boa com outros padres, recordava algo forte do nosso poder de “ligar e desligar o céu e a terra”. Olhando para o alto (e na foto olho a torre da igreja onde celebrei mais um bonito casamento, cheio de vida), percebo a pequenez e o imenso de tudo. Depois, é respirar a beleza envolvente e, com responsabilidade, usar esse poder no contributo da autêntica relação com Deus.

domingo, 15 de julho de 2018

Confiança de Deus



Xin Liu/Reuters

[Secção pensamentos soltos] Depois de um dia cheio, chego a casa e vejo a mensagem que o Josep, um amigo beneditino de Montserrat, me enviou: “enquanto o medo é o pai de todos os muros, a confiança é a mãe de todas as pontes”. Se a tivesse lido antes das Missas, teria citado nas homilias, já que o centro do que preguei foi a confiança que Deus tem em nós. Cada vez fico mais fascinado com isso. Às vezes podemos ficar perdidos com a falta de confiança que algumas pessoas importantes podem ter em relação a nós (quantas vezes isso me acontece!), mas depois, pensar que A pessoa mais importante, Deus, é quem mais confia em mim, em nós. O desafio cresce, já que a partir daqui só podemos dar graças, descobrir e afastar os medos, pondo os talentos a render, construindo pontes de Vida.

sábado, 14 de julho de 2018

Beleza do contraste



[Sem muitas palavras, apenas a beleza do contraste em olhar para o alto] E assim termina o dia, em gratidão e silêncio.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Partilhas




Mãos do Pedro a folhear o livro por Francisco Dinis

[Secção “Deus como Tu”] Ontem foi a apresentação no Creu. A conversa-tertúlia com Marta Vaz e Pedro Nogueira encheu-se de vida e partilha. Sinto-me muito agradecido pelo Bem que o livro está a despertar. Quando autografava, alguém que conheci naquele momento segredou-me: “vejo Deus pela primeira vez nestas palavras”. Ele continua por aí em voos e leituras.



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Mais, sempre mais.



[Secção Caravana 2018] O silêncio, a animação, a escrita, a partilha, a celebração, o serviço, o deixar-se guiar e confiar abrem Infinito. O regresso traz novidade. São voos do Espírito a dar asas. É tempo de voltar e ser mais... sempre mais.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Amar, dar-se



[Secção Caravana 2018] O exercício do Amor, de Amar, implica dar-se. Em grandes ou pequenos gestos, sem comparações, apenas pela força da verdade, da autenticidade, diante do Senhor que não se cansa de dizer: “preciso de ti para que o Amor se espalhe, em humanidade que acolhe”. É o envio do Sorriso que, apesar de toda a escuridão que exista no mundo, não se cansa de ver, como naquele 6.º dia da Criação, a beleza e luz que existe na Humanidade.

4 anos de Padre



[4 anos de padre] Na passagem do Evangelho de hoje, Jesus diz a um paralítico: “levanta-te e anda”. Que certeiro para o sentido de “ser padre” como reconciliador e dador de vida.

"Inspiração para uma vida mágica"



[Coisas na vida de um padre] Estive à conversa com Mikaela Övén para o Podcast “Inspiração para uma vida mágica”. Achei piada quando me disse que publicariam hoje, dia em que celebro 4 anos de padre. 



quarta-feira, 4 de julho de 2018

De Loiola a Xavier



[Secção Caravana 2018] De Loiola a Xavier. O “quem sou” desvela aos poucos o “que sou chamado e posso fazer por um Mundo melhor”. Deus convida-nos, tal como Ele, a sair. Francisco Xavier, na amizade com Inácio de Loyola, abre o coração a Cristo e vai longe. Deixa de haver muralhas e fronteiras, sobretudo para Deus, e abre-se a confiança na Missão de Amar.

Oração



[Secção Caravana 2018] O silêncio desperta oração. É a fluidez da certeza de que tudo pode ser falado diante de Deus.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A fé vive em Corpo



Luís Onofre,sj

[Secção Caravana 2018] A fé vive em Corpo. Através dos sentidos, o toque complementa a visão. “Ver para crer” diz Tomé. Jesus pede-lhe que toque as marcas da história. E de noite, a recordar o Apóstolo Tomé, celebrámos Missa na Capela da Conversão, onde Inácio, em convalescença, deixou-se habitar por Deus. Ao visitar quem sou, deixo-me visitar por quem quer unicamente que Viva e Ame.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Entrar na história pessoal



[Secção Caravana 2018] Atrevo-me a entrar na minha história. Quem sou? Quem é Deus para mim? Que sonhos tenho? Que lado escuro meu ou da vida não quero ver, conhecer ou atravessar? Por não conseguir. Por não ser o tempo. Por, com toda a autenticidade, perceber que estou em caminho de conversão... e, no silêncio, igualmente perceber que ajuda pedir para seguir os passos de Liberdade.

domingo, 1 de julho de 2018

Caravana 2018




[Secção Caravana 2018] Chegámos a Loiola. Terra fundamental para nós jesuítas. Iñigo descobre encontro com Deus. O mesmo que vamos propor a 47 alunos do 11.° ano dos nossos Colégios em Portugal. Toda a nossa vida é feita de histórias pessoal e comunitária. O convite é aprofundá-las e perceber que posso fazer por Cristo na colaboração com Ele para contribuir para um mundo melhor.

sábado, 30 de junho de 2018

Amor. Amar.



[Secção pensamentos soltos] A definição divina de Deus amor, presente em S. João, não é uma intelectualização mas o recordar de acção, de dinamismo, de saída e abertura desinteressada de coração ante a realidade circundante. Os gestos de cuidar, de respeitar, de acolher, tanto a si mesmo como ao próximo são acções que libertam o amor do etéreo e tornam-no presença, corpo, carne, transformando a realidade. E a realidade, o mundo, as pessoas, ao jeito de cada dia da criação, precisam ser amados para viverem o sentido para que são criados. Que gestos de amor sou chamado(a) a viver hoje?

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Infinito




[Secção pensamentos soltos] Há dois azuis que me abrem o pensamento: o de céu e o de mar. Ambos trazem a sensação de infinito. Fico a contemplar o tempo que posso, nesse desejo de abertura de Infinito em mim. As nuvens apenas recordam que nem tudo pode ser já, de forma instantânea. O Infinito, para além do gosto que cada um possa ter dele, tem de ser integrado com o calmo ritmo do crescimento. Forçando-o, corre-se o risco de desnorte. A sabedoria reside também no aprender a contemplar. Olhar o Infinito tem o segredo de deixar-se questionar de modo a pôr-se em caminho de aprendizagem. E o caminho também tem paragem e silêncio, e assim tomar consciência do calmo ritmo do crescimento de encontro. 

domingo, 24 de junho de 2018

Profetas



Parivel Veerasamy

[Secção pensamentos soltos em dia de S. João Baptista] A liturgia para este dia, a ilustrar a força e importância de João Baptista, recorda-nos dois profetas: Jeremias e Isaías. Em ambos, recorda-se que Deus conhece-nos desde o ventre materno e que nos chama em colaboração para a denúncia da injustiça e o anúncio da verdade. Jeremias foi perseguido por falar em nome de Deus. Há passagens muitos fortes do seu desespero de entranhas pelo modo como o querem (des)tratar, chegando a pôr em causa a sua vocação. O próprio João Baptista tem palavras duríssimas diante dos que se acham superiores a seja quem for. Morreu decapitado. O desafio mais forte da profecia é mesmo a denúncia da injustiça. A falta de verdade, em especial de quem se encontra fechado no seu mundo (seja ele social, político, religioso e/ou espiritual), faz muito mal. Ficando-me no religioso e espiritual por conhecer melhor, recordo duas perguntas de uma conversa de há dias:
- P. Paulo, tendo a Igreja como fundamento Deus de Amor, o próprio Cristo que não faz acepção de pessoas, como é que ainda há tanto mal, como intrigas, maledicências, hipocrisias, no seu seio? Valerá a pena ir à Missa?
- Indo à segunda pergunta: sim, vale sempre a pena viver a Missa. Se o fazemos, com o sentido profundo de deixar-me transformar por Deus, então, saio sempre de coração renovado. Quanto à primeira pergunta. Parece-me que se confunde muito espiritualidade com espiritualismo, onde se fica fechado a uma visão das coisas, esquecendo que absoluto é apenas Deus e Ele, quer queiramos, quer não, é Mistério, não se confinando à visão redutora humana. Perceber que cada pessoa é dom, dentro da sua diferença, com os seus limites e capacidade, por vezes é difícil. Sobretudo por quem adquiriu um estatuto de aparente espiritualidade, elevando-se, infelizmente, acima de outros. É mais fácil uma projecção de modelos fechados de espiritualismo. Abusa-se de linguagem espiritual como se essa fosse garante de ser espiritual. O nosso Padre Geral numa carta sobre discernimento falou mesmo de usar-se uma “linguagem inaciana correcta” para justificar decisões que poderão nada ter que ver com o Espírito. E aí pode fazer-se muito mal. Se há remédio para isto? Há. Já os Padres da Igreja, no início do Cristianismo falavam de “remédios para os males espirituais”. Se cada um de nós, em oração que atravessa as sombras pessoais para além de apontar as falhas dos outros, fizesse o exercício de amor próprio, com o profundo respeito pela diferença, à semelhança de Cristo, talvez esse “mal de Igreja” começasse a ser atenuado. Mas isto é demasiado exigente. Os profetas viveram esta exigência, ao perceberem que esse amor de Deus, desde as entranhas, significa um profundo compromisso com a verdade que liberta de infantilismos espirituais e ajuda a crescer no sentido de amor ao próximo.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer e recordar no amanhecer]

Agradeço-Te os afectos, 
nessa possibilidade de dizer “gosto muito de ti” 
sem medo.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Psicoterapia



[Secção pensamentos soltos a partir de “Deus como Tu”] A experiência de receber os comentários sobre a leitura do livro está a ser de grande agradecimento. Desde o comentário mais amplo “estou a gostar muito”, ao mais particular “esta página têm mesmo o que precisava ler”. Uma página em concreto é a 76. Recordo que já tinha tido impacto quando partilhei por aqui e no blogue. Agora, continua a ser a que mais me têm agradecido de forma particular. A saúde mental infelizmente ainda é considerada “coisa menor”. Sem sentido de menosprezo, tornou-se mais simpático ter um(a) “coach”. Já fazer psicoterapia, no seu sentido tradicional, com um psicólogo ou um psiquiatra, ainda é algo mais ou menos a esconder, como se a pessoa se tornasse inferior. Apercebi-me de que na vida religiosa, seja, seminaristas, religiosos(as) em formação, padres, freiras, leigos muito devotos, então, ui, nem se fala. Conta-se quase única e exclusivamente com a ajuda do Altíssimo. E, como já ouvi dizer, “se precisas, é porque rezas pouco!” Precisamente porque se reza a vida em profunda verdade, percebe-se a sabedoria de Deus que nos ajuda a compreender a complexidade humana, com as suas feridas exteriores e interiores, e que em nós pode haver necessidade de conjugar oração e acompanhamento terapêutico. E um caminho de acompanhamento bem feito, em confiança e autenticidade, só traz ganhos… também à fé. 

domingo, 17 de junho de 2018

Somente a Luz.



[Secção pensamentos soltos antes de adormecer] A fotografia é um jogo de luz e sombras. A imagem resulta dessa marca do instante luminoso e sombrio. Nela pode-se imaginar uma história ou ficar pelo silêncio da paragem, sem muito mais, contemplando as luzes e sombras do dia, da vida, das decisões, do sentir. Daqui a pouco, no clique do candeeiro tudo ficará escuro. Os instantes iluminar-se-ão pela memória e pelo sonho. Fica a certeza de que nenhuma escuridão é absoluta. Somente a Luz.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Breve gesto



[Breve gesto em oração ao amanhecer]

Abro os braços em respiração profunda, permitindo o ar circular em cada possibilidade de encontro de dom e de ferida. Fecho os olhos. Contemplo o horizonte em mim e o muito a descobrir nos outros. Respiro novamente a certeza de ser amado e libertar-me do que me impede de amar. Sigo caminho no novo dia.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Em abraço, ao Tomás.




Chego do funeral do Tomás. Caminhei, passei e estive pelo bosque em pôr-do-sol, buscando silêncio. Nesse silêncio, o coração ainda assim agitava-se em palavras, enquanto recordava os rostos dos pais, irmão, namorada, familiares e tantos, tantos, amigos na Igreja. Não sei se as deveria escrever e publicar. No entanto, mais forte que a dúvida, fico a pensar em muitos outros e outras que passam pela ainda tão incompreendida depressão. Desde o altar, observava os rostos, muitos de idade próxima do Tomás, outros tantos da dos pais, e lia as muitas perguntas que, na profunda tristeza, pairavam pelos pensamentos. É a forte sensação de ser impossível de compreender como alguém de sorriso sereno, disponível, pronto para ajudar, parte daquele modo. Uma ou outra vez ouvi “não aguentou a extrema bondade que ele mesmo era”. No mundo que nos obriga à insensibilidade, à brusquidão, a olhar mais para a sombra que para a luz, detendo-se em coisas pequeninas de tremendas faltas de respeito, onde parece que deixa de haver espaço para o Bom, inevitavelmente surgem perguntas interiores sobre se se é digno de viver. A vida do Tomás não foi em vão. A sua passagem, ainda que dura, também não pode ser. A sua bondade, a sua luz, neste momento de muitas perguntas, são a afirmação de que temos de estar atentos à luz e bondade que somos. Os bons de coração, em profunda sensibilidade, devem sentir que nem estão sós, nem para nada estão a mais. Tomás, nesse abraço divino que recebes, agradecido pelo Bem que eras e deste, continua a irradiar luz, em especial para a tua mãe, pai, irmão, namorada e todos os que te são mais próximos. Atrevo-me a pedir-te também que irradies luz para todos aqueles que possam sentir o que sentiste, percebendo que, na sua bondade e sentir, não estão sós.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te a escuta, em grito ou silêncio, do desejo de viver para além de preconceitos ou dedos apontados, ou ainda de medos por reconhecer e contar.

Peço-Te, ajuda-me a impedir a que qualquer medo tenha a última palavra... e a tornar-me simples como a flor ao amanhecer.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

"Jesus na tradição sufi"



[Secção boas leituras] “Jesus na tradição sufi” de Faouzi Skali, p. 38. É impressionante como a religião, entendida no melhor do seu sentido, é abertura para tantos bons encontros. Tanto a descobrir, para além de preconceitos e rápidos julgamentos. Repito-me, sei, mas é tão fundamental parar e dialogar.

domingo, 10 de junho de 2018