quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Pousio, na terra de mim



[Secção outros tons] É tempo de deixar-me embalar pelas ondas, sentindo o aconchego do sol ou da brisa fresca que me ampara o descanso. Entrego-me às palavras de outros. O que me farão ao ser, o futuro o dirá. De momento, fico-me pelo presente... sim, é tempo de descanso. A terra de mim agradece o pousio.


terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Alcafozes - N.ª Sra. do Loreto


Tive a honra de presidir à Missa de encerramento das festividades da N.ª Srª. do Loreto, padroeira universal da aviação. 11 anos depois de ter entregue a meia-asa e divisas da farda, vivi a certeza que continuo a voar nestes espaços e tempos que permitem a relação da unidade na diversidade. Do altar olhava para as pessoas de proveniências tão variadas: da região; que vieram de longe; da aviação civil e militar; antigos colegas com quem voei, mantendo-se a boa amizade. Como disse na homilia, a todos nos unia a mesma acção de Maria: pormos-nos em caminho. Claro está, dependendo da atitude de fundo, poderei viver e deixar que aconteça a transformação ao fazer caminho. E isso pode acontecer num voo, numa conversa, numa celebração. O caminho, bem vivido, leva ao encontro. Ontem recordei agradecido o caminho feito e os muitos encontros que tive ao longo destes 11 anos. No final, antes de me desparamentar, pedi que Maria me ajudasse a continuar a seguir o Seu Filho, nestes altos voos de promoção do respeito, da justiça e da dignidade. [Foto: Cristina Chaves]

domingo, 24 de Agosto de 2014

No perdoar e pedir perdão...



[Coisas de Campo de Férias, que podem acontecer em qualquer altura] Estávamos na roda, a almoçar. A directora levanta-se e põe dois de castigo, de costas e a dizer: "Não volto a gozar com as pessoas!" Riam à gargalhada. Ela continuava com ar sério. Eu observava. Às tantas, levanto-me e de ar e tom de voz igualmente sério, aliás, bastante sério, digo-lhes: "Dá para parar de gozar?" Ainda assim riam. O tom de voz aumentou na seriedade e tornou-se bastante directivo. Faz-se silêncio profundo na roda. Dei-lhes um raspanete. Fizeram o que lhes estava a ser pedido, mas já sem qualquer gozo. Sentámo-nos todos. Continuou o almoço. Precisei de ir à dispensa e a directora veio ter comigo: "Paulo, estávamos na brincadeira." "Mas, mas... estavas com ar muito sério e, apesar de achar estranho pelo grupo que temos, achei que te estavam a faltar ao respeito." "Pois, não. Que fazemos?" "Oh, claro que vou à roda pedir desculpa a todos e a eles dois de forma especial. Assumo a minha indelicadeza, erro, estupidez." Fui à roda e pedi a palavra. "Acabámos de viver um momento em que fui infeliz. Não percebi a brincadeira. Fui precipitado, abusando da minha autoridade natural, por ser o mais velho e, ainda por cima, padre. Quero pedir desculpa a todos, em especial a vocês dois. Fui injusto." Eles descomprimiram com um grande suspiro de alívio. Demos um abraço. E o almoço continuou... com a doçura da melancia (estava mesmo boa) e da certeza que sigo em caminho de aprendizagem, não só de perdoar, mas também de pedir perdão. 

sábado, 23 de Agosto de 2014

Chegado de Campo... a caminho de Alcafozes

 

Venho de Campo de Férias. Tem sido um Verão muito cheio e estes 10 dias também contribuíram para isso. 41 miúdos e 15 animadores que me alimentaram a esperança. No meio de tanta coisa sobre a educação, futuro da juventude e afins, há que dar-lhes a confiança de que são, não o futuro, mas o presente da humanidade. Pode ser uma gota no oceano, mas é uma gota colorida, rica em oxigénio. Também com os animadores.... animei quase todos noutros Campos ou actividades, um até foi meu aluno e da minha direcção de turma, Dá gozo, muito gozo vê-los crescer a todos os níveis. "Na Tua companhia" é o tema deste ano dos Campos de espiritualidade inaciana... e houve a companhia de Deus nestes corações que escutaram a riqueza de ser amados por Ele. 

E depois de uma paragem para banho e mudança de roupa... já rumo a Alcafozes, onde irei celebrar nas festividades da N.ª Sr.ª do Loreto, padroeira universal da aviação. Outros voos, daqueles que juntam Companhias. ;) Sim, como dizia um animador, "há cansaços felizes". ;) 

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Fechado para Campo de Férias



Elliot Erwitt

Toca a animar 42 miúdos, entre os 11 e os 12 anos, durante 10 dias.


Até breve… 

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Volto à Paz



Dulce Antunes

Ontem foi mais um dia de acção de graças. A Missa Nova em Lisboa fica-me pelos rostos que representaram, resumiram, sintetizaram a amizade que sinto com tanta gente, de realidades tão diferentes, com a igualdade presente na humanidade. Como disse na homilia, a presença da diversidade de membros no Corpo que se pode traduzir na Amizade. Na amizade que ajuda a dar Paz, a viver a Paz. Aquela que se consegue a partir da autenticidade, naquele caminho de coragem de amar a Deus tal qual como se é. Há dias com mais facilidade, outros com mais dificuldade, outros em que a descrença fala mais forte. Sim, a Paz tem-me andado às voltas, por tanto. Confesso, e mudo de tema (a vida tem sido assim) que é um misto estranho de sensações: escrevo a alegria que sinto, mas também tenho vivido a tristeza e a impotência diante das atrocidades que o fundamentalismo tem cometido. Não é o islamismo contra o cristianismo, ou israelitas contra palestinianos (e vice-versa), é a estupidez ao mais alto nível, que não consegue compreender a riqueza da diversidade humana. Emociono-me ao ler sobre mais mortes pela fé, de pessoas que têm de abandonar das suas casas em nome do fundamentalismo que apenas mata a dignidade humana. Sinto-me pequeno, tão pequeno… As pessoas têm-me dito que sou um conciliador, que consigo agregar pessoas diferentes. Não é torná-las amiguinhas, como se fôssemos todos “tótozinhos”… não, tem que ver com este lado da concórdia que pode levar à Paz. Por isso, faço o que posso fazer: rezo. E agora, como padre, sempre que posso celebro Missa pela Paz e pela Justiça, fazendo silêncio e recordando tantas pessoas. Ontem, na Missa em Lisboa, acenderam-se velas pelos tripulantes, pilotos e passageiros que faleceram este ano. Mas também reservei uma por todas as pessoas que vivem a perseguição, a guerra e a morte. Como escrevia há dias, não podendo acabar com as guerras e os fundamentalismos lá longe, faço os possíveis para trazer luz e paz aos corações que me são confiados.

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

"Do ar para o céu"... o artigo online



Virgílio Rodrigues

Para quem não teve oportunidade de ler na revista em papel, aqui fica a versão online do Perfil na Notícias Magazine: "Do ar para o céu". E termino o dia agradecido pela Missa de hoje. Foi muito bom ver tantos rostos que fazem a minha história. Amanhã direi algo mais... com fotos também. Entretanto, continuo a rezar pela Paz.

domingo, 10 de Agosto de 2014

"Do ar para o Céu"





Fico embevecido com o “Perfil” no Notícias Magazine. Embevecido, com aquele sorriso de: “olha eu, numa revista”. O artigo está muito bom, numa operação de síntese feita pela Sónia Morais Santos. [Obrigado a ti, Sónia! Sim, ajuda a nossa amizade, o pensar tanto nela e na tua família nestes dias agitados de gravidez (Baby M, calminha!!!)] Parece-me mais um passo de tanto bem recebido por Deus, neste dom que é a vocação. Sim, a vida é para ser partilhada… vou fazendo isso. Há dias de celebrar, outros de (não esqueço a cagadela de pombo de há dias ;) ) recordar que “também sou mais um”.  E claro, também penso em tantos companheiros jesuítas e amigos que me ensinam a ser padre, no meu modo de ser, confiado em Deus que acalma as tempestades… passando na brisa suave. Oh… estou embevecido. :p   

sábado, 9 de Agosto de 2014

Agradecer... e o beijinho.



Stina Seig


[Coisas do quotidiano de Padre] “Oh Sr. Padre, gostei muito quando o senhor disse na Missa para agradecermos uma pessoa ou alguém que nos fez bem ou que temos saudades. Só não gostei duma coisa.” “Então?” “Deu pouco tempo para isso! Tenho tanta gente a quem agradecer. Oh, uma pessoa vai para velha e tem disto. Sofri muito, mas houve tanta gente que me ajudou. O sr. disse aquilo e só me apetecia ir dar abraços e beijinhos por aí fora! Olhe, posso dar-lhe um a si, parece mesmo o meu bisneto! Desculpe lá, mas isto com a idade uma pessoa perde a vergonha.” [Gargalhada dos dois] “Oh senhora, venha de lá o beijinho!” “Ah, mê rico menino, que Deus nosso Senhor o conserve sempre assim!” E pronto, também saí abençoado da Missa. ;) 

P.S. - Aproveito para dizer que amanhã, domingo, sai uma reportagem interessante ;) , escrita pela Sónia Morais Santos, no Notícias Magazine (a revista de domingo do DN/JN). Quem passar por um quiosque dê uma olhada. Amanhã darei mais detalhes. :) 

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Crítica(s)



Jitendra Prakash


Formulava em pensamento uma crítica a uma pessoa. Era daquelas que não seria muito construtiva, diga-se de boa verdade… aliás [deixa-te de coisas, Paulo], tinha mesmo toque de maledicência. Como tenho pensamento rápido, acabei por perguntar-me: “De que tens inveja? O que ganhas com isso? Conheces mesmo a pessoa?”. Sim, rezo, estudo, faço caminho com Deus para ser mais humano, mas de vez em quando lá vêm os “instintos-de-defesa-sobre-algum-pedacinho-ou-pedaço-de-ego-ferido”. Encolhi os ombros, no sentido de: “aqui tenho algo a melhorarem mim”. Agradeci a Deus pela vida da pessoa. E continuei a fazer caminho… interior e exterior.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

200 anos da restauração da Companhia de Jesus



Este ano, nós, jesuítas, temos celebrado os 200 anos da restauração da Companhia. Foi no dia 7 de Agosto de 1814 que o Papa Pio VII decretou que fosse restaurada. Já agora, pensar que nós, portugueses, fomos expulsos do nosso país por 3 vezes. Num ou noutro dia na minha oração tenho pensado: “e se fosse agora?”. Não, não me apetecia nada ser escorraçado para um outro Forte São Julião da Barra, nem ser medido da cabeça aos pés como se fosse um assassino ou malfeitor, nem estar numa casa rodeado de força policial, nem ser posto num barco amontoado de outros companheiros e morrer de forma indigna na viagem até aos Estados Pontifícios. Sim, foram outros tempos, mas reler a História e pensar “e se fosse eu?” faz-me mudar um pouco o modo de ver e viver. Não se trata de ser herói ou mártir, mas de perceber onde está o essencial, tanto na relação com Deus, como na relação com os outros, seja esta ou aquela pessoa concreta, seja na sociedade em que estou inserido nas suas componentes sociais e políticas. De momento penso num “pequeno” segredo: confiança em Deus, trabalhando a liberdade interior para saber, ora perder, ora ganhar. Há dias que é fácil. Dou graças a Deus. Outros que não tanto. Mesmo a custar, dou graças a Deus também. [Para saber mais sobre este tema: http://jesuitasportugueses.wix.com/jubileu-2014]

Missa Nova em Lisboa



Katia Viola


[Notícia de última hora: Celebração de Missa Nova em Lisboa] Na próxima 2.ª feira, dia 11, passarei por Lisboa, em escala técnica antes de ir para Campo de Férias, e tenho todo o gosto em celebrar Missa Nova na cidade que também gosto tanto: Lisboa. Sabendo que passamos tempos de conflitos, a vários níveis, e recordando tripulantes e passageiros dos últimos incidentes e acidentes aéreos, celebrarei Missa a pensar na reconciliação dos povos. Será na Igreja Paroquial do Lumiar, na próxima 2.ª feira, às 18h30. Deixo o link com a direcção da Igreja: https://goo.gl/maps/jG3k3

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Transfiguração


Nelson Garrido


[Secção outro tons. Especial Transfiguração] Resplandece a luz do meio-dia. No zénite, a força do sol faz ver o azul de mar e o branco de areia de forma esperançosa. Aquele brilho que transporta a existência a outros tempos e lugares. É o Filho. Amado. No convite da escuta abre-se a oportunidade de perceber que a vida dá voltas, sim. Já não em tendas consoladas, nem na morte, mesmo sendo passagem necessária, mas na certeza de que a humanidade liberta-se do medo. A honra e a glória, na descida do monte, transfigura-se em serviço.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Quotidiano... o presente.



Scott Rotzoll


Meia-volta e acabo por voltar a pensar no quotidiano. Sobretudo quando sou bombardeado com o imenso de imagens, de longe ou de perto, que provocam explosão de sentimentos. Às vezes é preferível fugir dessa realidade, ignorá-la, como se não existisse. Mas ela está lá. Como digo, sobre determinadas coisas não posso fazer nada mais que rezar, com outras já posso fazer algo mais. Em parte por ser o presente, o aqui e agora que se vive. Primeiro aceitá-lo… é assim, e ponto! Parece-me o passo primordial para manter o que há a manter e mudar o que há a mudar. O engano reside no não aceitar, vivendo num imaginário que degenera. Sim, poderá até ser vergonhoso, poderá até mostrar que afinal vive-se uma mentira a vários níveis. Mas pior que isto, é mesmo viver nesse engano, como se ele não existisse. Insisto, vidas perfeitas não existem e não existirão… existem sim vidas em caminho, que podem dar o melhor a que são chamadas: seja no banal das compras do dia-a-dia, seja a aproveitar as férias, seja a amar.

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Ícone (em dia dos padres)




Ofereceram-me este ícone. Sinto-me tão agradecido. É(-me) muito especial, por muitos motivos... desde a concepção, à escolha, ao sentido da oferta. Foi rezado durante dois anos. Foi escrito e pintado como fruto dessa oração, desse encontro com Cristo que acolhe tudo e todos. Foi escolhido a pensar em mim, num "é este!". E sim, quando o desembrulhei tive aquela sensação de que nos pertencíamos. O olhar atraíu-me de forma inexplicável. Avizinha-se muito bom e forte tempo de contemplação diante dele... ao jeito da espiritualidade oriental, em que a contemplação transforma, molda, converte aquele que contempla. Neste dias dos Padres, é isso que peço, ser um Padre ao jeito de Cristo que, por ter vivido plenamente a humanidade, acolhe, abraça, ama, dirige para a liberdade e felicidade, convidando a participar da Sua divindade.


domingo, 3 de Agosto de 2014

Arriscar e confiar



Miguel Parra


Fui celebrar Missa num campo de férias com miúdos entre o 6 e os 14 anos. Um deles, surdo, bastante "turbulento" e inquieto, segundo os animadores, aproximou-se de mim... para reconhecer e avaliar o intruso. Pus-me na brincadeira com ele. Alinhou, mas sem sorrir. Disse-lhe, muito devagar e de forma expressiva em gestos: "gostava de ver o teu sorriso." E pus-lhe os dedos junto da boca, para reforçar a ideia. Deu um sorriso enorme. Correu até ao pátio e voltou. "Gostava muito que te sentasses ao meu lado durante a Missa. Queres?" Pelos ares dos animadores, parecia que eu estava a arriscar uma missa "turbulenta". Confesso: arrisquei! E portou-se lindamente. Apontava-me as formigas a subir a alva e eu agradecia-lhe com "dá cá 5!!". Ele sorria. E nós todos celebrávamos. A multiplicação dos pães e peixes também pode ser de alegria e confiança. Para vivê-la há que arriscar.

sábado, 2 de Agosto de 2014

[Coisas da vida de padre]





Depois da beleza do sacramento, numa cerimónia com guarda de honra do Exército e tudo, a loucura de celebrar com a nova família. A vida também é feita disto! ;)

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Dia de Santo Inácio de Loiola



Hoje celebramos Sto. Inácio de Loiola. Este homem, a partir da realidade, da sua experiência de vida, encontrou-se com Deus de forma muito forte e deixou-nos um grande legado escrito, em particular os Exercícios Espirituais. A partir da espiritualidade inaciana muito foi desenvolvido. Juntando à filosofia e à teologia, as várias ciências e artes estão também em destaque. De Portugal fomos expulsos 3 vezes. No mundo, houve a supressão da Companhia. Foi restaurada há 200 anos. Neste dia penso em muitos companheiros que conheço, pessoalmente ou por leituras ou partilhas das suas histórias, portugueses, estrangeiros, que trabalham em muitas áreas, muito ou pouco amados, controversos, assassinados recentemente, ou ainda raptados. Agradeço o que Sto. Inácio nos deu e ainda dá, sobretudo o convite à conversão em ver Deus em todas as coisas, mesmo onde, de todo, não se espera.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Fico-me pelos rostos que entrego.




Kátia Viola


[Secção outros tons] Fico-me pelos rostos que entrego. Um após outro circulam em memória de tempos presenteados. Em solene perfume de incenso, que faz do Mistério aquele arrepio que anula a ausência, deixo-me perceber em Corpo e em Sangue. Ajoelho-me, de braços postos no regaço. Agradeço. Levanto-me. O rosto desvela-se e abre caminho.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Pagela da Missa Nova



Pagela ou “santinho” é o nome que se dá à recordação da ordenação e da Missa Nova. Sobre a da minha Missa Nova, muita gente perguntou qual o significado. Para mim tem o significado da Amizade. Pedi ao João Delicado, grande Amigo, como um irmão, que me fizesse a pagela. Confiei-lhe tudo. Concepção e escolha da frase que me irá acompanhar a vida. Quando a vi não tinha palavras, apenas aquele sorriso estúpido (ele sabe qual é!) de: “Isto sou eu!”… em tudo! O João, ontem, escreveu um post a explicar os passos da concepção e mais em detalhe o significado. Estou-lhe muito agradecido e também à Marta (da martisses). Aqui vai o link para a "A bandeira do senhor padre, como é?" (sim, sei que sou suspeito ;) , mas vale muito a pena ler!!): http://verparalemdolhar.blogspot.pt/2014/07/paulo-duarte-sj-padre-jesuita-missa-nova.html

domingo, 27 de Julho de 2014

Agradecimentos [na Missa Nova]




Uma das muitas surpresas que me prepararam... uma rede de pesca, com conchas, recordando o Mar, que suporta inúmeras fotos (algumas quais bons “tesourinhos deprimentes” que me fizeram rir bastante)... já nem me lembrava que tinha feito a 1ª Comunhão de All Stars... ;) ramos de oliveira, sim andam a ler os meus posts... eheheh



[Este post é longo. Partilho o texto que li ontem, dando os agradecimentos neste tempo da minha vida, em especial na Missa Nova]

Este momento, em que vou dedicar-me aos agradecimentos, tem como inspiração uma grande mulher: a Mafalda. Ela gostaria muito de estar aqui, mas os seus ossos (ela tem a doença dos ossos de vidro) não permitiram que desta vez fizesse uma viagem até cá. É uma mulher de força e inspiradora, com um desejo imenso de cá estar. Trago-a desta forma: há uns anos escreveu um texto “Obrigado”... e assim, começo...

Obrigado Senhor por seres quem és, em mistério que se revela Corpo que se dá em alimento. Obrigado por não cessares de criar… e provocando-te sorrisos ou lágrimas, alegrias ou dores dilacerantes, continuares a confiar na humanidade.  

Obrigado pela Igreja, esta concreta, constituída por homens e mulheres concretos que põem a render os dons e, apesar de por vezes os desperdiçarem por medo, vergonha ou abuso de poder, continuarem nesta procura da tua vontade, dando o seu melhor no serviço.  

Obrigado pela Companhia de Jesus, por tantos companheiros que consciente ou inconscientemente me ajudaram a ser quem sou e que, em especial os formadores, foram confiando em mim nesta entrega. Agradeço-te de forma especial pelo Carlos, pelo Frederico, pelo Gonçalo, pelo João e pelo Pedro: cada um ao seu modo me revela a amizade e o companheirismo nesta graça do sacerdócio. Gracias por Nacho Boné, por Toño García y, aunque ella no sea jesuíta, por Asun: en mi vida también hay un antes y un después de me haber encontrado con ellos. 

Obrigado pela minha mãe Maria e pelo meu pai José. Mesmo não sendo eu Jesus na terra, foi e é graças a eles, que O fui descobrindo e tento participar cada vez mais da Sua vida. Obrigado pelo seu exemplo de força, de determinação, de humor, de capacidade de encaixe, sobretudo quando a vida dá voltas que eles não esperam. Obrigado por, apesar de não terem netos biológicos, estarem sempre dispostos a receber de braços abertos os inúmeros netos de amizade.

Obrigado pela Suzanne, pela Letinha, pelo Deli, pelo Luís Amaral, pelo Hugo, pela Emília, pela Maria Luísa, pela Patri, pela Esther, por nesta amizade com contornos de laços alargados de família, condensarem todos os familiares e amigos presentes nas mais variadas formas, na sua diversidade de crenças, aqui ou por esse mundo fora, como o Pablo Kramm, no Chile, ou virtuais, como no facebook ou blogues, também na oração, como as amigas carmelitas, e por no pensamento ou no abraço, todos, mas todos, me fazerem recordar tantas conversas, voos, encontros contigo, gargalhadas, “likes”, comentários, estupidezes, choros, aulas, histórias, dúvidas, sonhos, petiscos, danças. 

Obrigado pelo P. Mário, que na amizade e serviço, também condensa esta comunidade paroquial aqui em Portimão. Obrigado por desde o primeiro momento escutar da sua parte: “não te preocupes com a organização, recorda que esta também é a tua casa”. Obrigado pela Dra. Isilda, por, na qualidade de Presidente da Câmara, ter mostrado toda a sua disponibilidade e colaboração para que esta festa seja de todos, já desde a viagem até à ordenação, em Coimbra. Sim, obrigado por toda a entrega destas pessoas que também, seja pela música, como o Coro, seja nos comes e bebes no Salão dos Bombeiros, ajudaram a que esta festa se tornasse fruto de partilha da comunidade, ao jeito da multiplicação dos pães… 

Obrigado pela minha fé, esperança e caridade. Sem interessar a quantidade, vão sendo diálogo entre o teu dom e a minha resposta, umas vezes com mais encontrões e tropeços, outras em velocidade de cruzeiro. Obrigado por este novo dom do sacerdócio. Que nunca me canse de te dar graças por ele e, sobretudo, pô-lo ao teu serviço, nesta dádiva de vida na paternidade espiritual, em especial por aqueles que mais sofrem e estão afastados da Tua casa.

Senhor, é isso, agradeço-te por seres quem és.

E agradecendo ainda o carinho, protecção, o Sim de Maria para acolher o Filho no seu seio, rezemos uma Avé-Maria a Nossa Senhora da Conceição.

sábado, 26 de Julho de 2014

Missa Nova [Homilia]





Termino o dia com cansaço agradecido. Foi um dia de muita acção de graças. Não escrevo mais de momento. Já que está online (mais um agradecimento a quem gravou) partilho a homilia da minha Missa Nova... :)

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Infinito de Mar




É um misto de sensações. Sinto a tristeza do que se passa no mundo, naquela impotência que tenho comentado, deixando-me ficar em pequenos momentos de silêncio orante pedindo a paz: não só nas zonas de conflito, como aos corações das pessoas que vivem a dor dilacerante das perdas humanas de forma tão bruta. Também sinto aquela felicidade inexplicável do dom recebido por Deus, desta entrega de dar corpo, no serviço aos outros. Hoje fui ao “fim de terra”, olhar o infinito do Mar, numa zona tão especial para mim desde muito novinho: o promontório de Sagres. Aí, sentindo a força do vento a empurrar-me, escutando as ondas a rebentar na costa, rezei a Deus que se confia nas nossas mãos para sermos portadores da Sua paz. Naquele silêncio preenchido pela História de tantos que, com garra e medos, partiram em busca de novas terras, pedi ao Senhor que me dê um coração sábio, mantendo a autenticidade que vou descobrindo, e possa, ao jeito de São João Baptista, apontar ao Infinito que dá vida. E recordando São Tiago, pedi-lhe para fazer dos meus passos peregrinos um meio de encontro entre Ele e quem o busca. 

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Infelizmente... mau uso do poder



Nadya Kulagina


A propósito de recentes acontecimentos políticos, confirma-se que para alguns senhores no poder o que interessa é a economia e aumentar o seu próprio poder… o resto, tipo as pessoas e a sua dignidade, pelos vistos “algo” pouco importante, são para eles “palha que o vento leva” ou, pior, “coisas” ao serviço do seu poder. Lá vou eu ao post de há 3 dias: reduzo-me ao silêncio… da oração.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Rostos



Shahnewaz Karim


Tenho a mania de olhar rostos. Aperceber-me dos detalhes, das características que marcam a pessoa a partir do rosto. Nota-se o cansaço, a felicidade, a tristeza, a dureza do muito que passa ou passou, o desejo. Se os olhos são “o espelho da alma”, o rosto, como Emmanuel Lévinas afirma, é o infinito do outro. Cada vez mais me convenço: o que cada rosto segreda é o desejo de ser amado. Isto não é coisa pouca… há quem sofra e faça sofrer por isto não acontecer. As variantes são inúmeras. Volto ao mesmo: “como a si mesmo, amar o próximo”. E a dignidade humana, se mais passos houver neste sentido, ganhará novos contornos… mesmo sendo nós mais de 7 mil milhões no mundo.

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Agradecido



Co-celebrei com o P. Belchior, que presidiu e celebra este ano 50 anos de sacerdócio, na Missa de encerramento do ano lectivo no CAIC. Foi para mim oportunidade de dar graças pelos 2 anos que muito me ajudaram a ser quem sou. Sim, agradeço muitas vezes, mas hoje foi especial: tornei o agradecimento sagrado, pedindo também pela vida e intenções de tantos amigos, sejam docentes, não-docentes ou alunos. Os dois tínhamos um bolo original: o P. Belchior gosta das suas caminhadas... e eu fui recordado pela minha entrada de mota, vestido de Pai Natal, na festa de Natal há 5 anos, que dançou à fartazana enquanto distribuía as prendas às crianças. Sim, olhando para este dia, melhor, para estes dias, volta-me ao pensamento a passagem do Cântico dos Cânticos que se leu hoje: "encontrei Aquele que o meu coração ama".

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Reduzo-me ao silêncio



Reza


Reduzo-me ao silêncio perante muitos acontecimentos brutais que acontecem no nosso mundo, ainda mais quando são fruto da estupidez e da ganância de poder. Desde o avião abatido recentemente, passando pelos bombardeamentos na Faixa de Gaza, não esquecendo as outras inúmeras zonas de conflito armado pelo mundo, juntando ainda o aumento da escravidão e tráfico humano. Reduzo-me ao silêncio, por não poder fazer mais que rezar ou pensar nas pessoas que vivem estas situações. Ou então, tentar trazer Paz às pequenas guerras do dia-a-dia, muitas vezes desnecessárias, ou fazer caminho para que seja a vida, e não o poder, a prevalecer nas minhas decisões e relações com os outros.

sábado, 19 de Julho de 2014

Entre o destruído e o novo



Alfredo Henriques


Passei pela Igreja de S. Domingos, ao lado do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Para mim é passagem obrigatória quando cá venho. Gosto de recolher-me por lá e sentir-me rodeado pela força de contraste entre o destruído e o novo. Nem é o renovado, é o novo mesmo, nesse choque de que as marcas não se apagam, apenas poderão ser integradas nas mudanças que acontecem. O faustoso foi esmagado pelo fogo, ficando o silêncio das pedras e dos pilares. Não se deixou de celebrar Missa por lá… mesmo com chuvas e ventos. Hoje em dia, esta Igreja rodeada de História faz-me agradecer a simplicidade e alertar para o sentido das coisas… e, mesmo sendo os inícios, estar atento para não desvirtuar a missão que me foi e é confiada.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

A entrevista no programa Boa Tarde - SIC



As palavras, hoje, deixo-as sair a partir da entrevista. ;)

A DEF, a Chique e o Padre






O prometido foi devido: li-te, Mafalda, na última crónica do "mafaldisses" reservada para ser lida depois do “abraço nosso suavemente apertado”, já não escrito ou dito, mas dado “suavemente apertado”. Depois de ler, adormeci, agradecido à Vida: tua, minha, nossa de humanidade com tanto para dar. Sou de sono pesado, sobretudo quando ando mais cansado. Mas, qual 04h03, despertei recordando as nossas gargalhadas, ralis de cadeira de rodas pelo Vasco da Gama, momentos de “selfies” com a Suzanne, e dando graças a Deus por tanto bem recebido através de vocês. Não te recordavas da última crónica, mas é, precisamente, “(+1 semana)_Antes Que Me Pegues ao Colo”. Ri-me, só de ler o título. E, claro, mais uma crónica daquelas de ficar tempos a digerir. Voltei a sentir nos braços o teu corpo, leve de biológico, forte de Ser. Recordei a Fé em Deus que também nos une, nesta amizade desenvolvida de Paris a Lisboa, que apontará Portimão dentro de dias. Pois, a dada altura, pelos olhares e reacções, acharam que andavam 3 parvos à solta: uma DEF, uma chique e um padre… com momentos que despertaram sorrisos, daqueles que sussurram ou gritam que a Vida não é para os perfeitos, mas para quem se deixa amar como é e sabe saborear e agradecer. [Já agora, para conhecer um pouco mais sobre a força desta mulher, aconselho ganharem 14 minutos a ver esta palestra da Mafalda: http://youtu.be/EFNf95hjWSE ]

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Programa "Boa Tarde" - SIC



[Coisas extra-quotidianas da vida de um padre com pouco mais de uma semana] Vamos ver. Eu cá não sou dado a intrigas. Nem pensar nisso. E o que vou aqui dizer, para esclarecer uns assuntos pendentes, não é para dizer a ninguém. Fica aqui, entre “nózes” no “blogger”. Ok? “Prontes”, cá vai… mas, segredo!!! Diz qu’amanhã, 5.ª feira, 17 de Julho, vou estar no programa Boa Tarde, na SIC. Pelo que percebo começa pelas 15h50. Vamos falar sobre a minha vocação e assim. Mais a relação com Deus. ;) E isto de ter sido comissário de bordo e agora ser padre. Enfim, coisas da vida. “Prontes”, é isto. Agora segredo, ok? ;)

Nada de especial



Nada de especial. Uma cadeira iluminada pelo reflexo de um vitral. À frente, uma carmelita que reza. Nada de especial. Porque se repete em cada dia, nessa entrega silenciosa que traz nomes, acontecimentos, deixando que a vida contemplativa impeça que o ritmo voraz da vida citadina absorva a essência das coisas. Tenho uma relação de muita amizade com estas mulheres que fazem da oração o seu quotidiano. Neste dia de Nª. Srª. do Carmo, nada de especial. Uma cadeira iluminada pelo reflexo de um vitral. À frente, uma carmelita que reza.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Entrevistas




[Coisas extra-quotidiano na vida de um padre com uma semana] “Agora anda pelo corredor até àquela porta. (…) Entra na capela e aproxima-te do altar. (…) Desce as escadas e põe a mão no corrimão. (…) Agora fazemos um plano em que estás a olhar os aviões. (…) Olha o televisor com as informações das partidas e chegadas. (…) Vai até aos balcões de check-in (…)” E no meio, duas entrevistas: uma no CAIC (Colégio da Imaculada Conceição) e outra no aeroporto de Lisboa. Amanhã ou depois darei mais novidades. :)

domingo, 13 de Julho de 2014

Fruto... em abundância



Cheryl Bezuidenhout


[Secção: outros tons] Fiquei adormecida. Em espera. No silêncio que aguarda o tempo. Amadurecer: junta-se a emoção e a razão, onde o momento da fragilidade, ou até mesmo morte, faz-me tomar consciência que sou algo mais. É duro. Não quero. É fácil habituar-me ao tipo de conforto que não passa de um incómodo resignado. No entanto, serei mais uma. No dia que decidir deixar de o ser, revelarei o esplendor e crescerei. Tenho de aprofundar o meu húmus, a terra que me envolverá as entranhas. Aí darei fruto, ao meu modo, em abundância.

sábado, 12 de Julho de 2014

Gargalhada no confessionário




Momento em que voltava a pentear o meu farto cabelo, depois de me ter despenteado ao vestir a casula ;)


Escutava uma pessoa. Era tão engraçada a falar. Daquelas pessoas com natural bom humor. Ao início, fiz um esforço para não me rir, tentando manter a seriedade. Chegou uma altura que não aguentei, e começa-me a saltar o meu humor também. Chorávamos os dois… de rir à gargalhada. O que vale é que os confessionários em Fátima são muito bem insonorizados. No final, depois da absolvição, vira-se para mim: “Oh, Sr. Padre, já saí de algumas confissões a chorar, mas a chorar de rir é a primeira vez”. Respondi-lhe: “Olhe, se não fosse a loucura, daquela boa, a vida seria muito aborrecida”. “Oh, a quem o diz, a quem o diz!” Lá foi outra gargalhada. :D

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

As primeiras confissões



Réhahn Croquevielle


E assim de repente (dois dias, diga-se) confessei muita, mas muita gente… homens, mulheres, crianças, em português, em espanhol, em inglês, em francês. Presenciei lágrimas de dor e muitas de alívio. Houve muitos momentos de me sentir pequenino diante da humildade das pessoas. Os sorrisos no final do sacramento foram bastantes e também aconteceram gargalhadas. :D O sacramento da reconciliação leva a isso: da dor à alegria do encontro com Deus. Também à compreensão do que é verdadeiramente pecado. Tenho para mim que atravessou-se uma teologia ou um modo de espiritualidade que punha pecado em tudo… por isso, também houve oportunidade de dar esclarecimentos, a partir da vida, da misericórdia e do amor de Deus. Estou com aquela sensação de cansaço bom. A imagem que me vêm à cabeça é a de ajudar, com a graça de Deus, a tirar valentes pesos de cima das pessoas para continuarem a fazer caminho. E isto é só o começo… :)

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Agradecido



Paula Merelo Romojaro


Gratidão. Fico em silêncio com este sentimento. Ainda atordoado com os muitos outros que circulam por mim. Foi um sábado intenso: de Deus, de família, de amizade, de dádiva e entrega. Nomes, voos, histórias, vida condensada no Dom que recebi, em Igreja, em conjunto com os meus 5 companheiros, na Companhia de Jesus. Sou padre… quero ser sempre um dador de Vida, com olhar e gestos de misericórdia. Aos poucos partilharei um pouco mais. De momento, gratidão, muita gratidão: a Deus, aos meus pais, à Igreja, em particular ao D. Virgílio que com muita amizade nos ordenou, à Companhia de Jesus, ao Carlos, Frederico, Gonçalo, João e Pedro que foram ordenados comigo, a tantos, mas tantos amigos (com ou sem farda… ;) ). Também são todos estes que me ajudam a ser padre. Fico em silêncio agradecido e habitado pelo Dom que me foi confiado… para dar a Vida de Deus.

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Um ramo de Oliveira



Uma das minhas árvores preferidas é a Oliveira. “Tenho-a” no nome. Faz-me recordar a família, também pelo azeite da minha avó Constança e as azeitonas preparadas pela minha avó Teresa. Apanhei este pequeno ramo no retiro de há dias. Pensei no tanto que simboliza e pode simbolizar. Tenho desejos de paz. Vivo-a neste momento. E na oração, pensava que, enquanto ungido sacerdote com azeite perfumado (é um dos momentos do ritual de ordenação sacerdotal), também quero ser mensageiro de paz: de corações, de famílias, de relações, de vidas, de povos. Sendo-o, também convidarei a que outros o sejam. Sim, a Oliveira tem grande força. Este ramo irá comigo amanhã.

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Ver para crer



Ruta Balciunaite

Às vezes é necessário pôr a fé em causa, no questionar acertado, tentando tirar as dúvidas que, se não saem, podem ficar a amargurar a alma. Ver para crer, tal como Tomé, pode ser mote para conversão. Tento pôr-me na pele daquele homem: depois da brutalidade dos acontecimentos, dizer-lhe a frio que o Senhor está vivo é de sentir, mais que desconfiança, que gozam com a sua cara. Põe em causa, porque, parece-me, o desejo de encontro ainda lateja no coração. O Mistério não se fecha num granito imutável... surge em caminhos incertos e pode implicar questionar para descobrir o que pode abrir ainda mais horizontes. Há dois anos arrisquei um poema, depois de rezar a famosa passagem do encontro de Tomé com o Ressuscitado. Volto a ele... e nisto retoco a fé.


[Jo 20, 24-29] 


Não sei se são contos.

A morte não foi um jogo.
O véu rasgou-se, sim,
mas o corpo,
em tarde eclipsada,
foi acolhido em braços caídos.

O desalento, a cor, o silêncio,
o retumbar da pedra
na escuridão da gruta,
foram testemunhas do fim.

Pedem-me para crer?

Depois de tanto vivido,
estou cansado de fantasmas,
de histórias desencantadas,
de entusiasmos gastos
pelo etéreo sem mundo.

Apenas peço que os sentidos
doados ao nascer
sejam o registo
desta minha forma de fé.

Eu quero crer.

Escuto o meu nome.
Obediente estendo a mão.
No ver toco as marcas
da História viva.

Será paz o que me envolve?
Ou a certeza de que sou atendido
nas preces da agitação?

Creio, Senhor.


quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Depois do retiro...



Não estou preparado! Entre outras, saio de retiro com esta sensação. E é bom sentir isto. Passaram-me muitos nomes pelo coração, enquanto caminhava pela quinta de Soutelo (a casa de retiros). Diante de Deus revi a minha incapacidade e os meus pecados. Depois, em risos, enumerei-lhe e agradeci-lhe os dons que me dá directamente ou através dos acontecimentos da vida e de muitos rostos que também formam o ser quem sou. Recordo muitas pessoas: crentes; mais ou menos beatos; não crentes; consagrados; solteiros; casados; divorciados; com muitos ou poucos estudos; de tantos países do nosso mundo; artistas; com dúvidas; em caminho de vida; homossexuais; políticos; refugiados; doentes ou cheios de saúde; felizes; em busca de si mesmo; em luto ou a celebrar o nascimento de alguém. É isso, não estou preparado… e, faltando 3 dias, dá-me imensa serenidade. Afinal, se aqui estou, assim feliz, é porque Deus envia-me como sou a servir estes rostos com nome concreto e outros ainda por conhecer. E deixo que seja Ele a preparar-me, ao modo de Cristo e inspirado pelo Espírito, para esta nova realidade na minha vida: ser padre. :D

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

De retiro...




Passei pelo nervosismo, depois surgiu a ansiedade com o desejo do regresso a Portugal. Cheguei, descansei, encontrei a família, alguns amigos e companheiros, vi o Mar, o “meu” Mar. Rezei em comunidade, vivendo a beleza da preparação. É emocionante, é bonito, perceber também, como já disse outras vezes, o entusiasmo das pessoas com o aproximar deste grande dia na minha vida. Agora vivo uma imensa serenidade, com vontade de rir e sorrir, agradecido a Deus por este dom que me confia, nesta forma de dar vida. Amanhã entraremos, os 6 que vamos ser ordenados, de retiro. Sim, encontrar-me com Deus e dizer-Lhe: “Obrigado pela tua Vida e por ma dares. Ainda pensando na celebração do Coração de Jesus, peço-te que não te canses de me dar o afecto, o carinho, a misericórdia e um coração que saiba discernir o melhor serviço. Aqui estou, Senhor!” E, de certeza que sairá uma boa gargalhada, por ainda pensar: “Sim, tu, Paulo, oh artista, vais ser Padre!” Haja animação. ;) Quem seja de rezar, peço-vos a oração, quem seja mais de pensar, peço-vos o pensamento por nós nestes dias. :) 

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Instante



Hielke Gerritse


[Secção outros tons] O instante. Descreveria como aquele momento em que nada se espera e tudo acontece. O que já foi fica registado, deixando que o movimento siga na continuidade dos tempos. Na atitude de reverência, compreendendo que os sonhos são possíveis, a fé ganha corpo… e as histórias continuam a ser escritas e contadas. Alimenta-se a esperança, contempla-se o instante.

quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Preparativos



Volodymyr Zinchenko

Estou aqui em preparativos e tive uma boa surpresa. Na 1.ª leitura do dia em que celebrarei a Missa Nova, Deus diz a Salomão: “Pede o que quiseres!”. Salomão, podendo pedir “vida longa, riquezas ou a morte dos inimigos”, pede um coração inteligente. Deus concede-lhe assim o dom da sabedoria. O saber discernir para bem governar, para melhor servir. Releio… pensando no dia da Missa, na minha pessoa, só me sai, citando um grande amigo bastante Delicado: “Deuscidências”. :)

domingo, 22 de Junho de 2014

"Está quase!"



Hideyuki Katagiri


“Está quase!” É uma expressão que tenho ouvido bastante. É bonito perceber a emoção das pessoas amigas, que se junta à minha. Entre descanso e encontros, torna-se o tema de conversa: “Como te sentes?”; “Já viste como o tempo passa rápido?”; “Quem diria?”; “Estás feliz? Oh, desculpa, que pergunta, nota-se logo que sim!” Há pouco na procissão do Corpo de Deus rezava agradecido pela vocação, por nós 6 que vamos ser ordenados, e pelas pessoas a quem vamos servir. É isso, faltam 14 dias... na verdade, 13 dias e algumas horas. ;)


sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Golfinhos :)



(Versión en español en los comentarios)

“Que queres ser quando fores grande?” “Veterinário com especialidade em cetáceos!”, respondia prontamente, já com os meus 10 anos. Já se sabe as volta que a vida deu. Mas, claro, o carinho pelos cetáceos continua. Ontem o meu pai perguntou: “Tens programa para amanhã à tarde?” “Qual a proposta?” E eis que fomos para o alto-mar algarvio ver golfinhos selvagens. Era à sorte, pois nem sempre se consegue ver. No entanto, para grandes sorrisos de toda a gente, os golfinhos até nadaram às voltas do barco, como que a cumprimentar… enquanto caçavam a bela da sardinha. Foi difícil tirar boas fotos. No regresso, em silêncio a contemplar a costa, agradeci a Deus a beleza da criação e pedi-lhe que houvesse cada vez mais consciência da importância da protecção da Natureza. Não é uma questão de caprichos… mas também de sobrevivência da humanidade.  

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Símbolo



Kamala Kannan

[Secção outros tons] Busco o símbolo. De mim ou de ti, no caminho que molda os pés. Os gestos rodeiam-se de ternura, misturado com o cansaço da viagem de tanto. São as saudades que marcam aquele estar, no abraço que continua a bordar o que será. As conversas dispersam-se no muito a dizer. Não se notam as rugas, apenas a amizade que o tempo não apagou. 

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

[Pensamentos soltos sobre animais]



Sempre quis ter um cão. Se a minha vida permitisse adoptava um, em especial que tivesse sido abandonado. Fico impressionado com a quantidade de animais que são abandonados, sobretudo pelos caprichos de algumas pessoas. E os que, em nome de luxos, feitiçarias, etc. e tal, são mortos por este Planeta fora? A natureza tem um misterioso equilíbrio, onde não se pode, nem deve, confundir uso de abuso. Pensava nisto enquanto o “Xiribiri” [nome dado por mim, confesso] veio ter comigo aqui ao computador. Agora, volta a estar no meu ombro, enquanto escrevo, mordiscando-me a orelha. Aos poucos foi-se habituando a estar por casa… a gaiola está sempre aberta. 

terça-feira, 17 de Junho de 2014

Cheiro que marca encontro



Ainda cheiram a sardinhas. Normalmente não gosto do cheiro que fica nas mãos, mas hoje não me importo nada. Há as pequenas coisas que aparentam ser ridículas ou cliché, mas… vividas com seriedade tornam-se isso mesmo: vida. Hoje é o cheiro das sardinhas que marca a chegada e os encontros. O meu pai preparou-as, tal como uma salada de tomate feita pela minha mãe, junto com o belo do pão caseiro da minha avó, e soube-me pela vida. Que boas estavam! A comida tem sabor de encontro, de relação e de vida. Chego de outra Ceia, presidida pelo Luís, um companheiro jesuíta e grande amigo. Juntam-se as famílias. Dá-se encontro… e é bom, muito bom. :)

Post digno para hoje...





Há já umas semanas que tenho este post pensado para publicar hoje. ;)