terça-feira, 26 de maio de 2015

Entre cartas e anjos




Pablo Ponti

Entregam cartas
onde as palavras
são musicadas
de corpo,
verdade,
sentido.

O próximo é 
tema constante,
a descobrir.

E assim se 
conhecem
os anjos.


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Testemunhos




Quando dou testemunho vocacional, revejo inevitavelmente a minha história. E se pode ajudar quem o ouve, também eu sou ajudado por mim mesmo, ao recordá-la com as suas alegrias e tristezas, vendo onde fui crescendo, amadurecendo e onde ainda estou estagnado. Por perceber a riqueza do (re)contar a história, do voltar atrás, aconselho os casais a fazerem o mesmo. Sim, surge a sensação de ridículo, do “não tenho pachorra ou idade para isso”, mas o segredo de recontar a história ajuda a tomar consciência do caminho feito até hoje. Recordar as alegrias, os momentos de crise, como foram ultrapassados (ou não), os momentos de desgaste, de abandono da relação, o que mantém a chama viva (mesmo que seja muito ténue), nesse desejo de não querer separar, pode ajudar a perceber e a tomar as decisões mais acertadas para o futuro de cada um e dos dois. Hoje li o que considero um testemunho vocacional da vida de casal, a partir da celebração dos 15 anos de casados. Conheço a Sónia e o Ricardo e na sua diferença têm feito caminho de complementarem-se “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. E a surpresa que a Sónia lhe preparou fez com que um e outro, de modos diferentes, fizessem uma viagem ao que já viveram. Parabéns a eles… como casal, pelos filhos e pela criatividade de vida a um, a dois e a seis. É a família Cocó na Fralda!


José Fernandes

É mais que conhecido o carinho e a amizade que tenho com a Mafalda. Hoje tive um dia intenso de boas conversas e há pouco, ao chegar a casa é que tive oportunidade de ler este artigo/entrevista. Mais uma vez, está no ponto e é de partilhar, claro. Aqui está uma tirada que dá que pensar: “[As crianças] são educadas como se todos fôssemos muito perfeitinhos. E não somos. Os pais protegem muito as crianças de lidar com pessoas como eu e isso irrita--me profundamente. Ou na família há alguém próximo com um problema semelhante ao meu, ou então a deficiência não existe até chegarem a adultos. E depois são preconceituosos. Os pais lidam muito mal quando numa escola, de repente, é colocado um miúdo portador de deficiência. Não têm paciência para as perguntas que os filhos lhes fazem sobre o assunto.” 

domingo, 24 de maio de 2015

Pentecostes




Steve Bradburn

Tenho um carinho especial ao Pentecostes. Entre o gostar muito da leitura dos Actos dos Apóstolos, viver a presença do Espírito na sua ternura e força, no aconchego e no desinstalar, parece-me que este dia é muito marcante por convidar a abrir ainda mais horizontes. É difícil aguentar que o Espírito sopra onde quer, mostrando-me o valor do amor que impele a sair dos meus prejuízos e preconceitos sobre o ser humano (em geral e em alguém específico). Obviamente não é algo que acontece de um dia para outro, daí os ciclos de renovação e em mais um ano celebrar-se o Natal, a Páscoa, o Pentecostes. Acredito que nesses tempos algo novo acontece se tomo à séria a autenticidade da fé de Deus em cada pessoa, em mim. Apenas depende de nós aceitar as riquezas dos dons… e pô-los a render, nesse caminho de humanidade e divindade a que somos a chamados viver.

sábado, 23 de maio de 2015

Vocação [testemunho e acção]




Kelsey Gerhard


Esta manhã fui dar um testemunho vocacional aos alunos do 12.º ano do nosso colégio aqui em Paris. Falei sobre as alegrias e tristezas, os desafios, as dores e as riquezas e possibilidades da vida religiosa e, no meu caso, como padre. Avacalhei tanto… Às vezes penso que devia ganhar mais juízo, ou não. ;) No final, houve uns quantos que vieram falar comigo em particular, com mais uma ou outra questão. Já sabemos que este ano é muito importante pelas decisões de futuro. Houve um que me disse: “afinal, pelo que ouvi da tua história de vida, a decisão que eu possa tomar agora sobre o curso, universidade, etc., não tem de ser tipo ‘fim do mundo’. Sim, é importante, mas tenho muito de vida pela frente.” E outro: “bem, pelo que vi, a vocação religiosa não é nem triste, nem aborrecida.” Com um piscar de olho disse-lhe: “olha, pensa nisso para ti.” Ele: “Não me tinha ocorrido, mas vou guardar a questão.” Lá conversámos mais um bocado e foi uma animação. :) Que continua agora à tarde. Nestas vésperas de Pentecostes e em dia de beatificação do D. Oscar Romero, vou baptizar 4 crianças.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nostalgia




Imogen Henderson


Estou a entrar naquela fase estranha em que a nostalgia começa a ganhar terreno. O tempo de Paris aproxima-se do fim. Há vontade de partir, sim. Cá em casa brincam muito comigo por tomar quase sempre o pequeno-almoço de pé. Digo-lhes que é de vocação, isto de estar disposto a partir, a ir. Por vezes há regresso, outras vezes não. Durante a viagem, passeio ou caminho vou encontrando tantas pessoas. Umas de passagem, outras que marcam: a relação ganha o forte contorno de amizade. Por isso, até mesmo nessa vocação de partir há aquele aconchego também na vontade de ficar, perpetuando momentos, conversas,  silêncios, abraços que foram partilhados. Ao longo destes anos tenho descoberto que haverá sempre um ponto de encontro: a oração… que convida a uma mensagem, mail, telefonema. Pois, estou a entrar naquela fase estranha em que a nostalgia começa a ganhar terreno. Também é bom, por ser sinal de vida e de afecto.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Falta de amor[-próprio]



Patrick Quinn


Tenho para mim que um dos grandes pecados é a falta de amor-próprio. As outras coisas que parecem pecado, serão apenas tristes consequências dessa falta de amor. Quando o “amar-se a si mesmo” não é cultivado, rapidamente o orgulho, a soberba, a necessidade de afirmação vão tomando espaço no ser e depois dá-se violência, muita violência, manchando nomes, instituições, comunidades. Quando há este amor, na aceitação de quem se é, até as comparações acabam por se diluir. Nestes dias, a pensar no envio do Espírito como advogado de defesa, dei-me conta que bastantes vezes acaba por defender-me de mim próprio, naqueles momentos em que deixo de acreditar em mim. Ah, e se surgir confusão entre amor-próprio e egoísmo, rapidamente se dissipa quando vejo que vivo mais a “amar o próximo” sem lhe exigir que seja como eu.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Tomorrow shall be my dancing day - entregue!




no metro, a caminho da faculdade


[Secção “tese”] Entregue! Agora espero pela defesa. O caminho deu-me que pensar, abrindo-me perspectivas… com algumas “dores de entranhas”. Sinto-me agradecido a muita gente, em especial ao Philip Endean, o orientador, que desde logo acreditou na minha intuição. Depois aos companheiros jesuítas e outros amigos com quem fui e vou tendo boas conversas sobre estes temas. O título é o primeiro verso de um cântico inglês de Natal… sendo Jesus a dizê-lo no dia anterior à sua encarnação. Depois, todo o cântico vai articulando a vida de Jesus até à Ascensão, onde na última quadra há o convite ao ser humano de participar na dança divina. Obrigado também a tantos vocês que foram dando apoio em mensagens. Estou contente. :) Vou dançar um bocadinho e rezar agradecido. :) 



domingo, 17 de maio de 2015

Ascensão



Yves Vernin


Viajo,
deixando o mundo
do não mundo
e amo.

As raízes permanecem,
fazem voar.

Que os olhares
não se percam 
em torcicolos

e ajudem-me
a atravessar a rua
de todos os dias
em busca de migalhas
de pão, de fé, de liberdade.

sábado, 16 de maio de 2015

Nelken



momento de Nelken


[Secção “outros tons”] Tenho o quarto voltado para um pátio interior. Os pássaros soam. Apenas lá longe ouço carros a passar. Nem parece que vivo em Paris. É estranho o contraste com o que ainda me ecoa de Nelken. Esta coreografia de Pina Bausch tem mais de 30 anos. Nos seus cravos perfeitamente alinhados, dá-nos um lugar quase idílico. Pouco a pouco as emoções afloram, tocando mais ou menos subtilmente a história de cada um e, de algo modo, a universal. Entre gritos, sorrisos, latidos, passaportes, batatas e cebolas, cadeiras e caixotes, os gestos dos bailarinos são tão firmes a contar algo de entranhas. Dificilmente se explica, apenas se sente. Se em Nelken busca-se lógica, com argumentos perfeitamente alinhados, vai haver desilusão, absurdo, estranheza, incompreensão… praticamente o mesmo que se vive, por exemplo, diante da tortura e do sofrimento que muitos passam. E o estranho mesmo, tão paradoxal: as estações do ano seguem harmoniosamente o ritmo.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Parágrafo final




momento de “Nelken” de Pina Bausch, a ver esta noite cá por Paris…


[Secção “tese”] Faltam os remates finais, mas o último parágrafo da conclusão já está escrito: “Por tudo isto, mais que alcançar uma conclusão, parece-nos que esta tese deve seguir aberta a partir do caminho feito. Ou seja, é um convite a explorar ainda mais as possibilidades da fundamentação entre a teologia e a dança, aprofundando na fé em Deus que ‘dança e grita de alegria por ti’ (Sf 3,17).”

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Respiro em música




[Secção “coisas”] Às vezes basta o respiro de 4 minutos e 25 segundos, imaginando boas conversas acompanhadas com um bom copo de vinho, para de seguida voltar a escrever coisas teológicas, de corpo e de dança, com outra frescura.  [Obrigado J. Acertaste! :) ]

quarta-feira, 13 de maio de 2015

[Des]acordo




Cezary Filew

Estou há quase 5 anos fora de Portugal. Em 3, aprendi algo de espanhol. Em 2, algo de francês. Em todos os anos, fui seguindo com o inglês. Mas, assim de um dia ao outro, fiquei a saber que não sei escrever português. O tal (des)acordo é totalmente obrigatório pelo que percebi, não é? Pois, parece que quando regressar a Portugal vou ter de aprender português. Coisa estranha… a vida, a cultura, os interesses económicos, a evolução. Ah, a evolução! 


P.S. - Peço a vossa compreensão e desculpa pelos futuros erros ortográficos.

terça-feira, 12 de maio de 2015

A noite de 12 de Maio




Henriques da Cunha

[Escrito há um ano, mas actual. Ainda mais quando sei de tanta gente amiga que lá está] 


Das imagens que mais gosto, quando estou em Fátima a 12 de Maio ou de Outubro, é o momento em que se elevam as velas durante o terço. Das várias vezes que lá estive, encontrei pessoas do mais variado que se pode imaginar: pobres de dinheiro ou de espírito, ricas de criatividade ou de vaidade, crentes em Deus ou na energia cósmica do Universo, descrentes na política ou na família, alguém na solidão estando rodeada do grupo que a acompanhou em peregrinação e alguém com o coração cheio de gente, depois de ter caminhado só, em silêncio, durante 5 dias para agradecer algo importante na sua vida. Na escuridão, não havia rostos, nem roupas, apenas a luz que cada pessoa, independentemente da sua história pessoal e de relação com Deus, elevava. Essas luzes iluminam sempre todo o recinto… e, atrevo-me a dizer, a humanidade. Gosto desse momento, pois não se pode fazer nenhum julgamento. E aí está um dos Mistérios da Fé!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Elogio e responsabilidade




Peter Essick


Há elogios que dão mais responsabilidade do que parece. Então: “Padre, é raro ir à missa. Não acredito em Deus e sou comunista. Vim cá porque era a missa por alma de um familiar. Nota-se bem que gosta das pessoas que aqui estão. Senti-me bem, ainda mais com tudo o que disse do amor. É isso há falta de amor. Olhe que por ser comunista não significa que não vejo o bem nos outros, por isso achei que cá devia dizer isto!” Da minha parte: “Bem, obrigado. O que nos caracteriza como pessoas é a humanidade e essa é que tem de ser trabalhada. As características por vezes acabam por ser acessórios que impedem a comunicação. Obrigado, mais uma vez!” 

A Thousand Times Good Night




[Secção filmes] Em conversa desafiaram-me a ver o filme A Thousand Times Good Night com a Juliette Binoche. Vi-o há pouco. Depois de um tempo de respiro, partilho parte do que escrevi a quem mo recomendou: Há silêncio que se reveste de tanta conversa, assim, com muitas perguntas… ecoando silêncio como resposta. O silêncio vai ganhando corpo, as palavras rostos, ou simplesmente contrastes. Nem sei bem. Ás vezes o desafio é precisamente não saber, gerando a inquietude que faz duas coisas: agradecer e não ficar pequeno de horizontes. […] Ainda não consigo escrever ou falar sobre o filme em si. […] Apenas o óbvio de momento: como humanos somos tanto… do melhor ao pior. Ainda hoje escrevi um post sobre Deus é amor… e agora estou em modo repeat [acompanhado por Ane Brun]: 

daring to love
oh love
la la la la la la la la la la la laa
and come alive
alive
la la la la la la la la la la laa

but most of all to be loved



domingo, 10 de maio de 2015

Isto de Deus ser amor é estranho




Gregor Pirih


Isto de Deus ser amor é um pouco estranho. Nem se compreende bem. Fica tudo demasiado simples. Seria mais fácil que fosse castigador, assim ao jeito de um tirano que  decide tudo sem ter em conta o diferente, ou que exigisse cumprir regras e regrinhas, preceitos e preceitinhos, sobretudo a partir do sofrimento. E quanto mais melhor, assim pela dor haveria a certeza de se estar mais perto dele. Seria: "cumpri e, mesmo que continue infantil na fé, já está!" Mas não, Deus é amor… e o que nos pede é que amemo-nos uns aos outros como ele nos amou. Ainda mais chama-nos de amigos e não de servos. Convida à liberdade de amar, sem fazer acepção de pessoas. No fundo, diz-nos para desinstalarmo-nos do conforto do rigorismo para a beleza do encontro… com alegria. Isto de Deus ser amor é estranho... e ainda bem.

sábado, 9 de maio de 2015

Orelhas e humanidade




Prandoni Livio


[Secção desabafos] Actualmente vive-se de polémica em polémica. As redes sociais, com os seus algoritmos, ajudam. As polémicas tornam-se virais. De uma passa-se a outra, esquecendo-se a anterior. E assim de impulsos, ao jeito de explosão de chama de fósforo, vai-se vivendo… rasgando-se vestiduras em meia dúzia de palavras irreflectidas em comentários agressivos. No final, não se chega a ir ao fundo do(s) problema(s). Talvez não se queira, não dá jeito, é demasiado incómodo, a precisar de mais tempo que apenas de um clique de “like” ou “partilha”. Agora fala-se sobre o rapaz das orelhas grandes. Ainda me lembro das vezes que na escola me chamavam de Dumbo. E não era propriamente um elogio. Talvez por isso tenho estado mais atento a esta polémica. Não vou menosprezar o caso, que é de ser analisado com atenção… mais um aliás. O que não gostaria é que, como de costume, as questões de fundo passassem demasiado depressa. Ao jeito de bode expiatório, descarrega-se culpas: neste caso, começa logo a ser no programa. Mas o programa é demasiado abstracto, então, no júri ou às pessoas da produção que lá na régie ridicularizavam em nome do gozo que vai dar audiências. “É coisa que o povo gosta!” Desta vez correu mal, estalando a polémica. A SIC escreve uma carta, vai apoiar a família, porque se vê apertada com a situação e, óbvio, não quer perder audiências. Mas será que vai perder? Afinal, para chegar ao ponto de ridicularizar é porque sabe-se que as audiências dos programas que alimentam a estupidez humana são elevadas. Quanto mais gozo, agressão, ordinarice em gestos ou palavras, melhor. Ah, então a culpa já não é só do programa, ou dos programas, mas também de quem vê, de quem, tornando a sua vida como telenovela, muda os ídolos para pessoas que tem a formação reduzida ao estímulo da polémica. Li que se devia promover mais fiscalização nestes programas e que se devia ter em atenção “a violência da caricatura”. Quando existe formação de valores básicos humanos, por exemplo, de respeito e compreensão, não há necessidade de mais fiscalização, para além da mínima de convivência social. Quanto à “violência da caricatura”, não pude deixar de sorrir. Viva a liberdade de expressão! Ela é fundamental. Isso não significa, como claramente se entende, que tal como qualquer dimensão humana não tenha limites. É difícil regular os limites da liberdade de expressão e muitas vezes esse é o grande problema, mas se houvesse mais formação dos tais valores básicos humanos um dos limites seria, p. ex., o bom senso. Mesmo sendo demasiado subjectivo, o bom senso ajuda a perceber o que é ajustado no respeito ao outro, sabendo-se pôr no respectivo lugar. Enfim, continue-se a menosprezar a educação, a formação humana, o profundo sentido de liberdade de consciência e expressão, alimentando-se a ignorância e o terrível poder que a saberá usar. Pois, isto não é uma questão de orelhas, mas de humanidade.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Dá-se silêncio.




Brice Portolano


Ando com esta do silêncio. Fazer silêncio. Resulta de uma conversa, melhor, de várias que vão sugerindo encontro silencioso. Como fazer silêncio? Parar ou calar, parece ser a resposta imediata. Mas é pouco, muito pouco. Não se trata sequer de esvaziar a mente, mas de enchê-la… de corpo, de vida, de Deus. Há dias numa das aulas de dança, a Diana propunha-me descobrir o espaço à volta. Depois, sentir simplesmente o toque entre o corpo e a roupa, deixando fluir o movimento. Essa era a informação, no sentir com tacto que cala as palavras, permitindo únicamente a existência. A indicação seguinte: “reza com o corpo”. Regulo a respiração e volto, literalmente, as costas ao ego, ao agradar, ao mostrar, ao provar. Fito o horizonte e dá-se silêncio. Só assim se escuta livremente o envio. 

terça-feira, 5 de maio de 2015

O espaço do silêncio




Ed Kashi


[Secção outros tons] De momento, talvez o melhor espaço seja o silêncio. Ou o voo de poesia, onde as palavras escondem ou transformam esse pensar e sentir que tenho do entorno, em pessoas ou terras, de mim, de Deus em carne. Escrevo noutras margens o movimento. Descubro os pés, nesse apoio de chão em contacto até ao sagrado. E respiro a alegria e a dor, de cá e de lá. Nesse silêncio, aceito o convite, saindo até ao desconhecido.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Arrepio... para ajudar




Navesh Chitrakar/Reuters

[Secção ajuda humanitária, especial Nepal] Entre muitas coisas que circulam pelo facebook, vi uma imagem com duas fotografias. Numa, uma pele arrepiada, com a frase “Presença de Deus segundo alguns”. Noutra, a Madre Teresa de Calcutá a alimentar uma criança: “Presença de Deus segundo a Bíblia”. Como imagem que é, resume muito. Recordei as vezes que senti arrepio depois de comungar ou depois de momentos espirituais fortes. Lembro-me perfeitamente da sensação vivida depois da 1.ª comunhão, do Crisma e nas ordenações de diácono e padre. Aquela sensação epidérmica que mostra que alguém especial nos toca. Tirando esses momentos, já há muito, mas muito tempo que não me arrepio depois de comungar. Também tenho muitos dias em que a oração se torna seca, naquela sensação epidérmica de vazio. Claro, a conversão acontece quando se tenta busca o sentido de Deus nas nossas vidas para além desse sentir epidérmico, dando o passo na entrega, no serviço ao outro. Sim, há momentos que vai de arrepios, nesse aconchego de “abraço divino”, faz parte. Espero que de algum modo se guarde a criança e o adolescente em nós, que vive de forma emotiva. No entanto, não se fica por aí. Esse arrepio, se amadurecido com a formação e a oração, começa a despertar outros a partir do da confusão, da comoção diante da injustiça ou do outro que sofre, levando-me, tal como em Deus, a sair em sua direcção, ajudando no que me é permitido. Nem precisa ser coisas extraordinárias, de forma espectacular com direito a selfie. Às vezes começa na toma de consciência de que ajudamos o outro se nos ajudarmos a nós próprios (cada qual saberá que tipo de ajudas precisa), noutras, na saída da queixa para o agradecimento, noutras ainda, na participação de forma discernida e esclarecida em ajudas humanitárias com o que nos é possível.

Neste momento dou uma sugestão. Ficamos todos com arrepios ao ver as situações de catástrofes naturais ou humanitárias. Neste momento há muita gente no Nepal a precisar de ajuda. Os jesuítas na sua acção social funcionam em rede, a Rede Xavier. A Fundação Gonçalo da Silveira está presente nesta rede e faz chegar aos jesuítas no Nepal as ajudas monetárias recolhidas. Para quem possa, para além do pensamento e da oração, aqui está uma forma de ajudar:

Fundação Gonçalo da Silveira
NIB – 0036.0000.99105889828.65
N.º Conta - 000.10.588982-8
IBAN – PT50.0036.000099105889828.65
BIC/SWIFT - MPIOPTPL

Muito obrigado!


segunda-feira, 27 de abril de 2015

A antecipar o dia mundial da dança




Pedro Pablo Achondo,ss.cc.

[Secção “coisas da e para a tese”] Uma pessoa lê isto (e cita, claro): “A dança confirma a pertença do ser humano ao universo e aos seus componentes mais profundos: a gravidade, o silêncio, o sagrado. Mesmo fora do santuário, ela está plena de sentido ritual. Rito de un espectáculo que, desde a sua preparação à sua realização e à sua representação, é comunhão. Rito de uma prática refinada que instaura, no seu lugar de celebração, uma relação privilegiada com o mestre, num acto de despertar e de iniciação. Rito do corpo, que se escuta, do qual cuidamos, em analogia com o sentido antigo do corpo-templo.” Dominique Dupuy, coreógrafo e bailarino. Depois, para terminar o dia, danço, por um lado, agradecido pela vida e, por outro, a recordar todos os que estão em sofrimento, de forma especial, os que perderam familiares e amigos no Mediterrâneo e no Nepal.


domingo, 26 de abril de 2015

Ouvir vozes, ou a voz.




Seyit Konyali


Vocação: ser chamado, “ouvir a voz”. Talvez nós, padres, religiosos e religiosas, juntando outras vocações, como mãe, pai, matrimónio, profissionais e voluntários entregues por paixão, que tentamos seguir a tal “voz” sejamos uma cambada de alucinados. Pois, a andar a dizer que ouvimos algo, ao jeito de vozes ou a voz (e nada que ver com “Casas de Degredos” ;) ), que nos diz para darmos o melhor de nós, parece não dar muita credibilidade. Isto, que até vem de credo, crer, ter fé, presente nesse sim vocacional acaba por ser inexplicável. Mais do que o ouvir, há o sentir de escutar: o quem sou e o outro a quem sou chamado a ir ao encontro. É um grande desafio com muito a trabalhar, entre os sentimentos de indignidade, incapacidade, orgulho, arrogância ou presunção de achar que se salva o mundo sozinho, junto com a humildade do reconhecimento de dons e de quem quer dar passos na descoberta da autenticidade, dando o melhor de si. Aí, nessa escuta da melodia em assobio do Pastor que ama, para além das (in)capacidades, faz-se caminho de encontro.

sábado, 25 de abril de 2015

Liberdade



Xinhua/Reuters

[Secção outros tons - especial “Liberdade”] Esta música acompanha-me, hoje, em jeito de mantra. São dias, é certo, são dias, onde os pensamentos esvoaçam em “vento agreste” por imagens de rostos, acontecimentos de Mar e Parlamentos, escritos meio perdidos de corpo e de carne em relação com o outro, reconhecendo em mim tanto a liberdade e a falta dela, como a hipocrisia social. Afinal, sou alguém do aqui e do agora, com tudo o que implica. Dos meus braços gostava de que saísse o gesto nesse “não a ‘matar e morrer’”. Fico-me pelo que posso neste momento, nas palavras e no desejo de continuar em conversão no caminho desse ser livre a defender a vida, para além de raça, sexo, política ou religião. 



A Batalha

Música: Salgueiro/Marcelino/Torres/Lobato/Santos
Letra: Teresa Salgueiro

A luz da manhã
Revela, anuncia
Ó terra, a esperança não é vã
Renasce a cada dia
E o sonho é lugar
Da criação

Vem, longe, um vento agreste
Trazendo outra vontade sem regresso

Sob o céu cinzento, a terra seca
Como é seco o sangue que a manchou
Dos corpos que tombaram, resta o esquecimento
Naqueles cuja razão os ceifou

Em quem lhes deu a vida, a mágoa imensa
O gesto mudo, que já nada alcança,
É o vazio agora, a única presença, e para sempre
Do calor do abraço, uma lembrança

Eu posso dizer não
A “matar ou morrer”
A minha direcção é ser
Tenho a minha vontade
Exerço a liberdade
Bastaria começar
E cada um seria mais um
A defender a vida

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Oração pelas vocações [já encontradas]



Tyrone Turner


Senhor, 

esta semana rezamos pelas vocações, agradecendo e pedindo para que muitos e muitas que ainda não o fizeram, abram o coração para escutar, através dos sinais dos tempos, o que humildemente lhes pedes: a colaboração em tornar o mundo melhor, seja no casamento, no voluntariado, numa profissão determinada, ou na vida consagrada. Mas hoje rezo de forma especial pelas vocações que já vivem essa colaboração, concretamente na vida religiosa. Peço-te: ajuda-nos a saber receber. Abre-nos o coração para não ficarmos fechados numa visão de Igreja que vê funções e vidas melhores que outras e assim nos abrirmos o sentido de serviço em colaboração. Ajuda-nos a continuar a viver a escuta do outro para além do seu aspecto ou imagem. Dá-nos coragem para, à semelhança dos primeiros cristãos e fundadores de Ordens e Congregações, sermos capazes, no extraordinário e no quotidiano, de abrir caminhos de encontro, de paz e serviço. Dá-nos consciência da força tanto positiva como negativa do nosso testemunho e assim mantermos o que há a manter e mudarmos o que há a mudar. Senhor, dá-nos a graça da conversão do coração. Amém.

terça-feira, 21 de abril de 2015

900, 28, 1




Stephane Mahe/Reuters


900, 28, 1. As quantidades aparentemente têm importância, no entanto, a força do simbolismo que está por detrás dos números pode falar muito mais. Há quem se importe com números, sobretudo quando se trata de cortes, ajustes financeiros, para resgates económicos. Estes com que começo são de pessoas mortas nos últimos dias: mais 900 pessoas naufragadas no Mediterrâneo, mais 28 cristãos decapitados às mãos do Estado Islâmico, mais 1 professor assassinado por um aluno que feriu outros tantos. Sim, não queremos saber de desgraças, é natural. Não me parece que o sofrimento seja algo apetecível, no entanto, se não se enfrenta as movimentações do que significa avançarmos para uma sociedade que esquece a importância do outro, mais ou menos conhecido, caminhamos seriamente na perda do sentido da humanidade. Já escrevi ontem sobre o náufrago. Essa busca de uma vida melhor, alimentada por piratas e terroristas que apenas vêem o seu dinheiro e o poder. Quanto aos cristãos, nesse massacre à vista de todos, apercebe-se que não interessa, afinal “são questões de religião, eles que se entendam”. O aluno que mata? Há tanta preocupação com resultados, que esquecemos o tempo e o espaço para perceber que somos um todo enquanto humanos, podendo precisar de ajudas para além da académica. Parece-me que isto deve-nos alertar para a importância da educação, da formação pessoal, de consciência, que apontam ao “amar ao próximo como a si mesmo”, em que o próximo pode ter rosto concreto nas relações pessoais, ou por conhecer, sabendo que o que fazemos aos outros e ao mundo hoje vai influenciar o futuro… também daqueles que ainda não nasceram.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Nenhum ser humano é ilegal




Associated Press


Ontem à noite pensei muito na morte. Lembrei-me de histórias contadas em primeira mão quando visitava as pessoas detidas no centro de internamento de estrangeiros (CIE) em Madrid. Visitei o Justin, do Senegal. Era pescador e arriscou uma vida melhor, deixando a família. Fez os devidos pagamentos “àqueles” que prometem a tal vida melhor. Todos os do barco foram detidos ao atravessar o Mediterrâneo e o Justin foi para prisão durante 3 anos por ser considerado o capitão por ir a conduzir. Ao fim desse tempo, ao sair da prisão a polícia já o esperava para levá-lo para o CIE. Aí estava, a falar um muito rudimentar espanhol, sem saber inglês ou francês. Tentávamos comunicar por gestos. Dificilmente um africano chora, em público muito menos. Às tantas, o sofrimento daquele homem transbordou em lágrimas que por força queria controlar e não conseguia. Além do sofrimento, juntou-se a vergonha de estar a chorar diante de um quase desconhecido. Regressar ao Senegal significava morrer, com o pensamento de que a família também poderia morrer às mãos “daqueles” que prometeram a tal melhor vida. Estes dias mais 700 pessoas morreram na busca de uma vida melhor, enganadas por tanta gente. Enganadas pelo idealismo do “sonho europeu”, por aqueles a quem pagaram por lhes terem prometido o “sonho europeu”, por políticas que elevam a economia à realidade primordial, alimentando guerras e terrorismo, por este lado de hipocrisia social, onde as vidas se reduzem à abstracção de números, diluindo-se no Mar os nomes e os rostos, não só dos que partiram, mas dos que ficam, muitos sem saber o que aconteceu a quem partiu. A quem governa, recordem que ninguém é imortal e que de nada servirá nem o poder, nem o dinheiro. Seria bom que ajudassem a eternizar que nenhum ser humano é ilegal, impedindo, por um lado, a escravatura social, política, religiosa e económica, por outro, a morte desumana enquanto busca de vida.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

[...]




Rafael Marchante / Reuters


[Secção desabafos] Leio as notícias sobre a situação política, social e económica em Portugal, suspiro e penso: “em cada dia que passa torna-se mais difícil escolher em quem votar!” E isto, confesso, preocupa-me.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Il faut tenter de vivre




[Coisas do quotidiano em Paris - em modo “outros tons”] 

Il faut tenter de vivre,
é o mínimo. 
Por isso ganho tempo
na leitura

de pedras feitas carne
de olhares transformadores
de toques entre a roupa,
a pele, o vento, a tua mão.

Il faut tenter de vivre,
não permitindo o peso
do irreparável, do nunca mais.

E doo amor,
enquanto vivo,
enquanto vives.


[Foto: Olhei para o lado, o título do capítulo chamou-me. Apenas pedi licença para tirar a foto, não quis saber qual era o livro. A abertura do capítulo e as primeiras frases bastaram-me.]

Para além do ocidente



Amy Toesing

Sábado serão ordenados diáconos 5 companheiros jesuítas. Começam a chegar família e amigos. Fui ao aeroporto buscar a irmã e um amigo de um deles, o Paul. Ela chegava de Uganda e ele do Quénia. É sempre bonito ver os reencontros. Vinha mais silencioso, deixando-os saborear entre eles o momento. Partilhavam a viagem, que tudo estava bem por lá, com o resto da família. Parece-me que as conversas de reencontros estão para além de qualquer cultura, tocando o comum da humanidade. Inevitavelmente veio à conversa o atentado em Garissa, Quénia, onde morreram assassinados 147 estudantes, apenas por serem cristãos. A Esther que é estudante, e cristã, mostrava a sua tristeza e apreensão. Se para nós é lá longe, para eles é ali ao lado. Enquanto os escutava, os pensamentos agitavam-se. O mundo “euro-centrou-se” ou melhor “ocidento-centrou-se”, ao longo de séculos. O modo de pensar, de sentir, de viver os acontecimentos está centrado no pensar ocidental: se é “cá”, todo o mundo sofre e fala; se é “lá”, ok, fala-se pelo normal choque da indignação humana, mas passa rápido. “Aqui”, no ocidente, determinam-se as condições de vida, de saúde, de bem-estar, se assim não for, “eles” são primitivos, pobres de espírito, atrasados no desenvolvimento, por isso, há que tomar uma atitude paternalista em dar-lhes o que nós pensamos que é correcto. Atenção, não se entenda aqui uma crítica às ajudas humanitárias ou à evolução científica, com a correspondente partilha de conhecimentos. A crítica está em admitir-se e viver-se a possibilidade de cultura ou modo de pensar superiores, centrados neste ocidente pensante, “livre”, cheio de conhecimento. É de grande riqueza viver numa comunidade internacional e perceber que todos, de África, das Américas do Norte e do Sul, da Ásia, da Europa, do Próximo Oriente, da Oceania, sentimos na pele a dor e a alegria… junto com a indiferença e a falta de respeito. Cá está, não se trata de sermos uns ou outros péssimos ou maravilhosos, porque bons e maus exemplos encontramos em todas as culturas. Trata-se de aprender a descentrar, para descobrir cada vez mais isto da humanidade, presente em pessoas concretas, com nomes, rostos e histórias, ajudando a combater a injustiça e o mal em todo o lado. E tal começa em casa, depois, no que nos envolve no quotidiano. Sábado serão ordenados diáconos 5 companheiros jesuítas. Começam a chegar família e amigos, de cá e de lá.

[Nesta linha vale a penas recordar esta conferência de Chimamanda Adchie: O perigo da história única]



quarta-feira, 15 de abril de 2015

Confissões e autenticidade




[Secção “sobre confissões” - com a devida permissão para partilhar parte da conversa, mantendo, claro está, o anonimato] 

“Salut mon père!”, dito de forma tímida. Olhei, de sorriso agradecido: “Salut!” “É normal que não me reconheça. Confessei-me a si no Advento, numa noite de Reconciliação.” Pois, não estava a reconhecer. “Que boa surpresa encontrá-lo assim aqui na rua. É uma oportunidade de agradecer.” Dou aquele sorriso animado. Começámos à conversa e comenta: “Naquela noite estava apreensivo. Sou daqueles que gosta de cumprir tudo, bem, não sei se gosto, e é por isso que agradeço. Fui educado a fazer tudo bem, a ser o melhor, a ter que ter as melhores notas: o bom nome da família em jogo. Sabe, quando vi que estava de sapatilhas, e de azul vivo, tive para ir confessar-me a outro sacerdote. No meu pensamento surgiu ‘sacerdote demasiado moderno’. Acalmei quando, com um sorriso, se levantou para me cumprimentar antes da confissão. Disso não estava à espera. Também no respeitar-me por confessar de joelhos. Fui habituado assim. Mas, achei piada à sua subtileza quando me viu a tremer: tocou-me no ombro e com um sorriso dirigiu o olhar para a cadeira. Sentei-me e continuei. Bom, em resumo, sem que aparentemente lhe tivesse dito nada nesta linha, disse-me que Deus não é um examinador ou avaliador de notas ou de bom comportamento. Afinal, Deus também perdeu, por amor, a vida. Nunca tinha pensado nisso.” “Sinceramente, não me lembrava. Sabe, há muitos anos tive um professor que dizia: ‘a boca fala, o corpo conversa.’ Infelizmente, há muita coisa falada que não coincide com o ‘conversado’. E na confissão tento estar atento à pessoa no seu todo, buscando a sua autenticidade. Muitas vezes dá-se a Deus as  ‘coisas a dizer em confissão’, mas não a verdade, a autenticidade, de nós. Quando Jesus diz ‘é a verdade que nos salva’, não tem que ver com coisas lógicas, ou delineadas em fiz/não fiz, cumpri/não cumpri, mas de autenticidade de nós, com as nossas maravilhas e dons e, claro, no erro, na falha, no mal que se fez a Deus, aos outros e a nós próprios.” “Pois, é por isso que já não sei se gosto de cumprir tudo, ou simplesmente o faço ‘porque sim’. Acho que há mais de mim, nessa busca de autenticidade que fala.” “Não tenho dúvidas que há mais de si… há sempre mais de nós, que sobretudo não se pode reduzir em imediatos prejuízos.” E a conversa continuou em partilha mais privada. Regressei a casa agradecido a Deus pela vocação, a formação que vivo, o respeito, a vida, a originalidade, a criatividade e a suavidade divina quando nos deixamos conduzir por Ele. ;) 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Palavra(s)




Da exposição “PLIURE. Épilogue (La Bibliothèque, l’Univers)”


[Secção outros tons, em coisas do (extra-)quotidiano em Paris] Há palavras que nos caracterizam. Cada qual mantendo a sua importância, ora são básicas, ora mais complexas ou “caras”, como diria a minha avó que não sabendo ler nem escrever fazia sempre aquele sorriso de quem queria aprender mais. Há palavras que se transformam em raciocínio, sentimentos, dúvidas, histórias. Talvez por isso a poesia viva desse mistério silencioso do encontro dessa palavra, dinâmica desde o princípio, que assume carne, deixando-se significar no coração de quem sente para além do imediato. Há palavras que precisam de tempo, outras, mais do que ditas, pedem para ser vividas.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Edujesuit - Plataforma de promoção da educação



Edujesuit

[Pausa para boa publicidade] Uma das preocupações presentes desde pouco depois da nossa fundação, enquanto Jesuítas, é a da Educação. Um dos pontos base para a evolução da humanidade é precisamente a Educação, sendo um dos objectivos do milénio promovidos pelas Nações Unidas. Tentando manter a abertura neste sentido, de modo a promover a Educação para todos, nasceu a plataforma Edujesuit. Para mais informações, deixo os links tanto para o site na versão espanhola, como para a página de facebook. No site encontrarão um vídeo com uma breve explicação de todo este projecto. Algo a conhecer e a divulgar. :)