segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A ti, Tino...



Esta foto enviou-me o Tino há anos, de viagens…


Para ti, Tino… e Suzana, depois desta intensa tarde.

A porta mora à espera...abre-se um espaço maior...uma região mais íntima na circulação das minhas veias
uma outra terra que pensa a minha morada
um perfume, uma maravilha, um repouso
para a cabeça dos que lutam com bravura 

Daniel Faria [poderia ser Constantino Gonçalves]

Abraço, querido Amigo, até à grande Festa da eternidade.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Fim-de-semana




Fim-de-semana com alunos de 6.º ano. Muita brincadeira, jogos, animação, perguntas e mais perguntas. Também paragem. Propus-lhes conhecimento próprio através de corpo. Gargalhadas, com os jingles de anca e gritos para libertar vergonha. Expressaram-se em movimento e, depois, rezaram o Pai-Nosso com gestos únicos de si. No final, meditámos em agradecimento de cada parte do corpo: os pés e a possibilidade de caminhar, as pernas que ajudam a fazer caminhos, as mãos, os braços e os abraços, os olhos e o olhar, os ouvidos e o escutar, o coração e o amar-se. E, ainda assim, tanto por descobrir. Fizemos nova amizade… amanhã revelo. Agora, descansar de tanta intensidade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Surpresa




[Aula com alunos do 6.º ano] Sempre que posso, saio da sala com os alunos. Eles sabem disso e, sempre que o tempo permite (para eles frio não conta), vamos até ao bosque. Se já em aula, com a relação de proximidade, vão fazendo perguntas ou partilhas mais pessoais das suas perspectivas sobre a vida, em momentos fora do contexto habitual, outras conversas surgem. Ao seu modo, partilham a viagem de sonho ou a dúvida sobre algo ou ainda a tristeza por alguém doente. Assim que chegam ao bosque, depois do habitual convite a escutar o silêncio:
- Stôr, podemos ir ali ao fundo? Queremos preparar-lhe uma surpresa.
Passado um tempo, chamam-me.
- Stôôôôr!!! Já pode cá vir!
Fomos todos, a ouvir o resmalhar das folhas secas.
- O Natal já passou, mas como o stôr diz tantas vezes, Jesus está sempre a nascer. É para si. 
- Permitam-me: é para nós.
E abracámo-nos todos, em agradecimento.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Chega-te Deus feito Homem



Yannis Behrakis/Reuters

[Secção outros tons] Chega-te Deus feito Homem, nesse olhar que vê o atrofio de mãos e de mentes. Diante da Vida o sábado é irrelevante, mesmo que séculos ou milénios depois de o “levanta-te e estende a mão”, dito nesse dia proibido de liberdade, ainda continuem a soar vozes dissonantes com desejos de segregação. A mente atrofiada em coração empedernido é difícil de curar, impedindo de perceber o céu e o véu rasgados em amor de Filho.

Árvores despidas




- Stôr, qual o interesse de fotografar uma árvore despida?
- Simplesmente registar a beleza do contraste entre os ramos despidos e o céu azul.
[Vê a foto]
- Parecem neurónios. 
- E mais?
- Redes de comunicação.
- E mais?
- Estrutura para construir uma casa.
- E mais?
- Ossos entrelaçados.
- E mais?
- Escovas enormes para limpar o céu.
- Então, qual o interesse de fotografar uma árvore despida?
- Hmmm, é isso… ehehehe… dar asas à imaginação. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Armadura? Pele




Calin Strajescu

[Secção coisas de corpo] Por aqui e por ali vou encontrando cada vez mais pessoas com armaduras. Já não de ferro como em tempos idos, mas de alma. Gente endurecida, que vai perdendo a sensibilidade no que a rodeia. Somos seres de endo-esqueleto, sendo a pele a revestir-nos e a pôr em contacto com o exterior. Numa mistura entre força e fragilidade, a pele protege-nos de forma delicada. A suavidade do toque permite o arrepio, medindo temperaturas de clima e de alma. A flexibilidade contribui para a maleabilidade de pensamento. Corre-se mais riscos de dor, com cortes ou queimaduras, por não haver receio de amar. É mais fácil a armadura, no entanto, o peso vai aumentando, impedindo a ligeireza do movimento para a liberdade. No fundo, o profundo amor a si mesmo e ao próximo permite voar com os pés bem assentes no chão, de rosto luminoso e mãos dispostas a servir.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Estágio de Formação Humana e Espiritual




Maria Amorim


Este fim-de-semana estive com uma turma em Estágio de Formação Humana e Espiritual. Algo bastante forte e marcante no nosso projecto educativo é precisamente a Formação Humana e Espiritual. Diariamente, acompanhando os alunos com a proximidade, que passa pelo simples “olá” até às conversas individuais de modo a perceber os seus sentires pessoais e ajudá-los a crescer com e para os outros. Pontualmente, parando um dia ou um fim-de-semana em turma, onde há tempo para saborear gratuitamente a vida e viver o perdão e agradecimento uns com os outros. Entre outras coisas, vindo a propósito, disse: “As nossas decisões e acções provocam ondas. Se forem para o bem, as ondas são tipo pedra no charco… suaves que agitam a água, dando-lhe vida. Se forem rodeadas de irresponsabilidade, as ondas podem ganhar proporções de tsunami, destruindo tudo à volta. A adolescência é para ser vivida com emoção, com garra, com sonhos, aprendendo igualmente a força da dignidade, minha e do próximo”.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Ajuda psicológica



Jakir Hossain Rana

[Coisas na vida de um padre] Alguém me falava muito a medo sobre ajuda psicológica.
- Eu não sou louco.
- Acha que eu sou louco?
- Não, sr. padre, de modo algum. 
- Então… eu já recorri a ajuda em terapia psicológica e, além da orientação espiritual, continuo a fazer o que se chama supervisão psicológica. Tenho gosto, dom, vocação em acompanhar pessoas, ajudando-as a ser livres e felizes, sabendo que também sou uma, na mesma busca de liberdade e, acrescento, encontro com Deus. 
- [Com ar de surpresa] Por essa não esperava.
- Infelizmente, ainda não há muito cuidado e atenção com a saúde mental, fazendo-se julgamentos rápidos e tristes. Antes de algo mais grave, é possível fazer tanto. Se partir uma perna, vai ao ortopedista. Quando as feridas de alma são muito profundas, procura-se a ajuda especializada para as curar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Sementes e pássaros



Jason Boswell

[Coisas na vida de um padre] Contava-me os últimos acontecimentos. Doenças e internamentos, com situações de perigo de vida, que deixaram de o ser, sentindo nova vida a surgir, novo olhar para as coisas. Na conversa:
- Vê tu, que no meio de tanto, ainda por cima levei com uma cagadela descomunal de um pássaro. Que mais me falta acontecer?, pensei. Era tudo tão triste.
- Posso dar outra interpretação? Sentes nova vida a surgir. Bem, a porcaria de vida pode ser fertilizante para algo novo. E um pássaro liberta sementes nos dejectos. Não é poético. É a realidade. Agora é tempo de deixar essas sementes brotar, com o novo olhar para a Vida. 

[...]




[Secção outros tons] A fé rodeia-se de história, olhares, escuta e caminho. Num instante, o silêncio do amanhecer.

Silêncio



Desenho de Nuno Branco,sj

[Secção Silêncio, ou efeitos dele] Percebo que o filme mexeu e mexe seriamente comigo quando acordo, ou nem sei se adormeci, com lágrimas a "cair de fio", enquanto os pensamentos agitam-se com perguntas... e, em jeito de oração contemplativa, apoio-me na pintura de um Companheiro logo após de ter visto o mesmo filme. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Nevoeiro




[Secção outros tons] Saboreio o silêncio do nevoeiro. Nele reside poesia e mistério próprio de abrandar passos e ficar à espera que se dissipem perguntas. Pouco se entende quando não se pára e contempla… mesmo que nada se veja a não ser a incógnita do que possa surgir. Entre medo e surpresa, aclara-se, pelo menos, beleza.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Silêncio, o filme




Fotograma do filme Silence Movie, de Martin Scorsese

Vi o Silêncio. A última vez que senti o que vivo pelo corpo foi na Ordenação de padre. O cansaço da intensidade, talvez possa designar assim. Ainda não estou capaz de intelectualizar sobre aquelas mais de 2 horas e meia que passaram sem tempo de demora. O filme pode falar da dúvida de fé. Saio de lá com a clara sensação de adensar-me ainda mais a fé… em Deus que baralha todos, mas todos os meus esquemas. No ano em que terminei a licenciatura em Teologia, fui a Manresa, onde Sto. Inácio de Loiola teve a visão do Cardoner, percebendo a expansão e universalidade de Deus. À conversa com um Companheiro, falava-lhe das minhas dúvidas, inquietações, gostos e irritações com a Teologia. Disse-me: “Paulo, a vida espiritual é como a subida ao Everest. Temos todos os guias, como a Bíblia e os Exercícios Espirituais, até um determinado momento. Aí, nesse preciso momento, mais ninguém nos pode acompanhar à subida ao cume. Estão nas nossas mãos a morte, a vida e a Vida.” Ainda não estou, nem pouco mais ou menos, nesse momento na chegada ao cume, no entanto, com humildade, acrescento… nas nossas mãos estão a morte, a vida, a Vida e o Amor. E hoje compreendi mais um pouco o Amar de Jesus até ao extremo… em Silêncio.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Daniel Serrão | Zygmunt Bauman




[Secção homenagens] Ontem, Daniel Serrão, hoje, Zygmunt Bauman. Partidas de quem deixou fortes marcas no pensamento contemporâneo sobre o ser humano e a sociedade. Ambos alertaram para mudanças que afastam o ser humano do essencial, tendo o desejo de o aproximar à sua densidade de vida e de encontro. Serrão impulsionando a Bioética, Bauman advertindo para os perigos da crescente insensibilidade da sociedade globalizada. De Daniel Serrão, li bons artigos e ouvi melhores entrevistas, como esta https://soundcloud.com/joao-delicado/entrevista-prof-daniel-serrao-1parte. De Zygmunt Bauman, além de bons artigos, estou a meio do livro, que vivamente aconselho, “Cegueira Moral - A perda da sensibilidade na modernidade Líquida”. A humanidade perde dois grandes Homens que a amavam profundamente. Fica o seu legado. Continuemos a aprender com o imenso que nos deixaram. 

Vida em abundância




Nelson Garrido, da escultura “East-West/West-East” de Richard Serra


[Coisas na vida de um padre] Ofereceram-me esta foto, escolhida e assinada pelo autor. A escolha teve a ajuda da passagem aqui pelo blogue, no que vou partilhando em escrita e fotos. Já estive em contemplação diante dela e fez tanto sentido depois de um dia cheio. Conversas soltas e mais sérias, em escuta de vida, confissões, pregação na Missa de funeral da avó de um colega e de um aluno e Missa em Comunidade, celebrando o Baptismo de Jesus. Neste acontecimento forte, onde mais uma vez Jesus mostra que participa plenamente da humanidade, pondo-se na fila para ser baptizado, o Céu e a Terra juntam-se, unem-se, ligam-se. O Filho Amado torna presente a força do Pai no meio de nós. Se antes havia separações a partir de “purezas” que velavam a relação com Deus, com Jesus tudo se desvela, mostrando a justiça de Deus: dar vida em abundância, desejando o crescimento de cada ser humano em fé, esperança e caridade. A vida essencial que está para lá da sobrevivência, de uma manutenção biológica do respirar ou alimentar, que nunca morre: dá-se a transformação da presença, jamais o seu fim. São muitas as vezes que isto é difícil de compreender, ou então, até por muitos pode ser visto como estupidez. Olhando para esta foto, sinto-me criança a olhar ao alto, no imenso que desconheço, deixando-me deslumbrar com a beleza da fé, acabando por ser ponte no anúncio e vivência da justiça de Deus. E continuo no caminho da Sua escuta no meio do turbilhão do mundo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Epifania [do acolhimento]




Moussa Idrissi


Das coisas que mais me fascinam no encontro com Jesus é o Seu acolhimento. Os Evangelhos fazem questão de nos mostrar que desde logo o Menino é o sinal, a manifestação, de inclusão, de abertura ao outro, em especial, aos excluídos e ao diferente. Na noite de Natal, em abertura do tempo natalício, com a passagem de S. Lucas vimos como os pastores, aqueles que estão fora, apesar de pertencerem à mesma sociedade, são os primeiros a adorar o Menino. A encerrar o tempo natalício, em S. Mateus é-nos apresentado outra adoração do Menino. Desta vez, os Magos vindos do Oriente são os primeiros a viver o acolhimento universal por parte d’Aquele que revela novo modo de reinar: na paz, na justiça e no serviço. Novamente, a partir destes textos, percebemos que a relação com Jesus é o primordial. Quando o conhecemos verdadeiramente, de coração disposto à conversão, acabamos por regressar, tal como os Magos, por outro caminho… e manifestar, tal como Ele, o acolhimento nas nossas vidas.

Não escrevo sobre Mário Soares




Lucas Bariberi

[Secção pensamentos soltos] Não escrevo sobre Mário Soares. Pela idade, falta de conhecimento histórico-político, por ler factos, tanto de méritos e louvor, como de infelicidade nos actos e palavras, ou, simplesmente, fazer-me reacção o bombardeamento de informação, não me permite ter uma visão crítica o suficiente para me manifestar. Poderia fazê-lo com uma simples frase de reconhecimento, mas, ainda assim, seria demasiado simplista da minha parte. Com a Dra. Maria Barroso ainda estive algum tempo à conversa, já jesuíta, na Igreja do Colégio em Portimão. A Mário Soares, quando era Presidente, apertei a mão por duas vezes entre os meus 6 e os 8 anos: na Praia do Vau e na Rua do Comércio, em Portimão. E isto, de facto, é muito pouco. 

Permito-me escrever ao de leve sobre algo que já vou percebendo um pouco mais: educação. A educação não se restringe à escola. A base, sabemos, é em casa (seja o que casa for, já que na actualidade pode haver duas ou mais casas, e uma delas ser  a ou uma instituição de acolhimento). Nós aprendemos por imitação. Não adianta muito dizer algo quando o que faço é o contrário. “Não se grita às pessoas”, quando o modo de falar (ou escrever!) é aos berros com a mulher ou marido, ou o vizinho, ou com quem não se gosta. É fácil perceber que qualquer coisa não vai bem com quem é azedo nas palavras e nos gestos. Não, não é uma questão de personalidade, mas de problemas afectivos, consigo e com o mundo e isso pode ser tratado. A educação passa por um trabalho pessoal de reconhecimento de como se está e saber que o que se diz ou faz tem implicações ao nível pessoal e social. 

Há a forte necessidade em exprimir o que se pensa. Até aí, tudo bem. Faz parte do relacionamento humano podermo-nos manifestar com opiniões e modos de ver a realidade. No entanto, saber a diferença entre “mandar o bitate” e manifestar o pensamento, com argumentos e sentido, é de extrema importância para o bom decorrer da liberdade de expressão. De forma intensificada desde ontem depois das 15h30, mais uma vez se confirma que a Educação anda bastante turbulenta. A base é em casa. Muito do resto também é político. Depois de análises sérias, há sempre tempo de mudar… evidentemente, para melhor. 


Ontem, na Missa, como sempre faço quando alguma personalidade morre, pensei em Mário Soares. Enquanto português, faz parte da minha história.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sobre violência...




Reuters

Quando vivi em Madrid, orientei um workshop de corpo a um grupo de alunos de risco de um dos nossos colégios. Quase todos faziam parte de gangs, tinham levado facadas (mostraram-me as marcas) e dado outras tantas. Como para mim, desde há muito e vai-se a apurando, antes de qualquer característica, as pessoas são pessoas, ali estava a partilhar o que me parecia importante. As professoras estavam muito nervosas. Percebia a vergonha, quando a linguagem e atitudes deles eram mais agressivas. Fiz-lhes sinal para não se preocuparem. Num momento, para falar do espaço antropológico, aproximei-me rapidamente de um deles, parando muitíssimo perto da cara. Vejo-o, em olhar periférico, a fechar o punho e a levantar o braço, estancando-o acima da cabeça. O silêncio era indescritível. Mantive-me sereno sem mostrar nenhuma reacção. Percebi pela sua cara que isso estava a baralhá-lo. 
- Porque não continuas?
- Não posso.
- Não podes porquê? Porque sou professor ou não sabes o porquê da reacção?
- Não sei.
- A vida dá-nos instintos de sobrevivência. Passaste o tempo a viver e a apurar a base do instinto, agredindo com violência qualquer objecto estranho que se aproxime de ti. Mas, já pensaste que és mais do que instinto? Que vocês são mais do que a violência? Que vocês são mais do que manifestações de poder animalesco? Sabem o que vos falta? Amor. Já sei que é a demasiado “florzinha”, mas falta-vos amor que mostre a vossa dignidade enquanto pessoas, para além dos rótulos que a sociedade vos pôs, junto com as regras para perceber que, lamento, o mundo não é vosso. Vamos mudar de exercício. Querem tensão? Pois bem, toca a contrair os músculos todos. Contrair ao máximo, ficando o mais rígido possível. E relaxem, derretendo para chão.
No final, propus um tempo de meditação. Ainda houve resistências, junto com concentração e uma lágrima muito fortuita. 
Quando se foram embora, uma das professoras vem ter comigo:
- Tens noção que ias levando um murro? Ele é o chefe de um dos gangs. Ele não disse, mas é respeitado pelo outros por ter eliminado um com uma facada no estômago.
- Que idade tem?
- 16.


Lembrei-me disto, a propósito do famoso vídeo do caso de violência em Almada. Não vi. Mesmo podendo ser insignificante, ficam com menos uma visualização. Apercebo-me o quão facilmente se espalha o agressivo ou estimulante de gozo. Sinceramente, sinto-me responsável por isto, ainda mais quando sou educador. Das coisas fundamentais é mesmo o de educar para a liberdade, com conhecimentos (no meu caso de âmbito religioso, moral e humano), ferramentas de relacionamento e com atitude. Sentir-me responsável não significa carregar com a culpa da violência alheia, mas, sim, alguém que quer dar uma resposta social a partir do respeito. E há tanto a fazer.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Santíssimo Nome de Jesus




Rebeca Acedo/JRS


Nós, jesuítas, celebramos hoje a Solenidade do Santíssimo Nome de Jesus. Somos mais conhecidos por jesuítas, mas Sto. Inácio, aquando da fundação da Ordem, fez questão de que se chamasse Companhia de Jesus. É de recordar que o nome traz identidade, permite identificar. Longe de ser uma designação convencional, em muitas culturas expressa o papel de um ser no universo: o ser e a natureza através da missão e das acções que realiza. Deus, no livro do Génesis, cria, pondo nome aos astros e pede a Adão que dê nome a cada um dos animais. O nome dado ao ser humano no nascimento expressava a actividade ou o destino que cada qual levava. Pensando em Jesus, o nome traduz a força de ser “Deus connosco”. Sendo nós companheiros d’Ele, então, hoje é dia de recordar a nossa missão de anunciar, por esse mundo fora, como em Jesus se anula a distância em relação à divindade, tornando-nos amigos e, de forma ainda mais profunda, irmãos em Deus.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dançar em 2017




Alexandre Meneghini/Reuters

“Tomorrow shall be my dancing day” é um cântico inglês de Natal que nos apresenta a vida de Jesus, desde a encarnação à ressurreição, com a dança como mote. A dança que implica o corpo nas suas muitas dimensões, fazendo-nos habitar quem somos, no tempo e no espaço. Quase podemos dizer, seguindo a ideia do cântico, que a partir da linguagem da dança é possível compreender o nosso modo de existir ante Deus. A dança permite-nos entrar em nós mesmos, como corpo que somos, tanto individual como comunitariamente. Quando danço, deixando o movimento ganhar autenticidade e limpidez no gesto, percebo o quanto recebo de informações sobre mim, levando a bonitos e profundos momentos de oração. Por isso, uma das resoluções para este ano é continuar a dançar… de corpo em abertura a Deus. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

Ternura de Mãe e Paz




Yannis Behrakis/Reuters


O Papa Francisco, neste dia de Santa Maria, Mãe de Deus, e Mundial da Paz, recorda-nos como a ternura de mãe transmite-nos paz. A segurança que necessitamos tem de ter como base a confiança. A falta de paz acaba por esta ligada às escravidões de tanto que é acessório: questões de poder mal direccionado, de abuso do outro, de comparações que tiram a força de se ser único, de se achar que o meu modo de ver as coisas é que é “o” modo sem se estar aberto a outras perspectivas, etc.. Ao mundo falta afecto, nisto de nos fazermos próximos e de, nessa proximidade, dialogarmos. Todos, sem excepção, somos chamados a ser construtores de Paz. Não uma paz podre, em que se mantém algo artificial em nome sabe-se lá do quê. Mas, a paz que nos ajude a crescer como humanidade. Pode-se pensar que são “eles” que decidem, no entanto, a decisão de começar a viver caminho de verdadeira Paz começa em cada um de nós.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Bom 2017



Com sentido de amor ao próximo, bom ano 2017. :)

Caminho




Inês Pinheiro


[Secção outros tons] Sigo na descoberta da beleza de caminho. E a vida faz-se. O que vier, em olhos de amante, será de agradecer.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Passagens de tempo




E. Joidos


Por aqui e por ali surgem os balanços de ano velho e desejos, previsões, etc., de ano novo. Ao nível comunitário, mais local ou universal, por questões de funcionalismo, é necessário marcas temporais… ano civil, ano académico, ano judicial, ano litúrgico. Depois, há as inúmeras passagens de tempo que não são tão coincidentes com as globais. Na nossa vida pessoal, são muitas as passagens que são marcos de tempo antigo para novo: um encontro, uma conversa, um retiro, uma missa, uma assinatura (de casa, trabalho, rescisão, casamento ou separação), uma doença, uma operação, a aprovação no último exame, a defesa da tese, o nascimento ou a morte, o resultado de umas análises, e por aí fora, de coisas tão subtis que têm mais significado do que se pensa. Há sempre o desejo de que o que vêm a seguir seja melhor, mas, parece-me que será sempre bom quando melhoro, cresço, evoluo, enquanto pessoa… não ficando nem preso ao passado, nem com angústias de futuro. Há muitas passagens de tempo individuais que, quando bem vividas, além de poderem ajudar a crescer, contribuem para o melhoramento do mundo. É que o mundo não são “eles”, essa realidade exterior a mim, mas também o que eu faço dele. E se cada um de nós evolui, cresce, vive a conversão de coração, então o que nos rodeia também.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Deixar crescer...




Jonathan Ernst/Reuters


[Secção desabafos] Se há coisa que faz mal é o paternalismo… seja social, religioso ou político. O poder mal usado infantiliza, criando formas de subjugar. Lidar com a liberdade do outro, que poderá suplantar-me no pensamento ou no modo de fazer as coisas, faz parte do crescimento humano e espiritual. Como padre não quero gente subjugada, mas livre. E não é nenhuma invenção minha. Limito-me a seguir as pegadas do maior Libertador da história. Apesar de estarmos em tempos de celebração do Seu nascimento, é de recordar que Cristo morreu na cruz por, entre outras coisas, expulsar do Templo aqueles que queriam fazer daquela casa uma prisão religiosa e espiritual. É que isto de “eu não vim para ser servido, mas para servir” tem que se lhe diga. Lá dizia o velho Simeão: “este Menino será sinal de contradição.” Curioso, esperavam (e pelos vistos ainda há quem espere) um Messias político, todo-poderoso, que vai comandar tudo e todos… e eis que surge quem desmonta todo o poder, levando à proximidade de, antes da entrega final, “já não vos chamo servos, mas amigos” e, depois da ressurreição, “vai ter com os meus irmãos e diz-lhes: ‘Subo para o meu Pai, que é vosso Pai, para o meu Deus, que é vosso Deus.’” Quanto mais sairmos do paternalismo, mais comunidade formamos, sem necessidade de afirmações de poder… mas a viver o serviço, no respeito do crescimento uns dos outros.

Elevem-se



[Secção outros tons] Olhei de relance e vi a silenciosa luz a segredar aos ramos: elevem-se. Sem medo, elevem-se.

Pose




Quem disse que eu não tinha pose?

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Blusão e memórias




[Secção memórias] Encontrei o meu blusão da Levi’s numa gaveta. Quantas vezes ouvi “vou deitar isso fora”, “tem algum jeito andares com isso tudo rasgado?”, mesmo que explicasse que gostava muito dele. Nem era por questão de moda. Gostava do blusão e quanto mais rasgado, mais gostava. Encontrei o meu blusão da Levi’s. Vesti-o e ri-me com as memórias que logo surgiram. O tempo passa e impressiona-me sempre a quantidade de pessoas que conheci e do que já vivi. Quando o vestia, nem sonhava as voltas que a vida daria. Voltas exteriores, entre céu e terra, e interiores, entre profundidade na busca de mim e de Deus. As memórias têm o seu quê de curioso, remetendo ao que se gosta, saboreando, e ao que não se gosta. Quando não se gosta, seja do rasgado ou desbotado da vida, a tentação é apagar, eliminar, anular, como se nunca tivesse acontecido. No entanto, a história não se pode apagar. O desafio, na linha de pensamento do teólogo Enzo Bianchi, é o de curar a memória, implicando visitar os acontecimentos e contá-los… num primeiro momento, sobretudo sobre o que não se gosta ou se envergonha, muito provavelmente a partir da reacção, depois, aos poucos, como facto que marcou e ficou, já não magoando. Às vezes passam-se anos, desde que se vestiu um casaco da Levi’s até ao reencontro. No entanto, seja qual for o tempo já passado, há sempre a possibilidade de começar a contar a história com nova perspectiva. Ainda estou a rir com as memórias, muitas delas curadas. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amizade




[Sobre a amizade] A Inês enviou-me esta foto do nosso encontro de há dias. Fico a pensar nas maravilhas da amizade. Por mais palavras que se ponham, a amizade sente-se, gerando a confiança como se nos conhecêssemos desde tempos imemoriais. Tenho facilidade para a amizade, pela partilha que acontece nesse viver de coração o afecto de querermos bem ao outro, como se de um irmão ou irmã tratasse... mesmo quando se é filho único. ;) Conheci o Rafael graças às traduções das TED talks. Pessoalmente, foi em Paris, onde faz o seu doutoramento em genética. Com ele, conheci a Inês, também lá em investigação pós-doc na mesma área. Já foram tantas as conversas… ciência, fé, dança, amores e desamores, poesia, Deus, humor, sushi e outros acepipes, cinema, missas, laboratório, tudo a viver a beleza da amizade. Encontrámo-nos, há dias, num bonito passeio e almoço (com devidas gargalhadas) pelos jardins da Gulbenkian. E, sempre com a sensação de pouco, foi bom, muito bom. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Silêncio




Silêncio. Talvez das palavras mais repetidas no livro. Tantas vezes o sinto, o busco, o vivi e vivo, nas suas muitas facetas, desde o aconchego ao desespero. Silêncio aliado à fé causa ainda mais inquietação… sobretudo quando de todo o ser se tenta escutar a voz que encaminha na vontade de Deus, como certeza de fé e orientação, como incompreensível, como vendaval que desmonta qualquer alicerce anteriormente construído. Muitos dizem que é apenas “coisas de Homem”, isso da religião e da fé, para justificar a fraqueza humana desejosa de sentido no meio do absurdo. Por vezes, à maneira de Job e do próprio Moisés, em grito blasfemo, também sinto a fé agitada por muitas perguntas. Nunca conheci a tortura da fossa, nem a de estar num tronco em mar levando com vagas sem poder respirar, nem nenhuma outra, que me possa dignar a julgar qualquer decisão de “sim” ou “não” à fé. Na pequenez do meu tempo de vida, também como jesuíta e padre, e de escuta de histórias, minha e de outros, são muitas as vezes que me silencio, evitando respostas rápidas, em palavras de circunstância. O Amor, ou seja, Deus, tem caminhos insondáveis, diante dos quais o silêncio, Seu ou nosso, é a resposta. Depois de ler o livro de uma só vez, aguardo o filme… “Silêncio”.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Tempo




Depois de horas de viagem, confirmo, mais uma vez, que o tempo passa. O bom: a possibilidade sempre renovada de nascer em cada Natal.

Homilia Natal 2016 - Missa da Noite



Reuters


Na fotografia de ontem, partilhei o primeiro parágrafo da homilia. Depois de ter rezado na bonita Missa da Noite de Natal por todos os que por aqui me acompanham, partilho hoje o resto. Continuemos a celebrar a força deste Mistério da Encarnação de Deus.


Ao longo das semanas de Advento, nesse tempo de deixar crescer a esperança, fomos acompanhados pelos distintos modos de viver o Silêncio. Há o silêncio cortante, que nos impede de falar. No entanto, o especial silêncio de surpresa diante deste mistério que hoje contemplamos, permite-nos escutar, afastados de ruídos perturbadores, a profunda comunicação de Deus, já não do exterior, mas desde as entranhas da humanidade. Ano após ano, somos convidados a contemplar o condensado de histórias e vidas misteriosamente presentes no nascimento que mudou o curso da Humanidade: Deus torna-se frágil, Deus cresce, Deus observa com olhos de criança, Deus aperta as mãos de Maria e de José, com a delicadeza de quem descobre a ternura da maternidade e da paternidade. O Menino Deus vive a humanidade em pleno.

Será que acreditamos nisto?

A inquietação na busca de Deus, permite derrubar ídolos e encontrar o Príncipe da Paz, envolto em panos numa manjedoura. O presépio, se olharmos bem, é, à semelhança da cruz, escandaloso. O presépio baralha a forma como encaramos Deus. Não nasce num palácio no centro da localidade, mas num lugar afastado na periferia. Não nasce num trono, mas numa gruta, num estábulo. Não são os ilustres que o reconhecem, mas os pastores, esses que, apesar de considerados ignorantes e excluídos, sabem ler os sinais dos tempos, em vozes de anjo que lhes fazem brotar a alegria da força da Vida. À semelhança de Zacarias, de Maria e de José, os pastores são convidados a afastar-se do medo. 

Detenho-me nesta questão do medo. Na actualidade, o medo tem-nos paralisado. Com tanta informação ou desinformação, o medo parece que ganha terreno no mundo e no concreto das nossas vidas. As sombras e a escuridão de que o outro pode fazer mal, tem provocado fechamentos e fundamentalismos, impedindo o face-a-face em diálogo que afirma a igual dignidade em cada ser humano. Por isso, somos convidados a voltarmo-nos para a Luz, permitindo que possa brilhar em cada recanto das nossas entranhas… fazendo com o que o medonho desconhecido, se torne conhecido e, assim, possível de ser afastado. 

Mais uma vez pergunto: será que, apesar de todos os textos que nos são dados, acreditamos que Deus nasce para nos divinizar?

Tomáš Halík, no livro “Paciência com Deus”, escreve “há que repetir uma e outra vez: a fé não é uma questão de problemas, mas de mistério, por isso nunca devemos abandonar o caminho da busca e da interrogação.” 

Pensando na Palavra que assume Carne, vemos que a linguagem ou as palavras ganham corpo na sua interpretação. Assim, recorro à ajuda a outros idiomas.

“Connaître” significa, em francês, “Conhecer”. Acho piada ao facto de, traduzindo à letra, que o conhecimento seja entendido como um “co-nascimento”, um “nascer-com”. Vai daí que isto de sermos humanos, ou pelo menos irmos tentando sê-lo, implica um renascer aliado à sabedoria de vida. Somos estimulados à busca, à interrogação que não nos deixe ficar estagnados no já adquirido. A nova experiência de vida ou o novo conhecimento permitem um renascer da nossa visão em relação ao mundo, a nós próprios e a Deus. Essa visão poderá ser mais positiva ou mais negativa conforme o modo como lidamos com a experiência. Podemos ficar agarrados à dor, ao contentamento, à doença ou à alegria, sem fazer o caminho que leva à profundidade e ao passo maior de encontro comigo mesmo, com o meu próximo e com Deus. 

Tenho para mim que o tempo de Natal, por ser tempo de reencontro, é perfeito para se dar a oportunidade de re-nascer. Daí que o que mais caracteriza este tempo é a esperança. A esperança de que, como nos diz o profeta Isaías, “algo novo já está a acontecer” (Is 43,19), mostrando-nos liberdade diante do medo. 

Ainda assim, olhando para os tempos que correm, com os inúmeros conflitos, ou para a vida de cada pessoa com sérias dificuldades, é mais difícil perceber esse acontecimento novo. Não brinquemos… a vida não se reduz a contos-de-fadas com “finais felizes” a todo momento. No entanto, se formos capazes de interrogar, de fazer o caminho de fé neste Menino que nasceu, cresceu, morreu e ressuscitou, chegaremos a viver com Ele o grande momento de plena felicidade, nesse grande encontro ao qual somos chamados. 

“Ok, pe. Paulo, mas volta lá aos ‘momentos em que é difícil perceber a tal esperança’”. Pois, não se pode ficar na espiritualidade desencarnada, ou mesmo numa “fezada” afastada de dores, ainda mais, quando somos bombardeados de notícias cheias de desumanidade. Então, que caminho quero fazer? O do desespero ou o da esperança? Sozinho ou acompanhado?  De estagnação ou de conversão? Às vezes, com a liberdade que nos é dada como filhos de Deus, é preciso vomitar as dores das entranhas que impedem ver o futuro, abrindo o coração para que as feridas possam ser saradas e, assim, fazer o caminho da busca. Nós, cada um de nós que aqui estamos nesta assembleia, todas as pessoas que conhecemos, não somos “coisa pouca”.  Somos criados e amados por Deus… e livres para ir ao fundo da humanidade., sendo tal, algo de grandioso. Muitos poderemos entender esse ser amados de forma distinta, contudo, seja com maior, menor ou nenhuma crença em Deus, somos atravessados por fé, por esperança e por caridade e aí somos convidados em cada dia da vida a libertar o que oprime para dar mais um passo em direcção ao mistério da Vida. 

Neste presente, nesta noite, neste hoje, carregados de história, cada um de nós está a viver algo concreto: alguma crise (a qual há que respeitar ao máximo), uma alegria imensa, uma dor (seja qual for, que torna o Natal mais triste), ou a passar por uma fase que leva a que o Natal seja mais um dia no calendário, podendo estar aqui a cumprir a “desobriga”. No entanto, também há a possibilidade de estar viver o sentido do Natal com grande intensidade, com o brilho no olhar, no coração, com fortíssimo sentimento de esperança.

Seja qual for a situação, temos de SER. Como que olhar o espelho e agradecer por se ser como se é. Nisto, não haja vergonha ou receio de chorar, ou de rir à gargalhada, de comer o doce que há muito não se come, de abraçar a pessoa que mais gosta (e na sua ausência, pensar nela e abraçá-la nesse mesmo pensamento), de rezar, de agradecer muito e de prometer que vai viver intensamente o novo ano, mesmo com os receios, as dúvidas, a crise, deixando que a luz da Esperança, ténue ou forte, esteja sempre acesa. E assim, não tornar a vida como simples vida, mas como desejo de caminho, de força para uma mudança, ou de contribuição para tudo o que permita o “nascer de novo”. E não se espere por limites de vida, como doenças ou crises sociais ou políticas, para reconhecer a força do encontro. Podemos dar presentes, mas, mais que tudo, sejamos presente, no tempo e no espaço, para mim, para o outro e para Deus. Por exemplo, se ajudámos alguém nos dias que antecederam o Natal, talvez essa(s) mesma(s) pessoa(s) continue(m) a necessitar de ajuda... há que continuar a ajudar. Se algum de nós precisou de ajuda (material, afectiva, espiritual), talvez continuemos a necessitar dela depois do dia de Natal... não tenhamos nem medo, nem vergonha de continuar a pedi-la. 

Será que acreditamos mesmo no Natal? Espero que, tal como Maria que guardava tudo no seu coração, acreditemos que em cada Natal, em cada nascimento, somos chamados à Vida, ao encontro com o Menino Deus com a totalidade do que somos. Ele é Jesus, Deus connosco, dando-nos oportunidade de curar feridas, pessoais ou relacionais, permitindo a leitura renovada da história. Tudo na simplicidade do quotidiano, nas lutas pela justiça e verdade, na criatividade, no estudo, na possibilidade de avançar para mudanças, conversões, de vida, contribuindo para que os nossos corações sejam cada vez mais humanos e, assim, à semelhança do Menino Deus, mais divinos. Amén.