quarta-feira, 18 de julho de 2018

Breve oração




[Breve oração ao anoitecer]

Agradeço-Te 
a normalidade do quotidiano, 
sem grandes espectáculos ou acontecimentos.

Peço-Te,
ajuda-me a saber esperar o extraordinário, 

no silêncio que traz novidade. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Olhar o alto




Tiago Madeira

[Coisas na vida de um padre] Hoje, em conversa boa com outros padres, recordava algo forte do nosso poder de “ligar e desligar o céu e a terra”. Olhando para o alto (e na foto olho a torre da igreja onde celebrei mais um bonito casamento, cheio de vida), percebo a pequenez e o imenso de tudo. Depois, é respirar a beleza envolvente e, com responsabilidade, usar esse poder no contributo da autêntica relação com Deus.

domingo, 15 de julho de 2018

Confiança de Deus



Xin Liu/Reuters

[Secção pensamentos soltos] Depois de um dia cheio, chego a casa e vejo a mensagem que o Josep, um amigo beneditino de Montserrat, me enviou: “enquanto o medo é o pai de todos os muros, a confiança é a mãe de todas as pontes”. Se a tivesse lido antes das Missas, teria citado nas homilias, já que o centro do que preguei foi a confiança que Deus tem em nós. Cada vez fico mais fascinado com isso. Às vezes podemos ficar perdidos com a falta de confiança que algumas pessoas importantes podem ter em relação a nós (quantas vezes isso me acontece!), mas depois, pensar que A pessoa mais importante, Deus, é quem mais confia em mim, em nós. O desafio cresce, já que a partir daqui só podemos dar graças, descobrir e afastar os medos, pondo os talentos a render, construindo pontes de Vida.

sábado, 14 de julho de 2018

Beleza do contraste



[Sem muitas palavras, apenas a beleza do contraste em olhar para o alto] E assim termina o dia, em gratidão e silêncio.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Partilhas




Mãos do Pedro a folhear o livro por Francisco Dinis

[Secção “Deus como Tu”] Ontem foi a apresentação no Creu. A conversa-tertúlia com Marta Vaz e Pedro Nogueira encheu-se de vida e partilha. Sinto-me muito agradecido pelo Bem que o livro está a despertar. Quando autografava, alguém que conheci naquele momento segredou-me: “vejo Deus pela primeira vez nestas palavras”. Ele continua por aí em voos e leituras.



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Mais, sempre mais.



[Secção Caravana 2018] O silêncio, a animação, a escrita, a partilha, a celebração, o serviço, o deixar-se guiar e confiar abrem Infinito. O regresso traz novidade. São voos do Espírito a dar asas. É tempo de voltar e ser mais... sempre mais.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Amar, dar-se



[Secção Caravana 2018] O exercício do Amor, de Amar, implica dar-se. Em grandes ou pequenos gestos, sem comparações, apenas pela força da verdade, da autenticidade, diante do Senhor que não se cansa de dizer: “preciso de ti para que o Amor se espalhe, em humanidade que acolhe”. É o envio do Sorriso que, apesar de toda a escuridão que exista no mundo, não se cansa de ver, como naquele 6.º dia da Criação, a beleza e luz que existe na Humanidade.

4 anos de Padre



[4 anos de padre] Na passagem do Evangelho de hoje, Jesus diz a um paralítico: “levanta-te e anda”. Que certeiro para o sentido de “ser padre” como reconciliador e dador de vida.

"Inspiração para uma vida mágica"



[Coisas na vida de um padre] Estive à conversa com Mikaela Övén para o Podcast “Inspiração para uma vida mágica”. Achei piada quando me disse que publicariam hoje, dia em que celebro 4 anos de padre. 



quarta-feira, 4 de julho de 2018

De Loiola a Xavier



[Secção Caravana 2018] De Loiola a Xavier. O “quem sou” desvela aos poucos o “que sou chamado e posso fazer por um Mundo melhor”. Deus convida-nos, tal como Ele, a sair. Francisco Xavier, na amizade com Inácio de Loyola, abre o coração a Cristo e vai longe. Deixa de haver muralhas e fronteiras, sobretudo para Deus, e abre-se a confiança na Missão de Amar.

Oração



[Secção Caravana 2018] O silêncio desperta oração. É a fluidez da certeza de que tudo pode ser falado diante de Deus.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A fé vive em Corpo



Luís Onofre,sj

[Secção Caravana 2018] A fé vive em Corpo. Através dos sentidos, o toque complementa a visão. “Ver para crer” diz Tomé. Jesus pede-lhe que toque as marcas da história. E de noite, a recordar o Apóstolo Tomé, celebrámos Missa na Capela da Conversão, onde Inácio, em convalescença, deixou-se habitar por Deus. Ao visitar quem sou, deixo-me visitar por quem quer unicamente que Viva e Ame.


segunda-feira, 2 de julho de 2018

Entrar na história pessoal



[Secção Caravana 2018] Atrevo-me a entrar na minha história. Quem sou? Quem é Deus para mim? Que sonhos tenho? Que lado escuro meu ou da vida não quero ver, conhecer ou atravessar? Por não conseguir. Por não ser o tempo. Por, com toda a autenticidade, perceber que estou em caminho de conversão... e, no silêncio, igualmente perceber que ajuda pedir para seguir os passos de Liberdade.

domingo, 1 de julho de 2018

Caravana 2018




[Secção Caravana 2018] Chegámos a Loiola. Terra fundamental para nós jesuítas. Iñigo descobre encontro com Deus. O mesmo que vamos propor a 47 alunos do 11.° ano dos nossos Colégios em Portugal. Toda a nossa vida é feita de histórias pessoal e comunitária. O convite é aprofundá-las e perceber que posso fazer por Cristo na colaboração com Ele para contribuir para um mundo melhor.

sábado, 30 de junho de 2018

Amor. Amar.



[Secção pensamentos soltos] A definição divina de Deus amor, presente em S. João, não é uma intelectualização mas o recordar de acção, de dinamismo, de saída e abertura desinteressada de coração ante a realidade circundante. Os gestos de cuidar, de respeitar, de acolher, tanto a si mesmo como ao próximo são acções que libertam o amor do etéreo e tornam-no presença, corpo, carne, transformando a realidade. E a realidade, o mundo, as pessoas, ao jeito de cada dia da criação, precisam ser amados para viverem o sentido para que são criados. Que gestos de amor sou chamado(a) a viver hoje?

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Infinito




[Secção pensamentos soltos] Há dois azuis que me abrem o pensamento: o de céu e o de mar. Ambos trazem a sensação de infinito. Fico a contemplar o tempo que posso, nesse desejo de abertura de Infinito em mim. As nuvens apenas recordam que nem tudo pode ser já, de forma instantânea. O Infinito, para além do gosto que cada um possa ter dele, tem de ser integrado com o calmo ritmo do crescimento. Forçando-o, corre-se o risco de desnorte. A sabedoria reside também no aprender a contemplar. Olhar o Infinito tem o segredo de deixar-se questionar de modo a pôr-se em caminho de aprendizagem. E o caminho também tem paragem e silêncio, e assim tomar consciência do calmo ritmo do crescimento de encontro. 

domingo, 24 de junho de 2018

Profetas



Parivel Veerasamy

[Secção pensamentos soltos em dia de S. João Baptista] A liturgia para este dia, a ilustrar a força e importância de João Baptista, recorda-nos dois profetas: Jeremias e Isaías. Em ambos, recorda-se que Deus conhece-nos desde o ventre materno e que nos chama em colaboração para a denúncia da injustiça e o anúncio da verdade. Jeremias foi perseguido por falar em nome de Deus. Há passagens muitos fortes do seu desespero de entranhas pelo modo como o querem (des)tratar, chegando a pôr em causa a sua vocação. O próprio João Baptista tem palavras duríssimas diante dos que se acham superiores a seja quem for. Morreu decapitado. O desafio mais forte da profecia é mesmo a denúncia da injustiça. A falta de verdade, em especial de quem se encontra fechado no seu mundo (seja ele social, político, religioso e/ou espiritual), faz muito mal. Ficando-me no religioso e espiritual por conhecer melhor, recordo duas perguntas de uma conversa de há dias:
- P. Paulo, tendo a Igreja como fundamento Deus de Amor, o próprio Cristo que não faz acepção de pessoas, como é que ainda há tanto mal, como intrigas, maledicências, hipocrisias, no seu seio? Valerá a pena ir à Missa?
- Indo à segunda pergunta: sim, vale sempre a pena viver a Missa. Se o fazemos, com o sentido profundo de deixar-me transformar por Deus, então, saio sempre de coração renovado. Quanto à primeira pergunta. Parece-me que se confunde muito espiritualidade com espiritualismo, onde se fica fechado a uma visão das coisas, esquecendo que absoluto é apenas Deus e Ele, quer queiramos, quer não, é Mistério, não se confinando à visão redutora humana. Perceber que cada pessoa é dom, dentro da sua diferença, com os seus limites e capacidade, por vezes é difícil. Sobretudo por quem adquiriu um estatuto de aparente espiritualidade, elevando-se, infelizmente, acima de outros. É mais fácil uma projecção de modelos fechados de espiritualismo. Abusa-se de linguagem espiritual como se essa fosse garante de ser espiritual. O nosso Padre Geral numa carta sobre discernimento falou mesmo de usar-se uma “linguagem inaciana correcta” para justificar decisões que poderão nada ter que ver com o Espírito. E aí pode fazer-se muito mal. Se há remédio para isto? Há. Já os Padres da Igreja, no início do Cristianismo falavam de “remédios para os males espirituais”. Se cada um de nós, em oração que atravessa as sombras pessoais para além de apontar as falhas dos outros, fizesse o exercício de amor próprio, com o profundo respeito pela diferença, à semelhança de Cristo, talvez esse “mal de Igreja” começasse a ser atenuado. Mas isto é demasiado exigente. Os profetas viveram esta exigência, ao perceberem que esse amor de Deus, desde as entranhas, significa um profundo compromisso com a verdade que liberta de infantilismos espirituais e ajuda a crescer no sentido de amor ao próximo.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer e recordar no amanhecer]

Agradeço-Te os afectos, 
nessa possibilidade de dizer “gosto muito de ti” 
sem medo.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

Psicoterapia



[Secção pensamentos soltos a partir de “Deus como Tu”] A experiência de receber os comentários sobre a leitura do livro está a ser de grande agradecimento. Desde o comentário mais amplo “estou a gostar muito”, ao mais particular “esta página têm mesmo o que precisava ler”. Uma página em concreto é a 76. Recordo que já tinha tido impacto quando partilhei por aqui e no blogue. Agora, continua a ser a que mais me têm agradecido de forma particular. A saúde mental infelizmente ainda é considerada “coisa menor”. Sem sentido de menosprezo, tornou-se mais simpático ter um(a) “coach”. Já fazer psicoterapia, no seu sentido tradicional, com um psicólogo ou um psiquiatra, ainda é algo mais ou menos a esconder, como se a pessoa se tornasse inferior. Apercebi-me de que na vida religiosa, seja, seminaristas, religiosos(as) em formação, padres, freiras, leigos muito devotos, então, ui, nem se fala. Conta-se quase única e exclusivamente com a ajuda do Altíssimo. E, como já ouvi dizer, “se precisas, é porque rezas pouco!” Precisamente porque se reza a vida em profunda verdade, percebe-se a sabedoria de Deus que nos ajuda a compreender a complexidade humana, com as suas feridas exteriores e interiores, e que em nós pode haver necessidade de conjugar oração e acompanhamento terapêutico. E um caminho de acompanhamento bem feito, em confiança e autenticidade, só traz ganhos… também à fé. 

domingo, 17 de junho de 2018

Somente a Luz.



[Secção pensamentos soltos antes de adormecer] A fotografia é um jogo de luz e sombras. A imagem resulta dessa marca do instante luminoso e sombrio. Nela pode-se imaginar uma história ou ficar pelo silêncio da paragem, sem muito mais, contemplando as luzes e sombras do dia, da vida, das decisões, do sentir. Daqui a pouco, no clique do candeeiro tudo ficará escuro. Os instantes iluminar-se-ão pela memória e pelo sonho. Fica a certeza de que nenhuma escuridão é absoluta. Somente a Luz.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Breve gesto



[Breve gesto em oração ao amanhecer]

Abro os braços em respiração profunda, permitindo o ar circular em cada possibilidade de encontro de dom e de ferida. Fecho os olhos. Contemplo o horizonte em mim e o muito a descobrir nos outros. Respiro novamente a certeza de ser amado e libertar-me do que me impede de amar. Sigo caminho no novo dia.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Em abraço, ao Tomás.




Chego do funeral do Tomás. Caminhei, passei e estive pelo bosque em pôr-do-sol, buscando silêncio. Nesse silêncio, o coração ainda assim agitava-se em palavras, enquanto recordava os rostos dos pais, irmão, namorada, familiares e tantos, tantos, amigos na Igreja. Não sei se as deveria escrever e publicar. No entanto, mais forte que a dúvida, fico a pensar em muitos outros e outras que passam pela ainda tão incompreendida depressão. Desde o altar, observava os rostos, muitos de idade próxima do Tomás, outros tantos da dos pais, e lia as muitas perguntas que, na profunda tristeza, pairavam pelos pensamentos. É a forte sensação de ser impossível de compreender como alguém de sorriso sereno, disponível, pronto para ajudar, parte daquele modo. Uma ou outra vez ouvi “não aguentou a extrema bondade que ele mesmo era”. No mundo que nos obriga à insensibilidade, à brusquidão, a olhar mais para a sombra que para a luz, detendo-se em coisas pequeninas de tremendas faltas de respeito, onde parece que deixa de haver espaço para o Bom, inevitavelmente surgem perguntas interiores sobre se se é digno de viver. A vida do Tomás não foi em vão. A sua passagem, ainda que dura, também não pode ser. A sua bondade, a sua luz, neste momento de muitas perguntas, são a afirmação de que temos de estar atentos à luz e bondade que somos. Os bons de coração, em profunda sensibilidade, devem sentir que nem estão sós, nem para nada estão a mais. Tomás, nesse abraço divino que recebes, agradecido pelo Bem que eras e deste, continua a irradiar luz, em especial para a tua mãe, pai, irmão, namorada e todos os que te são mais próximos. Atrevo-me a pedir-te também que irradies luz para todos aqueles que possam sentir o que sentiste, percebendo que, na sua bondade e sentir, não estão sós.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te a escuta, em grito ou silêncio, do desejo de viver para além de preconceitos ou dedos apontados, ou ainda de medos por reconhecer e contar.

Peço-Te, ajuda-me a impedir a que qualquer medo tenha a última palavra... e a tornar-me simples como a flor ao amanhecer.


segunda-feira, 11 de junho de 2018

"Jesus na tradição sufi"



[Secção boas leituras] “Jesus na tradição sufi” de Faouzi Skali, p. 38. É impressionante como a religião, entendida no melhor do seu sentido, é abertura para tantos bons encontros. Tanto a descobrir, para além de preconceitos e rápidos julgamentos. Repito-me, sei, mas é tão fundamental parar e dialogar.

domingo, 10 de junho de 2018

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Professores




Bryan Sneyder/Reuters


[Secção pensamentos soltos] O tema “professores” começa a ficar gasto. Os últimos anos têm sido do melhor para gastar este tema. Todos teremos referências de professores que nos marcaram, dando-nos atenção, respeitando o nosso tempo e personalidade. Rapidamente poderemos reconhecer a grandeza dessas pessoas. Tantos nomes escreveria. No entanto, numa época onde a crítica negativa fácil, superficial, emotivista abunda, não se toma consciência de que esta, mais que profissão, vocação está em total desgaste. Tornou-se moda criticar negativamente porque não se gosta de algumas coisas. E é perigoso. Muito perigoso. Destratar um(a) professor(a), sem exagero, é destratar um pilar social. A escola complementa a educação através do ensino, não devendo ser a responsável primeira da educação que começa em casa. Caso não aconteça, onde os professores são ameaçados e agredidos, física e psicologicamente, nesta última também pela classe política (e, sim, sindical que faz acepção de professores), facilmente se percebe que a autoridade (não confundir com autoritarismo) e o respeito rapidamente se afundam socialmente. Não considero nada a juventude como perdida, o que me parece é que os adultos é que andam cada vez mais perdidos, em busca de auto-estima sem que o queiram reconhecer, projectando por isso as frustrações nos elos que se vão tornando cada vez mais fracos. São todos os professores perfeitos? Tal como qualquer realidade, vamos encontrar gente de qualidade e outras pessoas que necessitam de abanões técnico-pedagógicos se realmente querem ser professores. Eu insisto muito na paragem. Pára-se pouco, individual e comunitariamente. E gasta, desgasta, não poder ser em autenticidade. Os efeitos não são simpáticos. Por isso, antes de fazer qualquer crítica negativa, pare, respire calmamente durante pelo menos 5 minutos, agradeça os bons professores que teve, tome consciência se por acaso passa por algum cansaço físico, psicológico, espiritual, relacional, assuma-o(s) e trabalhe-os. Depois, volte à crítica inicial. Tire a carga de subjectividade e dê-lhe objectividade. Ao apresentá-la, pense sempre que está a falar com uma pessoa e não com uma coisa. Verá que todos os intervenientes ganharão. Em especial, os filhos, que aprenderão a lidar com respeito aqueles que o ajudam a crescer. Muito obrigado!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Mimos do Livro de Curso




[Coisas na vida de um padre] Mimos do Livro de Curso dos finalistas de 12.º e 3.º Profissional. A educação é apaixonante. Sim, pensa-se imediatamente na escola. No entanto, é de alargar a toda a vida. Sendo Educar conduzir o outro para diante, tal implica os intervenientes na sua totalidade. É como num apertar de mãos: funde-se o dar e o receber. E fica o agradecimento ao longo da vida.




terça-feira, 5 de junho de 2018

Breve oração




[Breve oração antes de adormecer]

Humanidade




Michael Dalder/Reuters

[Secção humanidade] Estive a ver “A Lista de Schindler” com os alunos de 10.º ano. Em nome do poder de alguém que se arroga superior, uma pessoa pode deixar de ser digna de o ser simplesmente porque sim. Mata-se indiscriminadamente. Todo o filme é de grande riqueza como se sabe. Mas, as cenas finais são fortes… em especial a citação do Talmude: “Quem salva uma vida, salva o mundo”. Tanto daria para pensar esta frase. E tanto dá para fazer. Recordei, por andar na minha oração, a situação na Nicarágua. Um companheiro jesuíta, o P. José Alberto Idiáquez,sj, reitor da Universidade Centro-Americana da Nicarágua está ameaçado de morte, por estar do lado dos estudantes e lutar pelos Direitos Humanos. O Provincial da América Central, P. Rolando Alvarado,sj, escreveu um comunicado, recordando que “quem quer a paz, não faz a guerra, quem não quer violência não agride, nem persegue, não maltrata, não intimida.” 


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Últimas aulas




[Última aula com alunos de 12.º] Hoje dei a última aula às duas turmas de 12.º ano.  Em jeito de conclusão, recordei-lhes que Religião vem do latim “religare”, levando-nos à consciência a ligação ou re-ligação a fazer com as realidades humanas e divinas. Toda a visão de religião que cause ou provoque ódio, não é religiosa, é fundamentalista. Depois de termos visto um documentário com histórias sérias de encontro, de perdão, de possibilidade de reconciliação apesar dos crimes mais horrendos, recordei que tudo é com caminho de muita verdade connosco próprios e com os outros, sem simplismos, mas com consciência da delicadeza dos processos. O Cristianismo, disse-lhes, o qual sigo, resume-se em Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E isto é sério. Muito sério. Emocionei-me quando recordei os mandamentos. De tal maneira é sério, que vai ao extremo de Amor aos inimigos. Utopia para alguns, fé para outros. Para mim, claramente é fé. Fé que acredita na justiça pelos mais fracos. Ao jeito de exortação emocionada (já me tinham ouvido em homilia no sábado passado), pedi-lhes para não emitirem opiniões mastigadas por outros, mas lessem muito e diversificado e construíssem com autenticidade a sua própria opinião, não se ficando, portanto, com o facilitismo do “toda a gente pensa assim”. Pedi-lhes ainda para não terem medo nem de se descalçar e pedir ajuda, nem do silêncio, calando os ruídos comunicativos, pondo-se em muitas perspectivas… e não esquecerem os mais fracos e oprimidos. Mesmo que não acreditassem em Deus, não tivessem fé no transcendente, que pelo menos o Amor próprio os levasse a ser gente de serviço para um mundo mais humano. Hoje dei a última aula às duas turmas de 12.º ano e, não, a juventude não está perdida. Precisa é de adultos que não tenham, eles próprios, medo de amar, de continuar a aprender e a viver sem “palas” e de coração aberto, libertando medos e construindo humanidade. 

Destaque(s)




[Secção “Deus como Tu”] O Luís, bom amigo, enviou-me esta foto da FNAC do Colombo. Dou um sorriso. Juntando aos muitos outros especiais, de quando alguém me escreve a falar do quanto “Deus como Tu” tem sido importante para muito nas suas vidas.

sábado, 2 de junho de 2018

Baile de Finalistas




[Coisas na vida de um padre] Hoje viveremos por aqui no Colégio das Caldinhas o Baile de Finalistas do Instituto Nun'Alvres. Fui ao baú e eis a maravilha de um tesourinho do Baile do meu 12.º ano. Há 21 anos… os do Baile de hoje não eram nascidos. Gosto de fazer pontes temporais e trazer à memória tanto do que aconteceu ao longo destes anos. Ontem falava com alguns alunos de 12.º ano e dizia-lhes: “apesar da real importância, não absolutizem nem exames, nem notas. Dêem o vosso melhor no crescimento como pessoas com capacidade intelectual e afectiva, de cuidado para e com os outros. E agradeçam muito! Isso será o fundamental para dignificar o caminho feito e estar aberto ao ainda muito a viver.” Vivam os finalistas.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Irmandade e agradecimento


[Secção agradecimentos] Dia dos Irmãos a anteceder o Dia da Criança. Esta irmandade começou quando tinha 9 anos, em especial no dia que fiz 10. Ainda é justo fazer eco do dia de ontem no de hoje. E continuarei sempre a agradecer esta irmandade sem genes ou sangue, mas de muita partilha de Vida e histórias sem tempo.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Generalizações




N. Marcutti

[Secção pensamentos soltos]

Um mau padre não faz que todos os padres sejam maus.
Um mau jornalista não faz que todos os jornalistas sejam maus. 
Um mau actor não faz que todos os actores sejam maus.
Um mau professor não faz que todos os professores sejam maus.
Um mau polícia não faz que todos os polícias sejam maus. 
Um mau escritor não faz que todos os escritores sejam maus. 
Um mau advogado não faz com que todos os advogados sejam maus.
E por aí fora…


Todas as generalizações vêm de emotividade, de desconhecimento ou projecção de frustrações, provocando muito ruído. Mesmo sabendo que “um-mau-seja-o-que-for” mancha e é de evitar, isso não significa que se ponha tudo ou todos os outros no mesmo plano de igualdade. As discussões salutares, sejam sobre que tema for, implicam muito respeito. Achincalhar é o método usado por totalitaristas (da direita à esquerda) para menosprezar a realidade que não se gosta ou se quer anular. A formação de carácter, independentemente do tipo de crença social, religiosa e política, sabe respeitar, distinguir pessoa do argumento e, sobretudo, viver a honestidade intelectual que não embarca em emotivismo. Mas, torna-se cada vez mais difícil tal acontecer em tempos de rapidez, onde tudo tem de ser dito em meia dúzia de caracteres. Esse “tudo” acabará por reduzir-se a ataques e generalizações. A sociedade está a precisar de tanto silêncio e paragem.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Breve oração




[Breve oração ao anoitecer]

Agradeço-Te a luz de cada dia, em aprendizagens, escutas, leituras e gestos, permitindo-me aperceber do tom de voz, em palavras ou olhares que descrevem alegria ou cansaço, ansiedade ou desejo de novos rumos. 


Que nenhuma sombra impeça caminhos de Vida. 

sábado, 26 de maio de 2018

Vida como resposta



Aidan Williams

[Secção pensamentos soltos sobre a vida] Já ouvi “mais valia morrer, não faço cá falta nenhuma”. Conhecendo os acontecimentos na história dessas pessoas, compreende-se o sentir de extremo. Entre opções e realidades inesperadas que levaram a acontecimentos de grande sofrimento, muitas pessoas são marcadas pela sombra. Diante disso, a morte é por elas vista como solução e alívio. Será verdadeiramente a solução e o alívio? Não quero ir por resposta imediata. Afinal, o “não”, nos tempos que correm, é colado a uma posição conservadora e retrógrada. O “sim” é  aparentemente fresco, brilhante, com marcas de progresso humanitário. O “nim” não existe. O “são” desajusta-se como resposta… sem sabermos se é de conjugação do verbo ser ou, simplesmente, alguém saudável ou ainda o diminutivo de algum nome. Por isso, antes de respostas directas e imediatas, fico a pensar na densidade de “desejos” e “sentires” por detrás da vontade de morrer. 

Sem que investigue directamente, faço algumas leituras ligadas ao que se pode considerar o apogeu da desumanidade: o holocausto. Por exemplo, li “Noite” de Elis Wiesel. Um livro muito forte e duro, em que o autor relata as memórias da sua passagem por Auschwitz e como sobreviveu. Também li um talvez mais conhecido: “O Homem em busca de sentido” de Viktor Frankl, recordando como a sua experiência no Campo o ajudou a desenvolver a técnica de logoterapia, como saída do “sem sentido”. Posso mencionar também Emmanuel Lévinas, que mesmo perdendo toda a família, nos recorda que somos “responsáveis pelo Outro”. Inclusivamente pelo carrasco. Se assim não for, legitima-se todo o tipo de guerra e anulação de inimigos. Francine Christophe, também sobrevivente de um Campo, organizou em conjunto com a filha um congresso que tinha como tema “E se houvessem psicólogos e psiquiatras disponíveis para escutar os sobreviventes, como seria?” 


Será a morte a solução ao sofrimento extremo? Apetece-me dar “vida” como resposta a esta pergunta. Mas, não uma vida qualquer. A vida em que a pessoa que está “sem sentido” pode ser ajudada a atravessar a sua sombra, não por um químico mortal, mas por alguém que a escute sem julgamento nos meandros da existência. Tenho noção que isto pode ser visto como muito bonito, mas se verdadeiramente queremos falar de dignidade, há que tomar consciência do central dos problemas, sem dar respostas rápidas. O desejo de pôr termo à vida seguramente não é por prazer. O sofrimento está lá e não deve nem pode ser menosprezado. A solidão, as memórias feridas de tanto mal sofrido, ou ainda a brutal dor física de uma doença que aparentemente anula a dignidade não devem ser justificações para a morte. Ajudar a atravessar a sombra é exigente, tanto por parte de quem faz o caminho, como quem escuta, em profundidade, respeito e sem julgamento, essa travessia. Ao fazê-lo, não tenho dúvidas, chega-se à vida.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Aula com alunos de 8.º ano




[Aula com alunos de 8.º ano] Estamos a tratar o complexo tema da liberdade.
- Posso bater na Bia?
Um uníssono “não”.
- Porquê? O que me impede?
“Não é justo.” “Não se pode bater nas pessoas.” “Ela vai sofrer.” “Não há razão para isso.”
- Hmmm, pois. Isso tudo, sim. Mas, ainda assim, há algo que me impede: a consciência. Quando tinha a vossa idade, batiam-me, chamavam-me nomes, etc. e tal. O famoso bullying que na altura não tinha nome. Eu podia ter ficado reactivo, mas quando se forma a consciência (a estudar, a informar, a curar memórias feridas, etc.) tomamos consciência do outro e isso impede de fazer mal. Em vez de “acção – reacção”, vive-se “acção – acção”. A reacção está ligada ao impulso. A segunda acção será uma resposta consciente e humanizadora. No fundo, encontrar liberdade diante do impulso. A verdadeira liberdade dirige-se sempre para o bem do outro. A liberdade é educada… e educação é liberdade. Tudo isto impede-me de bater na Bia ou seja em quem for.

Depois mostrei-lhes esta conferência, de Shameem Akhtar, sobre a importância da Educação para a liberdade:


quinta-feira, 24 de maio de 2018

Editorial PPCJ - Eutanásia


Há temas sobre os quais tenho dificuldade em escrever via redes sociais. O perigo da superficialidade do trato diante da delicadeza de decisões de vida ou de morte é grande. E essa superficialidade, infelizmente, vai estando muito presente, levando a muitas conversas em que não se dá sentida escuta sobre ser humano, condicionando e orientando caminho de todos. Aqui fica a posição oficial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus sobre o tema “Eutanásia”.


quarta-feira, 23 de maio de 2018

Verdade sem véus




[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te a verdade sem véus,
deixando vislumbrar o que é,
esmorecendo justificações.

Que siga na liberdade de amar.