segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Outros tempos, em modo "fashion"




[Secção outros tempos em modo “fashion” :p ] Estava em arrumações de papelada de estudos e faculdades e essas coisas todas… e dou com o meu pequeno “book”, dos tempos em que estava inscrito numa agência de modelos. Já soltei uma boa gargalhada a rever as fotos... com cabelo!! ;) É impressionante a quantidade de coisas por que passamos. É o que digo: a vida não pode ser pequena e a história tem mesmo muitas estórias. Bem, vou agradecer o tanto vivido e a seguir “fechar a loja” por hoje. :D






Há sempre algo na vida vivida



Jhulan Mahanta


Desde há pouco mais de ano e meio que vou escrevendo um post diário, às vezes dois. Tenho optado pelo género literário partilha, mesmo correndo o risco de “ego”. Não me considero escritor, em respeito por aqueles que realmente o são. E não é falsa modéstia. Talvez um dia. Tal como me vou apurando na dança, no movimento, no corpo. Profissional não serei. Por enquanto, vou sendo um pouco mais conhecedor. Nas palavras ou nos gestos vou-me inspirado na realidade: do banal ao extraordinário, no que vivo ou que outros vivem, no desenrolar do dia, na oração ou nalguma conversa ou acontecimento que me deixa a pensar ou revolve as entranhas. Em cada canto, se estou atento, “des-cubro” manifestação divina. São muitas as vezes em que volto ao que escrevi, levando-me a ser coerente ou, então, perceber as mudanças no que re-escreveria. As histórias, como costumo dizer, são inacabadas. O fim já nem sequer é a morte… talvez seja a ignorância sobre cada qual e sobre as possibilidades da vida que vai para além do respirar. Nisto, sabendo que as 2.ªs-feiras podem ter ar dramático, deixo que comece uma nova semana, mesmo que possa ser aborrecida. Já é algo. Há sempre algo na vida vivida.

domingo, 14 de Setembro de 2014

Desafios



Christophe Debon

Tenho recebido alguns desafios para partilhar sobre uma passagem bíblica e sobre 10 livros. Refiro alguns dos que me obrigaram a pensar, a rever a minha vida, que fazem recordar a infância ou alguma etapa, que me apetece reler. Deixo em lista, sem que sejam numerado.

Passagem bíblica:
“Estou a fazer algo novo, já está a germinar: não estão a notar?” [Is 43, 19]

Livros:
“História Interminável” - Michael Ende
Evangelho de S. Lucas 
Evangelho de S. Marcos
“Autobiografia de Sto. Inácio de Loyola”
“Paciência com Deus”- Tomáš Halík
“Memórias de Adriano” - Marguerite Yourcenar
“Diário 1941-1943” - Etty Hillesum
“Pedro Arrupe” - Pedro Miguel Lamet  
“Sueños en el umbral” Fatema Mernissi
“Anti-Cristo” de Friedrich Nietzsche

sábado, 13 de Setembro de 2014

Questões de credibilidade...



[Ainda coisas de Campo de Férias que vêm à conversa] Estou de fim-de-semana comunitário, onde se faz o acolhimento dos novos que chegam. Somos 17, de 8 nacionalidades diferentes. Conversa aqui e ali, e o Verão e actividades, e isto e aquilo e mostrei esta foto, em linha 60's. "Quando foi isso?" "No Campo de Férias, na chegada dos participantes." "Mas... não tiveste receio de perder a credibilidade como padre?" "Hmmm, acho que, pelo contrário, ganhei. Afinal, ser padre não é aborrecido. Também tem de 'roubar' sorrisos e dar animação quando menos se espera." 

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Da janela... às mãos.



Da janela entra o conforto do sol, em diálogo com a brisa. A temperatura está amena. Não se trata de tempo, mas da serenidade que este momento poderia proporcionar. Ouço uma música que tinha deixado em standby na saída de Paris. E em descontração dou uma vista de olhos pelas notícias. Sinto o coração a agitar, as entranhas. É tanto a acontecer. O mundo está em reboliço: o de cada coração humano e aquele que todos abriga, girando, ora no silêncio da escuridão, ora na expansão do sol que nada deixa esconder. À minha volta, livros e artigos que tenho de ler, os vidros manchados pela chuva de Verão a pedir limpeza, as respostas a dar sobre o que fiz ou que pedem conselho. Reconheço a fragilidade de mim, de corpo, de carne, de silêncio. Farei o que me é pedido. O mundo não está nas minhas mãos. Nelas reside somente a capacidade de pô-las ao serviço.


quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Do engano à autenticidade


Erin Smith


[Coisas do quotidiano em Paris, mas que poderia ser em tantas outras partes do mundo] Desta vez não tirei foto, como há tempos com os sapatos. Havia que proteger a identidade de alguém que protegia o sentir. Talvez não se possa dizer protecção, será mais mascarar. Ao longo da viagem, de uma estação para outra, ia tirando selfies, com sorrisos tão bonitos… que logo caiam. Numa das vezes até encheu as bochechas de ar. Foi apenas naquele segundo para a foto. Rapidamente voltou ao semblante transformado em solidão. Assim ficou, mais um pouco, com olhar de fundo. Emocionou-se. Lá teria as suas coisas. Saiu na estação seguinte. Continuei em viagem: agradeci a sua vida… e pensei nas vezes que me enganei a mim mesmo com sorrisos, em tempos que apetecia chorar. Recordei a liberdade e leveza que senti quando comecei a viver a riqueza da autenticidade.

Post mais "escuro"



Mitch Dobrowner


13 anos de 11 de Setembro. O mundo começou a ver com outro olhar a possibilidade do mal. Directa ou indirectamente, milhares morreram… e continuam a morrer de forma desumana. O fundamentalismo, seja de que tipo for, não me canso de dizer, é abominável. Esta semana, três Irmãs xaverianas, com idades entre os 75 e os 82 anos, foram brutalmente assassinadas, não directamente por questões religiosas, mas sobretudo por darem apoio a mulheres vítimas de violência doméstica no Burundi. Cristãos são despojados da vida: as mulheres a serem violadas, muitos outros assassinados, milhares desalojados. Budistas continuam a lutar pela honra do Tibete. E muitos mais exemplos poderiam ser dados. Sim, o post de hoje é mais “escuro”. Ajuda-me a recordar que também em nome de Deus não posso baixar os braços na luta pela justiça e dignidade dos povos. Ajuda-me a agradecer o dom da vida e as possibilidades que tenho em ir mais longe nessa luta… na dádiva de vida, começando na oração e na simplicidade do ritmo do quotidiano.


quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Regresso aos passeios em Paris



Steven Greaves


Retomei os passeios por Paris. A agitação da cidade e a tranquilidade de mim. O estilo, a moda, as cores daqui, tendo o pensamento no pôr-do-sol português. Os contrastes normais, quando a vida não nos passa ao lado. Este foi um Verão muito intenso, em que muito caminho foi feito. No quarto, voltando ao mega-espelho, descalço-me, danço, e vou deixando que aos poucos as raízes dos acontecimentos ajudem a sedimentar novos tempos  nas conversas, nos (re)encontros, nas histórias partilhadas. Sim, ajuda a mudança de registo para perceber que podemos voltar ao mesmo, não sendo o mesmo. E o caminho vai transformando… sobretudo, quando a vida não nos passa ao lado.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

De viagem... Até já Paris!




Primeiro pensei no “Vou partiiiir… naquela estraaaaada”, mas depois apercebi-me que o Clemente fala de uma relação amorosa que acaba. Não é de todo o meu caso. Ora, no “youtubér” aparecem outras referências. E cá está a música da partida do emigrante (fazendo as devidas adaptações à minha condição de padre ;) )… É verdade que muita gente sofre(u) na partida para a emigração. No entanto, sempre que possível, parece-me que há que levar as coisas com humor. Brinco, mas lá vou eu ao misto de sensações. Apetece regressar, sim: há bom trabalho a fazer em Paris de França, tal como amigos para abraçar. Mas, oh, apetece ficar também. Por isso, um bom sorriso (não “deixo mulher a chorar”… :p ) e vamos até Paris. Tenho para mim que Deus garante-me boas surpresas por lá… É isso, se estivermos disponíveis, Ele apresenta-nos sempre algo bom, muito bom, tal como viu no final de cada dia da Criação. Até já Paris!!! :D

domingo, 7 de Setembro de 2014

"És capaz, não temas"




Num dos meus passeios tive de tirar esta foto. Tanta gente me passou pela cabeça a quem poderia dizer isto e mostrar o sentido obrigatório de “seguir em frente”. Claro que nas grandes decisões é necessário parar, para se perceber para onde se quer ir… ou para onde é para ir, mesmo que o apetite não seja muito. Obviamente que para trás não dá para voltar. No entanto, pode-se e deve-se olhar, fazendo também uma revisão de vida, como ajuda a perceber o caminho feito, seja qual tenha sido. Em linguagem inaciana: fazer discernimento diante de Deus, percebendo onde se pode encontrar o sentido nas decisões a tomar. Claro, depois é tomá-la(s) e seguir em frente. Mesmo que não seja fácil, “és capaz, não temas”!

sábado, 6 de Setembro de 2014

Recordações: índio? Nã, mais Super-homem




Durante a tarde, celebrei Missa no infantário gerido por um companheiro jesuíta desde há mais de 30 anos, o P. Domingos. Apesar de ainda ter sido num edifício diferente, estive no “infantário do Sr. Padre” dos 2 aos 6 anos. Hoje, quando cheguei, vi o cartaz que os pequenos do ATL me fizeram. Ri-me com as fotos do carnaval de há uns anos. Um tesourinho que confirma a minha diferença? rebeldia? não ser convencional? acreditar em que poderia voar um dia? Nesse ano a minha sala foi toda mascarada de índios... excepto eu. Sim, quando era pequeno tinha um fascínio pelo Super-homem, querendo voar e ter poderes para ajudar os outros, tal como ele. Não sou Super-homem, mas voei e tenho novos poderes, a partir de Deus, para ajudar os outros. Ah, e mantenho algo de fora do convencional... enfim, respeitando o grupo: se se reparar também pus como os outros pinturas de combate. ;) Outro "ah": Sou dos que acredita que os sonhos se podem realizar... talvez em modos diferentes, mas podem. Claro está, é preciso trabalho! ;) Bons voos... e bons sonhos! ;)





Ajuda... com outro.



Viet Thanh Nguyen

Quando passei pela fase New Age (Nova Era) li bastantes livros de auto-ajuda, de libertação pessoal, de sentir as energias e a vida, etc. etc. Em seu tempo ajudaram, é certo. Tem o seu quê de positivo. No entanto, apercebi-me que ficar no “auto-ajudar-me” tinha o perigo de me achar salvador de mim próprio. Como é óbvio, o primeiro passo tem de ser pessoal. O problema surge quando esse caminho é feito de tal maneira isolado que se perde a noção do perigo de apenas ver o que eu acho, o que eu sei, o que eu vivo, tornando essa realidade única e absoluta. Pois, o mundo vai para além do meu umbigo, a minha pessoa vai para além da minha visão isolada das coisas. Vai daí que uma boa conversa, ou conhecer outras pessoas, em jeito de partilha com amizade, no fundo, com disposição de ver outras perspectivas, pode ser oportunidade para abrir horizontes e dar outro sabor à própria vida.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Há dias...



Há dias em que a única escrita possível é a da contemplação… e nela, deixar que as pessoas, os acontecimentos próximos e distantes, a vida, no fundo, a humanidade, ganhem tons de maresia e de infinito. 

terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Novos amigos



[Coisas extra-quotidiano na vida de um padre] Sempre fui dado a fazer novas amizades... mesmo que para muita gente possam ser estranhas. Estive de conversa com a Tinny e o Balu. São de grande simpatia... sobretudo depois de um peixinho.  ;)

O brinco perdido



Não fosse o plural, diria que teria sido a Rapariga a perdê-lo. Não seria modelado em lágrima, mas de certo provocou a comoção, quando num passar de mão pelo cabelo sentiu o silêncio no gesto junto à orelha. Percebe-se ser especial: de herança ou de oferta de amor? Nem todos os valores se reduzem ao económico. Há peças, obras, objectos que não têm preço. Apenas o valor único e especial de terem sido invisivelmente gravados com nomes, datas e locais guardados na memória… ou recordação. O papel enrugado segreda que já havia dias que ali estava, em anúncio esperançoso. Já foi há umas semanas que o vi. Ainda assim, algumas histórias passam-me pelo pensamento. Seja como for, espero que se encontre o que pode estar perdido. 

segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Nevoeiro... [depois, a beleza do caminho]




[Em jeito de pausa] De repente junta-se muito: recordações, vontade de estar com tanta gente, ou simplesmente de silêncio para rever as muitas emoções dos últimos tempos. Dá-se mais um passo no mistério desvelado do que sou e do que posso fazer nos outros. Antecipa-se partidas. Faz parte. Diante do mar, vendo as pessoas a caminhar, fitava o infinito: “Agradeço-te… até mesmo o que não entendo.” Fechei os olhos. Chegava-me a imagem do nevoeiro da semana passada. Gosto do silêncio do nevoeiro. Nele também encontro refúgio. Até se dissipar e voltar a ver a beleza do caminho. 

sábado, 30 de Agosto de 2014

Leituras... com existência


“Montedidio” de Erri de Luca, p. 78.


Voltarei a ele, em releitura. Numa só página, ou todo o livro. Há frases que me fizeram deter, não conseguindo avançar sem digerir cada palavra. Outros parágrafos que me empurraram aos seguintes, até me deter novamente. É o gozo da vida inacabada, nesse aviso, entre uns e outros de nós, à existência.

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Lama? Também.



[Coisas de Campo de Férias a dar que pensar além Campo] "É a primeira vez que vejo um padre todo enlameado!" Exclamou, acompanhando o sorriso de espanto. Acrescentou: "És um padre fixe!" Sem saber, deu-me que pensar e até rezar. Não quero ser um "padre fixe", "porreiro" ou afins. Fazendo as coisas para agradar, acabo por cair na artificialidade. Sim, junto com o oposto, na distância (ou pedestal), a tentação de ser "fixe" está presente. O segredo está em admitir, num bom exame de consciência, que em ambos os lados dá-se desvio da essência, perdendo o saber viver o momento com sentido. Não é uma questão de lama, já que exterior ou interiormente passeia por cá a força da terra de que somos feitos, mas de autenticidade. Naquela tarde, já depois de banho tomado, as conversas ganharam a consistência de húmus... entre outras coisas, a raiz da humildade.  

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Pousio, na terra de mim



[Secção outros tons] É tempo de deixar-me embalar pelas ondas, sentindo o aconchego do sol ou da brisa fresca que me ampara o descanso. Entrego-me às palavras de outros. O que me farão ao ser, o futuro o dirá. De momento, fico-me pelo presente... sim, é tempo de descanso. A terra de mim agradece o pousio.


terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Alcafozes - N.ª Sra. do Loreto


Tive a honra de presidir à Missa de encerramento das festividades da N.ª Srª. do Loreto, padroeira universal da aviação. 11 anos depois de ter entregue a meia-asa e divisas da farda, vivi a certeza que continuo a voar nestes espaços e tempos que permitem a relação da unidade na diversidade. Do altar olhava para as pessoas de proveniências tão variadas: da região; que vieram de longe; da aviação civil e militar; antigos colegas com quem voei, mantendo-se a boa amizade. Como disse na homilia, a todos nos unia a mesma acção de Maria: pormos-nos em caminho. Claro está, dependendo da atitude de fundo, poderei viver e deixar que aconteça a transformação ao fazer caminho. E isso pode acontecer num voo, numa conversa, numa celebração. O caminho, bem vivido, leva ao encontro. Ontem recordei agradecido o caminho feito e os muitos encontros que tive ao longo destes 11 anos. No final, antes de me desparamentar, pedi que Maria me ajudasse a continuar a seguir o Seu Filho, nestes altos voos de promoção do respeito, da justiça e da dignidade. [Foto: Cristina Chaves]

domingo, 24 de Agosto de 2014

No perdoar e pedir perdão...




[Coisas de Campo de Férias, que podem acontecer em qualquer altura] Estávamos na roda, a almoçar. A directora levanta-se e põe dois de castigo, de costas e a dizer: "Não volto a gozar com as pessoas!" Riam à gargalhada. Ela continuava com ar sério. Eu observava. Às tantas, levanto-me e de ar e tom de voz igualmente sério, aliás, bastante sério, digo-lhes: "Dá para parar de gozar?" Ainda assim riam. O tom de voz aumentou na seriedade e tornou-se bastante directivo. Faz-se silêncio profundo na roda. Dei-lhes um raspanete. Fizeram o que lhes estava a ser pedido, mas já sem qualquer gozo. Sentámo-nos todos. Continuou o almoço. Precisei de ir à dispensa e a directora veio ter comigo: "Paulo, estávamos na brincadeira." "Mas, mas... estavas com ar muito sério e, apesar de achar estranho pelo grupo que temos, achei que te estavam a faltar ao respeito." "Pois, não. Que fazemos?" "Oh, claro que vou à roda pedir desculpa a todos e a eles dois de forma especial. Assumo a minha indelicadeza, erro, estupidez." Fui à roda e pedi a palavra. "Acabámos de viver um momento em que fui infeliz. Não percebi a brincadeira. Fui precipitado, abusando da minha autoridade natural, por ser o mais velho e, ainda por cima, padre. Quero pedir desculpa a todos, em especial a vocês dois. Fui injusto." Eles descomprimiram com um grande suspiro de alívio. Demos um abraço. E o almoço continuou... com a doçura da melancia (estava mesmo boa) e da certeza que sigo em caminho de aprendizagem, não só de perdoar, mas também de pedir perdão. 

sábado, 23 de Agosto de 2014

Chegado de Campo... a caminho de Alcafozes



Venho de Campo de Férias. Tem sido um Verão muito cheio e estes 10 dias também contribuíram para isso. 41 miúdos e 15 animadores que me alimentaram a esperança. No meio de tanta coisa sobre a educação, futuro da juventude e afins, há que dar-lhes a confiança de que são, não o futuro, mas o presente da humanidade. Pode ser uma gota no oceano, mas é uma gota colorida, rica em oxigénio. Também com os animadores.... animei quase todos noutros Campos ou actividades, um até foi meu aluno e da minha direcção de turma, Dá gozo, muito gozo vê-los crescer a todos os níveis. "Na Tua companhia" é o tema deste ano dos Campos de espiritualidade inaciana... e houve a companhia de Deus nestes corações que escutaram a riqueza de ser amados por Ele. 


E depois de uma paragem para banho e mudança de roupa... já rumo a Alcafozes, onde irei celebrar nas festividades da N.ª Sr.ª do Loreto, padroeira universal da aviação. Outros voos, daqueles que juntam Companhias. ;) Sim, como dizia um animador, "há cansaços felizes". ;) 

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Fechado para Campo de Férias



Elliot Erwitt

Toca a animar 42 miúdos, entre os 11 e os 12 anos, durante 10 dias.



Até breve… 

terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Volto à Paz



Dulce Antunes

Ontem foi mais um dia de acção de graças. A Missa Nova em Lisboa fica-me pelos rostos que representaram, resumiram, sintetizaram a amizade que sinto com tanta gente, de realidades tão diferentes, com a igualdade presente na humanidade. Como disse na homilia, a presença da diversidade de membros no Corpo que se pode traduzir na Amizade. Na amizade que ajuda a dar Paz, a viver a Paz. Aquela que se consegue a partir da autenticidade, naquele caminho de coragem de amar a Deus tal qual como se é. Há dias com mais facilidade, outros com mais dificuldade, outros em que a descrença fala mais forte. Sim, a Paz tem-me andado às voltas, por tanto. Confesso, e mudo de tema (a vida tem sido assim) que é um misto estranho de sensações: escrevo a alegria que sinto, mas também tenho vivido a tristeza e a impotência diante das atrocidades que o fundamentalismo tem cometido. Não é o islamismo contra o cristianismo, ou israelitas contra palestinianos (e vice-versa), é a estupidez ao mais alto nível, que não consegue compreender a riqueza da diversidade humana. Emociono-me ao ler sobre mais mortes pela fé, de pessoas que têm de abandonar das suas casas em nome do fundamentalismo que apenas mata a dignidade humana. Sinto-me pequeno, tão pequeno… As pessoas têm-me dito que sou um conciliador, que consigo agregar pessoas diferentes. Não é torná-las amiguinhas, como se fôssemos todos “tótozinhos”… não, tem que ver com este lado da concórdia que pode levar à Paz. Por isso, faço o que posso fazer: rezo. E agora, como padre, sempre que posso celebro Missa pela Paz e pela Justiça, fazendo silêncio e recordando tantas pessoas. Ontem, na Missa em Lisboa, acenderam-se velas pelos tripulantes, pilotos e passageiros que faleceram este ano. Mas também reservei uma por todas as pessoas que vivem a perseguição, a guerra e a morte. Como escrevia há dias, não podendo acabar com as guerras e os fundamentalismos lá longe, faço os possíveis para trazer luz e paz aos corações que me são confiados.

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

"Do ar para o céu"... o artigo online



Virgílio Rodrigues

Para quem não teve oportunidade de ler na revista em papel, aqui fica a versão online do Perfil na Notícias Magazine: "Do ar para o céu". E termino o dia agradecido pela Missa de hoje. Foi muito bom ver tantos rostos que fazem a minha história. Amanhã direi algo mais... com fotos também. Entretanto, continuo a rezar pela Paz.

domingo, 10 de Agosto de 2014

"Do ar para o Céu"





Fico embevecido com o “Perfil” no Notícias Magazine. Embevecido, com aquele sorriso de: “olha eu, numa revista”. O artigo está muito bom, numa operação de síntese feita pela Sónia Morais Santos. [Obrigado a ti, Sónia! Sim, ajuda a nossa amizade, o pensar tanto nela e na tua família nestes dias agitados de gravidez (Baby M, calminha!!!)] Parece-me mais um passo de tanto bem recebido por Deus, neste dom que é a vocação. Sim, a vida é para ser partilhada… vou fazendo isso. Há dias de celebrar, outros de (não esqueço a cagadela de pombo de há dias ;) ) recordar que “também sou mais um”.  E claro, também penso em tantos companheiros jesuítas e amigos que me ensinam a ser padre, no meu modo de ser, confiado em Deus que acalma as tempestades… passando na brisa suave. Oh… estou embevecido. :p   

sábado, 9 de Agosto de 2014

Agradecer... e o beijinho.



Stina Seig


[Coisas do quotidiano de Padre] “Oh Sr. Padre, gostei muito quando o senhor disse na Missa para agradecermos uma pessoa ou alguém que nos fez bem ou que temos saudades. Só não gostei duma coisa.” “Então?” “Deu pouco tempo para isso! Tenho tanta gente a quem agradecer. Oh, uma pessoa vai para velha e tem disto. Sofri muito, mas houve tanta gente que me ajudou. O sr. disse aquilo e só me apetecia ir dar abraços e beijinhos por aí fora! Olhe, posso dar-lhe um a si, parece mesmo o meu bisneto! Desculpe lá, mas isto com a idade uma pessoa perde a vergonha.” [Gargalhada dos dois] “Oh senhora, venha de lá o beijinho!” “Ah, mê rico menino, que Deus nosso Senhor o conserve sempre assim!” E pronto, também saí abençoado da Missa. ;) 

P.S. - Aproveito para dizer que amanhã, domingo, sai uma reportagem interessante ;) , escrita pela Sónia Morais Santos, no Notícias Magazine (a revista de domingo do DN/JN). Quem passar por um quiosque dê uma olhada. Amanhã darei mais detalhes. :) 

sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Crítica(s)



Jitendra Prakash


Formulava em pensamento uma crítica a uma pessoa. Era daquelas que não seria muito construtiva, diga-se de boa verdade… aliás [deixa-te de coisas, Paulo], tinha mesmo toque de maledicência. Como tenho pensamento rápido, acabei por perguntar-me: “De que tens inveja? O que ganhas com isso? Conheces mesmo a pessoa?”. Sim, rezo, estudo, faço caminho com Deus para ser mais humano, mas de vez em quando lá vêm os “instintos-de-defesa-sobre-algum-pedacinho-ou-pedaço-de-ego-ferido”. Encolhi os ombros, no sentido de: “aqui tenho algo a melhorarem mim”. Agradeci a Deus pela vida da pessoa. E continuei a fazer caminho… interior e exterior.

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

200 anos da restauração da Companhia de Jesus



Este ano, nós, jesuítas, temos celebrado os 200 anos da restauração da Companhia. Foi no dia 7 de Agosto de 1814 que o Papa Pio VII decretou que fosse restaurada. Já agora, pensar que nós, portugueses, fomos expulsos do nosso país por 3 vezes. Num ou noutro dia na minha oração tenho pensado: “e se fosse agora?”. Não, não me apetecia nada ser escorraçado para um outro Forte São Julião da Barra, nem ser medido da cabeça aos pés como se fosse um assassino ou malfeitor, nem estar numa casa rodeado de força policial, nem ser posto num barco amontoado de outros companheiros e morrer de forma indigna na viagem até aos Estados Pontifícios. Sim, foram outros tempos, mas reler a História e pensar “e se fosse eu?” faz-me mudar um pouco o modo de ver e viver. Não se trata de ser herói ou mártir, mas de perceber onde está o essencial, tanto na relação com Deus, como na relação com os outros, seja esta ou aquela pessoa concreta, seja na sociedade em que estou inserido nas suas componentes sociais e políticas. De momento penso num “pequeno” segredo: confiança em Deus, trabalhando a liberdade interior para saber, ora perder, ora ganhar. Há dias que é fácil. Dou graças a Deus. Outros que não tanto. Mesmo a custar, dou graças a Deus também. [Para saber mais sobre este tema: http://jesuitasportugueses.wix.com/jubileu-2014]

Missa Nova em Lisboa



Katia Viola


[Notícia de última hora: Celebração de Missa Nova em Lisboa] Na próxima 2.ª feira, dia 11, passarei por Lisboa, em escala técnica antes de ir para Campo de Férias, e tenho todo o gosto em celebrar Missa Nova na cidade que também gosto tanto: Lisboa. Sabendo que passamos tempos de conflitos, a vários níveis, e recordando tripulantes e passageiros dos últimos incidentes e acidentes aéreos, celebrarei Missa a pensar na reconciliação dos povos. Será na Igreja Paroquial do Lumiar, na próxima 2.ª feira, às 18h30. Deixo o link com a direcção da Igreja: https://goo.gl/maps/jG3k3

quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Transfiguração


Nelson Garrido


[Secção outro tons. Especial Transfiguração] Resplandece a luz do meio-dia. No zénite, a força do sol faz ver o azul de mar e o branco de areia de forma esperançosa. Aquele brilho que transporta a existência a outros tempos e lugares. É o Filho. Amado. No convite da escuta abre-se a oportunidade de perceber que a vida dá voltas, sim. Já não em tendas consoladas, nem na morte, mesmo sendo passagem necessária, mas na certeza de que a humanidade liberta-se do medo. A honra e a glória, na descida do monte, transfigura-se em serviço.

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Quotidiano... o presente.



Scott Rotzoll


Meia-volta e acabo por voltar a pensar no quotidiano. Sobretudo quando sou bombardeado com o imenso de imagens, de longe ou de perto, que provocam explosão de sentimentos. Às vezes é preferível fugir dessa realidade, ignorá-la, como se não existisse. Mas ela está lá. Como digo, sobre determinadas coisas não posso fazer nada mais que rezar, com outras já posso fazer algo mais. Em parte por ser o presente, o aqui e agora que se vive. Primeiro aceitá-lo… é assim, e ponto! Parece-me o passo primordial para manter o que há a manter e mudar o que há a mudar. O engano reside no não aceitar, vivendo num imaginário que degenera. Sim, poderá até ser vergonhoso, poderá até mostrar que afinal vive-se uma mentira a vários níveis. Mas pior que isto, é mesmo viver nesse engano, como se ele não existisse. Insisto, vidas perfeitas não existem e não existirão… existem sim vidas em caminho, que podem dar o melhor a que são chamadas: seja no banal das compras do dia-a-dia, seja a aproveitar as férias, seja a amar.

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Ícone (em dia dos padres)




Ofereceram-me este ícone. Sinto-me tão agradecido. É(-me) muito especial, por muitos motivos... desde a concepção, à escolha, ao sentido da oferta. Foi rezado durante dois anos. Foi escrito e pintado como fruto dessa oração, desse encontro com Cristo que acolhe tudo e todos. Foi escolhido a pensar em mim, num "é este!". E sim, quando o desembrulhei tive aquela sensação de que nos pertencíamos. O olhar atraíu-me de forma inexplicável. Avizinha-se muito bom e forte tempo de contemplação diante dele... ao jeito da espiritualidade oriental, em que a contemplação transforma, molda, converte aquele que contempla. Neste dias dos Padres, é isso que peço, ser um Padre ao jeito de Cristo que, por ter vivido plenamente a humanidade, acolhe, abraça, ama, dirige para a liberdade e felicidade, convidando a participar da Sua divindade.


domingo, 3 de Agosto de 2014

Arriscar e confiar



Miguel Parra


Fui celebrar Missa num campo de férias com miúdos entre o 6 e os 14 anos. Um deles, surdo, bastante "turbulento" e inquieto, segundo os animadores, aproximou-se de mim... para reconhecer e avaliar o intruso. Pus-me na brincadeira com ele. Alinhou, mas sem sorrir. Disse-lhe, muito devagar e de forma expressiva em gestos: "gostava de ver o teu sorriso." E pus-lhe os dedos junto da boca, para reforçar a ideia. Deu um sorriso enorme. Correu até ao pátio e voltou. "Gostava muito que te sentasses ao meu lado durante a Missa. Queres?" Pelos ares dos animadores, parecia que eu estava a arriscar uma missa "turbulenta". Confesso: arrisquei! E portou-se lindamente. Apontava-me as formigas a subir a alva e eu agradecia-lhe com "dá cá 5!!". Ele sorria. E nós todos celebrávamos. A multiplicação dos pães e peixes também pode ser de alegria e confiança. Para vivê-la há que arriscar.

sábado, 2 de Agosto de 2014

[Coisas da vida de padre]





Depois da beleza do sacramento, numa cerimónia com guarda de honra do Exército e tudo, a loucura de celebrar com a nova família. A vida também é feita disto! ;)

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Dia de Santo Inácio de Loiola



Hoje celebramos Sto. Inácio de Loiola. Este homem, a partir da realidade, da sua experiência de vida, encontrou-se com Deus de forma muito forte e deixou-nos um grande legado escrito, em particular os Exercícios Espirituais. A partir da espiritualidade inaciana muito foi desenvolvido. Juntando à filosofia e à teologia, as várias ciências e artes estão também em destaque. De Portugal fomos expulsos 3 vezes. No mundo, houve a supressão da Companhia. Foi restaurada há 200 anos. Neste dia penso em muitos companheiros que conheço, pessoalmente ou por leituras ou partilhas das suas histórias, portugueses, estrangeiros, que trabalham em muitas áreas, muito ou pouco amados, controversos, assassinados recentemente, ou ainda raptados. Agradeço o que Sto. Inácio nos deu e ainda dá, sobretudo o convite à conversão em ver Deus em todas as coisas, mesmo onde, de todo, não se espera.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Fico-me pelos rostos que entrego.




Kátia Viola


[Secção outros tons] Fico-me pelos rostos que entrego. Um após outro circulam em memória de tempos presenteados. Em solene perfume de incenso, que faz do Mistério aquele arrepio que anula a ausência, deixo-me perceber em Corpo e em Sangue. Ajoelho-me, de braços postos no regaço. Agradeço. Levanto-me. O rosto desvela-se e abre caminho.

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Pagela da Missa Nova



Pagela ou “santinho” é o nome que se dá à recordação da ordenação e da Missa Nova. Sobre a da minha Missa Nova, muita gente perguntou qual o significado. Para mim tem o significado da Amizade. Pedi ao João Delicado, grande Amigo, como um irmão, que me fizesse a pagela. Confiei-lhe tudo. Concepção e escolha da frase que me irá acompanhar a vida. Quando a vi não tinha palavras, apenas aquele sorriso estúpido (ele sabe qual é!) de: “Isto sou eu!”… em tudo! O João, ontem, escreveu um post a explicar os passos da concepção e mais em detalhe o significado. Estou-lhe muito agradecido e também à Marta (da martisses). Aqui vai o link para a "A bandeira do senhor padre, como é?" (sim, sei que sou suspeito ;) , mas vale muito a pena ler!!): http://verparalemdolhar.blogspot.pt/2014/07/paulo-duarte-sj-padre-jesuita-missa-nova.html

domingo, 27 de Julho de 2014

Agradecimentos [na Missa Nova]




Uma das muitas surpresas que me prepararam... uma rede de pesca, com conchas, recordando o Mar, que suporta inúmeras fotos (algumas quais bons “tesourinhos deprimentes” que me fizeram rir bastante)... já nem me lembrava que tinha feito a 1ª Comunhão de All Stars... ;) ramos de oliveira, sim andam a ler os meus posts... eheheh



[Este post é longo. Partilho o texto que li ontem, dando os agradecimentos neste tempo da minha vida, em especial na Missa Nova]

Este momento, em que vou dedicar-me aos agradecimentos, tem como inspiração uma grande mulher: a Mafalda. Ela gostaria muito de estar aqui, mas os seus ossos (ela tem a doença dos ossos de vidro) não permitiram que desta vez fizesse uma viagem até cá. É uma mulher de força e inspiradora, com um desejo imenso de cá estar. Trago-a desta forma: há uns anos escreveu um texto “Obrigado”... e assim, começo...

Obrigado Senhor por seres quem és, em mistério que se revela Corpo que se dá em alimento. Obrigado por não cessares de criar… e provocando-te sorrisos ou lágrimas, alegrias ou dores dilacerantes, continuares a confiar na humanidade.  

Obrigado pela Igreja, esta concreta, constituída por homens e mulheres concretos que põem a render os dons e, apesar de por vezes os desperdiçarem por medo, vergonha ou abuso de poder, continuarem nesta procura da tua vontade, dando o seu melhor no serviço.  

Obrigado pela Companhia de Jesus, por tantos companheiros que consciente ou inconscientemente me ajudaram a ser quem sou e que, em especial os formadores, foram confiando em mim nesta entrega. Agradeço-te de forma especial pelo Carlos, pelo Frederico, pelo Gonçalo, pelo João e pelo Pedro: cada um ao seu modo me revela a amizade e o companheirismo nesta graça do sacerdócio. Gracias por Nacho Boné, por Toño García y, aunque ella no sea jesuíta, por Asun: en mi vida también hay un antes y un después de me haber encontrado con ellos. 

Obrigado pela minha mãe Maria e pelo meu pai José. Mesmo não sendo eu Jesus na terra, foi e é graças a eles, que O fui descobrindo e tento participar cada vez mais da Sua vida. Obrigado pelo seu exemplo de força, de determinação, de humor, de capacidade de encaixe, sobretudo quando a vida dá voltas que eles não esperam. Obrigado por, apesar de não terem netos biológicos, estarem sempre dispostos a receber de braços abertos os inúmeros netos de amizade.

Obrigado pela Suzanne, pela Letinha, pelo Deli, pelo Luís Amaral, pelo Hugo, pela Emília, pela Maria Luísa, pela Patri, pela Esther, por nesta amizade com contornos de laços alargados de família, condensarem todos os familiares e amigos presentes nas mais variadas formas, na sua diversidade de crenças, aqui ou por esse mundo fora, como o Pablo Kramm, no Chile, ou virtuais, como no facebook ou blogues, também na oração, como as amigas carmelitas, e por no pensamento ou no abraço, todos, mas todos, me fazerem recordar tantas conversas, voos, encontros contigo, gargalhadas, “likes”, comentários, estupidezes, choros, aulas, histórias, dúvidas, sonhos, petiscos, danças. 

Obrigado pelo P. Mário, que na amizade e serviço, também condensa esta comunidade paroquial aqui em Portimão. Obrigado por desde o primeiro momento escutar da sua parte: “não te preocupes com a organização, recorda que esta também é a tua casa”. Obrigado pela Dra. Isilda, por, na qualidade de Presidente da Câmara, ter mostrado toda a sua disponibilidade e colaboração para que esta festa seja de todos, já desde a viagem até à ordenação, em Coimbra. Sim, obrigado por toda a entrega destas pessoas que também, seja pela música, como o Coro, seja nos comes e bebes no Salão dos Bombeiros, ajudaram a que esta festa se tornasse fruto de partilha da comunidade, ao jeito da multiplicação dos pães… 

Obrigado pela minha fé, esperança e caridade. Sem interessar a quantidade, vão sendo diálogo entre o teu dom e a minha resposta, umas vezes com mais encontrões e tropeços, outras em velocidade de cruzeiro. Obrigado por este novo dom do sacerdócio. Que nunca me canse de te dar graças por ele e, sobretudo, pô-lo ao teu serviço, nesta dádiva de vida na paternidade espiritual, em especial por aqueles que mais sofrem e estão afastados da Tua casa.

Senhor, é isso, agradeço-te por seres quem és.

E agradecendo ainda o carinho, protecção, o Sim de Maria para acolher o Filho no seu seio, rezemos uma Avé-Maria a Nossa Senhora da Conceição.

sábado, 26 de Julho de 2014

Missa Nova [Homilia]





Termino o dia com cansaço agradecido. Foi um dia de muita acção de graças. Não escrevo mais de momento. Já que está online (mais um agradecimento a quem gravou) partilho a homilia da minha Missa Nova... :)

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Infinito de Mar




É um misto de sensações. Sinto a tristeza do que se passa no mundo, naquela impotência que tenho comentado, deixando-me ficar em pequenos momentos de silêncio orante pedindo a paz: não só nas zonas de conflito, como aos corações das pessoas que vivem a dor dilacerante das perdas humanas de forma tão bruta. Também sinto aquela felicidade inexplicável do dom recebido por Deus, desta entrega de dar corpo, no serviço aos outros. Hoje fui ao “fim de terra”, olhar o infinito do Mar, numa zona tão especial para mim desde muito novinho: o promontório de Sagres. Aí, sentindo a força do vento a empurrar-me, escutando as ondas a rebentar na costa, rezei a Deus que se confia nas nossas mãos para sermos portadores da Sua paz. Naquele silêncio preenchido pela História de tantos que, com garra e medos, partiram em busca de novas terras, pedi ao Senhor que me dê um coração sábio, mantendo a autenticidade que vou descobrindo, e possa, ao jeito de São João Baptista, apontar ao Infinito que dá vida. E recordando São Tiago, pedi-lhe para fazer dos meus passos peregrinos um meio de encontro entre Ele e quem o busca. 

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Infelizmente... mau uso do poder



Nadya Kulagina


A propósito de recentes acontecimentos políticos, confirma-se que para alguns senhores no poder o que interessa é a economia e aumentar o seu próprio poder… o resto, tipo as pessoas e a sua dignidade, pelos vistos “algo” pouco importante, são para eles “palha que o vento leva” ou, pior, “coisas” ao serviço do seu poder. Lá vou eu ao post de há 3 dias: reduzo-me ao silêncio… da oração.

quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Rostos



Shahnewaz Karim


Tenho a mania de olhar rostos. Aperceber-me dos detalhes, das características que marcam a pessoa a partir do rosto. Nota-se o cansaço, a felicidade, a tristeza, a dureza do muito que passa ou passou, o desejo. Se os olhos são “o espelho da alma”, o rosto, como Emmanuel Lévinas afirma, é o infinito do outro. Cada vez mais me convenço: o que cada rosto segreda é o desejo de ser amado. Isto não é coisa pouca… há quem sofra e faça sofrer por isto não acontecer. As variantes são inúmeras. Volto ao mesmo: “como a si mesmo, amar o próximo”. E a dignidade humana, se mais passos houver neste sentido, ganhará novos contornos… mesmo sendo nós mais de 7 mil milhões no mundo.

terça-feira, 22 de Julho de 2014

Agradecido



Co-celebrei com o P. Belchior, que presidiu e celebra este ano 50 anos de sacerdócio, na Missa de encerramento do ano lectivo no CAIC. Foi para mim oportunidade de dar graças pelos 2 anos que muito me ajudaram a ser quem sou. Sim, agradeço muitas vezes, mas hoje foi especial: tornei o agradecimento sagrado, pedindo também pela vida e intenções de tantos amigos, sejam docentes, não-docentes ou alunos. Os dois tínhamos um bolo original: o P. Belchior gosta das suas caminhadas... e eu fui recordado pela minha entrada de mota, vestido de Pai Natal, na festa de Natal há 5 anos, que dançou à fartazana enquanto distribuía as prendas às crianças. Sim, olhando para este dia, melhor, para estes dias, volta-me ao pensamento a passagem do Cântico dos Cânticos que se leu hoje: "encontrei Aquele que o meu coração ama".

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Reduzo-me ao silêncio



Reza


Reduzo-me ao silêncio perante muitos acontecimentos brutais que acontecem no nosso mundo, ainda mais quando são fruto da estupidez e da ganância de poder. Desde o avião abatido recentemente, passando pelos bombardeamentos na Faixa de Gaza, não esquecendo as outras inúmeras zonas de conflito armado pelo mundo, juntando ainda o aumento da escravidão e tráfico humano. Reduzo-me ao silêncio, por não poder fazer mais que rezar ou pensar nas pessoas que vivem estas situações. Ou então, tentar trazer Paz às pequenas guerras do dia-a-dia, muitas vezes desnecessárias, ou fazer caminho para que seja a vida, e não o poder, a prevalecer nas minhas decisões e relações com os outros.

sábado, 19 de Julho de 2014

Entre o destruído e o novo



Alfredo Henriques


Passei pela Igreja de S. Domingos, ao lado do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. Para mim é passagem obrigatória quando cá venho. Gosto de recolher-me por lá e sentir-me rodeado pela força de contraste entre o destruído e o novo. Nem é o renovado, é o novo mesmo, nesse choque de que as marcas não se apagam, apenas poderão ser integradas nas mudanças que acontecem. O faustoso foi esmagado pelo fogo, ficando o silêncio das pedras e dos pilares. Não se deixou de celebrar Missa por lá… mesmo com chuvas e ventos. Hoje em dia, esta Igreja rodeada de História faz-me agradecer a simplicidade e alertar para o sentido das coisas… e, mesmo sendo os inícios, estar atento para não desvirtuar a missão que me foi e é confiada.