sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

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Arthur Matsuo

[Secção outros tons] São pássaros a voar, fugidios de chuva e de vento. Imbatíveis, quebram gravidade. A janela embacia-se com o vapor de chá de violeta imperial. De nada, aparentemente, por contar, escreve-se o quotidiano. Dando espaço ao silêncio, mais uma página é folheada, quase encerrando o capítulo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Bom tempo




Guy Anderson


O dia convida ao recolhimento. O que tanto se designa por “mau tempo”, pode ser bom tempo, belo até, para dar início à viagem de nova passagem. O gradiente do cinzento não ofusca a cor… pode relembrar a serenidade de memórias, clarificadoras do mistério do próprio presente. Há pouco, enquanto rezava, perguntei a Deus: que queres que de mim reduza a cinzas? Só Deus consegue amar-me ao ponto de me ajudar a ser como Ele. Num primeiro momento assusta pensar nisto: ser como Deus. No entanto, toda a revelação aponta a esse saber perder capas, máscaras, camadas que impedem a força da luz interna brotar como ramos que nos fazem encontrar em comunidade, de respeito e misericórdia, uns com os outros. Este caminho de cinzas é caminho de liberdade. Não renegando o passado, aceita-se sem que massacre, para queimar o que impede de viver… e veremos como a própria cinza torna a terra, banhada com a água de inverno, ainda mais fértil.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ainda em Carnaval... ou em flexibilidade.




Cristina Lima


Há pouco, no post anterior, escrevi sobre flexibilidade… e agora acabo de receber esta foto do fim-de-semana passado com alunos. Antes que o dia de Carnaval acabe, recordo que a credibilidade de um padre (pelo menos este que escreve), também é medida pelo humor com que vive. ;) 

Flexibilidade




Pai José


Achei piada quando descobri esta fotografia. Comecei a praticar ginástica acrobática com 13 anos. Recordo bem o esforço de treinar a espargata para ir a competição. Ainda não estava no ponto, mas, como se nota, já ia avançado. Ganhar flexibilidade exige trabalho. Não só flexibilidade de corpo físico, mas também de espiritual, psicológico e social. Uma das técnicas é começar pelo amor-próprio. Gostar-se realmente de quem se é, é mais difícil do que parece. Implica conhecer, tanto do que é bonito e agradável, como do lado sombrio que incomoda. Depois, começar a estar atento ao outro, na sua diferença, sem fazer o julgamento imediato, rotulando-o seja do que for. Algo igualmente fundamental, perceber onde é que os estereótipos vão entrando e obrigam a que “tenha de ser assim porque sempre foi” ou “há que mudar porque sim”. Ganhar flexibilidade, poderá significar sair da rigidez para a compreensão. No fundo, deixar que o coração de pedra se transforme em carne. 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Trabalho de corpo




Naing Thu Soe


Cheguei há pouco de uns dias com os alunos do 12.º ano da ARTAVE (a escola profissional de música do complexo escolar onde trabalho). Esta manhã propus-lhes exercícios de corpo e de dança, onde se incluiria muito de trabalho de confiança e autenticidade, com eles próprios e com toda a turma. Mais uma vez, houve verdade. No princípio, surgiram os risos e os olhares que revelam a sensação de ridículo. No entanto, das muitas vezes que propus este tipo de trabalho de corpo, foi aquela em que senti a imensa entrega, de cada um e do conjunto, de forma mais rápida. Alguém, na partilha final de todo o exercício, usou mesmo a expressão de ter percepcionado momentos de limpidez. Houve momentos de gestos limpos, que levaram a olhares de agradecimento e de perdão entre eles. Isto de explorarmos o trabalho de corpo, em territórios desconhecidos, abre muito de nós. Apercebo-me do muito medo que há com o que o corpo pode potencializar e dar a conhecer de quem se é. São séculos de centralizar o conhecimento na cabeça, na “fria” razão, onde se encaminha para a formatação do próprio humano. Quando se habita o movimento, há muita novidade… junto com o despertar do que está abafado por tantos medos, inseguranças, vergonhas.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Agradecer ser padre




Hideki Mizuta


Há dias que marcam de forma especial simplesmente por ser padre. Hoje foi mais um. Só que não é “mais um” em sentido de desvalorizar ou relativizar, mas de agradecer a vocação de forma especial. Apenas fiz o esperado. No entanto, é sempre bom ver, no meio de tanto sofrimento, o brilho de olhar e ajudar a devolver cor à vida.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Dons, capacidades, talentos, virtudes




Prasad Perakam


Tenho-me apercebido da grande dificuldade que muitas pessoas têm para aceitar os seus dons, capacidades, talentos, virtudes. Talvez por surgir o medo ou a vergonha do julgamento com frases do tipo “convencido(a)!”, “quem acha que se julga?”, “olha, este(a) a se armar”, “olha a imensa modéstia que por aqui anda” dito com ironia, acaba por dar-se a dificuldade no reconhecimento dos dons. Ninguém é bom em tudo. Mas também não há ninguém que não tenha dons. Gasta-se tanta energia tanto quando se rebaixa alguém, como quando não se é devidamente valorizado. Por isso, parece-me que devia usar-se bem essa energia, por um lado, a (re)conhecer e a agradecer os dons que se têm, por outro, a (re)conhecer e a agradecer os dons que os outros têm, pondo-os todos a render, sobretudo no caminho da humanização.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Encontros




Quando esta DEF e este padre se juntam, há gargalhada na certa. Também conversas sérias, de Deus e de humanidade, com sonhos à mistura. Tudo na casa de bonecas, que prova que há limites a serem superados independentemente do tamanho (ok, a cadeira de rodas dá uma ajuda! ;)). E viste que conseguiste dar uma cabeçada num tecto?!? Afinal, os colos elevam… ;) Mafalda, para quando o livro?!? Estamos à espera.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sobre o tema "nudez"...




Imagem de 1480-1490, atribuída ao atelier de Ivo Strigel

A propósito da nudez que tanto se fala agora, e que infelizmente teve de ser tapada para não ferir susceptibilidades em vista da deusa economia encapotada de questões culturais, lembrei-me da foto que tirei a esta imagem do Menino Jesus no Museu de Cluny, dedicado à Idade Média, em Paris. A divindade em que acredito nada tem a esconder. Pelo contrário, revelou-se plenamente, não descurando nada da humanidade. E mostrou-nos que ser é mais importante que ter.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

"Sabes que mais? Morre!"






Candy Caldwell

[Secção pensamentos soltos] Passava num dos corredores de uma das escolas e ouço no meio do reboliço: “Olha, sabes que mais? Mata-te!”, dito de forma banal, até em jeito de aparente brincadeira. Pode-se incluir em expressões que se ouve e lê com muita frequência (também em muitos comentários on-line): “Mata-te”, “morre”, “ se não conseguires isto, mato-te”, “nem devias ter nascido” etc. Tenho pena que não se meça, ou se aprenda a medir bem a força das palavras. Quando se começa a roubar legalmente (e isto de roubo legal está também a ser muito comum) gente que tudo perde, quase a vida, para fugir da morte, “algo vai mal no reino da Dinamarca”. No fundo, é outro modo de dizer “morre, desaparece, não te quero na minha vista confortável e provocas-me medo porque não és dos meus”. Hoje é dia de recordar muitos que morreram de forma tristemente banal, onde alguém decidiu, de forma legal, tirar-lhes a dignidade da existência, tipo “Olha, sabes que mais? Morre!” por serem judeus, negros, ciganos ou homossexuais. Poderíamos incluir os que foram assassinados, entre outros, pelos khmers vermelhos no Cambodja, por usarem óculos, serem de outra nacionalidade ou religiosos. Há dias que é de dizer, com preocupação e arrepio: mundo estranho, este. Foi com ar de estranheza que olharam para mim quando lhes disse: “e se todos os pedidos se realizassem e ele se matasse mesmo?” Pois, as palavras, junto com as acções, têm força de tirar ou renovar a dignidade. Seria bom que se seguisse sempre a renovação.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Ida ao bosque




Momento da meditação em que os convidei a elevar os braços e a espreguiçar.


[Aula com alunos de 5.º ano] Tenho aula com eles no primeiro tempo da manhã. Cheguei, levantaram-se para me receber como de costume, junto com os bons dias. Sentaram-se e fiz vista geral de sala. “Sr. H. dormiu bem esta noite? Está com ar de sono.” “Sim, estou!” Comecei a reparar e eram uns quantos… incluindo-me no grupo, claro. Ai, para mim as manhãs são sempre dramáticas. ;) Ora, olhei pela janela e dá-se-me uma volta de aula. “Meninos e meninas, todos de pé.” Ar de espanto. “Que vamos fazer, pro’ssor?” “Nada de barulho no corredor!” A meio do caminho disse-lhes que íamos para o bosque. Impagável o ar de alegria que sentiram. Alguém me disse: “Ai, este é o dia mais feliz da minha vida!!” Eu: “Que exagero!” “Pronto, desde que começou a escola!” Chegando lá, fizemos a oração da manhã e a meditação… a música era dos pássaros, das folhas caídas no chão e da brisa a passar pelas árvores. Depois falámos da criação, do respeito pela natureza e de como eles já podem fazer muito para tornar o mundo melhor. O bom mesmo? Ver a alegria deles a descobrir a beleza do bosque.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Conversão/conversões




Takashi Zenihiro

Entre as muitas e pequenas conversões diárias quase imperceptíveis, há as grandes, onde se deram viragens no modo como me vejo em relação com os outros e com Deus. Posso dizer que todas têm que ver com encontros. Não me tornei ou torno um novo Paulo, mais um Paulo renovado. Há medos e limites que se mantêm. O que muda? Dons que se avivam e, sobretudo, o aumento da consciência de que não estou sozinho, perdendo a vergonha tanto da fragilidade, como de afirmar e pôr a render esses mesmos dons. Depois, as forças do respeito e da compreensão dão-me impulso à vocação.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Olhar




[Secção outros tons] Pode o olhar escutar? Toca liberdade, ou, simplesmente, o sabor a-mar. E nenhum membro poderá dizer a outro: “tu não fazes falta”.


sábado, 23 de janeiro de 2016

Caminho de (re)descoberta




Sérgio Lemos

- P. Paulo, parece que toda a gente me obriga a ser feliz. Já sei que há quem possa estar pior do que eu, que há quem sofra mais do que eu, que não teria com que me queixar, essas coisas todas que me põem ainda pior. Eu acredito em Deus, rezo, mas não saio disto. 
Do rosto emanava tristeza profunda, claramente em depressão. Como não sou terapeuta, tenho muito cuidado no que digo. Pergunto sempre se está a ter algum acompanhamento especializado. O problema acontece quando são pessoas que não têm meios para este tipo de acompanhamento e lá se percebe o padre como o “psicólogo barato”. 
- E acredita em si?
- Como assim?
- Acredita que tem de fazer o caminho, mesmo que duro, de descoberta do seu lado mais sombrio e amá-lo?
- Não sou capaz. Isso é impossível!
- E se começar por dizer “é difícil”, antes de dizer “é impossível”? Cada vez somos mais marcados pela busca da perfeição em muitas situações: físicas, emocionais, profissionais, religiosas. Temos de ser imaculados. Quando, afinal, temos muitas coisas que não se gosta. Claro, tocar aí é como se estivéssemos a confirmar que “não prestamos”. Não é fácil, claro que não, mas esse caminho tem de ser feito, para amar tudo em nós, mesmo a sombra, a tristeza, o sem-sentido. É um caminho pessoal, mas tem de ser acompanhado por alguém que vai escutar sem julgar, ao mesmo tempo que vai ajudando a despertar para um novo amanhecer. 
- Isso demora muito?
- Não é uma questão de tempo, mas de vontade. E como me falou de Deus, dizer-lhe que Deus é o primeiro a acompanhar nesta viagem.
Emocionou-se.
- Eu sou alguém, não sou?
- Permita-me que lhe toque?
- Sim.
Levantei-me e coloquei a mão no ombro. 
- Vê, não consigo atravessar. Não é transparente, há solidez natural. Posso sugerir outra coisa? 
- Sim. 
- Vou colocar uma música e peço-lhe que imagine o nascer do sol. Ao mesmo tempo expanda os braços e o tronco. E fique assim, um pouco, simplesmente a respirar.

Deixei passar uns minutos e via as lágrimas a cair. O rosto ia ficando menos tenso… o longo caminho começava a ser feito.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Preparar casamentos II




Visarut Teerawatvichaikul


Ainda a propósito de casamentos, tendo em conta o post de há dias. Outra coisa que gosto de dizer aos noivos que se preparam para casar: não deixem de ser casal. Explico-me: muitas vezes, ou grande parte das vezes, quando chega a maternidade e a paternidade, parece que se dá o esquecimento que são casal. Caminho errado! Espero que haja criatividade. Tirar de vez em quando um dia ou um fim-de-semana a dois é bom e necessário. Sim, há a responsabilidade de se ser mãe e pai, mas parece-me que para sê-lo ainda com mais liberdade, força e emoção, há que ir ao amor primeiro… entre os dois. Deixem lá culpabilizações de lado e mimem-se e amem-se e sejam criativos. ;)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Os alunos n'A Praça



Tiago Couto

Encontrar a simplicidade nas palavras e nos gestos. Foi o que aconteceu hoje enquanto conversávamos com o Sr. Agostinho e a D. Gabriela, sua esposa, antes de entrarmos em directo. Com a doença, o desgaste e cansaço que sofrem, percebia-se neles muito agradecimento pela vida. A Cátia, a Inês, a Sara, o João e o Pedro, criaram laços com esta família. Mais, no que é possível, pode ser feito e é isso que vai acontecer. Aqui fica a entrevista aos alunos n’A Praça: http://www.rtp.pt/play/p1983/e221559/a-praca/479188




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Sobre ELA




Amanhã, 4.ª, irei acompanhar um grupo de 5 alunos do Colégio das Caldinhas (da OFICINA e do INA) à Praça da Alegria [RTP 1]. Estes alunos realizaram um vídeo sobre a força, a vida e a esperança do Sr. Agostinho e da sua mulher. Ele sofre de ELA. Eles, alunos, ganharam uma nova perspectiva sobre a vida. A conversa andará à volta disto. E assim continuamos no caminho da educação, aliando o conhecimento à sabedoria da vida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Coisas de corpo




Aizuddin Saad


Esta manhã troquei o frasco de café pelo de cevada. Peguei sem ver, estava a abrir e senti que a tampa era estranha. Olhei: frasco errado. Ok, coisa de pouca relevância para um post, mas depois fiquei a pensar nisso tendo em conta o meu gosto pelo tema “corpo”. Foi apenas pelo tacto que percepcionei a tampa estranha. A meu ver, apesar de já se tomar mais consciência, ainda assim liga-se pouco à importância do corpo como identidade. A memória corporal é muito forte e activa recordações de gestos, de movimentos, de encontros, de histórias até. Sentir o corpo, sentir de onde vem dor ou leveza, sentir a posição corporal, também é perceber quem se é e como se está consigo mesmo. No acompanhamento torna-se muito importante escutar a “conversa do corpo”, por vezes, mais do que a “fala da boca”. Daí que a educação a partir do corpo deveria ser mais explorada. O desporto, a dança, o teatro dão muitas ferramentas de conhecimento próprio… e bem orientadas, de libertação e de cura.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Preparar casamentos



Dimitar Karanikolov

Quando tenho a primeira conversa com casais que me pedem para abençoar o casamento, digo-lhes para prepararem bem esse dia, de modo a que, para além da festa ou dos convidados, seja o dia de um novo começo a dois. Um novo começo que implicará muito de transformação pessoal, também enquanto casal, onde se complementarão um ao outro de forma especial ao longo da vida. Uma vez, um casal veio ter comigo e: 

- Sr. padre, vamos casar e gostaríamos que nos ajudasse. Rezamos muito a Nª. Sra., a Jesus, vamos à Missa, etc. etc. [O tom de voz era: “vamos-falar-disto-que-é-o-que-ele-há-de-gostar.”]
- Que bom que têm uma vida de oração. Já vivem juntos?
- Ah, não, sr. padre, Deus nos livre?
- Como? Então, querem casar e estão a dizer ‘Deus nos livre’?
- Sr. padre é uma expressão, mas não bate certo, não.
- Já que ainda não vivem juntos, estão preparados para aguentar os cheiros um do outro? [O ar era “onde-é-que-nos-viemos-meter?”] Sim, a pergunta é estranha, mas fazer um pedido de casamento à Igreja não passa só pelo lado espiritual, há que tomar consciência de que o passo implica fazer conhecimento um do outro, onde a dimensão de corpo também tem de ser muito presente. Claro que se espera que os momentos agradáveis sejam muitos, mas quando os desagradáveis chegarem, não se comecem a descartar. Não há fórmulas acabadas, mas há caminho a ser feito. Como em qualquer relação, é estar disposto à transformação, que tem de ser sempre de vida e de respeito um pelo outro.
[Tivemos alguns encontros, com boas conversas, em que testemunhei a muita verdade um com o outro… espero que assim continue.]

sábado, 16 de janeiro de 2016

Vi-te




Haukur Snorrason

[Secção outros tons] Vi-te, sem qualquer agitação com a tua cor de alma. Cobravas, dizem, injustamente. Haverá alguma cobrança justa quando se trata de amor? Rasgo de sol a entrar, em mesa posta de trocas de palavras. Eu vim para desinstalar.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Once PGA, always PGA




“Once a PGA, always a PGA.” Acompanhar as recentes notícias das mudanças na TAP e na PGA, faz-me pensar de imediato em muitas pessoas: que me formaram como comissário, com quem voei e com quem vivo boas relações de amizade. Este é um tempo de muita emoção para tanta gente, em especial quem acompanhou o nascimento e crescimento da PGA, que passa agora por uma nova transformação. Não percebo muito de negócios, para percebo de humanidade, por isso, sei que estes tempos são de desafios. Além dos voos externos, há muitos internos a acontecer. Queridos amigos e amigas voadores, “let’s fly”, deixando que esses desafios sejam oportunidade de crescimento humano. Os passageiros vão continuar a agradecer os sorrisos, a simpatia e o profissionalismo. Estão no meu pensamento! É isso, “Once a PGA, always a PGA.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Sobre educação




Teresa Lamas Serra

[Secção pensamentos soltos sobre educação] Desde que comecei a ser professor fui-me aprofundando o que significa educar. Dá-se o dever de transmitir conhecimentos, avaliados pelos testes ou exames. Até aqui, nada de novo. No entanto, também há a parte, em colaboração com a família, de transmitir valores, ideais e convites ao pensamento existencial, que pouco ou nada são avaliados nos tais testes ou exames, mas bastante ou totalmente na vida. Educar implica ajudar a formar, a crescer, intelectual e humanamente. É fácil perceber que nenhuma educação é neutra. Digo muitas vezes aos meu alunos, em especial aos mais velhos e aos que me dizem não crer em Deus, que o meu primeiro interesse não é que sejam crentes, mas que saibam pensar, colocar questões à realidade, não se deixando influenciar por qualquer tipo de ideologia. A fé quer-se pensada, implicando até mesmo “lutas de entranhas” com Deus. E sim, digo isto numa escola católica, com contrato de associação, ou seja, que presta serviço público a uma comunidade bastante alargada. Por aqui, nas Caldinhas, estudam quase 3000 alunos, que não pagam para cá estudar. Tal como os quase 900 que estudam no CAIC, em Cernache. Os jesuítas sempre primaram pela educação. Antes das nossas expulsões, chegámos a ter uma rede escolar por todo o país, em que ensinávamos a muitos que nunca teriam condições de estudar. Hoje em dia, felizmente pela evolução do sentido dos Direitos Humanos, estudar é um direito assistido a toda a pessoa. No entanto, esse direito nem sempre é bem posto em prática. Não basta pôr um aluno numa escola, de modo a aliviar a consciência estatal a partir de números. É preciso acompanhar situações difíceis, ajudando o aluno, e muitas vezes o resto da família, para além do académico. Diria, a função social do educar, não só presente na preocupação dos educadores, como também transmitida aos nossos alunos. Algo muito característico da nossa pedagogia é ajudar a que quem estude connosco possa crescer intelectual e humanamente. Por exemplo, esta semana, um grupo alunos do 11.º e 12.º anos está a viver literalmente na escola, onde passa por uma experiência de comunidade para além das aulas. Educa-se no estudo durante a manhã e tarde. De seguida, educa-se no serviço, nas tarefas comuns, na partilha, na escuta, uns dos outros e também de Deus. É fácil perceber que nenhuma educação é neutra. No entanto, toda ela deve ser convite à liberdade e ao crescimento para além de qualquer ideologia.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sobre a Bíblia




Nuno Ferreira Santos


Quando comecei a estudar teologia, as cadeiras que mais mexiam comigo eram as bíblicas. A riqueza do que se extrai dos textos, tanto do Antigo, como do Novo Testamento, é impressionante. A Bíblia, esse conjunto de mais de 70 livros, não é, de todo, um código moralista, mas tradução da força do encontro entre o divino e o humano, em distintos géneros literários. Acho muito interessante esta conversa-entrevista entre Bento Domingues,op e Frederico Lourenço, onde o mote foi precisamente a Bíblia. Concordando-se ou não com algumas posições, o interesse também reside na possibilidade de leituras a partir de diferentes perspectivas. Afinal, também a própria Bíblia apresenta-nos diferentes possibilidades de encontro com Deus.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Escuta. Olhar. Mar.




[Secção outros tons] Escuto a visita transformada. O olhar? Resguardado pelo infinito. Lá ao fundo, o mar. Depois, as cores, simplesmente as cores. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Boleias



Tina Sullivan


Conheci o www.blablacar.pt [site de partilha de viagens, de boleias] quando estava em Paris. De vez em quando, vou a Lisboa a uma reunião, formação ou acontecimento. E que tal partilhar a viagem? Cá vai disto. Na última, partilhei com: a Charlotte, francesa, que estudou Relações Internacionais, esteve em campos de refugiados em África; a Klaudia, polaca, a fazer erasmus em Veterinária; e o Ihgor, brasileiro, engenheiro informático. A conversa, mais uma vez foi óptima, onde tocámos muitos temas. Claro, a sempre surpresa: “Estás a gozar!?!”, quando disse que sou padre... boas gargalhadas. Houve também silêncio. A meio da viagem penso o curioso: assim, do nada, 4 pessoas onde além de partilhar a viagem do Porto para Lisboa, partilham um pouco da vida. Cá está, vai-se realizando o meu sonho de criança de conhecer todas as pessoas do mundo. ;)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Aprender a escutar




Mahdi Dehestani


[Aula com turma de 5.º ano] Trabalhar a amizade implica aprender a escutar o outro. Então, propus uma aula diferente. Antes de contar, dizer que ia entusiasmado e comecei logo a escrever o sumário no quadro. “Oh stôr, não vamos meditar?” Voltei-me e muitos já preparados com as mãos na mesa. Sorri. “Sim, claro que sim. Eu é que acabei por vir lançado a escrever o sumário.” “Porque está a escrever a verde?” “É para começar o ano com este sinal de esperança.” Fizemos a meditação e a oração da manhã. Deu-se a proposta. Depois de explicada a importância da escuta, que é diferente de somente ouvir, pedi-lhes que estivessem atentos às diferentes músicas. Num primeiro momento, iriam ouvir, no entanto, teriam de escutar o que é que a música provocava na imaginação e escrever isso mesmo. No princípio estavam baralhados, mas à medida que as músicas iam mudando, era de sorrir diante dos “ares de descoberta”. “Mas, pode ser isto?” “Sim, pode.” Muitas vezes faziam os gestos do que lá no seu pensamento surgia. Apercebi-me que uns escreviam listas de palavras, outros mais em prosa. Na próxima semana irão partilhar o que escreveram.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Amizade em recordação




Nesta coisa das memórias, o facebook recordou esta fotografia tirada e publicada por lá há 4 anos. O que ele não sabe é que são mais 21 de melhor amizade. Pronto, ficou a saber. Além da melhor amizade do mundo, universo e arredores, é mesmo o sentido de ser-se irmã(o) para além de qualquer factor genético. Para quem não sabe, esta amizade começou com uma defesa. No dia dos meus 10 anos, como dia de festa que era, levei um laço verde. Fui gozado. A Suzanne salta diante deles e diz: “porque estão a gozar com o meu amigo? Ele hoje faz anos. Ele hoje é o rei!” Depois disto, convidei-a para jantar em casa. A minha mãe, desprevenida, prepara um bife com ovos estrelados e batatas fritas. Não foi o jantar mais fino, mas foi o início de tanta cumplicidade. Há homenagens que devem ser feitas… assim, sem mais. Afinal, foi o facebook que recordou esta fotografia tirada e publicada por lá há 4 anos. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Gotas de água



[Secção coisas de nada] Estando a ler, acompanhado pelo som de vento e chuva, olho para a janela e vejo gotas a escorrerem no vidro. Imaginei pequenas estrelas cadentes. Fiquei durante uns minutos a contemplar essa performance de água no vidro. Simples, cheia de movimento silencioso. Tão, mas tão especial, as gotas de água a dançar no vidro. E volto à leitura.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Acordar para novos horizontes




Pooyan Shadpoor


“P. Paulo, já alguma vez acordou sem querer acordar?” A história que acompanhava era forte e dura. Diante desta pergunta, voltei a muitos momentos em que não era simplesmente a preguiça que me impedia de levantar. “Que me faz sair da cama?” Sentia-me a enrolar, nessa tentativa de voltar ao útero para nascer outra vez, evitando que o novo dia de cansaço, de tristeza, de revolta, começasse. Sim, conhecia bem a sensação de que me falava através daquela pergunta. Apercebeu-se do meu pequeno silêncio, antes de dar a resposta que se enchia de empatia. “É duro, não é? Parece que não nos conhecemos. Parece tudo ridículo. Sim, já senti o frio de alma, ficando nesse fechar de corpo, aceitando a transformação que acontecia. E não, não temos de ser felizes a todo o momento. Há gritos que têm de ser dados. Há dores que têm de ser enfrentadas. Numa parte só connosco, noutra em partilha com quem nos acolha sem julgar.” Vi como se emocionava. “É possível o amor fazer sofrer tanto?” “Não, o amor não faz sofrer, só faz crescer. O que faz sofrer é a incompreensão, o desapego sem porquê, a ilusão e a desilusão. Por isso, quem ama, diante do engano, tem de passar pela revolta, sim. E o revolver também ajuda a centrar e a fazer caminho de cabeça erguida… e a nascer outra vez, em que se acorda para novos horizontes.”

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Começar o ano



João Lima

Bons novos tempos. E para começar bem, nada como reler (sim, da minha parte é reler) a entrevista da Mafalda à Visão. Está nas bancas. É muito bom começar o ano a receber força desta Mulher. Graças a Deus és “a-normal”, Mafi. [E não te chamo mais coisas, pois as pessoas podem ficar incomodadas a achar que o padre passou-se!] ] Que bom que marcas a diferença, dentro da diferença. Olha, muitos sapatos na tua vida! Abraço-te, assim, de forma suavemente apertada.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Passagens




Jonathan Yeap

“Deus está vazio 
de todas
as suas obras”

A humanidade tem necessidade de rituais de passagem, desse simbólico que torna o mesmo de sempre, como a passagem dos segundos nesta noite, em algo que aponta novidade. Com mais ou menos superstição, festa ou humor, a noite de hoje mais uma vez será vivida por muitos no anseio de bons desejos. É natural e expectável. Quer-se o bem. E que bem assim é. Como tenho este lado que estremece com o demasiado convencional, com as tradições fechadas sobre si, tenho pensado como é que se pode viver de forma diferente esse mesmo de sempre. Pode haver agradecimento do que passou no ano anterior, as pessoas que conhecemos e que foram mais ou menos importantes no caminho. Mas, parece-me, também se pode agradecer esse esvaziar, no fundo, o libertar do que nos oprime e impede ser, tanto ricos de autenticidade, como cada vez mais pobres de (auto-)enganos. Abre-se um novo ano, as estrelas cadentes relembram o imenso do universo. A oração ou a meditação relembram o infinito de nós chamados à mudança, à transformação, à conversão. E o mundo também mudará. Afinal…

“Nas mãos do oleiro
o universo descobre-se
inacabado” 


[Poemas de José Tolentino Mendonça]

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Leis




Jeremy Fox


Cada vez que há uma lei nova a criminalizar, fico a pensar na tristeza do acontecimento. É triste que tenha de se chegar ao ponto de criminalizar a ofensa ou a falta de respeito à dignidade do outro. Tenho lido tanto de júbilo, como de desdém ante a nova lei. Fico a pensar que a questão de fundo está mesmo na educação: que se dá (ou não), que se recebe (ou não) e que cada um pode viver por si (ou não). É triste o acontecimento de criminalizar. Entre outras coisas, é sinal que a base, o fundamento, da boa criação, entre intelecto e afecto, não funcionou, impedindo de distinguir a graça que pode levar ao encontro, da estupidez que pode magoar e muito.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sobre o silêncio...




Joe Leung


Tenho andado a ler “O Livro do Silêncio” de Sara Maitland. Um grande ensaio a partir da experiência, ajudado por muita investigação, que a autora viveu na busca do silêncio. O silêncio é importante, necessário e arriscado. Não se trata apenas de experiências espirituais. Trata-se de ir em busca de quem se é. Quando há essa disposição, há risco. O risco [e a certeza] de encontrar o que não se gosta lá pelas entranhas e dar o passo de se amar isso mesmo. No fundo, de dar luz a cada recanto da nossa história, sentimentos, sem julgar. É tão difícil, tão duro, mas tão libertador. Nestes dias tenho-me apercebido que é fácil colocar culpa numa serie de coisas, para se fugir a este caminho. No entanto, quando me apercebo que é de enfrentar a escuridão, ir às raízes, entrar pela cave e dar luz, frescura, sentido, e aceitar e integrar o que lá está, vive-se liberdade e dá-se renascimento. Acho cada vez mais forte isto do Natal ser à noite. É luz que ilumina as noites a serem atravessadas. E há (re)nascer… a partir dos riscos do silêncio.

Busca de Infinito



[Secção outros tons] Apenas vislumbro o silêncio de quem busca a fonte. É o risco do mergulho ao profundo... nessa ânsia de infinito e caminho de conversão.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Homilia da Missa da Noite de Natal




Isabelle Bacher


Presidi pela primeira vez à Missa da Noite, a celebrar o Nascer de Deus. É a Noite em que levo nomes para o altar. Nomes de tanta gente com quem me cruzei e cruzo no caminho. Este ano acompanha-me o silêncio deste mistério. Pedi que apagassem todas as luzes da Igreja e, à luz de uma vela, “escrevi” uma carta ao Menino Deus. Partilho aqui a minha homilia. Que o Menino Deus continue a nascer nos nossos corações. Santo Natal.


Deus Menino, sussurro-te esta carta de noite, neste silêncio embalado pela luz de uma vela, recordando a estrela guia até ti. Acabas de nascer. Surge a força dos reflexos para despertar o corpo tão nosso. Descobres o movimento fora do ventre que te protegeu durante a formação de cada orgão, de cada membro, de cada choque. A pele sente os panos lavados com perfume novo, tocas a tua mãe que te acarinha desde o momento que a palavra se fez carne em ti. 

Sem te aperceberes, és mistério. Sem te aperceberes, a tua fragilidade amplia todos os que vivem a fragilidade, tanto de corpo, como de alma. Sem te aperceberes, és sinal de toda a transformação. Tu, nessa pequenez de recém-nascido, tornas concreto todo o amor de Deus. Já não é uma abstracção, é rosto que se forma e falará de tu a tu. Nos dias de hoje já sabemos que crescerás a observar o mundo que te rodeará, ouvirás as palavras de afecto, os gritos de dor, as orações de desespero e de agradecimento. Crescerás a revelar o teu Pai de forma renovada. Em cada passo teu haverá nascimento de paz, de compaixão, de misericórdia. Sentirás, tu mesmo, as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias do povo que já não é isolado daqui ou dali, mas se expandirá em cada coração humano. Sim, essa humanidade de que te fazes participante, para que cada um de nós faça parte da força da tua divindade. Sem te aperceberes, és misterio que recorda a plenitude da imagem e semelhança de Deus em cada coração humano, neste mundo concreto, neste aqui e neste agora. 

Neste sussurro, quero embalar-te com nomes. Os nomes de cada pessoa que compõe esta comunidade que aqui celebra a beleza e o mistério do teu nascimento. Nomes de todos os que trazemos no coração, que traduzem histórias, com muitos sentimentos, com perguntas e gritos atravessados de incompreensão e saudade, junto com lágrimas ou sorrisos de afecto, alegria e vida. Nesta noite somos nós os pastores, com os nossos medos. Medos impelidos a serem dissipados na alegria deste acontecimento, que traz luz a cada recanto humano para que todas as trevas sejam eliminadas e as sombras da morte sejam transformadas em vida. 

Nesta noite em que nasces, ainda que não tenhas consciência, a tua liberdade rebentará as correntes da injustiça. Os primeiros a te contemplarem são os rejeitados da sociedade. Eu mesmo rejeitei e rejeito tantos. Jesus, Yeshua, serás ouvido, compreendido, amado por muitos. Serás, tu mesmo, rejeitado, criticado, atacado, por outros tantos. És mistério. És fonte de vida, sim, nessa fragilidade de Menino que está pronto a crescer, alimentado de leite, de pão e mel, dando espaço à doçura e carinho por todo o que sofre, por todo o que é último. O teu nascer ilumina a esperança de quem foge da guerra, da opressão, da violência física e psicológica. A tua pequenez incomoda quem quer ser grande de poder e de orgulho. 

Oh, Jesus, Yeshua, neste silêncio habitado também pela nossa fé, muita ou pouca, débil ou forte, fazes com que o amor ganhe novo sentido. Assim, tu, Deus encarnado em Menino, transformas toda a nossa pele humana em traço divino. Olhando para ti, olho para as minhas mãos, para a minha pele, e vejo novas marcas. Não só Deus assume humanidade pela carne, como cada um de nós, aqui presente, cada ser humano, nesta mesma carne que somos, nos moldamos em Deus. Que responsabilidade nos dás, Jesus, Yeshua, sem que te apercebas agora como Menino recém-nascido. A partir deste teu nascer, a humanidade começa a transformar-se, sendo plena no dia em que te entregarás, te despojarás por cada um de nós, sem excepção, e ressuscitarás. 

Assim, se te deixamos nascer no nosso coração, tudo fica diferente. As nossas palavras, as nossas orações, os nossos gestos, ganharão a força da Tua vida, da Vida de Deus. Jesus, Yeshua, no mistério que és, ajuda-nos sempre a recordar, a viver, o mistério que somos em ti, para vivermos, sem medo, a alegria da misericórdia. Ajuda-nos a viver a autenticidade da nossa fragilidade e da nossa força, a perdermos a vergonha de te entregarmos tudo o que nos afasta do amor por nós mesmos e pelo próximo. 

Deus Menino, sussurro-te esta carta de noite, neste silêncio embalado pela luz de uma vela, recordando a estrela que nos guia até ti. Acabas de nascer… no coração de todos os que amam. Amén.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Brasas iluminadas




Nada mais para além das cores vivas das brasas. A senhora das castanhas ao ver-me a fotografar sorriu. "O senhor é poeta?" Respondi: "Tento ser. Apenas fiquei fascinado pela beleza desta cor." "Obrigada, vou estar mais atenta." Ofereceu-me uma castanha, sorrimos e desejámos feliz Natal, iluminados pelo fogo.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Convenções e diferença




Arghya Chaterjee


As convenções fazem parte do ser humano. Convencionar, delimitar, definir, regrar, têm de constar na linguagem quando se vive em sociedade. No entanto, abusar disto pode levar à formatação, que anula outro lado da humanidade: o único, o genuíno, o diferente, o especial. Ao longo dos tempos o social estratificou modos de ser, criando modelos rígidos que podem anular a riqueza também inerente a cada ser humano. Sim, a riqueza proveniente dessa unicidade também não pode ficar sem limites. Parece-me que educar, ou fazer caminho de crescimento, é ajudar a dar asas à riqueza de cada um, junto com pautas de diálogo, sobretudo no saber escutar para além do preconceito pessoal.