segunda-feira, 22 de maio de 2017

Silêncio ou Encontro ou Dança




[Secção outros tons] "Silêncio" ou "Encontro" seriam títulos possíveis. Ou "Dança" com o ondear da chama e do fumo.

O império desconhecido?






[Secção esclarecimentos] Continua a saga. Parece que tenho um império sem saber. Pois, não tenho transportes, nem construo muros ou vedações, apenas pontes... e os arranjos que faço são de Relações. ;) Obrigado Débora por esta descoberta.

domingo, 21 de maio de 2017




Madalena Meneses

Foi um fim-de-semana intenso. Entre baptismos, primeiras Comunhões e Profissões de Fé, muito Espírito se viveu por estes lados. Junto com muitas perguntas interiores. Olho para os pequenos, seja em criança, seja em pré-adolescência, e vejo-os a celebrar algo importante e único. Olho para os familiares e amigos presentes na celebração e vejo a comunidade reunida. Em ambas as celebrações, a minha oração para cada um, para cada uma, foi, além de agradecer as suas vidas, que não ficassem com a fé estagnada, como se tivessem “cumprido” algo, nesse “já está” de papel assinado. A fé, mais que de papéis assinados, vive de testemunho e maturação… entre dúvidas e inquietações, é caminho de aprendizagem.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Falta de Educação




Julio Lozano Brea

[Secção desabafos] Não, lamento, o problema não é o Correio da Manhã. O problema é a falta de Educação. E não de uma Educação qualquer.... é a falta da Educação do pensar e do respeitar, cada vez mais trocada pela rapidez da emoção sem filtro da razão que leva a actos completamente desumanizados... tanto no autocarro, como na publicação. Podem boicotar qualquer jornal, no entanto, enquanto se tratar a Educação como coisa menor, desde a tenra infância até à Faculdade, bem, toda a vida, mais vídeos lamentáveis continuarão a aparecer e indignações a surgir. A cultura do sensacionalismo há muito que está instalada. Para que haja mudanças, é necessário muito silêncio, reflexão e consciência da verdade acima de audiências e vendas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Anular fobias...




Como padre, sinto como missão, à semelhança de Jesus, ser promotor de reconciliação e de paz. Para isso, é necessário que se caminhe no reconhecimento da dignidade que desfaça todas as fobias... em especial as que anulam o respeito por seres humanos. Dando atenção ao Evangelho, Jesus rompe com catalogações, amando cada pessoa como é. Simplesmente amando.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Silêncio na consagração




Tony Gentile/Reuters


Quando Bento XVI visitou Portugal, o silêncio que se fez no Terreiro do Paço no momento da consagração foi algo que me marcou. Estavam lá milhares de pessoas. Voltei a viver a mesma sensação no sábado passado. À volta de um milhão de pessoas silenciaram-se para que as palavras de Jesus, ditas pelo Papa Francisco, ecoassem, consagrando o pão, o vinho e cada coração disponível para a conversão, no Corpo e Sangue de Cristo. O Corpo: comunidade aberta a participar da Vida que deseja sempre a vida do outro. O Sangue: essência que é atravessada de mistério do muito que há a descobrir da Vida, da misericórdia e da entrega por cada ser humano… sem excepção. O silêncio foi e é marcante. Nestes momentos, aclara-se o sentido do temor a Deus, que nada tem que ver com medo… apenas o respeito diante da beleza do mistério de quem vive a Humanidade em pleno para a salvar. 2000 anos depois, ainda há muito caminho a fazer… e silêncio, muito silêncio. Afinal, a fé não vive de gritos, mas de testemunho de Vida.

domingo, 14 de maio de 2017

Dia 13 de Maio de 2017



Nuno André Ferreira/Reuters

[Secção pensamentos soltos sobre o dia 13 de Maio em Portugal] Este vai ser um dia a recordar. Para todos os gostos, Fátima, Futebol ou Festival da Canção, fez com que Portugal sentisse a emoção do que é único a acontecer. Os três F's têm a sombra do Estado Novo, no entanto, as três realidades dos F's vividas agora, mostram mais liberdade do que se possa imaginar. Quem vai a Fátima pelos 12 e 13 de Maio a Outubro, percebe o quanto a fé tem a capacidade de unir pessoas vindas de pontos geográficos e culturais tão distintos. Este ano, marcado pela canonização de Jacinta e Francisco e pela peregrinação do Papa, foi muita emoção aliada a mensagens claras de reconciliação. Fugindo das imagens milagreiras, supersticiosas, encontrar o sentido de encontro com Maria e com Cristo: o caminho de Paz, em acções e gestos concretos contra, como nos disse o Papa Francisco, "a indiferença que gela o coração e agrava a miopia do olhar". Que gestos são esses? Ver e sentir no ser humano, em geral os que mais sofrem (de perto e de longe), alguém que não se pode descartar. Para tal é preciso reconhecer a força da conversão ao caminho de ternura e do amor. Ainda nas palavras do Papa em Fátima, "sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes." Vemos como o Amor é fundamental para a paz. Já não é uma atitude emotiva, mas uma acção concreta para que a Vida tenha sentido. Parece-me a mim, que se liga à canção vencedora, composta e cantada, pelos irmãos Sobral: Amar pelos dois, numa visão de proximidade e, alargando, Amar por e com todos numa visão de universalidade, em "preces" e em gestos. É de recordar as palavras, vestidas e ditas, de Salvador Sobral sobre os refugiados. Os gestos podem, e devem, estar imbuídos de arte, de poesia, de cultura que convidam à profundidade que molda mentalidades. Os gestos de amor devem de começar desde cedo na educação que ajuda à virtude de ajuda ao outro. E aqui, juntando também o desporto, na competição saudável e justa entre os adversários, nesse resultado de trabalho em equipa. Em resumo, a fé, aliando a emoção e a razão, ajuda-nos a perceber a força da existência a partir do Amor e da Esperança. Isso dá liberdade. A música, ou qualquer arte, quando busca a profundidade do sentir e do amar, torna-se sinal de Vida e, sem dúvida, de liberdade. O desporto quando mantém o sentido justo da sua função torna-se livre de toda a opressão, em especial a financeira, dando espaço a vitórias, mais que tudo, humanas. Dia intenso, este, de 13 de Maio de 2017.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Flor e Paz




[Secção outros tons] A suavidade da história, seja qual for, quer-se em bem me quer. A reconciliação é necessária sem floreados. No entanto, a flor, na sua singeleza, recorda a beleza da existência, sem confusão, nem lutas. A paz é e será sempre um dos efeitos da ressurreição.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Libertar amarras




[Coisas na vida de um padre] Ajudar, como o próprio Jesus, a libertar amarras e ver quem sai de uma boa conversa de verdade, antes de mais consigo mesmo, com um ar mais luminoso, é do melhor! É isto!

Conversas de e com dança




[Coisas na vida de um padre] Ontem, a coreógrafa Isabel Barros e eu estivemos à conversa a partir do mote "Creio num Deus que dança". O encontro foi no Centro Dehoniano. Entre surpresas dançantes, foi um bom momento de partilha sobre o quanto Deus dança e faz dançar. Obrigado irmãos dehonianos pelo convite.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Despertar






[Secção outros tons ao amanhecer] Quando desperto, agradeço a Deus o novo dia. Fico na cama e deixo-me sentir nesses minutos, entre a preguiça e a certeza da vida, entre o "mais um bocadinho" e os pensamentos que surgem disto ou daquilo a fazer, entre o silêncio do último sonho e o som dos primeiros carros na estrada lá fora. De tudo, faço oração. Deus é. 

[Foto com poema de José Tolentino Mendonça]

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia do Trabalhador





Frans Lanting


[Secção pensamentos soltos em dia do trabalhador] No ano em que não entrei na Universidade, estive a trabalhar durante 9 meses numa recepção na Praia da Rocha. Depois dos “biscates” para ganhar uns trocos durante as férias de Verão, essa foi a minha primeira grande experiência laboral com grandes responsabilidades, especialmente com o dinheiro dos câmbios. Recordo a sensação de receber os primeiros ordenados, tanto dos “biscates”, como dessa vez na recepção, e, depois, já como comissário de bordo. A boa sensação do resultado do esforço. Tal como a boa sensação das gorjetas pela simpatia. Uma vez deram-me 5 contos (25€). Achei que se tinham enganado. Não, não tinham. Era mesmo esse valor que queriam dar-me pela forma como estive com os filhos (passavam as tardes na recepção comigo) e resolvi os pequenos problemas que tiveram. Recebi dos meus pais esses valores humanos. Neste dia, também penso em como Jesus aprendeu os valores de Maria e de José, que a Igreja hoje, aliando-se à importância da dignidade do trabalhador, celebra como operário. Um Verão, já estando eu na Universidade, tendo em conta a minha experiência, o meu pai pediu-me ajuda para trabalhar na recepção do hotel onde era director e assim substituir um colega que estava de baixa. Voltou a comentar um pensamento que vivia: “respeita sempre cada colega, seja no horário, seja na personalidade. Quem trabalha nas limpezas é tão importante como eu ou como o nosso patrão.” 

No trabalho, tal como na vida, somos chamados a respeitar as pessoas, independentemente do género ou condição social. No nosso país, ainda somos dados a muitos “salamaleques” para mostrar respeito. Mas não é pelo “Dr.” ou “Eng.” ou “Sr. Presidente” ou sei lá que mais, que se mede o respeito. Também ainda há, infelizmente, muita diferença no trato caso seja homem ou mulher, dando-se casos de profundo desrespeito. A Educação é de extrema importância para anular estas diferenças sem sentido para a dignidade. Usando a imagem do corpo, percebemos a diversidade de membros com respectivas funções de que é composto. Alargando do indivíduo para a comunidade laboral, ou “corporação”, também existe a diversidade de membros numa empresa, em que uns dependem de outros. Funcionalmente não terão o mesmo nível de importância, mas em dignidade todos merecem o respeito que impede que se caia, por exemplo, na escravatura (infelizmente ainda existe e muita. Basta pensar no flagelo do tráfico humano que em plenos século XXI é uma grande e triste realidade). Assim, mais do que uma hierarquia de poder, percebe-se a importância de uma hierarquia funcional, ou seja, de serviço, que sou, somos, chamados a viver.

Há pouco, na oração, agradeci, não só a minha experiência, como a dos meus pais que ensinaram-me a respeitar o trabalho e as dificuldades da vida. Depois dei outro passo: entreguei a Deus todas as pessoas que estão desempregadas ou que têm de se sujeitar a condições desumanas de trabalho. Conheço bastantes, entre família, amigos e conhecidos, que, infelizmente, passam por uma destas situações. Hoje não é o dia transcendente ou metafísico do trabalhador. É dia para recordar que o trabalho justo, aliado ao igual justo descanso, fazem parte da dignidade humana.