terça-feira, 20 de junho de 2017

Entre o natural e o racional




[Secção outros tons] O voo picado de uma andorinha é natural. Na vida humana, entre a contemplação e o pensamento, os voos, gestos e palavras devem ter contornos racionais... em busca de humanização e de responsabilidade.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Exames Nacionais




Yannis Pavlis


Começa daqui a pouco a aventura dos Exames Nacionais para milhares de estudantes. Hoje teremos os de Português e de Filosofia. Estes dois são dos que, para além de matérias mais técnicas, tocam a importância da reflexão sobre a Humanidade. Ainda há muito atordoamento com os acontecimentos destes dias, entre o sentimento de impotência e o de solidariedade ante as vítimas e bombeiros. O estudo para o Exame não pode ser apenas para uma nota. Aprender significa também ser chamado a dar o contributo para uma sociedade mais justa, organizada, coerente e profundamente humana. A todos os que vão realizar exames, antes de  começar a escrever, façam uma breve respiração profunda, leiam com calma todas as perguntas e confiem no vosso estudo. Pais, outros familiares e amigos, durante o tempo do exames tirem uns breves minutos de silêncio e pensem em quem está a dar o seu melhor tanto na sala de exame como no combate aos fogos e ajuda às vítimas.

domingo, 18 de junho de 2017

[Silêncio diante da tragédia]




Fiz um momento de silêncio. Nenhuma palavra é suficiente para descrever tragédias… apenas para formular perguntas, interrogações ou gritos. Agora, é tentar perceber como ajudar material e afectivamente quem se sente neste momento sem chão… civis e bombeiros. 

sábado, 17 de junho de 2017

Inclusão



[Coisas na vida de um padre] Estive a moderar um painel, integrado na Peregrinação da Pastoral de Pessoas com Deficiência, com a presença de Américo Azevedo, Carmo e Rui Diniz. Américo nasceu com paralisia cerebral e cegou totalmente aos 16 anos. Carmo e Rui são pais de 5 filhos, um com deficiência profunda provocada pelos maus-tratos dos pais biológicos. Estou com muito no pensamento por tudo o que eles, cada um ao seu modo, me falaram de Deus e dos desafios que me puseram, enquanto padre, para uma Igreja cada vez mais inclusiva. Muito agradecido ao Tiago Casaleiro pelo convite.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Devaneios ou sonhos




[Secção devaneios ao amanhecer] Acordo com desejos de mundo ideal, em que os sonhos não se esfumam com palavras de desdém e quem lidera é capaz de sair de si. O tesouro, de tão rico, é-nos confiado na fragilidade de barro que à mínima queda parte-se nos pedaços de cada história que o compôs. Volta-me a mesma pergunta: será que acredito mesmo em Deus? Se cada vez que celebro a Sua Vida, atrevo-me a permitir que transforme a Minha? O desafio é perder-me do medo d’Ele, conhecendo-O cada vez mais desvelado. É como o amor: acredito de forma diferente de ontem. A noite e as palavras de hoje, ao acordar com desejos de caminho novo, revelam-me a fé mais palpável, porque composta de histórias, antigas e novas, minhas e de quem m’as conta em partilha de querer a liberdade. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Corpo de Deus




[Secção outros tons - especial Corpo de Deus] O tempo, em horas, meses ou anos, desfaz-se na luminosidade das palavras ou da Palavra dita em Corpo vivo. Fronteira de silêncio ou de grito de alimento. A carne e o sangue são tradutores dessa fronteira... entre o profundo abraço da divindade com a humanidade.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Comunhão




“Última Ceia” de Dagnan-Bouveret


“P. Paulo, sempre me ensinaram que nunca devemos mastigar quando comungamos. Se o fazemos, somos carrascos porque estamos a triturar o próprio Jesus.” Ouvi esta resposta com espanto quando uma vez me apercebi de que muitas pessoas não mastigavam depois de comungar e perguntei o porquê. Nunca tinha ouvido tal coisa. Achei que era único. Mas não. Muitos adultos foram ensinados e muitas crianças continuam a ser ensinadas nesta teologia de arrepiar. [Depois, ainda nos admiramos por as pessoas “perderem a fé”.] “Tomai todos e comei.” Ora, o acto de comer um pedaço de pão ázimo consagrado implica o mastigar e assim saborear a realidade do próprio Senhor. Há pessoas que anos após anos sofreram e sofrem com esta teologia em que não se pode tocar o Senhor. Quem assim o propõe desconhece o Evangelho, na profundidade do que significa a proximidade com Deus. Mastigar faz parte da apropriação, da participação desse gesto em memorial que nos liga em profundidade com Cristo. Por uma questão prática, as hóstias são pequenas. Por isso, diz com graça um companheiro jesuíta: “acto de fé não é acreditar que o pão se torna Corpo de Cristo, mas acreditar que realmente é pão.” Se celebrássemos com pão ázimo no seu formato robusto, haveria de ser bonito termos de esperar um dia inteiro até que se dissolvesse e desfizesse na boca. Que o momento da comunhão seja de saborear, enquanto se mastiga, a força do próprio Jesus na nossa vida, ajudando-nos a sentir não carrascos, mas alimento de misericórdia e de paz uns para com os outros.

domingo, 11 de junho de 2017

Trindade




Dave Paek


[Secção pensamentos soltos em dia da Santíssima Trindade] A Trindade (entenda-se a divina, não a cervejaria em Lisboa) recorda-nos a importância da relação na nossa vida. Deus é em relação, tal como nós, seres humanos. Relação que tem na sua essência a reconciliação, a promoção do encontro nesse animar, dar vida, a que somos chamados. Vou encontrando pessoas que têm de, urgentemente, se reconciliar consigo mesmas, nesse amor único que leva a que se perca cada vez mais a necessidade de comparações, de fechamento, de se mutilar em gestos e palavras, de estar continuamente numa desgastante defesa de feridas a sarar. Por vezes, é necessário, senão vital, dançar as dores e os desgastes, as angústias e os medos, para promover esse encontro de cura e reconciliação consigo e com Deus. “P. Paulo, mas de onde vem esta história de dançar em dia da Trindade?” Para quem não sabe, um dos termos teológicos que definem a Trindade é “pericoresis”, que, de forma simplificada, significa dançar à volta de. Por isso, dançar a reconciliação em modo de oração é encontro com Deus, nesse tempo ajustado para que aos poucos o amor divino e humano surja. Havendo amor próprio reconciliado, o amor ao próximo ganha mais força… e, quem sabe, com vontade de tomar algo em festa, mostrando a relação e reconciliação com o próximo. Este mundo precisa tanto de reconciliação. Rezar e viver a Trindade é caminho de Paz.

sábado, 10 de junho de 2017

Dia de Portugal - II




Em dia de Portugal, a meio da tarde, o mar e a contemplação, com desejo de força, descoberta e horizonte.

Preso no elevador




[Cenas na vida de um padre] Ficar preso 40 minutos num elevador, devido a um corte de energia. 

Dia de Portugal - I




Em dia de Portugal, pormenores a meio da manhã, como forma de desejar beleza e respeito.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Memórias





[Coisas na vida de um padre] Estive de passeio final de ano de secundário em Aveiro e Costa Nova. Em ambiente mais descontraído, lá surgem as perguntas sobre a vocação. Contar a história vocacional remete a memórias de lugares. Hoje soube bem dizer-lhes: "Foi nesta praia, mais precisamente naquele esporão, que, depois de ano e meio, decidi entrar na vida religiosa." "Ouviu alguma voz?" "Senti paz, uma profunda paz interior." O infinito desvelava-se...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Dia seguinte ao Pentecostes




[Secção outros tons - especial dia seguinte ao Pentecostes] Está escrito que o Espírito reza por nós, em gemidos inefáveis. A oração, mais que muitas palavras, é estar. Deus contempla a vida, sem julgar, a amar demoradamente.  

domingo, 4 de junho de 2017

Pentecostes




Estes dias foram intensos, não só de actividades, mas de Espírito. Gosto muito do Pentecostes. Escreverei com calma, mas não poderia deixar passar o dia sem a minha oração ao Espírito de Amor por cada pessoa que busca a Paz. Nas 3 missas que celebrei hoje, o abecedário de nomes esteve presente. Que o fogo de Deus nos ajude a sermos promotores de Paz e de Vida.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dia da criança (com uma criança muito especial)




[Por manter a mesma vida, repesco o que escrevi há três anos, fazendo um acrescento final especial] Crianças, que nós adultos sejamos capazes de vos libertar de toda a escravidão, dando-vos a possibilidade de crescerem aos vossos ritmos. Crianças, que nós adultos permitamos que os vossos trabalhos sejam sempre de descoberta e de gozo, nunca vos cortando o sonho e a imaginação. Crianças, que nós adultos sejamos sempre motivadores da vossa existência, da vossa educação e do vosso sorriso, sendo cada um de nós amparo nas vossas quedas. Crianças, façam-nos recordar a criatividade que permite encontrar uma nova personagem em cada objecto ou nuvem e que todos somos convidados a brincar “infinitos” ao longo da vida… como o meu pai José que, ao celebrar o aniversário em dia da criança, e a partir de hoje conta com 60, ajuda-me a recordar a beleza do humor em conjunto. A mãe Maria dá sempre os parabéns às duas crianças lá de casa! Pai, és o maior! 

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Diz que também é dia dos Irmãos




Kátia Viola


“Como é possível meio mundo estar a publicar fotos de irmãos e nós não?”, é o que parece que diz a nossa cara de espanto. Pois, há irmãos de sangue e de alma. Há os que são apenas de sangue. E há os irmãos de alma. Não escolhi ser filho único, mas a vida, a amizade, a cumplicidade permitiu-nos, à Suzanne, à Letinha e a mim, escolher com toda a naturalidade a irmandade de alma. São muitos e muitos anos de histórias partilhadas. Podemos não ter a mesma genética, mas a loucura e tantas outras coisas que nos fazem sentir a irmandade são de coração e de alma.

Em preparação do Pentecostes - III




[Secção outros tons - especial preparação para o Pentecostes] Está escrito que Maria deu o Sim ao Espírito de Amor. O mesmo que liberta os medos. 

Acolhimento e serviço




Pedro Leite - "Abraços abertos em Companhias de Jesus e aérea]

Uma característica deste dia é o acolhimento e o serviço. Por um lado, temos a Visitação de Maria à Sua prima Isabel. Maria, depois do seu sim ao anúncio do Arcanjo Gabriel para ser mãe do Deus connosco, sai para servir a sua prima, grávida de 6 meses. A graça de visitar e ser visitado. Por outro lado, pensado nisto das visitas, junta-se o dia mundial do Tripulante de Cabine. Assim, rezo de forma especial por todos os meus amigos voadores. Têm à responsabilidade a segurança e o cuidado dos passageiros que, de algum modo, vão visitar alguém, seja em lazer ou em serviço. Apesar de de vez em quando surgir a saudade de vestir a farda e ir voar num avião, nesse atravessar de céus que encurta distâncias, há dias vesti a minha outra “farda” e convidei antigos colegas, agora amigos, num voo eucarístico, abençoando as suas “fardas aéreas”. Hoje, simbolicamente, publico a foto, como forma de juntar estas duas festas. A todos os amigos voadores, deixo, além da oração, o abraço com saudades.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Em preparação do Pentecostes - II




[Secção outros tons - especial preparação para o Pentecostes] Está escrito que o Espírito pairava sobre as águas nesse início de tudo. Sempre soube esperar o Seu tempo…

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Em preparação do Pentecostes - I






[Secção outros tons - especial preparação para o Pentecostes] Está escrito que os Apóstolos e os discípulos se recolheram, com Maria, à espera do Espírito. Ainda com medo...

domingo, 28 de maio de 2017

Ascensão




Nori Yuasa

A Ascensão de Cristo tem tudo para nos responsabilizar ainda mais. Não é só dizer que somos participantes da Vida divina, graças à Encarnação e à Ressurreição. Há que pôr em prática… com o serviço, dando testemunho da fé que busca a vida. Evangelizar é isso: anunciar. Anunciar nada tem que ver com formatar ou impor uma doutrina. Anunciar, neste sentido cristão, mostra como a vida se centra no desejo de que o outro, aqui ao lado, em sofrimento, Viva plenamente. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Devaneios nocturnos




Attila Balogh


[Secção devaneios nocturnos antes de ir dormir] Desde os tempos Bíblicos do Antigo Testamento, passando por Platão e Aristoteles, depois o Evangelho e todos os outros textos neo-testamentários, de seguida pensadores e mais pensadores em busca do sentido humano e da paz, a humanidade segue em busca de si. Antes, era uma sociedade mais holista, onde uma ou outra personagem se destacava. Agora, são milhares que se querem destacar, sem noção de que há mais Comunidade para além deles. O mundo segue o ritmo que lhe dermos… na nossa individualidade, complexa e séria, e na nossa relação em comunidade. Enquanto a inveja prevalecer ao “amor ao próximo”, continuaremos na animalidade e na ânsia de poder que não permite outras perspectivas. Com riscos de que a solidão seja a próxima paragem.  Para que tal não aconteça, que se dê mais atenção à Luz que dissipa as trevas. Boa noite!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Silêncio ou Encontro ou Dança




[Secção outros tons] "Silêncio" ou "Encontro" seriam títulos possíveis. Ou "Dança" com o ondear da chama e do fumo.

O império desconhecido?






[Secção esclarecimentos] Continua a saga. Parece que tenho um império sem saber. Pois, não tenho transportes, nem construo muros ou vedações, apenas pontes... e os arranjos que faço são de Relações. ;) Obrigado Débora por esta descoberta.

domingo, 21 de maio de 2017




Madalena Meneses

Foi um fim-de-semana intenso. Entre baptismos, primeiras Comunhões e Profissões de Fé, muito Espírito se viveu por estes lados. Junto com muitas perguntas interiores. Olho para os pequenos, seja em criança, seja em pré-adolescência, e vejo-os a celebrar algo importante e único. Olho para os familiares e amigos presentes na celebração e vejo a comunidade reunida. Em ambas as celebrações, a minha oração para cada um, para cada uma, foi, além de agradecer as suas vidas, que não ficassem com a fé estagnada, como se tivessem “cumprido” algo, nesse “já está” de papel assinado. A fé, mais que de papéis assinados, vive de testemunho e maturação… entre dúvidas e inquietações, é caminho de aprendizagem.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Falta de Educação




Julio Lozano Brea

[Secção desabafos] Não, lamento, o problema não é o Correio da Manhã. O problema é a falta de Educação. E não de uma Educação qualquer.... é a falta da Educação do pensar e do respeitar, cada vez mais trocada pela rapidez da emoção sem filtro da razão que leva a actos completamente desumanizados... tanto no autocarro, como na publicação. Podem boicotar qualquer jornal, no entanto, enquanto se tratar a Educação como coisa menor, desde a tenra infância até à Faculdade, bem, toda a vida, mais vídeos lamentáveis continuarão a aparecer e indignações a surgir. A cultura do sensacionalismo há muito que está instalada. Para que haja mudanças, é necessário muito silêncio, reflexão e consciência da verdade acima de audiências e vendas.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Anular fobias...




Como padre, sinto como missão, à semelhança de Jesus, ser promotor de reconciliação e de paz. Para isso, é necessário que se caminhe no reconhecimento da dignidade que desfaça todas as fobias... em especial as que anulam o respeito por seres humanos. Dando atenção ao Evangelho, Jesus rompe com catalogações, amando cada pessoa como é. Simplesmente amando.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Silêncio na consagração




Tony Gentile/Reuters


Quando Bento XVI visitou Portugal, o silêncio que se fez no Terreiro do Paço no momento da consagração foi algo que me marcou. Estavam lá milhares de pessoas. Voltei a viver a mesma sensação no sábado passado. À volta de um milhão de pessoas silenciaram-se para que as palavras de Jesus, ditas pelo Papa Francisco, ecoassem, consagrando o pão, o vinho e cada coração disponível para a conversão, no Corpo e Sangue de Cristo. O Corpo: comunidade aberta a participar da Vida que deseja sempre a vida do outro. O Sangue: essência que é atravessada de mistério do muito que há a descobrir da Vida, da misericórdia e da entrega por cada ser humano… sem excepção. O silêncio foi e é marcante. Nestes momentos, aclara-se o sentido do temor a Deus, que nada tem que ver com medo… apenas o respeito diante da beleza do mistério de quem vive a Humanidade em pleno para a salvar. 2000 anos depois, ainda há muito caminho a fazer… e silêncio, muito silêncio. Afinal, a fé não vive de gritos, mas de testemunho de Vida.

domingo, 14 de maio de 2017

Dia 13 de Maio de 2017



Nuno André Ferreira/Reuters

[Secção pensamentos soltos sobre o dia 13 de Maio em Portugal] Este vai ser um dia a recordar. Para todos os gostos, Fátima, Futebol ou Festival da Canção, fez com que Portugal sentisse a emoção do que é único a acontecer. Os três F's têm a sombra do Estado Novo, no entanto, as três realidades dos F's vividas agora, mostram mais liberdade do que se possa imaginar. Quem vai a Fátima pelos 12 e 13 de Maio a Outubro, percebe o quanto a fé tem a capacidade de unir pessoas vindas de pontos geográficos e culturais tão distintos. Este ano, marcado pela canonização de Jacinta e Francisco e pela peregrinação do Papa, foi muita emoção aliada a mensagens claras de reconciliação. Fugindo das imagens milagreiras, supersticiosas, encontrar o sentido de encontro com Maria e com Cristo: o caminho de Paz, em acções e gestos concretos contra, como nos disse o Papa Francisco, "a indiferença que gela o coração e agrava a miopia do olhar". Que gestos são esses? Ver e sentir no ser humano, em geral os que mais sofrem (de perto e de longe), alguém que não se pode descartar. Para tal é preciso reconhecer a força da conversão ao caminho de ternura e do amor. Ainda nas palavras do Papa em Fátima, "sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes." Vemos como o Amor é fundamental para a paz. Já não é uma atitude emotiva, mas uma acção concreta para que a Vida tenha sentido. Parece-me a mim, que se liga à canção vencedora, composta e cantada, pelos irmãos Sobral: Amar pelos dois, numa visão de proximidade e, alargando, Amar por e com todos numa visão de universalidade, em "preces" e em gestos. É de recordar as palavras, vestidas e ditas, de Salvador Sobral sobre os refugiados. Os gestos podem, e devem, estar imbuídos de arte, de poesia, de cultura que convidam à profundidade que molda mentalidades. Os gestos de amor devem de começar desde cedo na educação que ajuda à virtude de ajuda ao outro. E aqui, juntando também o desporto, na competição saudável e justa entre os adversários, nesse resultado de trabalho em equipa. Em resumo, a fé, aliando a emoção e a razão, ajuda-nos a perceber a força da existência a partir do Amor e da Esperança. Isso dá liberdade. A música, ou qualquer arte, quando busca a profundidade do sentir e do amar, torna-se sinal de Vida e, sem dúvida, de liberdade. O desporto quando mantém o sentido justo da sua função torna-se livre de toda a opressão, em especial a financeira, dando espaço a vitórias, mais que tudo, humanas. Dia intenso, este, de 13 de Maio de 2017.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Flor e Paz




[Secção outros tons] A suavidade da história, seja qual for, quer-se em bem me quer. A reconciliação é necessária sem floreados. No entanto, a flor, na sua singeleza, recorda a beleza da existência, sem confusão, nem lutas. A paz é e será sempre um dos efeitos da ressurreição.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Libertar amarras




[Coisas na vida de um padre] Ajudar, como o próprio Jesus, a libertar amarras e ver quem sai de uma boa conversa de verdade, antes de mais consigo mesmo, com um ar mais luminoso, é do melhor! É isto!

Conversas de e com dança




[Coisas na vida de um padre] Ontem, a coreógrafa Isabel Barros e eu estivemos à conversa a partir do mote "Creio num Deus que dança". O encontro foi no Centro Dehoniano. Entre surpresas dançantes, foi um bom momento de partilha sobre o quanto Deus dança e faz dançar. Obrigado irmãos dehonianos pelo convite.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Despertar






[Secção outros tons ao amanhecer] Quando desperto, agradeço a Deus o novo dia. Fico na cama e deixo-me sentir nesses minutos, entre a preguiça e a certeza da vida, entre o "mais um bocadinho" e os pensamentos que surgem disto ou daquilo a fazer, entre o silêncio do último sonho e o som dos primeiros carros na estrada lá fora. De tudo, faço oração. Deus é. 

[Foto com poema de José Tolentino Mendonça]

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia do Trabalhador





Frans Lanting


[Secção pensamentos soltos em dia do trabalhador] No ano em que não entrei na Universidade, estive a trabalhar durante 9 meses numa recepção na Praia da Rocha. Depois dos “biscates” para ganhar uns trocos durante as férias de Verão, essa foi a minha primeira grande experiência laboral com grandes responsabilidades, especialmente com o dinheiro dos câmbios. Recordo a sensação de receber os primeiros ordenados, tanto dos “biscates”, como dessa vez na recepção, e, depois, já como comissário de bordo. A boa sensação do resultado do esforço. Tal como a boa sensação das gorjetas pela simpatia. Uma vez deram-me 5 contos (25€). Achei que se tinham enganado. Não, não tinham. Era mesmo esse valor que queriam dar-me pela forma como estive com os filhos (passavam as tardes na recepção comigo) e resolvi os pequenos problemas que tiveram. Recebi dos meus pais esses valores humanos. Neste dia, também penso em como Jesus aprendeu os valores de Maria e de José, que a Igreja hoje, aliando-se à importância da dignidade do trabalhador, celebra como operário. Um Verão, já estando eu na Universidade, tendo em conta a minha experiência, o meu pai pediu-me ajuda para trabalhar na recepção do hotel onde era director e assim substituir um colega que estava de baixa. Voltou a comentar um pensamento que vivia: “respeita sempre cada colega, seja no horário, seja na personalidade. Quem trabalha nas limpezas é tão importante como eu ou como o nosso patrão.” 

No trabalho, tal como na vida, somos chamados a respeitar as pessoas, independentemente do género ou condição social. No nosso país, ainda somos dados a muitos “salamaleques” para mostrar respeito. Mas não é pelo “Dr.” ou “Eng.” ou “Sr. Presidente” ou sei lá que mais, que se mede o respeito. Também ainda há, infelizmente, muita diferença no trato caso seja homem ou mulher, dando-se casos de profundo desrespeito. A Educação é de extrema importância para anular estas diferenças sem sentido para a dignidade. Usando a imagem do corpo, percebemos a diversidade de membros com respectivas funções de que é composto. Alargando do indivíduo para a comunidade laboral, ou “corporação”, também existe a diversidade de membros numa empresa, em que uns dependem de outros. Funcionalmente não terão o mesmo nível de importância, mas em dignidade todos merecem o respeito que impede que se caia, por exemplo, na escravatura (infelizmente ainda existe e muita. Basta pensar no flagelo do tráfico humano que em plenos século XXI é uma grande e triste realidade). Assim, mais do que uma hierarquia de poder, percebe-se a importância de uma hierarquia funcional, ou seja, de serviço, que sou, somos, chamados a viver.

Há pouco, na oração, agradeci, não só a minha experiência, como a dos meus pais que ensinaram-me a respeitar o trabalho e as dificuldades da vida. Depois dei outro passo: entreguei a Deus todas as pessoas que estão desempregadas ou que têm de se sujeitar a condições desumanas de trabalho. Conheço bastantes, entre família, amigos e conhecidos, que, infelizmente, passam por uma destas situações. Hoje não é o dia transcendente ou metafísico do trabalhador. É dia para recordar que o trabalho justo, aliado ao igual justo descanso, fazem parte da dignidade humana. 

domingo, 30 de abril de 2017

Depois da chegada, a partida





Os discípulos de Emaús caminharam com Jesus ao lado sem o reconhecerem. Repassaram a história, no contar dos acontecimentos marcantes. Em resumo, a vida. Na chegada, à noite, dá-se a luz nessa simplicidade de pão abençoado partido. Regressam a Jerusalém de coração ardente, tornando-se anunciadores. Hoje, alunos e educadores peregrinos, somos discípulos agradecidos por tanto bem recebido nestes dias, que levam vida por, com e em Deus, no regresso a Lisboa, Cernache e Caldinhas.

sábado, 29 de abril de 2017

Peregrinação






[Coisas na vida de um padre] Em peregrinação com alunos. O caminho é feito a caminhar, já dizia o poeta Antonio Machado. Enquanto se caminha, agradecem-se os passos, as pedras e todas as histórias. Quando peregrino, rezo por todas as pessoas que me pedem orações... o abecedário, portanto.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Liberdade




O tempo tem-me preenchido a escrita nos encontros e outros afazeres. No entanto, em dia em que a Liberdade impera nas palavras e memórias, deixo o desejo de que os nossos gestos sejam cada vez mais livres... de opressão e de imposição no sentir, no pensar, no crer, ganhando força de autenticidade. 

[Foto com poema de José Tolentino Mendonça]

domingo, 16 de abril de 2017

Domingo de Páscoa






[Secção outros tons - especial Domingo de Páscoa] As mulheres dão sinal da Luz. Seguem o insistente convite de largar as amarras do medo. É a Vida que renova todas as coisas, desvelando anúncio de fé, esperança e caridade. Deu-se a Passagem do Senhor. Aleluia. 

Santa Páscoa a quem passa por aqui em cada dia. Neste dia especial, em que Cristo ressuscitou, rezo o abecedário, recordando todos os nomes, pedindo-Lhe a Sua Paz, Vida e Luz por vocês.

sábado, 15 de abril de 2017

Sábado Santo






[Secção outros tons - especial Sábado Santo] Vagueio errante nos sentimentos. O pensar ainda está enevoado, tanto das tuas palavras e gestos de erguer cada rosto perdido, como do silêncio da hora em que ficaste perdido na escuridão da morte. A pedra rolada encerrou a pedra angular. Libertando o vazio da memória, recordo a água fresca nos pés, o teu toque, o teu olhar. E sigo.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Silêncio em noite de Sexta-feira Santa




Sanjay Ramani

[Secção desabafos em noite de Sexta-feira Santa] Esta é a noite do silêncio profundo que evoca todas as dúvidas, perguntas, angústias. Deus está morto, afirmou Nietzsche uma vez. Aquele em quem todas as palavras ganhavam cor, na autenticidade que fazia engrandecer a alma, foi estendido na cruz e sepultado em tempo de trevas. Sim, Deus morre na sua humanidade, tomando para si toda a morte, nessa injustiça que só quem ama tudo e todos pode assumir. Durante a celebração da Paixão e na procissão do enterro do Senhor, o meu coração enchia-se de silêncio carregado de gritos. Naquele tempo e nesta noite, vive-se o memorial que faz repetir todos os acontecimentos, juntando todos os gritos que dia após dia voltam a ecoar no mundo que busca sentido e Paz. Faz-se silêncio pelas trevas que envolvem gestos de morte que atacam tantos seres humanos indefesos, na sua fragilidade, condição de deficiência ou idade. Silêncio pelas trevas que buscam escravidão de mãos nas minas de minerais preciosos ou de corpos vendidos ao prazer de tantos que usam e abusam da mulher como objecto sexual. Silêncio pelas trevas dos que são assassinados pela sua fé ou que são postos em Campos de Concentração por serem de condição homossexual e aí serem torturados. Silêncio diante da normalização de bombas que caiem destruindo e matando, sem pudor e vergonha de se usar a palavra “mãe” numa delas. Silêncio diante das imagens de coletes laranjas em barcos pelo Mediterrâneo, de gente que foge da morte. Silêncio diante da falta de Educação, ao nível político e em claques de futebol que desejam a morte a outros, sem respeito pela memória dos que partiram em desastre de avião. A noite é densa por todas as dúvidas, perguntas e angústias. Nós que temos fé, acreditamos em Deus que morreu, de forma indigna, na sua humanidade para nos resgatar, a todos, à Vida. Que esta noite de silêncio nos ajude a, mais que compreender, viver o muito a que somos chamados no caminho da Paz. 

Sexta-feira da Semana Santa



[Secção outros tons - especial Sexta-feira da Semana Santa] Os ruídos adensam-se em gritos. Acumulam o tempo dos injustos, enquanto burlam histórias e latejam as costas em dores silvadas. Abandono. Chegou a hora em que os olhos semi-cerrados revelam a dignidade de quem não se cansa de amar. Eis o homem elevado até às profundezas do abismo humano. O véu rasgado tomba. Silencia-se a divindade... ouvindo-se o vento entre os ciprestes.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Quinta-feira da Semana Santa






[Secção outros tons - especial quinta-feira da Semana Santa] A toalha cinge os rins. Antes da partida, sela-se o serviço de Mestre em água fresca que limpa os pés de outros e em olhar de chão até ao rosto incomodado de discípulo. Cumpre-se a Palavra. Aproxima-se a hora. Anoitece. O Senhor ama os seus, todos, até ao fim.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Educação




Rahul Talukder

[Secção pensamentos soltos] Surge mais um tema de longa discussão social: os 1000 estudantes que foram expulsos. As reacções mais díspares surgem, entre a reprovação, indignação, normalização, patriotismo, vergonha alheia, etc.. Mais uma vez, instala-se o comentário perdido pela comunicação social, sem que se avance para reflexões profundas sobre a Educação. Daqui a dias já se falará abundantemente sobre outro assunto qualquer, esfumando-se este.

Isto não é novo. Dando um pequeno exemplo, há cerca de 25 anos, quando abriram grandes empreendimentos na Praia da Rocha, centenas de adolescentes e jovens adultos iam lá passar a passagem de ano a preços baixíssimos. Depois, começaram também as viagens de finalistas. Ainda me recordo de estar no 12.º ano, há precisamente 20 anos, e rir com um cartaz, afixado lá na escola, com publicidade para viagens de finalistas na Praia da Rocha… para quem não sabe, sou de Portimão. Já nessa altura se ouvia comentários sobre a selvajaria da ‘geração rasca’ que abria extintores, atirava colchões ou os próprios para a piscina de altos andares, arrancava candeeiros, espalhava bebidas pelos apartamentos, partia vidros e espelhos. Afinal, o modo como alguns celebram na actualidade o finalizar do 12.º não é tão original quanto isso. A originalidade reserva-se às redes sociais onde publicam vídeos e fotos vangloriando-se de “grandes feitos”, provocando com que se ponha tudo o que é estudante na mesma categoria de vândalos e afins.

Todos temos algo de responsabilidade na evolução social. Todos participamos da sociedade… seja a formar-se no melhor que se pode, com as capacidades que se tem, divertindo-se e festejando de forma animada e descontraída, sem necessidade de excessos alcoólicos e de nenhuma violência, seja, por exemplo, a consumir programas sensacionalistas que convidam ao “não faço nada para além de dizer uns palavrões, agredir alguém, e sou famoso”. Depois, já há muito que é comprovado, o efeito grupo tem muito que se lhe diga. A boa educação, mesmo em situações adversas, acaba por ser uma opção. E, podendo ser importante, o dinheiro não é nem fundamental, nem “a” questão para se ser bem-educado.

Os factores medo, cansaço, falta de tempo, comparação e orgulho impedem o reconhecimento de que algo pode ir mal na educação que começa em casa. As regras do respeito e do reconhecimento de que há uma realidade que vai para além do umbigo pessoal são fundamentais. Dar todas as coisinhas para “comprar” os filhos, pelo tempo que não se tem ou das frustrações que não são vividas, integradas ou ultrapassadas, dão resultados terríveis. Os pais que se amam a si mesmos e amam os filhos sabem e vivem os tempos próprios de criança e adolescente, sem ânsias de que sejam adultos à força e mostrando, dentro da liberdade, as balizas que os ajudam a crescer humanamente. Esse crescimento inclui as festas, em celebração, e as viagens que animam sem necessidade de destruir.

Talvez não seja notícia, mas, felizmente, também aumenta o número de estudantes que fazem voluntariado interessando-se pela humanização do outro. Seja como for, deixe-se de brincar com a Educação.