domingo, 3 de agosto de 2008

Deve ser por estar longe mas deu-me para pensar nisto

Integrar um grupo é uma coisa fantástica. Ser parte, ter o seu espaço mas não estar sozinho, acompanhar o ritmo ou deixar que um avance a abrir caminho, puxar o que fica distraido e logo seguirem todos, satisfeitos por estarem juntos. Mesmo sem repararmos, com sorte integramos vários grupos ao mesmo tempo, como se fossem círculos que às vezes se interceptam outras se afastam, e nós a mudar em cada um, a adaptarmo-nos a cada conjunto de acordo com o que procuramos dentro dele e o que nos dispomos a dar.
Só na solidão há liberdade completa, e mesmo assim estamos sujeitos às leis da natureza, comer quando temos fome, dormir quando o cansaço impõe, enfim, a sobrevivência de um ser. Nos grupos, por pequenos que sejam ou por mais livre que seja a sua génese, a nossa liberdade individual, o nosso impulso, tem sempre, com mais ou menos amplitude, que olhar as regras que permitem que o grupo subsista como tal. O melhor que pode acontecer é que as regras nem tenham que ser formuladas, cada um apreende sozinho o que deve ser feito para que se progrida em comunidade, por instinto, quando se trata de interesse próprio, ou por amizade, quando não se quer magoar ninguém, ou simplesmente por respeito, quando se sabe o que é que pode ou não trazer problemas aos que partilham do mesmo núcleo.
É muito interessante verificar na blogosfera este fenómeno de agregação e as suas regras, talvez porque muitos dos grupos que se formam não tenham em princípio outro cimento que a vontade de escrever, de exprimir opiniões ou de conversar sem tempo nem hora. Mas estes espaços de quem procura a liberdade também têm os seus códigos de funcionamento, tal e qual como outros grupos quaisquer, mesmo que ténues, mesmo que apenas adivinhadas, mas têm, e é isso que lhes permite crescerem e ganharem também a confiança de quem os lê. Cada blogue tem um diálogo não escrito entre os seus membros, tal como tem com os seus habituais leitores e comentadores, que o procuram pela sua identidade, pelo espírito que revelam, tal como quando se visita um lugar em vez de outro porque é aí que nos sentimos bem.
Um blogue é um espaço de liberdade, escreve-se quando apetece, o que muito bem se entende, com quem se aceitou integrar o mesmo espaço, e é esse sentido de grupo em liberdade que os torna tão atraentes e tão variados. Mas que têm que ter algum sentido como grupo, por muito informal que seja, isso têm, senão são apenas um espaço esfarrapado de onde se passeiam vaidades e se expõem fraquezas.

4 comentários:

  1. Eu não diria melhor.

    Bjs

    p

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  2. João Mattos e Silva10:29

    O exercício da liberdade é sempre muito difícil de viver. Mas por isso é que é empolgante viver em liberdade. Concordando com a sua meditação, pressupondo que "estar longe" é estar de férias, desejo-lhe boas férias e mais meditações para compartilhar connosco.

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  3. Boas férias também para si, João Mattos e Silva. Um dos grandes prazeres das férias é ficar assim pela noite dentro, a passear no o. insecto e a deixar o pensamento flutuar sem o constrangimento de termos que acordar cedo no dia seguinte!

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  4. Isto está muito bem observado. Quando eu voltar de férias faço um link para este post para os meus ouvintes o lerem.

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