sábado, 12 de janeiro de 2008

Retiro...




[No passado dia 5 estive de retiro... Estava a precisar! O Natal foi muito intenso... Como sempre! Já mais para o final do dia, estava na capela de Sto Inácio, na nossa casa de Soutelo e escrevi algo... Não tinha ideia de publicar, mas depois de ter partilhado com algumas pessoas pensei: porque não? E aqui vai... Não alterei nada do texto... A parte final, em negrito, é o excerto de uma oração de Fernando Pessoa... Os links a meio do texto são para o vídeo "Juntos... vimos o mundo" e para a oração do P. Arrupe.]

2008.Jan.05

Ir... Buscar... Sou em caminho. Encontrar o desconhecido que se revela com o abrir dos olhos... O ver que abala, inquieta, tira o cómodo na busca do mais que intensifica o olhar...
Quero conhecer-Te para viver. Não me interessa uma sabedoria sem vida, apenas fechada no intelecto das certezas. E as dúvidas que permitem o aumento da fé? O mundo concentra-se na objectividade do que está dado e adquirido. Será assim?

Chega de esquemas farisaicos de perda de identidade em nome de sabe-se lá do quê.
O Abraço divino acontece com o despertar do meu conhecimento interno, conhecendo-me com abertura conheço o mundo que se revela e O revela...


Saber ---> Sentir! Todas as certezas sobre o Amor e nenhuma é desperta na vivência, no consolo de que somos amados e salvos...


Ah! Que grito que quero soltar... Sentir-Te descaradamente em cada esquina, em cada olhar, em cada desejo, saltando de esquemas rigoristas em que tudo está alicerçado no ritual estabelecido. E o ritual da vida do outro lado do mundo? Tão diferente e tão igualmente certo. E a pessoa que vive sabedorias diferentes, marcada por uma história de vida que pouco ou nada conjuga com a doutrina estabelecida? Dizes-nos a cada instante para perdermos o medo e o que se vê é o passo que não é dado...


O que queres de mim? Sinto-te a me pedir para dar saltos, em passos coreográficos diferentes do habitual... Tens-me preparado como ainda o fazes... E não é para longe, é para muito perto... Saltos que permitem a renovação. Encarnar tornar o corpo, a carne mais vivos. Deixar desabrochar a fé encarnada do humano, sem pudores, medos, vergonhas. Tu és corpo, és carne em cada um de nós. Chega de ter medo!


Arrisca! Tu és +!


Senhor, passando-me pelo pensamento a oração do P. Arrupe, peço-te torna-me ainda mais louco! Louco por ti e a fazer santas loucuras em teu nome. Loucuras que me peças... Quero ouvir-Te, e não ter medo de ser louco aos olhos do mundo, mesmo (e sobretudo) do mundo eclesiástico. Nalguns pontos tão vazio de ti. Tenho muito a aprender, mas já muito é demasiado claro. O mundo grita por Ti e nós não estamos a dar resposta.

Há um passo fundamental: Amar! Ser capaz de me amar com o que sou, amar-Te e amar os outros também com o que são... O Amor leva ao perdão... O Perdão leva à vida... A Vida leva à comunhão, que mais não é que o Teu Corpo feito carne em nós!


Quero Viver isto... Quero viver o Amor, o Perdão, a Vida, a Comunhão...


Senhor que és o céu e a terra, a vida e a morte, o sol és tu, a lua és tu e o vento és tu também... Onde nada está tu habitas, onde tudo está o teu templo, eis o teu corpo. Dá-me alma para te servir e alma para te amar... Faz com que eu saiba amar os outros como irmãos e te servir como a um pai...


Arrisca! Sê +!


1 comentário:

  1. Anónimo18:44

    “Salta-se” sempre em risco quando se publica qualquer coisa assim de tão… pessoal. Assim to pediam: “Arrisca!”
    Se acreditamos na plenitude que é Viver (com toda a dimensão ontológica que nela está intrincada), ficam poucas dúvidas – talvez as mais covardes – sobre os caminhos que se trilham… cada um deles com o seu “quê” de VERDADE.
    Entre “seres” em caminhos, fica, em tons de azuis arrojados, a vontade de abarcar o Infinito, nas formas que o quiseres moldar…

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