"O Governo decidiu-se pela localização do aeroporto em Alcochete.
A Quercus, através do seu Presidente, e a Associação para a Protecção da Natureza já contestaram. Seria para admirar, se não o fizessem.
Por outras razões, dentro da ilogicidade em que vivemos e para que o Governo tem generosamente concorrido, também a escolha me parece abstrusa. Na sequência do que já referi, mas não é de mais repetir, Alcochete é, de facto, o pior dos sítios para o aeroporto!....
Primeiro, porque oficialmente existe um deserto no perímetro do Campo de Tiro e não se faz um aeroporto no deserto. Depois, porque vai provocar uma enorme pressão demográfica no deserto, com os malefícios consequentes sobre o deserto.
Segundo, porque se trata de um terreno plano, sem montanhas circundantes. O que impede, no céu, o exercício pleno dos “skills”, conhecimentos e virtualidades da pilotagem e, na terra, o exercício enriquecedor de vastas movimentações de terras.
Terceiro, porque se trata de um terreno seco, não pantanoso e não atravessado por rios. O que impede naturais obras de estacaria e consolidação dos terrenos, e não permite dar continuidade à experiência adquirida em Macau.
Quarto, porque não tem montes por perto que precisem de ser arrasados, ou centrais de combustíveis, que precisem de ser removidas. O que impede a obtenção de recomendáveis sinergias de obras públicas.
Quinto, porque fiz parte da tropa no Campo de Tiro, como aspirante miliciano, durante seis meses, e não posso ver esse local assim desfeito.
Sexto, porque o aeroporto em Alcochete é o aeroporto natural da Estremadura espanhola e de uma parte da Andaluzia. O que implica invasões, por carro e TGV, de milhares de espanhóis, e de lá “nem bom vento, nem bom casamento”.
Sétimo, porque se trata de um terreno do Estado, que não exige expropriações ou elas são diminutas em relação a outros locais. O que implica defraudar legítimos direitos adquiridos.
Oitavo, é que se trata de uma zona com muita caça. O que implicaria que muitos notáveis não mais seriam convidados para aí dar ao gatilho, como no meu tempo de oficial.
Nono, porque implica a travessia do Tejo. Com os problemas de eventuais quedas de pontes, já lucida e sobejamente teorizados por ilustres políticos.
Décimo, porque é um aeroporto para durar cem anos. O que vai retirar aos nossos políticos a oportunidade de construir outro, daqui a meia dúzia de anos!... E aos nossos ecologistas a oportunidade de novamente se expressarem no contra!...
Por isso, e face aos antecedentes, não percebo a posição governamental."
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Fiquei satisfeito de ver o jocoso comentário no seu blog, mas o problema ainda não acabou.
ResponderEliminarEu defendia a opção de LISBOA + MONTIJO, mas não vou insistir mais porque a solução agora apresentada é a mais adequada se se quizer a desactivação de actual aeroporto de Lisboa.
SURGE AGORA A QUESTÃO DA TRAVESSIA DO TEJO.
Eu continuo a insistir na travessia ferroviária (TGV e outros) entre Montijo e Chelas (que seria só ferroviária) e na rodoviária entre a Trafaria e Algés (fechando a CRIL que "morre" subitamente em Algés).
O trânsito do novo aeroporto far-se-ia assim, sobretudo pela ponte já existente do Montijo. Parte do seu actual trânsito passaria a utilizar a ponte 25 de Abril ou o novo comboio (Montijo-Chelas).
Com a deslocação de parte do trânsito da ponte 25 de Abril para a Trafaria, a ponte 25 de Abril ficaria disponível para receber o trânsito que seria deslocado do Montijo. Falta quantificar, mas não deve ser muito caro...
A travessia (ponte ou túnel) terá um dia que ser feita porque a CRIL termina de forma abrupta em Algés.