[Coisas na vida de um padre] Regressávamos da Missa no hospital onde Sto. Inácio ficou hospedado quando voltou a Loiola. Estava o pássaro no chão. Levei-o na mão um bom bocado. Tentava voar e ficava atordoado. "Não posso ficar com, tenho de encontrar quem o cuide." Uma senhora vê: "ai, tenta voar, mas é pequeno ainda!" Contei-lhe que procurava uma maneira de que fosse cuidado. "Eu fico com ele." De certeza que irá voar e longe.
domingo, 2 de julho de 2017
Caravana 2017 - Dar resposta a quem sou
Como dar resposta a quem sou? Como conhecer o modo como Deus vai despertando a força dos meus dons? O silêncio exterior (serenando, sem julgar, as agitações que têm surgido ao longo da vida e não tive tempo e espaço para as ver) ajuda a "des-cobrir" ou "des-velar" os gestos próprios, sem comparações, para amar e servir.
sábado, 1 de julho de 2017
Caravana 2017 - Viagem
Quase a chegar a Loiola, depois de uma longa viagem com muita animação. No caminho recebemos uma carta de Sto. Inácio. Convida à escuta de nós mesmos, com toda a verdade, e assim escutar o quanto Deus desafia a partir da nossa história... percebendo a Sua presença em todas as coisas.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Caravana 2017
Luís Onofre,sj
[Secção coisas na vida de um padre] Hoje foi o grande encontro. Amanhã bem cedo partimos para Loiola e Xavier com 52 alunos do 11.° ano dos três Colégios dos Jesuítas em Portugal. Conhecer os inícios da espiritualidade inaciana desde as terras dos Santos Inácio e Francisco. É a Caravana 2017!
Ver os rebentos depois da desgraça
Teresa Lamas Serra - Castanheira de Pêra
[Secção outras perspectivas, a partir da minha escuta de quem passou por terras queimadas e não quer que tal caia em esquecimento] Chegaram as informações por imagens e palavras, em sons de gritos de desespero e dor, com a aflição das labaredas que desfocam qualquer olhar. Não interessou a política ou os eucaliptos no momento, já que a tensão entre a fuga e o ficar-se para proteger o impossível é a sensação que abafa qualquer reflexão. Choveu, água e solidariedade, acudindo gente perdida de corpo e de alma, de sonhos e certezas. Morreu gente, muita gente. As estradas revelam o negro desolador, dando espaço ao silêncio da impotência e às perguntas de quem chega para ajudar. "Foi preciso muita morte para chegarem os médicos. Quanto tempo ficarão até voltarmos a ser novamente esquecidos?" O tom revelava o misto de agradecimento e o medo da solidão. "Dinheiro? Roupa? Enterrei as minhas galinhas e cabras." Enterrou, dizia com o olhar, a companhia e o sustento. "Agora, tenho de esperar que os senhores importantes decidam o que nunca viram. Gostava tanto que viessem aqui dormir uns dias. Sem palavras. Só dormir, deixar passar as horas e ver os rebentos depois da desgraça."
terça-feira, 27 de junho de 2017
Força e fragilidade
Michael Drost-Hansen
[Secção pensamentos soltos] Das coisas interessantes da vida é aceitar duas coisas: a força da fragilidade e a fragilidade da força. Para que tal aconteça, há que viver na serena escuta de quem se é, de modo a, de forma ajustada, por exemplo, saber aceitar ou ignorar a crítica, tanto positiva como negativa. Ao reconhecer os meus pontos mais frágeis, apercebo-me do quanto podem ser motivo de crescimento da compreensão em relação ao outro. A compaixão torna-se a partilha dos mesmos sentimentos, até mesmo vivência, do outro, levando ao atenuar do julgamento e aumento do silêncio que escuta activamente as dores dando-lhes conforto. Por outro lado, quem, seja por que motivo for, rebaixa alguém a partir da arrogância, além de estar fechado para a sua própria fragilidade e dores ignoradas, torna-se amargo e doentio. Em zonas de muito ruído de opiniões, faz falta o silenciar-se e sentir as dores e feridas a serem curadas… e nesse respeito por si, amar verdadeiramente o próximo. Ah, a exigência de vida!
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Leituras
[Secção boas leituras] Este livro, tal como a linha geral de pensamento do autor, tem-me dado que pensar. Bauman, nesta obra, reflecte sobre a felicidade nesta sociedade ávida de consumo de tudo e mais alguma coisa. "A Arte da Vida" de Zygmunt Bauman, p. 81, Ed. Relógio D'Água.
domingo, 25 de junho de 2017
Oração
Yogesh Gupta
[Secção outros tons] A oração é paragem de tempo e de espaço. Entre silêncio e palavras, o ser funde-se com o eterno deixando-se moldar.
Bom início de semana.
quinta-feira, 22 de junho de 2017
Juntos à Tarde - SIC
[Coisas na vida de um padre] No princípio, a conversa, no final, antes dos abraços e beijinhos, a selfie. Agradeço o acolhimento e simpatia, tanto da Rita Ferro Rodrigues como do João Baião, sem esquecer a Catarina Monteiro e todas as pessoas da produção. Agradeço muito a Ana Melo e Castro,aci, e os padres Antonino de Sousa,scj, Nuno Coelho e Pedro Boto. A reportagem foi um excelente arranque para a entrevista pela simplicidade e força das palavras de todos eles. Entregar a vida a Deus é um desafio sempre a acontecer. Haja animação! PS - A Rita queria que eu pusesse uma auréola na foto. ;)
terça-feira, 20 de junho de 2017
Entre o natural e o racional
[Secção outros tons] O voo picado de uma andorinha é natural. Na vida humana, entre a contemplação e o pensamento, os voos, gestos e palavras devem ter contornos racionais... em busca de humanização e de responsabilidade.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Exames Nacionais
Yannis Pavlis
Começa daqui a pouco a aventura dos Exames Nacionais para milhares de estudantes. Hoje teremos os de Português e de Filosofia. Estes dois são dos que, para além de matérias mais técnicas, tocam a importância da reflexão sobre a Humanidade. Ainda há muito atordoamento com os acontecimentos destes dias, entre o sentimento de impotência e o de solidariedade ante as vítimas e bombeiros. O estudo para o Exame não pode ser apenas para uma nota. Aprender significa também ser chamado a dar o contributo para uma sociedade mais justa, organizada, coerente e profundamente humana. A todos os que vão realizar exames, antes de começar a escrever, façam uma breve respiração profunda, leiam com calma todas as perguntas e confiem no vosso estudo. Pais, outros familiares e amigos, durante o tempo do exames tirem uns breves minutos de silêncio e pensem em quem está a dar o seu melhor tanto na sala de exame como no combate aos fogos e ajuda às vítimas.
domingo, 18 de junho de 2017
[Silêncio diante da tragédia]
Fiz um momento de silêncio. Nenhuma palavra é suficiente para descrever tragédias… apenas para formular perguntas, interrogações ou gritos. Agora, é tentar perceber como ajudar material e afectivamente quem se sente neste momento sem chão… civis e bombeiros.
sábado, 17 de junho de 2017
Inclusão
[Coisas na vida de um padre] Estive a moderar um painel, integrado na Peregrinação da Pastoral de Pessoas com Deficiência, com a presença de Américo Azevedo, Carmo e Rui Diniz. Américo nasceu com paralisia cerebral e cegou totalmente aos 16 anos. Carmo e Rui são pais de 5 filhos, um com deficiência profunda provocada pelos maus-tratos dos pais biológicos. Estou com muito no pensamento por tudo o que eles, cada um ao seu modo, me falaram de Deus e dos desafios que me puseram, enquanto padre, para uma Igreja cada vez mais inclusiva. Muito agradecido ao Tiago Casaleiro pelo convite.
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Devaneios ou sonhos
[Secção devaneios ao amanhecer] Acordo com desejos de mundo ideal, em que os sonhos não se esfumam com palavras de desdém e quem lidera é capaz de sair de si. O tesouro, de tão rico, é-nos confiado na fragilidade de barro que à mínima queda parte-se nos pedaços de cada história que o compôs. Volta-me a mesma pergunta: será que acredito mesmo em Deus? Se cada vez que celebro a Sua Vida, atrevo-me a permitir que transforme a Minha? O desafio é perder-me do medo d’Ele, conhecendo-O cada vez mais desvelado. É como o amor: acredito de forma diferente de ontem. A noite e as palavras de hoje, ao acordar com desejos de caminho novo, revelam-me a fé mais palpável, porque composta de histórias, antigas e novas, minhas e de quem m’as conta em partilha de querer a liberdade.
quinta-feira, 15 de junho de 2017
Corpo de Deus
[Secção outros tons - especial Corpo de Deus] O tempo, em horas, meses ou anos, desfaz-se na luminosidade das palavras ou da Palavra dita em Corpo vivo. Fronteira de silêncio ou de grito de alimento. A carne e o sangue são tradutores dessa fronteira... entre o profundo abraço da divindade com a humanidade.
terça-feira, 13 de junho de 2017
Comunhão
“Última Ceia” de Dagnan-Bouveret
“P. Paulo, sempre me ensinaram que nunca devemos mastigar quando comungamos. Se o fazemos, somos carrascos porque estamos a triturar o próprio Jesus.” Ouvi esta resposta com espanto quando uma vez me apercebi de que muitas pessoas não mastigavam depois de comungar e perguntei o porquê. Nunca tinha ouvido tal coisa. Achei que era único. Mas não. Muitos adultos foram ensinados e muitas crianças continuam a ser ensinadas nesta teologia de arrepiar. [Depois, ainda nos admiramos por as pessoas “perderem a fé”.] “Tomai todos e comei.” Ora, o acto de comer um pedaço de pão ázimo consagrado implica o mastigar e assim saborear a realidade do próprio Senhor. Há pessoas que anos após anos sofreram e sofrem com esta teologia em que não se pode tocar o Senhor. Quem assim o propõe desconhece o Evangelho, na profundidade do que significa a proximidade com Deus. Mastigar faz parte da apropriação, da participação desse gesto em memorial que nos liga em profundidade com Cristo. Por uma questão prática, as hóstias são pequenas. Por isso, diz com graça um companheiro jesuíta: “acto de fé não é acreditar que o pão se torna Corpo de Cristo, mas acreditar que realmente é pão.” Se celebrássemos com pão ázimo no seu formato robusto, haveria de ser bonito termos de esperar um dia inteiro até que se dissolvesse e desfizesse na boca. Que o momento da comunhão seja de saborear, enquanto se mastiga, a força do próprio Jesus na nossa vida, ajudando-nos a sentir não carrascos, mas alimento de misericórdia e de paz uns para com os outros.
domingo, 11 de junho de 2017
Trindade
Dave Paek
[Secção pensamentos soltos em dia da Santíssima Trindade] A Trindade (entenda-se a divina, não a cervejaria em Lisboa) recorda-nos a importância da relação na nossa vida. Deus é em relação, tal como nós, seres humanos. Relação que tem na sua essência a reconciliação, a promoção do encontro nesse animar, dar vida, a que somos chamados. Vou encontrando pessoas que têm de, urgentemente, se reconciliar consigo mesmas, nesse amor único que leva a que se perca cada vez mais a necessidade de comparações, de fechamento, de se mutilar em gestos e palavras, de estar continuamente numa desgastante defesa de feridas a sarar. Por vezes, é necessário, senão vital, dançar as dores e os desgastes, as angústias e os medos, para promover esse encontro de cura e reconciliação consigo e com Deus. “P. Paulo, mas de onde vem esta história de dançar em dia da Trindade?” Para quem não sabe, um dos termos teológicos que definem a Trindade é “pericoresis”, que, de forma simplificada, significa dançar à volta de. Por isso, dançar a reconciliação em modo de oração é encontro com Deus, nesse tempo ajustado para que aos poucos o amor divino e humano surja. Havendo amor próprio reconciliado, o amor ao próximo ganha mais força… e, quem sabe, com vontade de tomar algo em festa, mostrando a relação e reconciliação com o próximo. Este mundo precisa tanto de reconciliação. Rezar e viver a Trindade é caminho de Paz.
sábado, 10 de junho de 2017
Dia de Portugal - II
Em dia de Portugal, a meio da tarde, o mar e a contemplação, com desejo de força, descoberta e horizonte.
Preso no elevador
[Cenas na vida de um padre] Ficar preso 40 minutos num elevador, devido a um corte de energia.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Memórias
[Coisas na vida de um padre] Estive de passeio final de ano de secundário em Aveiro e Costa Nova. Em ambiente mais descontraído, lá surgem as perguntas sobre a vocação. Contar a história vocacional remete a memórias de lugares. Hoje soube bem dizer-lhes: "Foi nesta praia, mais precisamente naquele esporão, que, depois de ano e meio, decidi entrar na vida religiosa." "Ouviu alguma voz?" "Senti paz, uma profunda paz interior." O infinito desvelava-se...
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Dia seguinte ao Pentecostes
[Secção outros tons - especial dia seguinte ao Pentecostes] Está escrito que o Espírito reza por nós, em gemidos inefáveis. A oração, mais que muitas palavras, é estar. Deus contempla a vida, sem julgar, a amar demoradamente.
domingo, 4 de junho de 2017
Pentecostes
Estes dias foram intensos, não só de actividades, mas de Espírito. Gosto muito do Pentecostes. Escreverei com calma, mas não poderia deixar passar o dia sem a minha oração ao Espírito de Amor por cada pessoa que busca a Paz. Nas 3 missas que celebrei hoje, o abecedário de nomes esteve presente. Que o fogo de Deus nos ajude a sermos promotores de Paz e de Vida.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Dia da criança (com uma criança muito especial)
[Por manter a mesma vida, repesco o que escrevi há três anos, fazendo um acrescento final especial] Crianças, que nós adultos sejamos capazes de vos libertar de toda a escravidão, dando-vos a possibilidade de crescerem aos vossos ritmos. Crianças, que nós adultos permitamos que os vossos trabalhos sejam sempre de descoberta e de gozo, nunca vos cortando o sonho e a imaginação. Crianças, que nós adultos sejamos sempre motivadores da vossa existência, da vossa educação e do vosso sorriso, sendo cada um de nós amparo nas vossas quedas. Crianças, façam-nos recordar a criatividade que permite encontrar uma nova personagem em cada objecto ou nuvem e que todos somos convidados a brincar “infinitos” ao longo da vida… como o meu pai José que, ao celebrar o aniversário em dia da criança, e a partir de hoje conta com 60, ajuda-me a recordar a beleza do humor em conjunto. A mãe Maria dá sempre os parabéns às duas crianças lá de casa! Pai, és o maior!
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Diz que também é dia dos Irmãos
Kátia Viola
“Como é possível meio mundo estar a publicar fotos de irmãos e nós não?”, é o que parece que diz a nossa cara de espanto. Pois, há irmãos de sangue e de alma. Há os que são apenas de sangue. E há os irmãos de alma. Não escolhi ser filho único, mas a vida, a amizade, a cumplicidade permitiu-nos, à Suzanne, à Letinha e a mim, escolher com toda a naturalidade a irmandade de alma. São muitos e muitos anos de histórias partilhadas. Podemos não ter a mesma genética, mas a loucura e tantas outras coisas que nos fazem sentir a irmandade são de coração e de alma.
Em preparação do Pentecostes - III
[Secção outros tons - especial preparação para o Pentecostes] Está escrito que Maria deu o Sim ao Espírito de Amor. O mesmo que liberta os medos.
Acolhimento e serviço
Uma característica deste dia é o acolhimento e o serviço. Por um lado, temos a Visitação de Maria à Sua prima Isabel. Maria, depois do seu sim ao anúncio do Arcanjo Gabriel para ser mãe do Deus connosco, sai para servir a sua prima, grávida de 6 meses. A graça de visitar e ser visitado. Por outro lado, pensado nisto das visitas, junta-se o dia mundial do Tripulante de Cabine. Assim, rezo de forma especial por todos os meus amigos voadores. Têm à responsabilidade a segurança e o cuidado dos passageiros que, de algum modo, vão visitar alguém, seja em lazer ou em serviço. Apesar de de vez em quando surgir a saudade de vestir a farda e ir voar num avião, nesse atravessar de céus que encurta distâncias, há dias vesti a minha outra “farda” e convidei antigos colegas, agora amigos, num voo eucarístico, abençoando as suas “fardas aéreas”. Hoje, simbolicamente, publico a foto, como forma de juntar estas duas festas. A todos os amigos voadores, deixo, além da oração, o abraço com saudades.
terça-feira, 30 de maio de 2017
Em preparação do Pentecostes - II
[Secção outros tons - especial preparação para o Pentecostes] Está escrito que o Espírito pairava sobre as águas nesse início de tudo. Sempre soube esperar o Seu tempo…
segunda-feira, 29 de maio de 2017
domingo, 28 de maio de 2017
Ascensão
Nori Yuasa
A Ascensão de Cristo tem tudo para nos responsabilizar ainda mais. Não é só dizer que somos participantes da Vida divina, graças à Encarnação e à Ressurreição. Há que pôr em prática… com o serviço, dando testemunho da fé que busca a vida. Evangelizar é isso: anunciar. Anunciar nada tem que ver com formatar ou impor uma doutrina. Anunciar, neste sentido cristão, mostra como a vida se centra no desejo de que o outro, aqui ao lado, em sofrimento, Viva plenamente.
terça-feira, 23 de maio de 2017
Devaneios nocturnos
Attila Balogh
[Secção devaneios nocturnos antes de ir dormir] Desde os tempos Bíblicos do Antigo Testamento, passando por Platão e Aristoteles, depois o Evangelho e todos os outros textos neo-testamentários, de seguida pensadores e mais pensadores em busca do sentido humano e da paz, a humanidade segue em busca de si. Antes, era uma sociedade mais holista, onde uma ou outra personagem se destacava. Agora, são milhares que se querem destacar, sem noção de que há mais Comunidade para além deles. O mundo segue o ritmo que lhe dermos… na nossa individualidade, complexa e séria, e na nossa relação em comunidade. Enquanto a inveja prevalecer ao “amor ao próximo”, continuaremos na animalidade e na ânsia de poder que não permite outras perspectivas. Com riscos de que a solidão seja a próxima paragem. Para que tal não aconteça, que se dê mais atenção à Luz que dissipa as trevas. Boa noite!
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Silêncio ou Encontro ou Dança
[Secção outros tons] "Silêncio" ou "Encontro" seriam títulos possíveis. Ou "Dança" com o ondear da chama e do fumo.
domingo, 21 de maio de 2017
Fé
Madalena Meneses
Foi um fim-de-semana intenso. Entre baptismos, primeiras Comunhões e Profissões de Fé, muito Espírito se viveu por estes lados. Junto com muitas perguntas interiores. Olho para os pequenos, seja em criança, seja em pré-adolescência, e vejo-os a celebrar algo importante e único. Olho para os familiares e amigos presentes na celebração e vejo a comunidade reunida. Em ambas as celebrações, a minha oração para cada um, para cada uma, foi, além de agradecer as suas vidas, que não ficassem com a fé estagnada, como se tivessem “cumprido” algo, nesse “já está” de papel assinado. A fé, mais que de papéis assinados, vive de testemunho e maturação… entre dúvidas e inquietações, é caminho de aprendizagem.
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Falta de Educação
Julio Lozano Brea
[Secção desabafos] Não, lamento, o problema não é o Correio da Manhã. O problema é a falta de Educação. E não de uma Educação qualquer.... é a falta da Educação do pensar e do respeitar, cada vez mais trocada pela rapidez da emoção sem filtro da razão que leva a actos completamente desumanizados... tanto no autocarro, como na publicação. Podem boicotar qualquer jornal, no entanto, enquanto se tratar a Educação como coisa menor, desde a tenra infância até à Faculdade, bem, toda a vida, mais vídeos lamentáveis continuarão a aparecer e indignações a surgir. A cultura do sensacionalismo há muito que está instalada. Para que haja mudanças, é necessário muito silêncio, reflexão e consciência da verdade acima de audiências e vendas.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
Anular fobias...
Como padre, sinto como missão, à semelhança de Jesus, ser promotor de reconciliação e de paz. Para isso, é necessário que se caminhe no reconhecimento da dignidade que desfaça todas as fobias... em especial as que anulam o respeito por seres humanos. Dando atenção ao Evangelho, Jesus rompe com catalogações, amando cada pessoa como é. Simplesmente amando.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Silêncio na consagração
Tony Gentile/Reuters
Quando Bento XVI visitou Portugal, o silêncio que se fez no Terreiro do Paço no momento da consagração foi algo que me marcou. Estavam lá milhares de pessoas. Voltei a viver a mesma sensação no sábado passado. À volta de um milhão de pessoas silenciaram-se para que as palavras de Jesus, ditas pelo Papa Francisco, ecoassem, consagrando o pão, o vinho e cada coração disponível para a conversão, no Corpo e Sangue de Cristo. O Corpo: comunidade aberta a participar da Vida que deseja sempre a vida do outro. O Sangue: essência que é atravessada de mistério do muito que há a descobrir da Vida, da misericórdia e da entrega por cada ser humano… sem excepção. O silêncio foi e é marcante. Nestes momentos, aclara-se o sentido do temor a Deus, que nada tem que ver com medo… apenas o respeito diante da beleza do mistério de quem vive a Humanidade em pleno para a salvar. 2000 anos depois, ainda há muito caminho a fazer… e silêncio, muito silêncio. Afinal, a fé não vive de gritos, mas de testemunho de Vida.
domingo, 14 de maio de 2017
Dia 13 de Maio de 2017
[Secção pensamentos soltos sobre o dia 13 de Maio em Portugal] Este vai ser um dia a recordar. Para todos os gostos, Fátima, Futebol ou Festival da Canção, fez com que Portugal sentisse a emoção do que é único a acontecer. Os três F's têm a sombra do Estado Novo, no entanto, as três realidades dos F's vividas agora, mostram mais liberdade do que se possa imaginar. Quem vai a Fátima pelos 12 e 13 de Maio a Outubro, percebe o quanto a fé tem a capacidade de unir pessoas vindas de pontos geográficos e culturais tão distintos. Este ano, marcado pela canonização de Jacinta e Francisco e pela peregrinação do Papa, foi muita emoção aliada a mensagens claras de reconciliação. Fugindo das imagens milagreiras, supersticiosas, encontrar o sentido de encontro com Maria e com Cristo: o caminho de Paz, em acções e gestos concretos contra, como nos disse o Papa Francisco, "a indiferença que gela o coração e agrava a miopia do olhar". Que gestos são esses? Ver e sentir no ser humano, em geral os que mais sofrem (de perto e de longe), alguém que não se pode descartar. Para tal é preciso reconhecer a força da conversão ao caminho de ternura e do amor. Ainda nas palavras do Papa em Fátima, "sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes." Vemos como o Amor é fundamental para a paz. Já não é uma atitude emotiva, mas uma acção concreta para que a Vida tenha sentido. Parece-me a mim, que se liga à canção vencedora, composta e cantada, pelos irmãos Sobral: Amar pelos dois, numa visão de proximidade e, alargando, Amar por e com todos numa visão de universalidade, em "preces" e em gestos. É de recordar as palavras, vestidas e ditas, de Salvador Sobral sobre os refugiados. Os gestos podem, e devem, estar imbuídos de arte, de poesia, de cultura que convidam à profundidade que molda mentalidades. Os gestos de amor devem de começar desde cedo na educação que ajuda à virtude de ajuda ao outro. E aqui, juntando também o desporto, na competição saudável e justa entre os adversários, nesse resultado de trabalho em equipa. Em resumo, a fé, aliando a emoção e a razão, ajuda-nos a perceber a força da existência a partir do Amor e da Esperança. Isso dá liberdade. A música, ou qualquer arte, quando busca a profundidade do sentir e do amar, torna-se sinal de Vida e, sem dúvida, de liberdade. O desporto quando mantém o sentido justo da sua função torna-se livre de toda a opressão, em especial a financeira, dando espaço a vitórias, mais que tudo, humanas. Dia intenso, este, de 13 de Maio de 2017.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Flor e Paz
[Secção outros tons] A suavidade da história, seja qual for, quer-se em bem me quer. A reconciliação é necessária sem floreados. No entanto, a flor, na sua singeleza, recorda a beleza da existência, sem confusão, nem lutas. A paz é e será sempre um dos efeitos da ressurreição.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Libertar amarras
[Coisas na vida de um padre] Ajudar, como o próprio Jesus, a libertar amarras e ver quem sai de uma boa conversa de verdade, antes de mais consigo mesmo, com um ar mais luminoso, é do melhor! É isto!
Conversas de e com dança
[Coisas na vida de um padre] Ontem, a coreógrafa Isabel Barros e eu estivemos à conversa a partir do mote "Creio num Deus que dança". O encontro foi no Centro Dehoniano. Entre surpresas dançantes, foi um bom momento de partilha sobre o quanto Deus dança e faz dançar. Obrigado irmãos dehonianos pelo convite.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Despertar
[Secção outros tons ao amanhecer] Quando desperto, agradeço a Deus o novo dia. Fico na cama e deixo-me sentir nesses minutos, entre a preguiça e a certeza da vida, entre o "mais um bocadinho" e os pensamentos que surgem disto ou daquilo a fazer, entre o silêncio do último sonho e o som dos primeiros carros na estrada lá fora. De tudo, faço oração. Deus é.
[Foto com poema de José Tolentino Mendonça]
segunda-feira, 1 de maio de 2017
Dia do Trabalhador
Frans Lanting
No trabalho, tal como na vida, somos chamados a respeitar as pessoas, independentemente do género ou condição social. No nosso país, ainda somos dados a muitos “salamaleques” para mostrar respeito. Mas não é pelo “Dr.” ou “Eng.” ou “Sr. Presidente” ou sei lá que mais, que se mede o respeito. Também ainda há, infelizmente, muita diferença no trato caso seja homem ou mulher, dando-se casos de profundo desrespeito. A Educação é de extrema importância para anular estas diferenças sem sentido para a dignidade. Usando a imagem do corpo, percebemos a diversidade de membros com respectivas funções de que é composto. Alargando do indivíduo para a comunidade laboral, ou “corporação”, também existe a diversidade de membros numa empresa, em que uns dependem de outros. Funcionalmente não terão o mesmo nível de importância, mas em dignidade todos merecem o respeito que impede que se caia, por exemplo, na escravatura (infelizmente ainda existe e muita. Basta pensar no flagelo do tráfico humano que em plenos século XXI é uma grande e triste realidade). Assim, mais do que uma hierarquia de poder, percebe-se a importância de uma hierarquia funcional, ou seja, de serviço, que sou, somos, chamados a viver.
Há pouco, na oração, agradeci, não só a minha experiência, como a dos meus pais que ensinaram-me a respeitar o trabalho e as dificuldades da vida. Depois dei outro passo: entreguei a Deus todas as pessoas que estão desempregadas ou que têm de se sujeitar a condições desumanas de trabalho. Conheço bastantes, entre família, amigos e conhecidos, que, infelizmente, passam por uma destas situações. Hoje não é o dia transcendente ou metafísico do trabalhador. É dia para recordar que o trabalho justo, aliado ao igual justo descanso, fazem parte da dignidade humana.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







































