terça-feira, 18 de maio de 2010
Porque a forma também conta
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Ainda no rescaldo da visita Papal...
Reconciliação! É o sentimento mais vivo em mim, depois desta vista.
Porquê?
Quem me conhece sabe que em mim habita alguma rebeldia. Esta surge pela minha vontade de questionar. Não um questionar de pôr em causa por pôr, mas o questionar de não me ficar pelo que está adquirido e ter vontade de ir mais longe. Afinal, dentro do limite do espaço e do tempo, há uma infinidade de realidades a conhecer e a viver. O meu gosto pelo diálogo, pelo contacto com o diferente, seja de opiniões, seja de realidades culturais, permite-me colocar numa posição de constante aprendizagem.
Antes de ser jesuíta, a minha relação com a Igreja sempre foi de criticar e, a meu ver após este anos passados, de forma mais destrutiva que construtiva. Curiosamente, tal tipo de crítica foi um pequeno ponto no meu processo de decisão de entrada na Companhia de Jesus. É tão fácil criticar, mas o desafio é mudar, ou tentar mudar, estando por dentro, e aceitar outras realidades que afinal eram desconhecidas. Surge a situação de, quando se conhece as coisas por dentro, se começar a ver de outra forma. Afinal, mais do que conhecer racionalmente, o viver na pele, faz com que muito “mude de figura”.
Acompanhei a preparação da visita do Papa Bento XVI através da leitura dos jornais, da escuta de comentários seja do lado de dentro, seja do lado de fora da realidade Igreja. E na minha oração pedia a Deus: “Que esta visita do Papa seja de Encontro, de diálogo, que fomente concórdia, mais que discórdia”. Talvez por este ser um dos meus motes em relação à vida. Mas também, por sentir que este Papa poderia trazer algo de novo, nesta terra de Descobrimentos.
Fui a Lisboa, fui a Fátima. Não tanto para ver o Papa de pertinho, mas para, de facto, me sentir participante de uma realidade que vai para além de mim, que é mesmo incompreensível e misteriosa, que se chama Igreja. Não de pedra, de estrutura rígida, mas de pessoas. Pessoas com histórias, vidas, sentimentos, dúvidas, ansiedades, zangas, revoltas, gostos, aproximações e afastamentos. Enfim, pessoas, com o que têm e são. Logo em Lisboa fiquei comovido com a nossa descida pela Avenida da Liberdade. Pensava, nos intercalados “Vivó Papa!” e afins: “Avenida de manifestações contra isto, contra aquilo, a reivindicar isto ou aquilo. Avenida da busca da liberdade de direitos... Mas também Avenida de busca de Liberdade através da alegria de uma comunhão. Estas pessoas que aqui descem comigo são tão diferentes e sei que têm pensamentos tão diferentes sobre Igreja, sobre Política, sobre Sociedade, sobre Deus, Jesus. E aqui estamos, a descer em Liberdade, a caminho da Missa, da Eucaristia”. É mesmo uma ida para Acção de Graças, agradecimento, e também em busca de uma Missão renovada.
E assim aconteceu, no silêncio que se dá no momento da consagração. Um silêncio confirmador do Mistério que atravessa toda aquela multidão unida, em escuta das palavras proferidas por aquele rosto de Bento XVI que une toda a Igreja. Não etérea, mas real, ali em corpo de cada pessoa. Em corpo daquele homem que, na noite seguinte iluminada por milhares de velas, reza todo o terço ajoelhado, diante do mesmo Mistério que o faz ser ao mesmo tempo frágil e forte. Fragilidade presente no físico, que pede com humor e delicadeza à malta nova que o deixe dormir... Força nas palavras que profere com a sabedoria de quem escuta o Mundo, mas de quem também escuta, sobretudo, a Palavra que lhe fala dos novos Sinais dos Tempos.
Ver Bento XVI, ver as pessoas, rezar com ele, escutá-lo no anúncio e interpretação da Palavra, fez-me sentir reconciliado, revigorado no meu sentimento de amor à Igreja, santa e pecadora.
Também ao ponto de dizer basta às vozes dissonantes, que sussurram numa constância contra tudo o que é religioso, em nome da laicidade. Sinto-me cansado de ouvir tão maus comentários seja ao Papa, seja à Igreja. Maus, não no sentido de serem opostos, esses existirão sempre, mas no sentido de serem fracos de inteligência, de reflexão. Como se todos nós, os que fazem parte da Igreja, fossemos ignorantes e andássemos alienados. Nestes dias li coisas que roçaram o fundamentalismo, pelas mesmas vozes que nos acusam de fundamentalistas. Será que leram o que o Papa disse? E se sim, será que souberam ler?
Na homilia na Missa no Porto, Bento XVI afirmou: "Nestes últimos anos, alterou-se o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade; hoje a Igreja é chamada a enfrentar desafios novos e está pronta a dialogar com culturas e religiões diversas, procurando construir juntamente com cada pessoa de boa vontade a pacífica convivência dos povos".
“Está pronta a dialogar” ou seja, está pronta a escutar e perceber o que se pode fazer, para tornarmos um mundo mais justo e melhor, de modo a que haja uma maior humanização de todos. Em convivência, ou seja, a partilhar a Vida.
Neste momento de crise, o Papa não nos veio trazer ajuda financeira, económica, mas sem dúvida que, a meu ver, veio trazer uma grande ajuda espiritual e também intelectual. Um claro convite à reflexão, à profundidade a que todos somos chamados, sobre cada um, a sociedade, a sua relação com o Todo.
A crise pode ser um lugar de questionamento que, bem vivido, leva ao crescimento humano. Mas se fazemos da crise lugar de conflito, onde o diálogo passa a monólogo, numa imposição de ideias, sem uma escuta atenta do outro, de certo que ficamos com “águas paradas”, sem desenvolvimento, nem fito do horizonte.
Creio que o Papa ajudou-nos a trazer o tal horizonte, a não termos receio da busca do essencial, que passa inevitavelmente pelo diálogo, pelo encontro, pela busca de caminhos que leve à verdadeira humanização de cada pessoa na sociedade em que se encontra.
E, como afirmei no início, o meu sentimento profundo, depois destes dias, é de reconciliação. Uma reconciliação, reafirmo, que me leva a amar ainda mais a Igreja, santa e pecadora, e dedicar a minha vida ao contributo do crescimento humano, neste caminho de consagração.
Afinal, também quero fazer-me “lugar de beleza” ajudando, no que me for pedido, outros a serem-no também.
sábado, 15 de maio de 2010
A não perder!!!!
A Companhia de Teatro Industrial decide lançar como sua primeira produção «UMBEIJO DE SAL COM VENTO», a partir do texto de Mathilde Ferreira Neves, «O Pescador de Estrelas».
«Nessa noite fantástica, o mar escreveu no areal com letras garrafais para que toda a gente pudesse ler: “Os sonhos não podem morrer…” Luza nunca mais se esqueceu desta história contada por Luana. Era uma excelente história para curar cometas.»
Este espectáculo direccionado para a infância, aborda e condensa num mundo fantasioso várias temáticas: a amizade, os sonhos e o sentimento de perda. O que o torna muito abrangente e acessível, sendo apreciado, também, por adultos.
22 e 29 de Maio às 16h (público em geral)
24 a 28 de Maio às 10h30 e às 14h30 (para escolas – os professores não pagam
quando acompanhados das suas turmas)
Auditório Carlos Paredes Av. Gomes Pereira, Lisboa (Benfica)
Bilhetes: €5 (adultos) €4 (crianças)
Reservas: 963 661 601 reservas@palavradarte.com
Classificação Etária: M/3 anos
Duração: aproximadamente 40 minutos sem intervalo
terça-feira, 11 de maio de 2010
Pergunto eu
Quanto a Cavaco, pode haver quem não se lembre, mas não tendo tido problemas de financiamento devido aos milhares de euros de fundos vindos da Europa, na década de 90, este nunca teve preocupações com a gestão do déficit.
terça-feira, 4 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Os tempos que correm
segunda-feira, 12 de abril de 2010
A não perder
quarta-feira, 31 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
A propósito de "Requiem" de Rui Lopes Graça...
quarta-feira, 24 de março de 2010
sábado, 20 de março de 2010
Uma reflexão solta sobre a Beleza...
“Qualquer experiência de beleza aponta para o infinito”
Hans Urs von Balthasar
Depois de três grandes “Conversas” em que mergulhei(ámos) na beleza, fico a sentir os ecos que me provocaram... Ecos que se consolidam numa palavra que me acompanha há tempos: Encontro!
O Encontro, no limite do espaço e tempo, do infinito. Traduzível no diálogo a estabelecer entre as várias dimensões de nós, humanos, ao nível exterior e interior. A beleza do encontro através do encontro com a beleza de quem está disposto a viver a reciprocidade do dar e do receber.
E, assim, deixar que a conversão aconteça, permitindo o espaço de universalidade, através da compreensão, do respeito, da integração da relação geradora de vida.
Na “conversa” (esta última) apercebi-me mais um pouco de que o entendimento é porta para a revelação.
Entender o que está para além do meu rápido ver ou escutar, o que está para além da superficialidade do momento, o que está para além do meu gosto ou desgosto desta ou daquela pessoa...
Conhecer para aprofundar um mais que se esconde no imediato, sem pensamento ou reflexão.
Depois, mais que o conhecimento, entraremos na sabedoria que conjuga a plenitude do viver. O convite ao saber viver.
A sabedoria da vida: promove a abertura ao Outro. Saio da minha casa, entro na cidade, que me aponta o pais, levando-me ao planeta e daí entro no Todo... Dá-se em mim a consciência, a revelação, o êxtase clarificador da minha pequenez que me torna grande diante do olhar Divino...
E assim sou chamado a promover a beleza do Encontro e sentir a certeza de somos criados, não para uma uniformidade, mas para uma união de corações, mais ampla que das diferenças.
Nesses passos, o Infinito descobre-se e a Beleza surge em toda a Sua plenitude, segredando continuamente: “Não temas, confia!”.
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Em que sentido?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
www.passo-a-rezar.net
FALTA DE TEMPO PARA REZAR?
Os jesuítas acabam de lançar o passo-a-rezar.net uma proposta de oração para quem não vive parado
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
"Em defesa de Bento XVI" de Bernard Henri-Lévy
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Projecto B, excertos das conversas.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Adaptado aos tempos modernos com outros sujeitos
in «The Merchant of Venice» by William Shakespeare
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Não se pode dar, mas que se dá, dá.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Para fechar o ano
Oscar Wilde
Via IPC
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Poesia, amor e santidade!
"De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.
sábado, 19 de dezembro de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A tradição já não é o que era
Será?
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Advento...
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
"As Fontes" de Sophia
Um dia quebrarei todas as pontes
Que ligam o meu ser, vivo e total,
À agitação do mundo do irreal,
E calma subirei até às fontes
Irei até às fontes onde mora
A plenitude, o límpido esplendor
Que me foi prometido em cada hora,
E na face incompleta do amor
Irei beber a luz e o amanhecer,
Irei beber a voz dessa promessa
Que às vezes como um vôo me atravessa,
E nela cumprirei todo o meu ser.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
A não perder
O texto escrito, aos onze anos, por Adília Lopes e que deu a estas obras a oportunidade de existirem é disto um augúrio. Aí, a morte é olhada da infância (“fiquei parada, contemplando o passarito, como se ele fosse um sinal vermelho que me impedisse de avançar”) e a infância é vista da morte (“jamais esperaria o Sol, as flores, o arco-íris, estava morto, enfim”).
Pedro Rapoula leu esse texto, voltou a lê-lo, e deu-lhe as imagens de uma alucinação serena. Pegou nas andorinhas de Rafael Bordalo Pinheiro e disse às suas mãos para descobrirem nelas um sentido oculto de crueldade.
Paula Rego afirmou-me um dia que, de todos os artistas portugueses, Bordalo Pinheiro é o mais capaz de lhe gerar encantamento e espanto. Quando fala dele a sua voz fica alta como os crimes dos seus quadros. Para isto ser como digo, é porque também ela adivinhou em Bordalo uma crueldade exacta e injusta como a da morte .
Eu olho estas aves de Rapoula, cercadas pelo vidro das suas caixas-sarcófagos, e já não consigo chamar-lhes andorinhas. A morte aproximou-se tanto delas, e aproximou-as tanto de nós, que elas deixaram de ser o que foram.
O Pedro Rapoula falou-me deste seu trabalho trocando a ligeira altivez do seu grupo humano por uma gravidade discreta que o universaliza. Eu sei que ele fica feliz (e só isso lhe bastaria) quando fixa os gestos que as suas mãos fazem para acrescentar as coisas de outras coisas – as que dão leveza ao peso e peso à leveza.
Dizer o nome da morte é falar do tempo e do seu extermínio. Mas o nosso tempo foge do tempo, num fuga veloz a que chama vida. Gosta de sustos falsos, fáceis e fúteis. Não gosta de medos fundos como o prego daquela noite de que um dia falou Cesariny: “ a noite como um prego a noite louca/ a noite com árvores na boca”.
Rapoula aponta aqui ao lugar em que o voo ágil das aves se cruza com o voo trôpego do tempo. Esta exposição dá a Saturno e à sua voracidade um corpo frágil (nada há mais frágil do que a beleza) e múltiplo (nada há mais bem dividido do que a morte). Na horizontalidade caída dos pássaros negros há um grito vertical que rege o seu sentido. Mas, chegado aqui, desvio-me, porque lembro o que afirmou Susan Sontag: “ Em vez de uma hermenêutica, nós precisamos de uma erótica da arte”.
Os antiquários são casas de tempo. Neles, há a sombra de uma luz maior do que essa que nos alegra quando a olhamos no fulgor frio das jóias, no reflexo fugidio dos cristais, no brilho liso das porcelanas. Não existe melhor lugar para dar a ver estes pássaros-vítimas do que um antiquário com a sua elegância melancólica e avara. Ninguém como Visconti disse “morte”, quando dizia “beleza”. Assim, não há mais viscontiana nem melhor companhia para esta exposição do que a de uma outra que se chama “Vanitas”, pois em face desta palavra estão as antiquísssimas caveiras que a usam para nos lembrarem a morte e o nosso conflito com ela.
Aqui, estes pássaros torturados acrescentam à melancolia do lugar a crueldade que lhe falta, sem desfazerem a elegância que lhe sobra. Por isso, é acertado que esta exposição se faça sob o nome de “Primavera”, pois esse é o tempo do ano em que tudo nasce para morrer.”
José Manuel dos Santos
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Será a verdade sobre a Gripe A?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Informe C3 - 7ª Edição
Release da edição:
Rituais podem ser formas de realizar algo acreditando que certos costumes e características “fundamentais” são responsáveis pela realização, a dita perfeição e concretização do que se pretende alcançar. Como são os rituais nas culturas urbanas contemporâneas? No que diferentes grupos sociais têm acreditado e reconhecido como importante? Ritual, repetição necessária ou T.O.C (transtorno obsessivo compulsivo)?
Colaborei com o artigo: "Questões de Fé, crenças e Culto... em aberto".
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Uma aventura no Ministério da Educação

segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A propósito do "Talk Show - até se apagar o corpo" de Rui Horta...
Sento-me. Quando entrei já a música anunciava ritmo acelerado, ao toque cardíaco de pulso pousado no braço da cadeira. Os outros entram e observo. Observo a entrada e a montagem da cena...
Já está! Acontece, enquanto trocas de palavras de quem entra na sala e pede licença para se sentar no lugar do meio...
Acontece! Algo Acontece!
Linóleo, fita, música a pulsar, movimento de montagem, maca que se torna mesa...
E continuam a entrar como se nada estivesse a acontecer. Há quem repare, mas o registo é de que não é nada com eles, comigo... Observo!
Acontece, já está o desenrolar de algo que passa ao lado. O mundo passa ao lado e continuo de conversa, como se ainda não tivesse começado... Sim, já começou: o dia, a vida, os sonhos, os desejos, a guerra, a fome, a angústia, a esperança, a (des)Humanização!
Diante da notícia do coração. Personagem principal no desenrolar da História que apaga um enquanto ilumina outro, destacando corpos novos, corações mudados.
Mas não há mudança, as pessoas não mudam... Será? Quando minunciosamente dou conta dos movimentos que me informa sobre a troca de orgão tão nobre... Não haverá mudança? Despem-se... Já não são o fluxo e o refluxo, o corpo de um e de outro, o coração meu que agora é teu mas não deixa de me pertencer pois a existência não está fechada numa caixa com válvulas que bombeia a alma por todo o meu ser que também és tu... que recebes(-me). E vives!
A imagem de fundo de beleza de corpos sem adornos, contrapondo-se aos batimentos de quem exige a mudança!
"Quero que mudes!"
Atrasos como pretexto para obrigar a renovações de uma relação que há muito grita. Quem anúncia passa a estar no centro, expondo a violência dos corpos, de exigência da mudança... O teu coração é outro, mas tu és o mesmo? Como é possível? Tens de mudar! Obrigo-te... No jogo da humanidade e animalidade. Seremos, não, como cães?
[A suavidade dos deuses, enquanto observam de longe aquele desenrolar de histórias entre seres que (in)conscientemente procuram entender-se, contrapõe o gesto.]
Cada um caracteriza o outro! Em formas, sons, luzes diferentes. Somos diferentes, mesmo que possamos receber corações de outros que entram na nossa vida, dando-nos vida, ou tirando-a. Corações que são anatomicamente iguais! Porquê tanta falta de respeito se somos iguais na diferença?... Basta pensar, recordar, a(s) viagem(ens) que marcam a vida. Aquela(s) cujas rotas foram traçadas, assinaladas com a fotografia presente na memória. A viagem que mudou, sim mudou a minha, a tua, a nossa vida enquanto seres que se deixam (des)conhecer.
Perco o pudor e assim registo cada milímetro de pele que te faz diferente, na mudança que marco com o avançar da idade. O pensamento alia-se a este tornar velho do corpo, amadurecido. E o interior junta-se ao exterior, afinal não é mecânico, não tem instruções, a vida não está traçada ao pormenor, daí que os atrasos podem fazer mudanças.
Registo a viagem, registo a memória, registo(-me)(-te)...
E quando chego ao destino, o corpo apaga-se...
... fica a voz do recordar!








